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Conheça esta significativa tradição e veja a mensagem que o Papa Francisco enviou aos irmãos ortodoxos

Igreja Ortodoxa comemora o Natal no dia 7 de janeiro, e esta é uma das suas festas mais importantes do ano.

Esta data vem do antigo calendário Juliano, estabelecido no ano 46 a.C. por Júlio César e baseado no movimento do sol para medir o tempo. Este calendário tem um atraso de 13 dias com relação ao gregoriano e, portanto, também com relação aos ritos religiosos católicos.

Durante todo o dia 6 de janeiro, os fiéis ortodoxos permanecem sem comer: é o ponto final do jejum de 40 dias que precede o Natal. Nesse mesmo dia, tanto de manhã quanto à tarde, assistem a Missas solenes.

O jejum termina ao anoitecer, com o aparecimento da primeira estrela no céu, que simboliza a estrela sobre Belém na hora do nascimento de Jesus.

Durante o Ângelus da Epifania do Senhor, o Papa cumprimentou os irmãos ortodoxos por ocasião do seu Natal, um dia depois de anunciar sua peregrinação à Terra Santa (que coincidiu com a comemoração dos 50 anos do abraço entre Paulo VI e o patriarca ortodoxo Atenágoras).

“Irmãos e irmãs, dirijo minha cordial saudação aos irmãos e irmãs das Igrejas Orientais, que celebrarão o Natal amanhã.Que a paz que Deus deu à humanidade com o nascimento de Jesus, Verbo encarnado, reforce em todos a fé, a esperança e a caridade, e dê conforto às comunidades cristãs que sofrem provações”, disse o Papa Francisco.

sources: SIC
aleteia.org/pt

O Papa João Paulo II, na Carta às Famílias, chamou a família de “Santuário da vida” (CF, 11). Santuário quer dizer “lugar sagrado”. É ali que a vida humana surge como que de uma nascente sagrada, e é cultivada e formada. É missão sagrada da família: guardar, revelar e comunicar ao mundo o amor e a vida.

O Concílio Vaticano II já a tinha chamado de “a Igreja doméstica” (LG, 11) na qual Deus reside, é reconhecido, amado, adorado e servido; nele também foi ensinado que: “A salvação da pessoa e da sociedade humana estão intimamente ligadas à condição feliz da comunidade conjugal e familiar” (GS, 47).

Jesus habita com a família cristã. A presença do Senhor nas Bodas de Caná da Galiléia significa que o Senhor “quer estar no meio da família”, ajudando-a a vencer todos os seus desafios; e Nossa Senhora ali o acompanha com a sua materna intercessão.

Desde que Deus desejou criar o homem e a mulher “à sua imagem e semelhança” (Gen 1,26), Ele os quis “em família”. Por isso, a família é uma realidade sagrada. Jesus começou sua missão redentora da humanidade na Família de Nazaré. A primeira realidade humana que Ele quis resgatar foi a família; Ele não teve um pai natural aqui, mas quis ter um pai adotivo, quis ter uma família, e viveu nela trinta anos. Isso é muito significativo. Com a presença d’Ele na família – Ele sagrou todas as famílias.

Conta-nos São Lucas que após o encontro do Senhor no Templo, eles voltaram para Nazaré “e Ele lhes era submisso” (cf. Lc 2,51). A primeira lição que Jesus nos deixou na família é a de que os filhos devem obedecer aos pais, cumprindo bem o Quarto Mandamento da Lei. Assim se expressou o Papa João Paulo II:

“O Filho unigênito, consubstancial ao Pai, ‘Deus de Deus, Luz da Luz’, entrou na história dos homens através da família” (CF, 2).

Ao falar da família no plano de Deus, o Catecismo da Igreja Católica (CIC) diz que ela é “vestígio e imagem da comunhão do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Sua atividade procriadora e educadora é o reflexo da obra criadora do Pai” (CIC, 2205). E na sua mensagem de Paz, do primeiro dia do Ano Novo (2008) o Papa Bento XVI deixou claro que sem a família não pode haver paz no mundo. E o Papa fez questão de ressaltar que família é somente aquela que surge da união de um homem com uma mulher, unidos para sempre, e não uma união homossexual que dá origem a uma falsa família.

“A família é a comunidade na qual, desde a infância, se podem assimilar os valores morais, em que se pode começar a honrar a Deus e a usar corretamente da liberdade. A vida em família é iniciação para a vida em sociedade” (CIC, 2207).

A Família de Nazaré sempre foi e sempre será o modelo para todas as famílias cristãs. Acima de tudo, vemos uma família que vive por Deus e para Deus; o seu projeto é fazer a vontade de Deus. A Sagrada Família é a escola das virtudes por meio da qual toda pessoa deve aprender e viver desde o lar.

Maria é a mulher docemente submissa a Deus e a José, inteiramente a serviço do Reino de Deus: “Eis aqui a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a sua palavra” (Lc 1,38). A vontade dela é a vontade de Deus; o plano dela é o plano de Deus. Viveu toda a sua vida dedicada ao Menino Deus, depois ao Filho, Redentor dos homens, e, por fim, ao serviço da Igreja, a qual o Redentor instituiu para levar a salvação a todos os homens.

José era o pai e esposo fiel e trabalhador, homem “justo” (Mt 1, 19), homem santo, pronto a ouvir a voz de Deus e cumpri-la sem demora. Foi o defensor do Menino e da Mãe, os tesouros maiores de Deus na Terra. Com o trabalho humilde de carpinteiro deu sustento à Família de Deus, deixando-nos a lição fundamental da importância do trabalho, qualquer que seja este.

Em vez de escolher um pai letrado e erudito para Jesus, Deus escolheu um pai pobre, humilde, santo e trabalhador braçal. José foi o homem puro, que soube respeitar o voto perpétuo de virgindade de sua esposa, segundo os desígnios misteriosos de Deus.

