Doutrina da igreja

No nosso espaço Memória Histórica – 50 anos do Concílio Vaticano II, vamos continuar a tratar no programa de hoje sobre a renovação litúrgica trazida pela Constituição dogmática Sacrosanctum Concilium.

No programa passado, vimos como a liturgia é a celebração por excelência do Mistério Pascal de Cristo agora realizado em nossas vidas, em nossa história concreta, na atualidade da vida concreta dos que ali celebram a salvação.

De fato, a Constituição dogmática Sacrosanctum Concilium – promulgada pelo papa Paulo VI em 4 de dezembro de 1963 – afirma que Jesus instituiu o sacrifício da Santa Missa, a fim de perpetuar nos séculos, até a sua volta, o sacrifício da cruz. Assim, a obra de salvação continuada pela Igreja realiza-se na liturgia.

No programa de hoje, padre Gerson Schmidt, que tem nos acompanhado neste percurso dos documentos conciliares, no traz a primeira parte da reflexão “Atualização do mistério pascal em cada liturgia”:

“Padre Pedro Mosén Farnés, falecido em 24 de março deste ano, em Barcelona, foi um dos grandes liturgistas e expoentes do Concílio Vaticano II para trazer a renovação litúrgica, que é proposta na Sacrosanctum Concilium – a constituição dogmática pilar de toda a valorização e renovação dos sacramentos e, no centro disso, a Pascoa, a vigília Pascal por excelência e a Eucaristia, como Mistério Pascal.

O esplendor da Liturgia centrou-se nesse foco – o Mistério Pascal. Aqui não se trata de que na liturgia Cristo estivesse simplesmente presente para me ajudar, mas que nela está a Ressurreição de Cristo, que te convida a entrar na morte com Ele, para com Ele ressuscitar. Se não entro nesse dinâmica renovadora da liturgia, os sacramentos serão ritos exteriores e eu serei um mero expectador, da mesma forma como vou a um cinema assistir um filme que pode até me envolver emocionalmente, mas serem apenas sou um assistente, um mero expectador de um fato alheio a minha vida e história.

A Constituição Dogmática Lumen Gentium, no número 03, diz com clareza essa atualização da liturgia em nossa história e vida pessoal e comunitária: “todas as vezes que se celebra no altar o sacrifício da cruz, pela qual Cristo, nossa páscoa, foi imolado, atualiza-se a obra da nossa redenção”(LG  03). (É convenienterepetir aqui esse texto para o ouvinte).

Três comentários palavras aqui queremos comentar desse texto da Lumen Gentium. Primeiro: A palavra sacrifício, para ser referendada à Santa Missa, deve aqui ser bem entendida. Na religião pagã, a palavra é traduzida por “sacrumfacere”, ou seja, fazer o sagrado. A missa, sabemos não é apenas sacrifício, mas também banquete, festa, uma celebração que é memorial pascal, refeição alegre, festiva e atual da Páscoa de Jesus Cristo. Assim, a Eucaristia seria muito mais um “sacrificiumlaudis”, um louvor e uma rica ação de graças pela vitória de Cristo sobre a morte. O sacrifício da cruz tem razão de ser em vista da Ressurreição, da festiva passagem (Pessach) da morte para a vida.  O caráter sacrifical da missa, demasiadamente penitencial, foi acentuado por uma época na Igreja.

Quando é usado o termo na liturgia, usado também pelo papa João XXIII, não é em sentido absoluto, mas como um dos aspectos do Mistério de Cristo, em sua oferta na cruz como sacrifício único e total. São Cipriano afirma: “e uma vez que, em todos os sacrifícios, nós fazemos a memória da paixão de Cristo – é de fato a paixão de Cristo que nós oferecemos – nós não podemos fazer diferente do que Ele fez” (Carta, 63,17). Por isso, a Eucaristia não é um sacrifício do fiel a Deus, mas de Deus ao fiel. Precisamos tirar a ideia pagã do sacrifício que aplacaria a ira de Deus, como os antigos holocaustos e sacrifícios judaicos. O grande sacrifício na eucaristia não somos nós que fazemos. É claro que oferecemos nosso coração, nossa vida. Mas o único e grande sacrifício que acontece na liturgia é a que Jesus Cristo fez uma vez por todas, até a morte, no altar da cruz”.  (Fonte: Rádio Vaticano)

Saber trabalhar para dominar o desejo de vingança é saber domar nossos instintos para nosso próprio benefício e também do semelhante. Até para usar bem da inteligência a pessoa que deseja tirar a vida do outro vai pensar bem nas consequências para si mesmo: a prisão, o “carimbo” ou a marca de criminoso para toda a vida, a consciência pesada, a discriminação… além do grande pecado diante de Deus e dos homens.

O desarmamento pessoal do impulso de querer fazer justiça com as próprias mãos exige um rito, uma ascese ou exercitação, para não se deixar levar por um impulso emotivo momentâneo. No dito popular encontramos o dado de sabedoria que ensina a pessoa a contar até dez antes de tomar decisão precipitada. Na ascese cristã encontramos muitos meios para nos conter e, ao invés de retaliarmos ou nos vingarmos, vamos nos lembrar do ensinamento de Jesus: “perdoar… até aos inimigos… fazer o bem a quem nos odeia…”(Mateus 5,43.44). Já entre os antigos judeus havia o ensinamento: “Não tenhas no coração ódio contra teu irmão” (Levítico 19,17). A oração é outra fonte de paz e de força para o entendimento, a misericórdia e o perdão.

Quando há a sublimação dos impulsos instintivos, a pessoa promove mais o entendimento, o diálogo na família, na comunidade e em toda a convivência humana. Promove-se o armistício entre facções, comunidades e nações. As guerras não terão mais cabimento. Até se diz no ditado popular: “Mais vale um mau acordo do que uma boa demanda”. O desgaste é menor, com menos prejuízo tensional e vivencial.

Por outro lado, a ascese para o desarmamento de ânimo é vista na atitude da humildade. Ela leva a pessoa a perceber que não é melhor dos que os outros. Se esses erraram e erram, também nós erramos ou estamos sujeitos ao erro, talvez de modo pior do que os outros. O próprio Jesus adverte aos que queriam apedrejar a mulher adúltera: “Quem não tiver pecado atire a primeira pedra”. Nessa perspectiva o apóstolo Paulo lembra: “Ninguém se iluda: se algum de vós pensa que é sábio nas coisas deste mundo, reconheça sua insensatez, para se tornar sábio de verdade; pois a sabedoria deste mundo é insensatez diante de Deus” (1 Coríntios 3,18).

