Doutrina da igreja

Talvez a sua fé seja uma grande luta nesse momento. Talvez você não consiga ver a relevância dela na sua vida.

Caro jovem católico,

Só porque você tem que fazer algo, não quer dizer que seja fácil, nem que você tenha que fazê-lo sozinho ou sem apoio. Há ocasiões em que é difícil ser católico. Quando você sente que é a única pessoa em todo o mundo que acredita no que acredita. Ou quando as expectativas depositadas em você são enormes e impossíveis. Há ocasiões em que nadar contra a corrente da sociedade é simplesmente exaustivo, em que a fé é confusa ou em que a santidade parece não ter nenhuma recompensa.

Talvez a sua fé seja uma grande luta nesse momento. Talvez você não consiga ver a relevância dela na sua vida. Talvez tudo esteja indo bem para você, mas a fé pareça ser uma obrigação. Ou talvez, ultimamente, tudo esteja desabando ao seu redor e Deus pareça distante, frio e silencioso. Talvez a raiva e a dor estejam obscurecendo tudo e você não consiga enxergar o seu futuro. Ou talvez você saiba que a sua fé significa tudo para você, mas o preço que paga por ela é maior do que jamais imaginou e não há ninguém além de você para apoiá-lo ou encorajá-lo.

Pode ser que tudo o que você sinta seja autopiedade pelas vezes em que cometeu erros. Talvez você esteja cansado de se explicar, ou de desistir de relacionamentos quando se recusa a comprometer o seu valor próprio. Talvez você tenha experimentado tamanha rejeição pelo fato de ser católico que pense não ter mais nada a oferecer a mais ninguém. Talvez sinta falta de amigos que compartilhem a sua fé, que compreendam quem você é e por que acredita nessas coisas. Talvez você deseje ter alguém com quem possa ir à Missa, com quem possa rezar e para quem possa explicar as suas dúvidas e dificuldades. Talvez você esteja exausto de ter que defender aquilo que é fonte de tanta alegria.

É muito duro quando não há ninguém por perto para lembrá-lo de que todo esse esforço vale a pena. É desencorajador quando mais ninguém compreende o quanto pode ser solitário ir sozinho à Missa. Ou quanta força se requer, e quanta tristeza se produz, quando você se afasta de situações que sabe não serem corretas. Talvez você esteja cansado de repetir sempre os mesmos velhos erros. É duro, eu sei que é! E eu gostaria de encorajá-lo.

Eu quero que você se lembre de que, mesmo que agora se sinta sozinho na sua fé, mesmo que esteja lutando, nós dividimos as mesmas dificuldades. Nós queremos que você se lembre da alegria e da amizade que é conhecer a Cristo. Não importa o estágio da fé em que você se encontra, persevere sempre!

Às vezes, os pequenos passos são tudo de que precisamos. Continue a rezar, mesmo que sejam somente cinco minutos por dia.

Saiba que você pode se orgulhar de ser católico. É isso o que o torna quem você é. E, como você é uma pessoa única e interessante, ser católico faz parte do rico tecido de vida que compõe a sua linda personalidade. Não é sempre que você vai estar cercado de pessoas que verão a sua fé de forma negativa. Você também encontrará pessoas que se sentirão intrigadas pela sua fé, que desejarão genuinamente conhecê-la melhor e que estão esperando pela oportunidade de compartilhar algo pessoal, algo sobre elas próprias. E você também encontrará pessoas que dirão desejar algo que você já tem, como o seu senso de propósito, o seu senso de paz, ou a sua consciência de ser amado incondicionalmente por Deus.

Eu não digo isso para criar barreiras, mas para encorajá-lo a discernir que, ainda que a sua fé às vezes pareça um fardo, haverá momentos inesperados em que ela o surpreenderá com o seu poder de bem, de criar conexões com os outros, de mudar as suas vidas. Não se esqueça do enorme poder da sua fé. Por meio de você, Deus agirá de modos incríveis e nunca esperados!