Família de Nazaré é para nós, hoje, mais do que nunca, modelo de unidade, amor e fidelidade. Mais do que nunca a família hoje está sendo destruída em sua identidade e em seus valores. Surge já uma “nova família” que nada tem a ver com a família de Deus e com a Família de Nazaré.

As mazelas de nossa sociedade –, especialmente as que se referem aos nossos jovens: crimes, roubos, assaltos, seqüestros, bebedeiras, drogas, homossexualismo, lesbianismo, enfim, os graves problemas morais e sociais que enfrentamos, – têm a sua razão mais profunda na desagregação familiar a que hoje assistimos, face à gravíssima decadência moral da sociedade.

Como será possível, num contexto de imoralidade, insegurança, ausência de pai ou mãe, garantir aos filhos as bases de uma personalidade firme e equilibrada e uma vida digna, com esperança?

Como será possível construir uma sociedade forte e sólida onde há milhares de “órfãos de pais vivos”? Fruto da permissividade moral e do relativismo religioso de nosso tempo, é enorme a porcentagem dos casais que se separam, destruindo as famílias e gerando toda sorte de sofrimento para os filhos. Muitos crescem sem o calor amoroso do pai e da mãe, carregando consigo essa carência afetiva para sempre.

A Família de Nazaré ensina ainda hoje que a família desses nossos tempos pós-modernos só poderá se reencontrar e salvar a sociedade se souber olhar para a Sagrada Família e copiar o seu modo de vida: serviçal, religioso, moral, trabalhador, simples, humilde, amoroso… Sem isso, não haverá verdadeira família e sociedade feliz.

Prof. Felipe Aquino

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A Igreja celebra a Epifania, isto é, a manifestação do Senhor ao mundo inteiro. Os Magos representam os povos de todas as línguas e nações que se põem a caminho, chamados por Deus, para adorar Jesus (cf. Mt 2, 1-12).

Nos Reis Magos, vemos milhares de almas de toda a terra que se procuram o Senhor para adorará-Lo. Passaram-se vinte séculos desde aquela primeira adoração, e esse longo desfile do mundo inteiro continua chegando a Cristo.

A festa da Epifania incita todos os fiéis a partilharem dos anseios e fadigas da Igreja, que “ora e trabalha ao mesmo tempo, para que a totalidade do mundo se incorpore ao Povo de Deus, Corpo do Senhor e Templo do Espírito Santo” (LG 17). Nós podemos ser daqueles que, estando no mundo, imersos nas realidades temporais, viram a estrela de uma chamada de Deus e são portadores dessa luz interior que se acende em consequência do trato diário com Jesus. Sentimos, pois, a necessidade de fazer com que muitos indecisos ou ignorantes se aproximem do Senhor e purifiquem a sua vida.

A Epifania é a festa da fé e do apostolado da fé. “Participam desta festa tanto os que já chegaram à fé como os que procuram alcançá-la. Participa desta festa a Igreja, que cada ano se torna mais consciente da amplitude da sua missão. A quantos é necessário levar ainda a fé! Quantos homens é preciso ainda reconquistar para a fé que perderam, numa tarefa que é às vezes mais difícil do que a primeira conversão!

A Epifania recorda-nos que devemos esforçar-nos por todos os meios ao nosso alcance para que todos os nossos amigos, familiares e colegas se aproximem de Jesus.

Os Magos, seguindo a estrela, encontram o lugar onde estava o Salvador com Maria e José. E voltaram às suas regiões por outro caminho.

Quem encontra Jesus Cristo muda de caminho. Toma outro caminho. Um caminho novo, o caminho de Jesus Cristo que se apresenta como o Caminho. O encontrar Deus no menino transforma a vida das pessoas. Já não podem voltar a Herodes. Voltaram por outro caminho à sua região. Importa seguir a estrela que pousará onde está Jesus Cristo. Precisamos estar atentos à estrela. A estrela são todos os sinais de Deus para que encontremos o Messias Salvador: a Palavra de Deus, os Sacramentos, o Magistério da Igreja, uma boa palavra do sacerdote ou de pessoas amigas, os acontecimentos da vida.

Os Magos seguiram a estrela. Não duvidaram, porque sua fé era sólida, firme; não titubearam perante a fadiga de tão longa viagem, porque o seu coração era generoso. Não adiaram a viagem para mais tarde, porque tinham alma decidida. É importante aprender dos Magos a virtude da perseverança: mesmo durante o tempo em que a estrela se ocultou aos seus olhares continuaram à procura do Menino! Também nós devemos perseverar na prática das boas obras, mesmo durante as mais obscuras trevas interiores. É a prova do espírito, que somente pode ser superada num intenso exercício de fé. Sei que Deus assim o quer, devemos repetir nesses momentos: Sei que Deus me chama e isso basta! “Sei em quem pus a minha confiança” (2Tm 1, 12).

Sejamos estrelas que vão indicando o caminho ao próximo para que ele encontre o Messias Salvador. Há muitas maneiras de sermos estas estrelas, dando testemunho de Jesus Cristo. Isso na família, na Igreja e na sociedade. Que na festa da Epifania nos deixemos guiar pela estrela, iluminar por ela, e poderemos ser luz para os outros.

Peçamos à Virgem Maria que nos conduza ao seu Filho Jesus. Os Reis Magos tiveram uma estrela. Nós temos Maria!

Mons. José Maria Pereira

Fonte: http://www.presbiteros.com.br

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Você está disposto a guiar as pessoas em seu caminho rumo a Deus?

Hoje em dia, a maioria dos motoristas utiliza o GPS, especialmente quando pretendem chegar a um lugar desconhecido. Basta programar o aparelho e seguir suas indicações, até chegar ao lugar desejado.

Na véspera da festa dos Reis Magos, a Epifania do Senhor, podemos aproveitar para usar nossa imaginação.