Jesus é o maior exemplo de vida e de ensinamento sobre o desarmamento de ânimo para o trato com o semelhante. Ele podia ter usado o poder que tinha para aniquilar seus opositores. Ao invés de condenar os inimigos ele ensina: “Vós ouvistes o que foi dito: ‘Olho por olho e dente por dente!’. Eu, porém, vos digo, não enfrenteis quem é malvado! Pelo contrário, se alguém te dá um tapa na face direita, oferece-lhe também a esquerda!’” (Mateus 5, 38-39). Até do alto da cruz Ele pede perdão ao Pai pelos algozes dizendo que eles não sabem o que fazem (Cf. Lucas 23,34).

É evidente que precisamos trabalhar e ajudar a tirar as causas dos ódios e dos entendimentos. Precisamos, porém, começar a fazê-lo com a nossa própria exercitação nesta prática. Se todos colaborarem para isso, teremos um mundo de menos agressões e desentendimentos!

Todos os anos, em 11 de fevereiro, festa de Nossa Senhora de Lourdes, a Igreja em todo o mundo celebra o Dia Mundial do Doente, para o qual é publicada uma mensagem pelo Pontífice. Neste ano, na 25ª edição da data, o texto do Papa Francisco tem como tema “Admiração pelo que Deus faz: ‘o Todo-Poderoso fez em mim maravilhas’ (Lc 1, 49)”.

Na mensagem, o Santo Padre assinala que esta celebração “dá ocasião para se prestar especial atenção à condição dos doentes e, mais em geral, a todos os atribulados; ao mesmo tempo convida quem se prodigaliza em seu favor, a começar pelos familiares, profissionais de saúde e voluntários, a dar graças pela vocação recebida do Senhor para acompanhar os irmãos doentes”.

O Dia Mundial do Doente foi estabelecido por São João Paulo II em 1992 e celebrado pela primeira vez em Lourdes, na França, em 11 de fevereiro de 1993. De fato, este Dia é celebrado de forma especial nesse importante santuário mariano.

Na última quarta-feira, na Audiência Geral, o Papa Francisco recordou que, neste ano, “a celebração principal” do Dia Mundial do Doente “acontecerá em Lourdes e será presidida pelo Cardeal Secretário de Estado”.

“Convido a rezar, por intercessão de nossa Santa Mãe, por todos os doentes, especialmente por aqueles que estão mais graves e abandonados, e também por todos aqueles que se preocupam com eles”, pediu o Pontífice na ocasião.

Também em sua mensagem, convida todos a elevar “juntos a nossa oração a Maria, para que a sua materna intercessão sustente e acompanhe a nossa fé e nos obtenha de Cristo seu Filho a esperança no caminho da cura e da saúde, o sentido da fraternidade e da responsabilidade, o compromisso pelo desenvolvimento humano integral e a alegria da gratidão sempre que Ele nos maravilha com a sua fidelidade e a sua misericórdia”.

Papa Francisco concluiu com a seguinte oração:

“Ó Maria, nossa Mãe,
que, em Cristo, acolheis a cada um de nós como filho,
sustentai a expectativa confiante do nosso coração,
socorrei-nos nas nossas enfermidades e tribulações,
guiai-nos para Cristo, vosso filho e nosso irmão,
e ajudai a confiarmo-nos ao Pai que faz maravilhas”.

Fonte: ACI Digital

Foto: L’Osservatore Romano

“Na tentação não há diálogo, reza-se”, afirmou o Papa Francisco na homilia da Missa celebrada na Casa Santa Marta, no Vaticano.

Nesse sentido, o Santo Padre propôs esta breve jaculatória para fazer frente às tentações: “Ajuda-me Senhor, sou fraco. Não quero me esconder de você”. Rezar dessa maneira, assinalou, supõe um ato de “coragem” que permitirá “vencer o diabo”.

A partir da leitura do Livro do Gênesis, o Papa comparou as tentações de Adão e Eva com as sofridas por Jesus no deserto. O Santo Padre explicou que o diabo, na forma de serpente, fez-se atrativo a Adão e Eva e, com sua astúcia, conseguiu os enganar. O diabo “é o pai da mentira. É um traidor”, assegurou.

Francisco detalhou os perigos de dialogar com o diabo, que fez Eva se sentir bem para começar a falar com ela. Depois, passo a passo, levou-a ao seu terreno.

Pelo contrário, com Jesus essa estratégia não funcionou. O demônio também tentou falar com Jesus, “porque quando o diabo engana uma pessoa o faz com o diálogo”. Assim, tentou enganar o Senhor, mas Ele não cedeu.

O Santo Padre contrapôs a nudez de Adão e Eva, fruto do pecado, com a nudez de Cristo na cruz, fruto da obediência a Deus: “Também Jesus acabou nu mas na cruz, por obediência ao Pai, outra estrada”.

O Papa lamentou a corrupção que há no mundo por culpa do pecado, por culpa do diálogo dos homens com o diabo.

“Muitos corruptos, existem muitas pessoas importantes corruptas no mundo, que conhecemos suas vidas através dos jornais. Talvez começaram com uma pequena coisa, não sei, não ajustando bem o balanço e o que era um quilo façamos novecentos gramas, mas era um quilo! A corrupção começa de pequenas coisas como esta, com o diálogo: Não, não é verdade que esta fruta vai fazer mal a você! Coma! É boa! É pouca coisa, ninguém vai perceber!”, disse em referência à tentação do diabo à Eva.

“E pouco a pouco cai-se no pecado, na corrupção”, lamentou.

“O diabo é um mau pagador, não paga bem! É um trapaceiro! Ele promete tudo e deixa você nu. A serpente, o diabo é inteligente: você não pode dialogar com o diabo. Todos nós sabemos o que são as tentações, todos nós sabemos, porque todos nós temos. Muitas tentações de vaidade, de orgulho, cobiça, avareza”.

“Com o Diabo não se dialoga”, foi a conclusão do Pontífice.

Fonte: ACI Digital  

No íntimo do ser humano há tendências para a prática do bem ou do mal. A noção do bem, solidificada com a vontade de se pautar por um caminho de busca de um ideal pautado por valores éticos, morais e religiosos, leva a pessoa a alcançar sua realização humana na busca e conquista deste ideal elevado. Ao contrário, se ela se deixar levar por saciar os desejos instintivos desenfreados e opostos àqueles da boa consciência, sua realização e felicidade se tornam efêmeras e de um vazio existencial. A felicidade do ser humano não tem consistência duradoura se não se basear no fundamento da justiça, que traz o equilíbrio da vontade humana pautada pela divina.