Tudo bem, eu entendo. É duro ser jovem católico. Talvez você sinta que poderia estar se saindo melhor. Talvez você apenas se sinta perdido. Espero que, só por saber que eu reconheço as suas dificuldades nesta carta, você já se sinta menos sozinho. Sim, as coisas mudam. Um dia, as lutas que você enfrenta agora não serão tão difíceis. Mesmo assim, por favor, saiba que estamos rezando por você, que o estamos encorajando e que temos os mesmos sofrimentos que você. Juntos, com Cristo e com sua mãe Maria, você vai conseguir!

Com amor e orações,

De uma jovem católica para um jovem católico

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Escrito por Ruth Baker e publicado em Catholic Link

A partir de tradução do original por Rogério Schmitt, via blogModéstia e Pudor

Fonte: CATHOLIC LINK

A Igreja nos ensina que após receber a Sagrada Hóstia, Presença real de Jesus: corpo, sangue, alma e divindade; Ele está substancialmente presente em nós até que nosso organismo consuma as espécies do trigo; isto pode levar cerca de 15 minutos. Depois disso, Jesus passa a estar em nossa alma pela ação do Espírito Santo e de Sua graça.

O grande São Pedro Julião Eymard, em seu livro FLORES DA EUCARISTIA (Ed. Palavra Viva, Sede Santos!, Distribuidora Loyola, pgs 131-135), nos ensina a importância da Ação de Graças. Transcrevo aqui alguns de seus ensinamentos para a sua meditação:

“O momento mais solene de vossa vida é o da Ação de Graças, em que possuis o Rei da Terra de do Céu, vosso Salvador e Juiz, disposto a vos conceder tudo o que Lhe pedirdes”.

“A Ação de Graças é de imprescindível necessidade, a fim de evitar que a Santa Comunhão degenere num simples hábito piedoso.”

“Nosso Senhor permanece pouco tempo em nossos corações, após a Santa Comunhão, porém os efeitos de Sua Presença se prolongam. As santas espécies são como que um invólucro, o qual se rompe e desaparece para que o remédio produza seus salutares efeitos no organismo. A alma se torna então como um vaso que recebeu um perfume precioso.”

“Consagrai à Ação de Graças meia hora se for possível, ou, pelo menos, um rigoroso quarto de hora (15 minutos). Dareis prova de não ter coração e de não saber apreciar devidamente o que é a Comunhão, se, após haver recebido Nosso Senhor, nada sentísseis e não Lhe soubésseis agradecer.”

“Deixai, se quiserdes, que a Santa Hóstia permaneça um momento sobre a vossa língua a fim de que Jesus, verdade e santidade, a purifique e santifique. Introduza-a depois em vosso peito, no trono do vosso coração, e, adorando em silêncio, começai a Ação de Graças” (pg. 131).

“Adorai Jesus sobre o trono de vosso coração, apoiando-vos sobre o Dele, ardente de amor. Exaltai-Lhe o poder… proclamai-o Senhor vosso, confessai–vos ser feliz servo, disposto a tudo para Lhe dar prazer.”

“Agradecei-Lhe a honra que vos fez, o amor que vos testemunhou, e o muito que vos deu nesta Comunhão! Louvai a Sua bondade e o seu amor para convosco, que sois tão pobre, tão imperfeito, tão infiel! Convidai os anjos, os santos, a Imaculada Mãe de Deus para louvá-Lo e agradecer-Lhe por vós. Uni-vos às ações de graças amantes e perfeitas da Santíssima Virgem.”

“Agradeçamos por meio de Maria, pois quando um filho pequeno recebe alguma coisa cabe à mãe agradecer por ele. A Ação de Graças identificada com a de Maria Santíssima será perfeita e bem aceita pelo Coração de Jesus.”