Cada cristão recebeu uma espécie de envelope fechado, preparado com sumo cuidado, no qual pode ser lida a palavra “urgente”. Abrimos o envelope e encontramos uma carta dos Reis Magos, que diz o seguinte:

“Nós, para conseguirmos chegar até Jesus, tivemos de seguir uma estrela. Ela foi nosso GPS. Confessamos que, em alguns momentos, o sinal que nos guiava desapareceu, situação que provocou certo desconcerto e preocupação.

Foi então que recorremos aos escritos, à Palavra de Deus e ao conselho daqueles que poderiam nos orientar para continuar o caminho. Finalmente, conseguimos achar Jesus, o rei dos judeus. Sua pequenez e pobreza não nos fizeram hesitar. Oferecemos-lhe nossos presentes: ouro, incenso e mirra.

Hoje, você é o GPS que pode conduzir até Jesus. Mas como?

É preciso estar aberto a que lhe perguntem por Ele, de diversas maneiras, inclusive sem pronunciar seu nome; que, vendo você, seu jeito de ser, as pessoas se atrevam a lhe perguntar sobre sua forma de agir.

Pode ser que, de cara, você não ouça a expressão “Jesus”, mas sim que lhe perguntem onde podem encontrar amor, sentido, felicidade, força, perdão, amabilidade, alegria… tal como você vive. Você precisa saber interpretar que, no fundo, estas pessoas buscam Jesus e tudo o que Ele oferece. É então que você deverá estar disposto a guiá-las até Ele.

Mas que satélites tornarão possível que você seja um GPS operativo e fiel para iniciar o caminho? Que fonte de energia o alimentará para ser um guia eficaz?

Seu principal satélite é a Palavra de Deus, especialmente o Novo Testamento. Ler a Bíblia, meditá-la, orar, buscar quem possa ajudá-lo a saboreá-la é fundamental.

Também é imprescindível que você se alimente com a Eucaristia e se atualize seu sistema operacional com o sacramento da Confissão. Se necessário, também com o da Unção dos Enfermos.

Com frequência, você precisará se conectar ao Senhor por meio da oração, e deixar-se ajudar por outros irmãos e irmãs que também o encontraram.

Então, coloque as pessoas que você guia em comunicação com outros que também têm experiência na missão, pois às vezes pode ser que o seu sinal fique fraco ou seja insuficiente.

Você contemplará com alegria que aqueles a quem você guiou atéJesus já não lhe oferecem ouro, incenso e mirra, mas sua própria vida.

Ah, não se esqueça de ser um bom GPS para todas as crianças, desde os primeiros anos, acompanhando-as também ao longo das demais etapas da vida.”

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“A Sua Santidade Papa Francisco, em nome do nosso Senhor onipotente e glorioso, eu, Asia Bibi, gostaria de exprimir toda a minha profunda gratidão a Deus e ao senhor, meu Pai Santo. Espero também que cada cristão tenha podido celebrar com alegria o Natal. Como muitos outros prisioneiros, eu também comemorei o nascimento do senhor na prisão de Multan, aqui no Paquistão.”
 
Assim começa a carta que Asia Bibi, a mãe católica que foi condenada à morte acusada de blasfêmia no Paquistão, escreveu ao Papa Francisco e que foi publicada pelo jornal italiano Avvenire.
 
A mulher está presa há quatro anos e meio, esperando seu julgamento.
 
“Quero agradecer à Renaissance Education Foundation, que realizou meu sonho de viver o Natal junto ao meu marido e aos meus filhos, trazendo-os aqui a Multan. Eu gostaria de ter estado em São Pedro para passar o Natal e rezar junto ao senhor, mas tenho confiança no projeto que Deus tem para mim e espero poder realizá-lo no próximo ano. Estou muito agradecida a todas as igrejas que estão rezando por mim e lutam pela minha liberdade”, escreve Asia Bibi.
 
E continua: “Não sei quanto poderei aguentar. Se ainda estou viva, é graças às forças que suas orações me dão. Já conheci muitas pessoas que lutam por mim, mas infelizmente isso não foi suficiente. Neste momento, quero me entregar somente à misericórdia de Deus, que tudo pode. Somente Ele pode me libertar”.
 
“Neste inverno, estou enfrentando muitos problemas: minha cela não tem calefação nem uma porta adequada para me proteger do frio penetrante; as medidas de segurança também não são adequadas; não tenho os itens básicos para as minhas necessidades cotidianas e estou muito longe de Lahore, então minha família não consegue me ajudar”, desabafa.
 
“Finalmente, Santo Padre, queira aceitar meus melhores votos para o ano novo. Sei que o senhor reza por mim com todo o coração, e isso me dá confiança de que um dia minha liberdade será possível.”
 
Asia Bibi se despede do Papa: “Na certeza de que o senhor se lembrará de mim em suas orações, envio-lhe uma carinhosa saudação. Asia Bibi, sua filha na fé.”
sources: Religión en Libertad

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Após o Natal, a Igreja põe diante de nossos olhos, para serem contemplados em seus detalhes, os diversos quadros que se sucederam ao grande acontecimento. Chama atenção, de modo especial, a realidade da família, a Sagrada Família de Nazaré, Jesus, Maria e José. Deus, que é todo-poderoso, poderia inventar outras formas para o seu Filho vir ao mundo e salvá-lo, mas quis que tudo acontecesse pelo meio mais comum, uma família humana, com tudo o que isso significa: casa, trabalho, afeto, dificuldades mil, enfermidades, vizinhança, envolvimento com a sociedade e daí por diante.

No entanto, esta família foi pensada justamente no Céu, no seio da Trindade, para ser um de seus mais lindos reflexos aqui na terra. Ela é “sagrada”. Tudo o que faz parte do plano de Deus tem esta sacralidade característica. O sagrado é “separado” do resto e preservado pelo seu imenso valor, enquanto portador de tesouros destinados ao bem de todos os filhos de Deus. Nunca o sagrado seja visto pelos cristãos como ameaça ou proibição, mas sempre como ideal a ser acolhido e alcançado, para o que não falta a graça de Deus.