Deus não nos criou para a infelicidade, mas nos deixa a liberdade para optarmos ou não em realizar seu projeto de vida para nós. A consciência reta, formada na valorização da ética natural e na vivência dos valores apresentados pelo Criador, já inerentes à natureza e plenificado pela revelação do seu Filho vindo até nós de modo humano, leva-nos a praticar a justiça do Reino. Esta nos impulsiona a vivermos na retribuição do amor de Deus, que nos dá gratuitamente o dom da vida. Se desfizermos dessa justiça, desfazemos nossa realização humana. Pervertemos a consciência da retidão moral. Erramos,  injustiçamos  a nós mesmos, o semelhante, a família, o desenvolvimento de toda a ordem e não usamos nossos recursos para a promoção da vida, da dignidade humana e da justiça social. A Bíblia nos ensina: “Diante do homem estão a vida e a morte, o bem e o mal; ele receberá aquilo que preferir… (Deus) não mandou a ninguém agir como ímpio e a ninguém deu licença de pecar” (Eclesiástico 15, 18.21).

Se todos ouvissem a proposta divina, já percebida na consciência bem formada e na revelação de Cristo, seríamos mais solidários, justos, compassivos e altruístas. Superaríamos a concentração de recursos exagerados nas mãos de poucos para promovermos mais justiça na terra. Seriam banidas a fome, as armas e as guerras. A formação com famílias melhor estruturadas e assistidas, a educação de melhor qualidade, a saúde melhor encaminhada e a segurança mais estruturada, todo tipo de benefício social seria mais democratizado. Aconteceria, de fato, a inclusão social mais justa e a cidadania haveria de modo extensivo a todos. Deus quer o bem de todos, mas respeita nossa vontade e ação para usarmos a inteligência e todos os recursos que Ele nos dá para fazermos nossa parte. Assim, faríamos deste planeta um lugar de verdadeira justiça em que reinem o amor e a fraternidade. Para isso, precisamos da sabedoria que não provém simplesmente de nossas capacidades humanas e sim da sabedoria de Deus, como lembra o apóstolo Paulo (Cf. 1 Coríntios 2,6-10).

A sabedoria divina nos é dada para sabermos obedecer ao Criador, na prática da justiça e da caridade. Quem as praticar e assim ensinar aos outros “será considerado grande no reino dos céus” (Mateus 5,19). Não se trata simplesmente de um ensinamento religioso, mas também autenticamente humano. Hoje precisamos demais de promover o que realmente nos humaniza, com o exercício das virtudes do altruísmo e da promoção do respeito à dignidade humana. Assim colaboramos com o bem comum e nos tornamos felizes porque damos de nós pelo bem do semelhante e de toda a sociedade. Afinal, marcamos presença de qualidade aqui na terra e nos realizamos porque usamos dos dons de Deus para amar e servir, mesmo à custa de nos sacrificarmos pela promoção da justiça humana permeada com a divina.

Fonte: CNBB

“A santa mãe Igreja considera seu dever celebrar, em determinados dias do ano, a memória sagrada da obra de salvação do seu divino Esposo. Em cada semana, no dia a que chamou domingo, celebra a da Ressurreição do Senhor, como a celebra também uma vez no ano na Páscoa, a maior das solenidades, unida à memória da sua Paixão.

Distribui todo o mistério de Cristo pelo correr do ano, da Encarnação e Nascimento à Ascensão, ao Pentecostes, à expectativa da feliz esperança e da vinda do Senhor.

Com esta recordação dos mistérios da Redenção, a Igreja oferece aos fiéis as riquezas das obras e merecimentos do seu Senhor, a ponto de os tornar como que presentes a todo o tempo, para que os fiéis, em contato com eles, se encham de graça.”

CONSTITUIÇÃO CONCILIAR Sacrosanctum Concilium sobre a Sagrada liturgia, 102.

O tempo do Advento possui a característica de preparação para as Solenidades do Natal, celebrando a encarnação do Filho de Deus, mas também em especial, celebrando a expectativa da Parrusia, ou seja, da segunda vinda de Cristo.

Tendo início no domingo após a celebração de Cristo Rei do Universo, onde concluímos o ano litúrgico, o Advento inicia um novo ano, novo tempo de graça e conversão.

Em especial neste tempo, somos inseridos no movimento de Kenosis, (de descida), no qual celebramos o mistério do Verbo, que se fez carne na condição de servo, obediente até a morte de cruz.

Com característica também forte de unidade, o Advento pode ser dividido em duas partes: nos dois primeiros domingos, em que mergulhamos no aspecto escatológico e, nos dois últimos, em que nos preparamos para a celebração própria do Natal. Devemos vivê-lo como um tempo piedoso, em alegre expectativa da vinda de Nosso Senhor.

Neste tempo, observamos que a liturgia utiliza a cor roxa. O roxo, no Advento, não significa penitência, mas recolhimento, purificação da vida pela justiça e pela verdade, preparando os caminhos do Senhor.

O roxo vem também acompanhado do sentido de um recolhimento que alimenta uma esperança, que é anunciada fortemente na terceira semana onde se pode utilizar o rosa como sinal da alegria que nos espera celebrar. Também com o objetivo de celebrar o Natal com canto jubiloso, na liturgia deste tempo omite-se o canto do Glória, que retornará na noite de Natal, em tom forte, celebrando a alegria de Deus conosco.

Com o intuito de vivermos melhor este tempo de Advento, início de novo ano litúrgico, propomos uma reflexão breve da liturgia de cada semana. Como diz a Constituição Conciliar:

“Efetivamente, na Liturgia Deus fala ao Seu povo, e Cristo continua a anunciar o Evangelho.” SC 33

“(…) na Liturgia o rito e a palavra estão intimamente unidos.” SC 35

Primeira semana do Advento – cor roxa

Advento é um substantivo masculino com etimologia latina, no termo adventum, que significa vinda ou chegada. A palavra advento também pode significar fundação ou criação de alguma coisa, normalmente se referia a ascensão do imperador ao trono, quando no sentido pagão. A palavra adventos, no linguajar eclesiástico litúrgico, indicou antes de tudo o nascimento de Jesus e o seu aniversário, depois a preparação para tal acontecimento e, por fim, a expectativa da segunda vinda.

Sendo convidados pela liturgia da palavra a mergulharmos no aspecto escatológico da segunda vinda de Cristo (Parrusia), vemos na liturgia proposta que em Jesus se cumprirá as profecias ditadas por Isaías, pois Deus é o Senhor da história. Sendo Ele Senhor da história, o novo ano que se inicia vem apoiado pela celebração de Cristo Rei do Universo, onde contemplamos a escatologia completada.