Sagrada é aquela família pela presença de Maria, Virgem e Mãe, Escrava do Senhor, que se deixou revestir da Palavra de Deus, pronta a servir e amar, discípula de seu próprio Filho, esposa, mãe e viúva, mulher forte, como a vemos aos pés da Cruz, mulher da prece e do louvor, no testemunho do Magnificat. Sagrada é a família porque conduzida por José, homem elogiado por uma expressão riquíssima de significado na Escritura, “justo”, o oposto do ímpio. Nenhuma palavra sua foi registrada na Bíblia, mas o que ele fez, as sábias decisões tomadas para ser fiel a Deus, tudo resume a altura a que chegou aquele carpinteiro de Nazaré. Sagrada Família porque sua razão de ser era o acolhimento do Messias Salvador, Jesus Cristo, Filho de Deus, chamado Filho do Homem! Sagrada Família porque tabernáculo protetor da presença de “Deus conosco – Emanuel”.

Esta é “sagrada” e é família. Todas as relações existentes numa família ali se encontram: esponsalidade, paternidade, maternidade, filiação. O Pai do Céu certamente tinha algo a dizer quando assim constituiu a Família de Nazaré. “E Jesus, no limiar da sua vida pública, Jesus realiza o seu primeiro sinal – a pedido da sua Mãe – por ocasião duma festa de casamento. A Igreja atribui uma grande importância à presença de Jesus nas bodas de Caná. Ela vê nesse fato a confirmação da bondade do matrimônio e o anúncio de que, doravante, o matrimônio seria um sinal eficaz da presença de Cristo. Na sua pregação, Jesus ensinou sem equívocos o sentido original da união do homem e da mulher, tal como o Criador a quis no princípio: a permissão de repudiar a sua mulher, dada por Moisés, era uma concessão à dureza do coração, mas a união matrimonial do homem e da mulher é indissolúvel: foi o próprio Deus que a estabeleceu: ‘Não separe, pois, o homem o que Deus uniu’” (Mt 19, 6; cf. Catecismo da Igreja Católica, números 613-614)

Há um plano de Deus, revelado desde a criação, para a família. “O pacto matrimonial, pelo qual o homem e a mulher constituem entre si a comunhão íntima de toda a vida, ordenado por sua índole natural ao bem dos cônjuges e à procriação e educação da prole, entre os batizados foi elevado por Cristo Senhor à dignidade de sacramento” (CIC 1601). Ainda que com o devido respeito aos direitos de todas as pessoas e sem discriminar quem quer que seja, é fácil entender que a proposta para a família, vinda da Escritura e da história da Igreja, tem suas características próprias, que desejamos respeitadas e reconhecidas. Não temos “em oferta” para as pessoas e grupos outros modelos de família entre os cristãos, a não ser a família monogâmica e exclusiva, entre um homem e uma mulher, aberta à vida, capaz de contribuir na obre criadora de Deus e o bem da sociedade. Quem escolher o cristianismo terá a alegria de optar por esta estrada quanto à formação de uma família, o que não significa lançar sentenças condenatórias ou entrega aos poderes do inferno das pessoas que não vivem assim. Deus é eterno em seu amor e encontrará as formas para tocar o coração de todos os homens e mulheres.

Retornando a Nazaré, as famílias de nosso tempo, que desejam ser famílias e sagradas, são convidadas pela Igreja a se espelharem em Jesus, Maria e José. A leitura dos Evangelhos nos faz identificar uma família que reza (cf. Lc 2,41-42), busca a vontade do Pai (cf. Mt 1,18-24; Mt 2,13-23; Mc 3,33), enfrenta as dificuldades, como a falta de hospedagem em Belém ou a perseguição de Herodes (cf. Lc 2,1-7; Mt 2,13-18), trabalha (“não é este o carpinteiro, o filho de Maria?” – Mc 6,3), enfrenta a dura realidade da Cruz (“Junto à Cruz de Jesus, estavam de pé sua mãe e a irmã de sua Mãe, Maria de Cléofas, e ainda Maria Madalena” – Jo 19,25). Os laços familiares ainda estarão presentes na preparação da vinda do Espírito Santo, após a Ressurreição e a Ascensão, em oração, junto aos discípulos de Jesus (cf. At 1,14).

Sagrada Família de Nazaré! A ela confiemos nossas famílias e todas as famílias de nosso tempo: “Ó Deus de bondade, que nos destes a Sagrada Família como exemplo, concedei-nos imitar em nossos lares as suas virtudes para que, unidos pelos laços do amor, possamos chegar um dia às alegrias da vossa casa. Amém.”

Dom Alberto Taveira Corrêa – Arcebispo Metropolitano de Belém

catedral

Imagem da Catedral de Nossa Senhora Aparecida é uma das vencedoras da seletiva do Paisagens Mineiras

A Catedral de Nossa Senhora Aparecida, em Montes Claros (Norte de Minas), impressiona pelo seu tamanho e aspectos arquitetônicos, sendo enxergada de diversos pontos da cidade. A beleza do monumento chamou a atenção do estudante Thiago Alves, de 20 anos, um dos vencedores da segunda seletiva do Paisagens Mineiras.

Aluno do curso de técnico em mineração, Thiago conta que o gosto pela fotografia o acompanha há muito tempo e, por isso, passou a carregar uma câmera a tiracolo. E foi numa manhã, quando saía para uma aula prática do curso técnico, que ele fez a foto classificada no concurso. “Eu passava pelo Centro de Montes Claros e resolvi fotografar a catedral “As nuvens atrás da igreja estavam muito bonitas e fiz a foto”, lembra Thiago. “Acho que consegui uma combinação perfeita entre a igreja, a luz natural e as nuvens”, completa o jovem.

Ele conta que aproveita seu tempo livre para fotografar tudo aquilo que chama sua atenção, registrando paisagens também da histórica Grão Mogol, cidade do Norte de Minas, onde nasceu. “Já tenho um arquivo digital com mais de mil fotografias”,  conta o estudante.

Thiago também teve a oportunidade de exercer a solidariedade. Por indicação dele, a Fundação Sara, sediada em Montes Claros e que presta assistência a crianças com câncer, foi contemplada com um kit multimídia (computador, impressora e periféricos), além de uma assinatura digital do EM. A entidade atende cerca de 700 crianças do Norte de Minas. Nela, além da hospedagem e alimentação, elas recebem apoio e encaminhamento para realização de exames e consultas, visando a acelerar o diagnóstico e o tratamento. A fundação conta com filial em Belo Horizonte, para o atendimento a crianças de outras regiões do estado.

O presidente da Fundação Sara, Álvaro Gaspar Costa, ressaltou a importância da escolha da entidade para receber o kit multimídia. “Com certeza, isso representa um reconhecimento do trabalho da nossa fundação, que mostra que é possível a cura do câncer infantil” diz Costa. Ele ressalta que a entidade tem como grande desafio acelerar o diagnóstico de câncer em crianças. Quando mais cedo for descoberta a doença, maiores as chances de cura”, observa.

Luiz Ribeiro

http://www.em.com.br/app/noticia/gerais/2013/12/21/interna_gerais,481468/imagem-de-catedral-de-nossa-senhora-aparecida-e-uma-das-vencedoras-da-seletiva-do-paisagens-mineiras.shtml

http://www.dzai.com.br/pm/

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Se o ano inteiro fosse como o Natal, o mundo seria muito melhor

No Natal, nós comprovamos isso: a satisfação de doar-se aos outros com alguma ajuda espiritual ou material é incomparável à que se sente quando se recebe. O desprendimento nos faz sentir em paz e felicidade conosco mesmos.

Ter como premissa básica de vida que “é melhor dar que receber” nos permite libertar-nos das ataduras, sair da egolatria, além de experimentar a placidez que a generosidade produz.

É preciso doar-se com disposição, sem arrepender-se, sem esperar alguma recompensa ou gratidão; o maior beneficiado acaba sendo quem se doou, assim como ocorre quando se perdoa alguém.

Em um artigo publicado por Catolic.net, Francisco Cardona faz uma comparação, para exemplificar o que acontece quando uma pessoa é generosa – ou não.

“Na Terra Santa existem dois lagos alimentados pelo mesmo rio, situados a poucos quilômetros de distância um do outro, mas com características surpreendentemente diferentes. Um é o Lago de Genesaré e o outro é o chamado Mar Morto.

O primeiro é azul, cheio de vida e de contrastes, de calma e tempestade. Em suas margens se refletem delicadamente as flores simples, amarelas e rosas, de seus belos prados. O Mar Morto, por outro lado, é um lago salgado e denso, no qual não há vida, e a água que vem do rio Jordão fica estancada.

O que torna os dois lados tão diferentes, se são alimentados pelo mesmo rio? É simples: o Lago de Genesaré transmite generosamente o que recebe. Sua água, uma vez que chega até ele, parte imediatamente para remediar a seca dos campos, para saciar a sede das pessoas e dos animais: é uma água altruísta. Já a água do Mar Morto se estanca, adormece, salitra, mata: é uma água egoísta, estancada, inútil.

Acontece a mesma coisa com as pessoas. As que vivem doado e doando-se generosamente aos outros vivem e fazem viver. As pessoas que só recebem, guardam e não doam são como água estancada, que morre e causa morte ao seu redor.

Podemos pensar que, quando doamos nosso dinheiro, tempo, honra, nós nos empobrecemos e os outros vão ficando com o que era nosso, enquanto nós vamos nos esvaziando cada vez mais. Na verdade, acontece exatamente o contrário.

Quanto mais doamos, mais recebemos. Quanto menos damos do que é nosso, mais pobres nos tornamos. É uma lei espiritual que se cumpre pontualmente, mas que é difícil de aceitar; por isso, poucos se arriscam a pô-la em prática.

Mas há um desafio interessante para quem quiser aceitar. Quem quer viver de acordo com esta lei e doar e doar-se aos outros, terá surpresas muito agradáveis. É melhor dar que receber.”

Neste Natal, façamos o propósito de doar tudo o que pudermos aos outros: sorrisos, amabilidade, abraços, carinho, afeto, amor, apoio, gratidão, harmonia, alegria, tempo, oração, e também os elementos materiais que estiverem dentro das nossas possibilidades.

Se o ano todo fosse como o Natal, sem dúvida alguma o mundo seria muito melhor.

(Artigo publicado originalmente em LaFamilia.info)

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Não pode haver tristeza onde se experimenta a alegria espiritual de sentir-se eternamente amado

Estamos vivendo intensamente o final do Advento, como ocasião propícia para celebrar o grande mistério do Natal. Iluminados pela luz da fé, sustentados pelo impulso da esperança, guiados pela Mãe da Esperança, motivados pelo amor para descobrir o rosto peculiar de cada um dos nossos irmãos necessitados, nossa condição de peregrinos é atualizada ao longo de quatro domingos de expectativa, escuta e compromisso.

Há muitas pessoas que, nestes dias natalinos, experimentam tristeza, nostalgia e depressão. Tristeza pela ausência de entes queridos; nostalgia pelo tempo passado; depressão por não querer, não saber nem poder compartilhar a alegria destes dias festivos.

Não pode haver tristeza onde se experimenta a alegria espiritual de sentir-se eternamente amado. Desta experiência brota a fonte da alegria perene. Os entes queridos que já não estão entre nós chegaram definitivamente à meta, que será para eles luz perpétua e descanso eterno no amor.