“Eis que venho em breve! Feliz é aquele que guarda as palavras da profecia deste livro”. Ap. 22,7

Estas são as Palavras do Cordeiro que está sentado no trono (Cristo Rei) e com elas fechamos um ano para iniciarmos outro.

Nosso Rei e Senhor não se cansa de ser misericórdia. Ele renova seu convite a com Ele viver Sua vida, “(…) desde o seio materno da Virgem, da gruta de Belém até o trono da divina majestade no alto dos céus” (Odo Casel). Tudo isso é vivenciado no ano litúrgico!

Iniciemos, assim, este novo ano apoiados e confiantes neste convite que o Senhor nos renova.

 

Aline Santos

Comunidade Católica Shalom

Apostas e jogos de sorte são formas de lazer. Porém, a pergunta é se essas práticas são convenientes ou não

Apostas e jogos de sorte são uma realidade no meio social, pois a diversão, o lazer e o entretenimento, nas suas várias expressões, fazem parte de uma das dimensões do ser humano. Porém, a pergunta é se essas práticas são convenientes ou não.

Diante do que a Igreja ensina sobre apostas e jogos de sorte ou azar, sendo essa uma questão complexa, um aspecto imprescindível é destacar o abandono e a confiança na Providência de Deus, que rege todas as coisas e deve ter a primazia na vida de todo ser humano. Também é preciso a todos disposição e empenho para o trabalho que “pode ser um meio de santificação” (CIC 2427), que não deve ser descartado frente a possíveis acomodamentos por motivos fúteis.

O que a Igreja ensina

O Catecismo da Igreja Católica, em sua terceira parte, na segunda seção sobre os dez mandamentos, que trata do sétimo mandamento “não roubarás” (Mateus 19,18), traz as direções sobre os jogos de sorte e apostas, ou seja, se são convenientes ou não, e os riscos que tais práticas podem trazer quando excedem e causam dependência nas pessoas.

O Catecismo da Igreja diz:

“Os jogos de azar (jogos de carta etc.) ou apostas em si não são contrários à justiça. Tornam-se moralmente inaceitáveis quando privam a pessoa daquilo que lhe é necessário para suprir suas necessidades e as dos outros. A paixão pelo jogo corre o risco de se transformar em uma dependência grave. Apostar injustamente ou trapacear nos jogos constitui matéria grave, a menos que o dano infligido seja tão pequeno, que aquele que o sofre não possa razoavelmente considerá-lo significativo (CIC 2413)”.

Perante esse ensinamento do Catecismo, verifica-se que os jogos de sorte ou apostas, por eles mesmos, não são um problema para os princípios conceituados justos. Entretanto, essa prática torna-se inadmissível quando inflige valores primordiais da vida e seus direitos inalienáveis, ao priorizar mais as coisas secundárias.

Exemplos de incoerência:

Um pai de família que deixa de comprar o necessário para sua casa se manter com dignidade e gasta seu dinheiro com jogos de sorte e apostas está dando prioridade ao que é secundário. Outra situação é quando uma pessoa, devido a sua exagerada frequência nos jogos e apostas, acaba viciando-se nessas práticas e deixa de fazer as coisas realmente necessárias em sua vida, como cuidar da própria saúde, cumprir com responsabilidades familiares e sociais.

Outro risco é acreditar mais em apostas e jogos de sorte do que no próprio Deus, o que pode interferir tanto na espiritualidade da pessoa quanto no seu equilíbrio na vivência social. Com efeito, o vício provoca a perda da liberdade de filho de Deus e dos princípios básicos do Evangelho.

Assim, é importante ter claro que o ser humano também deve trabalhar para sua sobrevivência, pois, em Gênesis 3,17, ao falar sobre a terra, diz que o homem “tirará dela com trabalhos penosos o teu sustento todos os dias de tua vida”. Ou seja, não se deve confiar o sustento às apostas e jogos.

Postura coerente frente a essa realidade

Diante da participação de apostas e jogos de sorte, conforme a Igreja ensina, é importante que cada um saiba analisar suas próprias limitações e intenções por trás de cada prática, para não se viciar, ou optar sempre por aquilo que pode ser supérfluo. Com isso, se for por simples diversão, sem resquício de vícios e com uma consciência moral reta, não haverá problemas nesse sentido.

Uma forma de não incorrer em riscos relacionados ao excesso de jogos de sorte, cartas e apostas é perceber como e o quanto estamos envolvidos, se temos o domínio sobre nós mesmos para dizer sim e não na hora de começar e na hora de parar.

Assim, o que precisa reger nossa vida é a Providência de Deus, tanto na parte material quanto a promoção de divertimentos que sejam saudáveis para o corpo e a alma. Já que, na vida do cristão, “procura-se ordenar para Deus e para a caridade fraterna os bens deste mundo” (CIC 2401).

O básico e necessário sempre nos será concedido pelo Senhor por meio da Sua Providência junto ao nosso esforço e trabalho, pois Jesus nos garante: “Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas vos serão dadas por acréscimo” (Mateus 6,33).

Fonte: Canção Nova

VATICANO, 18 Nov. 16 / 01:00 pm (ACI).- Em uma entrevista publicada hoje no jornal ‘Avvenire’, dos bispos italianos, o Papa Francisco explicou como surgiu a ideia do Jubileu da Misericórdia, sob a inspiração do Espírito Santo.

“Simplesmente fiz aquilo que o Espírito Santo me inspirava”, disse o Santo Padre e assinalou que “se trata somente ser dócil ao Espírito Santo, deixando que Ele faça”.

“A Igreja é o Evangelho, é a obra de Jesus Cristo, e na Igreja as coisas entram no momento adequado”, indicou.

O Ano da Misericórdia foi inaugurado em 8 de dezembro de 2015 e terminará no dia 20 de novembro, com o fechamento da Porta Santa da Basílica de São Pedro, no Vaticano.

O Pontífice disse também que espera que este Ano da Misericórdia tenha permitido “que muitas pessoas descubram que Jesus as ama muito e que se deixem abraçar por Ele”.

“A misericórdia é o nome de Deus e também a sua fraqueza, seu ponto fraco”.

Para o Santo Padre, o Ano da Misericórdia “foi um processo que amadureceu com o passar do tempo por obra do Espírito Santo” desde o Concílio Vaticano II.

Neste sentido, o Papa indicou que a Igreja existe “como instrumento para comunicar aos homens a figura misericordiosa de Deus”.

“No Concílio, a Igreja sentiu a responsabilidade de estar no mundo como um sinal vivo do amor do Pai”.

Francisco destacou também que ao menos um século deve passar para que o corpo da Igreja absorva bem os frutos de um Concílio e assinalou que “estamos na metade do tempo” depois do Vaticano II, concluído em 1965.