Não pode haver nostalgia onde se realiza uma manifestação de simplicidade, de pobreza e de entrega no humilde estábulo no qual Deus amanhece para a humanidade, para que a humanidade amanheça para um estilo de vida renovado. No Natal, o Senhor nos diz: Não tenha medo! Você não está sozinho!

Não pode haver depressão onde há solidariedade; onde todas as mãos são poucas para compartilhar; onde todas as vozes são necessárias para anunciar a Boa Notícia; onde todos os olhos são imprescindíveis para contemplar com estupor o nascimento do Filho de Deus; onde são necessários tantos gestos de fraternidade para valorizar a dignidade única de cada pessoa.

Existe uma alegria efêmera, repleta de pequenas luzes, pálido resplendor de outra alegria mais real, intensa e duradoura: a alegria que vem do encontro com o Senhor, Deus conosco, que nasce entre nós, por nós e para nós.

Há luzes que se apagarão. Mas há uma luz que não se extingue jamais. Uma luz que brilha em nosso interior e nos acompanha para sempre. Uma luz que nasce do encontro com o Deus vivo e toca cada um de nós no mais profundo.

Que admirável acontecimento! O Natal é um mistério de amor que nos envolve, nos penetra, nos fascina e nos transforma.

Natal nos convida a sair ao encontro do Senhor que nasce humilde, simples, pobre, mas rico em misericórdia.

Quem se deixa transformar no Natal, adquire uma nova forma de ver, de ser e de viver.

No Natal, comemoramos o amor de Deus, que se faz solicitude concreta por cada pessoa. No Natal, agradecemos um desígnio de salvação que abraça toda a humanidade e toda a criação. No Natal, descobrimos que o Senhor é o nosso centro, o objetivo da nossa vida, a razão do nosso ser, nosso bem supremo, nossa alegria e nossa glória.

Feliz Natal!

(Artigo de Dom Julián Ruiz Martorell, publicado originalmente pelo SIC)

Fonte: http://www.aleteia.org

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O que fazer dos muitos presentes recebidos nos natais passados e no natal que se aproxima? Muita gente acumula coisas em casa e ficam abarrotados quartos de brinquedo, armários com aquelas coisas que “um dia poderão servir” ou se transformam mimos em enfeites em profusão, espalhados pela casa. Há pessoas que logo encontram destinação adequada ao que é realmente útil, ou, melhor ainda, sabem partilhar o que se lhes torna supérfluo. Entretanto, valem os gestos de amizade, a troca de atenções e a generosidade dos dias de fim de ano.

 Só que os presentes do presente Natal são apenas ponto de partida para outra conversa. É que a humanidade recebeu um presente, o maior de todos, quando o Verbo de Deus se fez carne no ventre da Virgem Maria. Não se trata de um acontecimento de somenos importância, mas “do acontecimento” que mudou a história do mundo, diante do qual mudaram-se as datas e os corações das pessoas. E os cristãos, chamados a cuidar do grande legado da fé, têm a responsabilidade de anunciar a todos a grande notícia, que é alegria para todo o povo e todas as gerações. “Natal é o encontro com Jesus. Deus sempre buscou seu povo e o guiou, tomou conta dele e prometeu que estaria sempre perto. No Livro do Deuteronômio lemos que Deus caminha conosco, guia-nos pela mão como um pai faz com seu filho. Isto é maravilhoso. O Natal é o encontro de Deus com seu povo, e é também um mistério de consolação” (Papa Francisco, em recente entrevista ao jornal italiano “La Stampa”).

O presente de Deus à humanidade é sinal da condescendência para com cada pessoa e com todas as situações vividas. Lição de carinho pensado desde a eternidade no plano de Deus, com o qual fomos feitos por amor, no amor e para o amor. Um mundo que foi planejado para que as pessoas sejam felizes, e não para a perdição. A plenitude dos tempos, seu amadurecimento realizado irrompeu quando a Virgem Maria deu à luz o Menino de Belém.

Sua presença veio mostrar que a vida humana vale muito, tanto que tem o preço do amor infinito de Deus. Em tempos como o nosso, em que a vida é vilipendiada, desprezada e jogada no lixo das cidades e da história, o Menino do Presépio é testemunha de que a humanidade só encontrará sua estrada de realização e felicidade quando a sementinha de vida for acolhida com amor, tratada com carinho e custodiada da fecundação até seu ocaso natural. Não podemos iludir-nos! As falcatruas legais com as quais a vida vem a ser destruída trarão suas consequências, pois o salário do pecado é a morte (Cf. Rm 6, 23).

A Sagrada Escritura está recheada de repreensões feitas pelo Senhor a um povo de cabeça dura. Os sucessivos profetas não hesitaram em lançar em rosto justamente ao povo que pertencia a Deus suas censuras. E o povo de nosso tempo, cuja herança da fé cristã foi dada em legado, o que fez dos valores do Evangelho? Não é segredo que muitas vezes o “mea culpa” do reconhecimento dos pecados foi feito por nós cristãos e haverá de ser sempre atual. Não basta enfeitar-nos em trajes de festa e jogar para debaixo do tapete nossa incoerência. Somos nós os que primeiro devem tomar consciência de que os valores do Evangelho, como a verdade e a sinceridade, o amor à vida e a seriedade na administração dos bens materiais e espirituais, foram desprezados e a esperteza ou os interesses passaram na frente. A falta de lisura na prestação de contas, os desvios de verbas públicas e o “por fora” da corrupção são absolutamente incoerentes com o cristianismo. Cuidar do presente recebido de Deus é ter a coragem de recomeçar, reconhecer erros cometidos, limpar as mãos e o coração. Este é um apelo urgente, em nome do Natal.