Em seguida, o Santo Padre se referiu a Lumen gentium, uma das quatro constituições promulgadas durante o Concílio Vaticano II, e assinalou que, com ela, a Igreja “ressalta as fontes da sua natureza: o Evangelho”.

Deste modo, disse, “move-se o eixo da concepção cristã de um certo legalismo, que pode ser ideológico, à pessoa de Deus, que se tornou misericórdia por meio da encarnação do seu Filho”.

Fonte: ACI Digital

Cidade do Vaticano (RV) – Cinco portas abertas e uma fechada: este é o Jubileu do Papa Francisco no que se refere a este símbolo de conversão e purificação.

A primeira Porta Santa aberta foi a de Bangui, na República Centro-Africana, por ocasião de sua primeira viagem à África. Seguiram-se as da Basílica Vaticana, a de São João de Latrão, a da Caridade e a de Santa Maria Maior. Destas, o Pontífice fechará somente uma: a da Basílica de S. Pedro no dia 20 de novembro, encerramento oficial deste Ano Jubilar.

A misericórdia não tem fim

Um ano atrás, a reportagem do Programa Brasileiro foi até o Albergue da Cáritas ao lado da Estação Termini de Roma, onde foi instalada a Porta Santa da Caridade. Esta Porta será fechada solenemente no sábado, 12 de novembro, pelo Cardeal-Vigário da Diocese de Roma, Agostino Vallini.

A Rádio Vaticano voltou ao local para ouvir dos funcionários o balanço deste Ano da Misericórdia.

O engenheiro Fulvio Ferrari é o responsável pelos serviços gerais da Caritas de Roma. Ele fez uma leitura interessante do motivo pelo qual o Papa não fechará a Porta Santa da Caridade e diz que, com esta experiência, a Cáritas contou com a colaboração de 10 mil novos voluntários:

Fonte: Rádio Vaticano

 

Vaticano, 03 Nov. 16 / 03:00 pm (ACI).- O presidente do Pontifício Conselho para a Promoção da Nova Evangelização, Dom Rino Fisichella, recordou hoje que no dia 13 de novembro serão fechadas as Portas Santas da Misericórdia das basílicas romanas e das igrejas no resto do mundo, exceto da Basílica de São Pedro, em Roma, que permanecerá aberta até o dia 20 de novembro.

Em uma coletiva de imprensa realizada nesta quinta-feira no Vaticano, Dom Fisichella indicou que no dia 13 de novembro, o Papa Francisco fechará a Porta Santa de São Paulo Extramuros, às 17h; de São João de Latrão, a Catedral de Roma, às 17h30; e da Basílica de Santa Maria Maior às18h.

Dom Fisichella assinalou que “a celebração jubilar em São Pedro quer recordar à Igreja as palavras de Jesus palavras: ‘Os pobres vocês sempre terão consigo’. O fechamento da Porta da Misericórdia, portanto, não esgota o compromisso da Igreja, mas, à luz do Jubileu, dá nova força para a evangelização”.

Fonte: ACI Digital

É um erro capital pensar que a experiência de Cristo não tenha relevância em todos e cada um dos atos cotidianos, em todas e cada uma das nossas práticas e preocupações

As eleições, em qualquer estado democrático do mundo, tem um efeito curioso sobre os católicos: ao mesmo tempo em que sentimos a responsabilidade de ajudar na construção da casa comum, também nos sentimos confusos, perdidos, muitas vezes obrigados a escolher “o mal menor”.

Do meu ponto de vista, chegamos a esta situação devido à perda de sentido do nosso pertencimento ao povo de Deus – um pertencimento que também é político. Nós, cristãos, somos uma “nação de nações”, configurada pelo nosso “ser de Cristo”. É um pertencimento que não provém de nenhuma decisão ideológica, nem consiste em estar de acordo com alguma série de postulados abstratos; é um pertencimento que provém do fato fundamental de termos encontrado o Senhor e caminharmos rumo a Ele e junto com Ele.

Convém recordar que a Eucaristia é o primeiro e mais importante “ato político” no mundo. A celebração da Eucaristia na mais humilde das paróquias é um ato político de dimensão incomparavelmente maior que qualquer cúpula de chefes de Estado. O motivo é que, ao comungarmos, somos incorporados ao Corpo de Cristo e nos tornamos um só, com Ele e com os nossos irmãos, num laço que é mais real e mais verdadeiro que os laços do sangue e da cidadania.

Todas as teologias pagãs sustentadas no mundo contemporâneo são meros esforços grosseiros para simular um pertencimento semelhante.

É decisivo que compreendamos isto: existem formas de gerir as relações de intercâmbio de recursos (economia), o crescimento pessoal (educação) e o bem comum (política) que nascem do encontro com Cristo e que são substancialmente diferentes, nesses âmbitos e em outros tantos, das que provêm das teologias pagãs nas quais se alicerça a mentalidade dominante.

É um erro capital pensar que a experiência de Cristo não tenha relevância em todos e cada um dos atos cotidianos, em todas e cada uma das nossas práticas e preocupações.

Por isso, a primeira decisão política não é em quem votar, mas sim a decisão de acolher ou rejeitar Jesus Cristo como centro da própria vida.

As dificuldades que vivemos para definir o nosso voto se tornam mais evidentes quando tentamos decidir a partir de argumentos morais. A moralidade é importante, mas, separada do seu sentido, que é Cristo, até ela se reduz a simplesmente mais uma ideologia.

A famosa Carta a Diogneto (leia esta preciosidade AQUI), que é todo um manual sobre política cristã, declara que o povo de Deus vive no meio dos outros, mas de maneira assombrosamente diferente; por exemplo, “não abandonando os filhos de suas entranhas”.

O autor da carta evoca o fato de que as famílias cristãs, na época dos romanos, iam até os lugares em que os pagãos abandonavam os filhos recém-nascidos que não desejavam assumir e os adotavam como próprios, e que esta forma de viver não surgia de uma simples rejeição ideológica ao aborto e ao infanticídio, mas sim de uma superabundância de amor, que se derramava sobre todos os aspectos da vida.

Ao entendermos isto, percebemos que a solução não é criar uma espécie de “partido católico”, porque ele mesmo só poderia participar do jogo se aceitasse os pressupostos do poder, que são pagãos: os partidos partem da ideia de que as relações humanas, todas elas, mas em especial as econômicas, são movidas pelo interesse. É consequência básica que se preocupem, portanto, em manter seus privilégios e permanecer no poder adaptando suas “opiniões” ao que redundar em seu proveito conforme cada contexto.