A história mostra que o cristianismo, malgrado as falhas de todos os que o professam, gerou cultura. É impensável separar a arte dos séculos passados da benéfica influência do Evangelho. Nasceram da Igreja expressões pictóricas e esculturais e peças musicais em profusão. Em muito, foi à sombra da Igreja que o teatro se desenvolveu e consolidou. Os monumentos históricos têm incrustados em seus traços as virtudes e os pecados de gerações de cristãos. E a educação, ou a saúde e tantas ações sociais? A sensibilidade e a solidariedade foram cultivadas a partir do Evangelho e por ele sustentadas. Ignorar a Igreja, pretender jogá-la no lixo da história é no mínimo injustiça. Mas é ainda cegueira pura a pretensa iluminação dos que julgam ser os novos criadores do universo a partir do nada. Assistimos em nossos dias ao espetáculo do laicismo militante, tributário dos muitos desastres que já se entreveem. Parecemos crianças que teimam em por a mão na tomada. O choque já veio e virá!

Muito maior é a vertente positiva, com a qual podemos celebrar mais uma vez o Natal. Continuam verdadeiros os sentimentos mais autênticos nascidos do Presépio. É ainda e sempre será bom e bonito espalhar presentes, ir ao encontro dos mais pobres, experimentar a partilha dos bens, sorrir, saudar os outros com afeto. É nosso programa para estes dias, para recuperar todas as lições dos muitos natais da história e de nossa vida pessoal. É do Papa Francisco a lição do Natal de 2013, na citada entrevista: “Deus nos diz duas coisas. A primeira: tenham esperança. Deus sempre abre as portas e nunca as fecha. Ele é o pai que nos abre as portas. Segunda: não tenham medo da ternura. Quando os cristãos se esquecem da esperança e da ternura se transformam numa Igreja fria, que não sabe para onde ir e se enrola em ideologias e atitudes mundanas, enquanto a simplicidade de Deus te diz: vai para frente, eu sou um Pai que te acaricia. Tenho medo quando os cristãos perdem a esperança e a capacidade de abraçar e acariciar”.

É tempo de preparar-se, despojando-nos de preconceitos, purificando o coração, jogando fora o que existe de mais velho em nós, o egoísmo, para revestir-nos dos mesmos sentimentos, que foram os de Jesus Cristo, Filho de Deus, nascido em Belém, morto e ressuscitado, presente na história, vivo para sempre. A Ele sejam dadas a honra e a glória, hoje e em todos os séculos, pela eternidade.

Dom Alberto Taveira Corrêa
Arcebispo de Belém – PA

Milhares de fiéis e peregrinos lotaram a Praça São Pedro e ruas adjacentes, neste domingo, 8 de dezembro, para rezar o Ângelus com o Papa Francisco, que, depois de saudar o Prefeito de Roma, Ignazio Marino, e outras autoridades, deu início à homenagem à Imaculada Conceição de Maria, celebrada solenemente por toda a Igreja neste dia.

Após a deposição de uma coroa de flores diante do monumento da Imaculada Conceição, foi lido um trecho do Apocalipse que narra a visão do sinal grandioso que apareceu no céu, a mulher vestida de sol, com a lua sob os pés e uma coroa de doze estrelas sobre a cabeça, ameaçada pelo dragão. Em seguida, pronunciou sua oração à Imaculada, transcrita a seguir:

“Virgem Santa e Imaculada,
a Ti, que és a honra do nosso povo,
e a defensora atenta da nossa cidade,
(a Ti) nos dirigimos com confiança e amor.

Tu és a Toda Bela, ó Maria!
Em Ti não há pecado.

Suscita em todos nós um renovado desejo de santidade: 
brilhe na nossa palavra o esplendor da caridade, 
habitem no nosso corpo pureza e castidade, 
torne-se presente na nossa vida toda a beleza do Evangelho

Tu és a Toda Bela, ó Maria,
Em Ti se fez carne a Palavra de Deus.

Ajuda-nos a permanecer na escuta atenta da voz do Senhor: 
nunca nos deixe indiferentes o grito dos pobres, 
não nos encontre distraídos o sofrimento dos doentes e dos carecidos, 
comovam-nos a solidão dos idosos e a fragilidade das crianças, 
seja sempre amada e venerada por todos nós cada vida humana.

Tu és a Toda Bela, ó Maria!
Em Ti, a alegria plena da vida bem-aventurada, com Deus

Faz com que não percamos o significado do nosso caminho terreno, 
ilumine os nossos dias a luz gentil da fé, 
oriente os nossos passos a força consoladora da esperança, 
anime o nosso coração o calor contagioso do amor
permaneçam os olhos de todos nós bem fixos em Deus, onde há a verdadeira alegria.

Amém!”

Fonte: www.portalum.com.br

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Crer e compreender não são coisas opostas. Quando cremos, sentimos necessidade de dar razão à nossa fé, ou seja, dizer porque cremos. Quanto mais compreendemos os fundamentos de nossa fé, mais aptos estaremos para vivenciar, celebrar e testemunhar aquilo que cremos.

Não sou um especialista em liturgia, mas gosto dela há muito tempo. Não escrevi esse artigo com a competência dos grandes mestres litúrgicos, mas com a simplicidade e sensibilidade de um padre que gosta imensamente de celebrar e celebrar bem.

Lembro aqui o grande Santo Agostinho, um dos maiores teólogos do Cristianismo, que sentia a necessidade de ser simples, claro e objetivo quando se tratava de explicar ao povo os rudimentos da fé.

Mas vamos ao nosso tema. A espiritualidade do Advento deve ser buscada, descoberta e vivenciada a partir das palavras e gestos dos grandes personagens desse tempo, os profetas como Isaías, João Batista e Maria. Os profetas anunciaram a vinda do Messias; João Batista mostrou Jesus próximo de nós; Maria carregou no seu ventre e O ofereceu ao mundo.

Saber esperar é uma virtude que traz paz e serenidade para a alma. Mas isso acontece somente quando se espera “esperando”… O que se faz enquanto estamos no aguardo de um futuro melhor é determinante para nossa felicidade cotidiana. Eis a proposta do Advento. Não se trata de espiritualidade passiva ou fechada dentro da pessoa; ao contrário, ela se derrama para os outros, e com isso, nos tornamos mais solidários e pessoas de bom coração.