Li, recentemente, que o Partido Comunista chinês vem derrubando as cruzes cristãs porque tem medo da força dessa comunidade – que, no Ocidente, está praticamente dissolvida. O motivo é que o cristianismo, quando vivido com plena consciência, transforma impérios, derruba tiranias e faz germinar com força as sementes do bem comum.

Onde está agora esse povo, o povo de Deus, ao qual eu pertenço?

Está calado, submisso, porque se tornou infiel à única possibilidade de beleza, de paz e de entendimento que existe na terra. Ainda assim, esse povo, essa nação de nações, é a esperança do mundo, porque traz em seu seio a presença do Ressuscitado, daquele que revela ao homem quem ele é e qual é a altura da sua vocação.

Quando dizemos que a Sagrada Eucaristia é o maior dos sacramentos, afirmamos algo evidente. O Batismo é, sem dúvida, o sacramento mais necessário; sem ele, não podemos ir para o céu. No entanto, apesar das maravilhas que o Batismo e os outros cinco sacramentos produzem na alma, não são senão instrumentos de que Deus se serve para nos dar a sua graça; mas na Sagrada Eucaristia não temos apenas um instrumento que nos comunica as graças divinas: é-nos dado o próprio Dador da graça, Jesus Cristo Nosso Senhor, real e verdadeiramente presente.

“A Eucaristia é <<fonte e centro de toda a vida cristã>> (LG 11). <<Os restantes sacramentos, porém, assim como todos os mistérios eclesiásticos e obras de apostolado, estão vinculados com a sagrada Eucaristia e a ela se ordenam. Com efeito, na santíssima Eucaristia está contido todo o tesouro espiritual da Igreja, isto é, o próprio Cristo, nossa Páscoa >> (PO 5)” (n. 1324).

O sacramento do Corpo e do Sangue de Cristo tem tido muitos nomes ao longo da história cristã: Pão dos Anjos, Ceia do Senhor, Sacramento do altar e outros que nos são bem conhecidos. Mas o nome que permaneceu desde o princípio o nome que a Igreja dá oficialmente a este sacramento é Sagrada Eucaristia. Provém do Novo Testamento. Os quatro escritores sagrados – Mateus, Marcos, Lucas e Paulo – que nos narram a Última Ceia dizem-nos que Jesus tomou o pão e o vinho em suas mãos e “deu graças”. E assim, da palavra grega eucaristia, que significa “ação de graças”, resultou o nome do nosso sacramento: Sagrada Eucaristia.

O Catecismo ensina-nos que a Eucaristia é ao mesmo tempo sacrifício e sacramento. Como sacrifício, a Eucaristia é a Missa a ação divina em que Jesus, por meio de um sacerdote humano, transforma o pão e o vinho no seu próprio corpo e sangue e continua no tempo e oferecimento que fez a Deus no Calvário, o oferecimento de Si próprio em favor dos homens.

“A sagrada Eucaristia completa a iniciação cristã. Aqueles que foram elevados à dignidade do sacerdócio real pelo Batismo e configurados mais perfeitamente a Cristo pela Confirmação, esses, por meio da Eucaristia, participam, com toda a comunidade, no próprio sacrifício do Senhor. […] A Eucaristia é o memorial da Páscoa de Cristo, a atualização e oferecimento sacramental do seu único sacrifício, na Liturgia da Igreja que é o seu Corpo” (ns .1322 e 1362).

O sacramento da Sagrada Eucaristia adquire o seu ser (ou é “confeccionada”, como dizem os teólogos) na Consagração da Missa; nesse momento, Jesus torna-se presente sob as aparências do pão e do vinho. E enquanto essas aparências permanecerem, Jesus continua a estar presente e o sacramento da Sagrada Eucaristia continua a existir nelas. O ato pelo qual se recebe a Sagrada Eucaristia chama-se Sagrada Comunhão. Podemos dizer que a Missa é a “confecção” da Sagrada Eucaristia e que a comunhão é a sua recepção. Entre uma e outra, o sacramento continua a existir (como no sacrário), quer o recebamos, quer não.

Ao tratarmos de aprofundar no conhecimento deste sacramento, não temos melhor maneira de fazê-lo do que começando por onde Jesus começou: por aquele dia na cidade de Cafarnaum em que fez a mais incrível das promessas, a e dar a sua carne e o seu sangue como alimento da nossa alma.

“Os milagres da multiplicação dos pães – quando o Senhor disse a bênção, partiu e distribuiu os pães pelos seus discípulos para alimentar a multidão -, prefiguram a superabundância deste pão único da Sua Eucaristia” (n. 1335).

Na véspera, Jesus tinha lançado os alicerces da sua promessa. Sabendo que ia fazer uma tremenda exigência à fé do seus ouvintes, preparou-os para ela. Sentado numa ladeira, do outro lado do mar de Tiberíades, tinha pregado a uma grande multidão que o havia seguido até ali, e agora, já ao cair da tarde, prepara-se para despedi-los. Mas, movido de compaixão e como preparação para a sua promessa do dia seguinte, faz o milagre dos pães e dos peixes. Alimenta a multidão – sós os homens eram cinco mil – com cinco pães e dois peixes; e, depois de todos se terem saciado, os seus discípulos recolhem doze cestos de sobra. Esse milagre haveria de estar presente no dia seguinte (ou deveria estar) na mente dos que o escutaram.

Tendo despedido os que o tinham seguido, subiu monte acima, a fim de orar em solidão como era seu costume. Mas não era muito fácil separar-se daquela multidão, que queria ver mais milagres e ouvir mais palavras de sabedoria de Jesus de Nazaré: acamparam por ali para passar a noite e viram os discípulos embarcar (sem Jesus) rumo a Cafarnaum, na única barca que havia. Nessa noite, depois de terminar a oração, Jesus atravessou andando as águas tormentosas do lago e juntou-se aos seus discípulos na barca, e assim chegou com eles a Cafarnaum.

Na manhã seguinte, a turba não conseguia encontrar Jesus. Quando chegaram outras barcas de Tiberíades, desistiram de procura-lo e embarcaram para Cafarnaum. Qual não foi o seu assombro ao encontrarem de novo Jesus, que havia chegado antes, sem ter subido à barca que partira na noite anterior! Foi outro portento, outro milagre que Jesus fez para fortalecer a fé daquela gente (e dos seus discípulos), pois ia pô-la à prova pouco depois.

Os discípulos e os que conseguiram entrar aglomeram-se em seu redor na sinagoga de Cafarnaum. Foi ali e então que Jesus fez a promessa que hoje nos enche de fortaleza e vida: prometeu a sua Carne e seu Sangue como alimento; prometeu a Sagrada Eucaristia.

Se tinha poder para multiplicar cinco pães e com eles alimentar cinco mil homens, como não havia d e tê-lo para alimentar toda a humanidade com um pão celestial feito por Ele?! Se tinha poder para andar sobre as águas como se fosse terra firme, como não havia de tê-lo para ordenar aos elementos do pão e do vinho que lhe emprestassem a sua aparência e para utilizá-la como capa para a sua Páscoa?! Jesus tinha preparado bem os seus ouvintes e, como veremos, eles tinham necessidade disso.

Se você tem um exemplar do Novo Testamento à mão, será muito bom que leia inteiro o capítulo sexto do Evangelho de São João. Só assim poderá captar todo o ambiente, as circunstâncias e o desenrolar dos acontecimentos na sinagoga de Cafarnaum. Vou citar somente as linhas mais pertinentes, que começam no versículo 51 e acabam no 67.

Disse Jesus: Eu sou o pão vivo que desceu do céu […] Quem comer deste pão viverá eternamente; e o pão que eu darei é a minha carne para a salvação do mundo. Disputavam, pois, entre si os judeus, dizendo: Como pode este dar-nos a comer a sua carne? Jesus disse-lhes: Em verdade, em verdade vos digo: Se não comerdes a carne do Filho do homem e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós. O que come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna, e eu ressuscitarei no último dia. Porque a minha carne é verdadeiramente comida e o meu sangue e verdadeiramente bebida. […] Este é o pão que desceu do céu. Não é como o pão que comeram os vossos pais e morreram. O seus discípulos murmuravam por isso, disse-lhes: […] As palavras que eu vos disse são espírito e vida. Mas há alguns de vós que não creem […]. Desde então, muitos dos seus discípulos tornaram atrás e já não andavam com ele.

Este breve extrato do capítulo sexto de São João contém os dois pontos que mais nos interessam agora: os dois pontos que nos dizem, meses antes da Última Ceia, que na Sagrada Eucaristia estarão presentes o verdadeiro Corpo e o verdadeiro Sangue de Jesus. Lutero rejeitou a doutrina da presença verdadeira e substancial de Jesus na Eucaristia, doutrina que havia sido seguida firmemente por todos os cristãos durante mil e quinhentos anos. Lutero aceitava certa espécie de presença de Cristo, ao menos no momento em que se recebesse a comunhão. Mas no terreno adubado por Lutero brotaram outras confissões protestantes que foram recusando mais e mais a crença na presença real. Na maioria das confissões protestantes de hoje, o “serviço da comunhão” não passa de um simples rito comemorativo da morte do Senhor; o pão continua a ser pão e o vinho continua a ser vinho.

Nos seus esforços por eludir a doutrina da presença real, teólogos protestantes procuraram mitigar as palavras de Jesus, afirmando que Ele não pretendia que as tomassem no seu sentido literal, mas apenas espiritual ou simbolicamente. Mas é evidente que não se podem diluir as palavras de Cristo sem violentar o seu sentido claro e rotundo. Jesus não poderia ter sido mais enfático: A minha carne é verdadeiramente comida e o meu sangue é verdadeiramente bebida. Não há forma de dizê-lo com mais clareza. No original grego, que é a língua em que São João escreveu o seu Evangelho, a palavra do versículo 55 que traduzimos por “comer” estaria mais próxima do seu sentido original se a traduzíssemos por “mastigar” ou “comer mastigando”.

Tentar explicar as palavras de Jesus como simples modo de expressar-se levar-nos-ia a outro beco sem saída. Entre os judeus, que eram aqueles a quem Jesus se dirigia, a única ocasião em que a frase “comer a carne de alguém” se utilizava figurativamente era para significar ódio a determinada pessoa ou perseguir alguém com furor. De modo parecido, “beber o sangue de alguém” queria indicar que esse alguém seria castigado com penas severas. Nenhum desses significados – os únicos que os judeus conheciam – se revela coerente se os aplicarmos às palavras de Jesus.

Outra prova de peso, que confirma que Jesus quis verdadeiramente dizer o que disse – que o seu corpo e o seu sangue estariam realmente presentes na Eucaristia – está em que alguns dos seus discípulos o abandonaram por terem achado a ideia de comê-lo demasiado repulsiva. Não tiveram fé suficiente para compreender que, se Jesus lhes ia dar a sua Carne e o seu Sangue em alimento, o faria de forma a não causar repugnância à natureza humana. Por isso o abandonaram, “e já não andavam com ele”.

“O primeiro anúncio da Eucaristia dividiu os discípulos, tal como o anúncio da Paixão os escandalizou:  Estas palavras são insuportáveis! Quem as pode escutar? (Jo 6,60). A Eucaristia e a Cruz são pedras de tropeço. É o mesmo mistério e continua a ser motivo de divisão. Também vós quereis ir-vos embora? (Jo 6,67). Esta pergunta do Senhor ecoa através dos tempos, como convite do seu amor a que descubramos que só Ele tem palavras de vida eterna (Jo 6,68) e que acolher na fé o dom da sua Eucaristia é acolhê-Lo a Ele mesmo” (n. 1336).

Jesus nunca os teria deixado ir-se embora se essa deserção fosse simples resultado de um mal-entendido. Muitas vezes antes tinha-se dado ao trabalho de esclarecer as suas palavras quando demos que era preciso nascer de novo, e este lhe perguntou como é que um adulto podia entrar de novo no ventre de sua mãe (cf. Jo 3,3 e segs.); pacientemente, Jesus esclareceu-lhe as suas palavras sobre o Batismo. Mas agora, em Cafarnaum, Jesus não esboça o menor gesto para impedir que os seus discípulos o abandonem nem para lhes dizer que o haviam entendido mal. Não pode fazê-lo pela simples razão de que o tinham entendido perfeitamente e por isso o deixavam. O que lhes faltou foi fé, e Jesus, tristemente, teve que resignar-se a vê-los partir.

Tudo isto faz com que a afirmação da doutrina da presença real esteja ineludivelmente contida na promessa de Cristo, por que, se não fosse assim, as suas palavras não teriam sentido, e Jesus não falava por enigmas indecifráveis.

Fonte: A Fé Explicada, Léo J. Trese

Por mais que os inimigos tentem, as portas do inferno não prevalecerão

CASO 1

Por volta do ano 360 da era cristã, a Igreja enfrentou uma terrível perseguição movida por Juliano, o Apóstata. Não era uma perseguição sanguinária, mas apresentava aspectos não menos terríveis: Juliano ajudava os hereges e cismáticos, despojava a Igreja de seus bens, não permitia aos cristãos se defenderem nos tribunais e proibia que fossem mestres nas escolas, entre outras formas de repressão. Ele quis ainda reconstruir o Templo de Jerusalém para contrariar Nosso Senhor, que dissera que dele não ficaria pedra sobre pedra. Esta decisão, no entanto, fracassou, pois, apenas colocadas as primeiras pedras, sobreveio um espantoso terremoto.