O clima de expectativa vigilante, de espera ativa e de esperança operosa transborda de alegria na noite santa do Natal, no canto do Glória, quando misturamos nossa voz a voz dos anjos e de todo o universo no mesmo canto: “glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens por Ele amados”.

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Uma coisa parece certa entre nós: a simples participação nas celebrações da Igreja, por si só, não garante uma adequada compreensão do valor e do sentido do mistério a ser celebrado.

Por isso, na tentativa de colaborar para uma participação mais frutuosa e consciente da Santa Missa – e, mais particularmente, do tempo litúrgico vivido atualmente pela Igreja, o Tempo do Advento – preparamos um pequeno questionário, com algumas das perguntas mais frequentes, e as respectivas respostas, a respeito deste tempo de espera pelo Senhor que vem.

Desejamos que, tendo auxiliado, ainda que minimamente, para um melhor conhecimento da realidade por nós celebrada, este texto seja um estímulo para que se torne cada vez mais vívida a voz da Igreja que, juntamente com o Espírito, diz: “Marana tha! Vem, Senhor Jesus” (Ap 22,17).

1)    O QUE SIGNIFICA A PALAVRA “ADVENTO”? R: a palavra “advento” vem do latim adventus e significa “chegada”, “vinda”. O advento é, pois, o tempo de preparação para a chegada do Senhor, que engloba tanto o seu nascimento (Natal) quanto a sua volta definitiva (parusia).

2)    QUANDO SE COMEÇOU A CELEBRAR O ADVENTO? R: Sabe-se que, já no século IV, o Advento era celebrado como preparação para o Natal. Em certas regiões, como na Espanha e na França, este tempo era marcado pela prática do jejum e pela abstinência de carne. No fim do século VII, em Roma, o Advento começou a ser identificado com a preparação para a segunda vinda de Cristo, a parusia.

3)    QUANDO COMEÇA E QUANDO TERMINA O TEMPO DO ADVENTO? R: Começa com as primeiras vésperas do domingo que cai no dia 30 de novembro, ou no domingo que lhe fica mais próximo, e termina antes das Primeiras Vésperas do Natal do Senhor (antes da Vigília de Natal).

4)    QUAIS OS ASPECTOS DA CELEBRAÇÃO DO ADVENTO? R: Desde o Concílio Vaticano II (1962-1965), o Advento passou a ser celebrado em dois aspectos: a vinda definitiva do Senhor e a preparação para o Natal, mantendo uma tradição celebrativa que tem a duração de 04 semanas.

5)    QUAL A COR LITÚRGICA DO ADVENTO E O QUE SIGNIFICA? R: a cor do advento é a roxa, presente tanto nas vestes do presidente da celebração (estola e casula), na ornamentação da Mesa da Palavra (ambão) e, em alguns casos, na Mesa da Eucaristia (altar). O uso da cor roxa na Liturgia significa mudança de vida, conversão, penitência, tudo com o sentido de preparação para a chegada do Salvador.

6)    QUANDO E POR QUE SE UTILIZA A COR ROSA DURANTE O ADVENTO? R: No terceiro domingo do Advento, a Igreja autoriza que, ao invés do roxo, seja utilizada a cor litúrgica rosa, que tem o significado de alegria. E tudo porque este 3º domingo é chamado Domingo da Alegria (ou Laetere), que tem como antífona o convite do Apóstolo Paulo: “Alegrai-vos sempre no Senhor. Eu repito: Alegrai-vos! O Senhor está perto!” (Fl 4,4-5).

7)    POR QUE NO ADVENTO NÃO SE CANTA O HINO DE LOUVOR (GLÓRIA)? R: O Glória é uma doxologia, isto é, um louvor a Deus, por Jesus Cristo, no Espírito Santo. Como este hino faz referência à alegria dos anjos diante do nascimento de Jesus, a Liturgia omite este canto durante o Advento, como forma de gerar um clima de expectativa vigilante, de espera ativa e esperança a se transbordar na noite de Natal.

8)    O QUE É A COROA DO ADVENTO? R: A coroa do Advento surgiu na Alemanha, onde, durante o inverno, as horas de sol são poucas e as noites, longas. Por isso, no período do Natal, as famílias acendiam velas e as enfeitavam com ramos de pinho, que se mantêm verdes também no inverno. Os  cristãos, por sua vez, batizaram este costume no Tempo do Advento, dando um novo sentido às velas rodeadas por uma coroa de ramos enfeitados: mais do que iluminar e aquecer nossas casas, a presença do menino Jesus no Natal, simbolizado pelas velas do Advento, ilumina nossos corações e nossa vida, dando à nossa existência um sentido de plenitude, representado pela coroa de ramos ao redor das velas.

9)    QUAIS AS FESTAS DE NOSSA SENHORA CELEBRADAS NO ADVENTO? R: durante o Advento a Igreja celebra duas festas de Nossa Senhora, a saber: 1) no dia 08 de dezembro, a SOLENIDADE da Imaculada Conceição de Maria; 2) no dia 12 de dezembro, a FESTA de Nossa Senhora de Guadalupe, padroeira da América Latina.

10)  QUAIS AS PRÁTICAS ESPIRITUAIS RECOMENDADAS PELA IGREJA NO ADVENTO? R: como o Advento é um tempo de expectativa e de vigilância, a Igreja recomenda aos fiéis que, durante o advento, tenham uma vida de oração mais fervorosa, com práticas de jejum, penitências, leituras bíblicas, confissão, participação mais efetiva nas Santas Missas e, notadamente, a Novena de Natal, realizada anualmente nas casas dos fiéis, como forma de se preparar para a chegada do nosso Salvador, Jesus Cristo.

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