Tendo Juliano partido para uma guerra contras os persas, foi ferido mortalmente por uma flecha. Ao morrer, ele declarou: “Venceste, Galileu”. Ele se referia ao Homem da Galileia: Jesus.

CASO 2

Quando morreu o Papa Pio VI, vítima da Revolução Francesa, os revolucionários diziam que morrera Pio VI e Último, querendo com isso dizer que o papado e a Igreja Católica haviam sido destruídos.

Pela ótica meramente humana das coisas, isso parecia mesmo estar se realizando: não havia sequer um lugar para se realizar o conclave que elegeria o novo pontífice, uma vez que Roma e toda a Itália estavam em poder dos revolucionários franceses.

Subitamente, porém, as combalidas forças austríacas na Itália contra-atacaram e conseguiram fazer recuar, por algum tempo, os revolucionários, possibilitando então a eleição do novo papa: Pio VII.

Tinha sido a enésima vez que os descrentes anunciaram o “último Papa” – e não seria a última. Enquanto isso, a Santa Igreja segue em frente, rezando por aqueles que tentam destruí-la.

_______________

A partir da revista “O Desbravador”, do Grêmio Cultural Santa Maria, número 82, outubro de 1986; via blog Almas Castelos

Fonte: ALETEIA TEAM

Confessar-se é muito mais simples do que você imagina, confira

Do lado do confessor, São Josemaria Escrivá, um padre do século XX, deu o melhor conselho que já vi sobre o que devemos fazer quando estamos no confessionário. Ele aconselhava seus penitentes a cumprir os quatro “C”. Faça sua confissão: completa, contrita, clara e concisa.

Faça sua confissão completa. Não omita qualquer pecado mortal, é claro; e certifique-se de incluir os pecados veniais que estão lhe causando problema. Mais importante ainda, não se esqueça daqueles pecados que o deixam embaraçado. É melhor começar sua confissão pelos pecados que tem mais dificuldade em admitir. Depois disso, eles só podem ficar mais fáceis.

Faça uma confissão contrita. Cuidado com seus pecados. Lembre-se de que foi a Deus que você ofendeu, e Ele o ama tremenda e generosamente.

Faça uma confissão clara. Não seja sutil. Não cubra seus pecados com eufemismos. Certifique-se de que o padre entende o que você quer dizer.

Faça uma confissão concisa. Não há necessidade de entrar em detalhes sangrentos. Muitas vezes, quando assim falamos, estamos apenas tentando nos desculpar por ter inventado circunstâncias especiais ou por ter culpado os outros. Por outro lado, o tempo do sacerdote é valioso e será bem gasto com outro penitente.

Novamente, porém, o importante é fazer a confissão! Não a deixe para outro dia!

(Retirado do livro: Senhor, tende Piedade. Scott Hahn. Ed. Cléofas. Via Felipe Aquino)

País é o terceiro em número de peregrinos inscritos, à frente de muitas nações europeias

À espera de mais de 2 milhões de peregrinos, abre-se nesta semana a 31ª edição da Jornada Mundial da Juventude (JMJ), que vai até domingo, 31 de julho, na terra de São João Paulo II.

Cracóvia recebe o grande encontro de jovens pela segunda vez: a bela cidade do sul da Polônia também foi a sede da JMJ de 1991.

Cracóvia
Cracóvia

São João Paulo II, que idealizou as jornadas e realizou a primeira em 1986, em Roma, vai ser homenageado na missa de abertura desta edição, a ser celebrada nesta terça-feira, 26. O cardeal dom Orani João Tempesta, arcebispo do Rio de Janeiro e membro da comitiva papal em Cracóvia, recorda:

Tudo começou em Roma com João Paulo II e hoje corre mundo afora. Vendo a realidade do mundo na época, ele considerou importante fazer com que os jovens se aprofundassem na fé da forma que eles gostam, num evento grande em que estivessem juntos”.

gmg cracovia

O Papa Francisco presidirá os atos centrais do evento, como a Acolhida, a Via Sacra, a Vigília e a Missa de Envio, que encerra a jornada e, ao mesmo tempo, abre os preparativos da próxima.

O Brasil, que sediou a edição passada no Rio de Janeiro, tem importante presença no encontro de Cracóvia: apesar da distância, trata-se do terceiro país em número de peregrinos na Polônia, atrás da própria Polônia (com 25,5% dos jovens inscritos) e da Itália (com 13,6%). O Brasil supera países europeus muito mais próximos de Cracóvia, como a Alemanha, a França, a Espanha e Portugal, e países das Américas como os Estados Unidos, o México, a Argentina e o Chile.

Parte da grande participação brasileira se deve ao sucesso da JMJ no Rio, que superou todas as expectativas de público.

Missa de abertura JMJ 2013 Rio de Janeiro
WYD Rio 2013 - pt

_________

Números da JMJ de Cracóvia 2016

– São esperados 2 milhões de participantes nesta edição da Jornada.

– Os peregrinos são de mais de 100 países.

– O número de jovens inscritos previamente chega a 600 mil.

– Dos 600 mil inscritos, 13 mil são brasileiros.

– 150 voluntários do Brasil participam da organização do evento.

– 14 locais de catequese serão em língua portuguesa, 5 deles coordenados por brasileiros, inclusive 30 bispos do Brasil.

Preocupações e confiança

Dom Orani observa que há questões preocupantes, em particular a dos refugiados, a das ameaças terroristas e a da crise econômica, que afeta todos os países. No entanto, ele mantém a confiança:

Tudo isso gera preocupação, mas não pode chamar atenção apenas diante de um grande evento. São questões que precisam de prioridade o tempo todo. A Jornada é um evento muito pacífico e aberto a todos. Estou confiante“.

Participação à distância

Dom Frank Caggiano, arcebispo de Bridgeport, nos Estados Unidos, recorda que a jornada é para todos os católicos do mundo, e não só para os que puderem estar presentes em Cracóvia:

Queremos que todos saibam que ninguém está excluído de uma peregrinação como esta. Cada um é chamado a ser um peregrino, independentemente de poder ou não viajar à Polônia. Queremos que cada jovem, que cada adulto jovem, saiba que faz parte desta peregrinação, fisicamente em Cracóvia ou espiritualmente em casa”.

Fonte: ALETEIA TEAM