“Na Ação de Graças de Comunhão, chorai os vossos pecados aos pés de Jesus com Madalena (Jo 12,3), prometei-lhe fidelidade e amor, fazei-Lhe o sacrifício de vossas ações desregradas, de vossa tibieza, de vossa indolência em empreender o que vos custa. Pedi-Lhe a graça de não mais O ofender, professar-Lhe que preferis a morte ao pecado.”

“Pedi tudo o que quiserdes; é o momento da graça, e Jesus está disposto a vos dar o próprio Reino. É um prazer que Lhe proporcionamos, oferecer-Lhe ocasião de distribuir seus benefícios.”

“Pedi-lhe o reinado da santidade em vós, em vossos irmãos, e que a sua caridade abrase todos os corações.”

Na Ação de Graças podemos e devemos orar pela Igreja, pelas necessidades, intenções e saúde do Papa e de nossos bispos, sacerdotes, diáconos, consagrados, coordenadores de comunidades, missionários, catequistas, vocações sacerdotais e religiosas, etc.

É o momento privilegiado para pedir a Jesus, pelo Seu Sacrifício, o sufrágio das almas do Purgatório (dizendo-Lhe os nomes), de pedir por cada pessoa de nossa família e de todos os que se recomendaram às nossas orações e por todos aqueles por quem somos mais obrigados a rezar. E supliquemos a Jesus todas as graças necessárias para podermos cumprir bem a missão que Ele nos deu nesse mundo, seja familiar, profissional ou apostólica. É também o momento de nossa cura interior, pelo Sangue de Jesus.

Não nos esqueçamos nunca do que Ele disse: “Permanecei em Mim e Eu permanecerei em vós. O ramo não pode dar fruto por si mesmo se não permanecer na videira” (Jo 15, 1-6). É melhor não Comungar do que Comungar mal.

Todos estes efeitos surpreendentes – e muitos outros – estão ao seu alcance!

Neste artigo anterior, vimos 4 efeitos maravilhosos do poder da Eucaristia:

4 fatos surpreendentes sobre o poder da Eucaristia

Agora, vamos ver outros seis!

5) Dá vida: a Eucaristia “preserva, aumenta e renova a vida da graça recebida no batismo” (cf. Catecismo, nº 1392). Ou seja, comungar aumenta a vida da graça já presente dentro de nós!

6) Une ao Corpo de Cristo: como ficamos mais unidos a Cristo através da Eucaristia, também ficamos mais unidos a todas as outras pessoas que recebem a Eucaristia! Em outras palavras: a Eucaristia, que é o Corpo de Cristo, nos mantém como um corpo de irmãos unidos a Ele e entre nós na Igreja.

7) Compromete-nos com os pobres: as palavras de São João Crisóstomo envergonham aqueles de nós que saem da mesa eucarística sem se importarem com Cristo presente nos pobres:

Você provou o Sangue do Senhor, mas ainda não reconhece o seu irmão… Você desonra esta mesa quando julga que alguém que é digno de participar desta refeição não é digno de compartilhar dos seus alimentos. Deus libertou você de todos os seus pecados e o convidou a esta mesa, mas você não se tornou mais misericordioso“.

8) É refúgio espiritual: a Sagrada Comunhão é uma antecipação das alegrias do céu; é capaz de produzir em nós o júbilo de experimentar a verdadeira unidade com Deus. Se nos sentimos abatidos pelas dificuldades da vida, podemos nos aproximar da Eucaristia, nossa fonte de alegria, e pedir ao Senhor que nos encha da sua consolação e paz!

9) É pacificação para a alma e para os povos: no Sínodo de 2005 sobre a Eucaristia, os bispos debateram como a recepção da Eucaristia em áreas devastadas pela guerra transforma o povo de Deus e dá forças para buscar a paz:

Graças a celebrações eucarísticas, povos envolvidos em conflitos têm sido capazes de se reunir em torno da palavra de Deus, ouvir a sua mensagem profética de reconciliação através do perdão gratuito e receber a graça da conversão que lhes permite partilhar o mesmo pão e o mesmo cálice” (Propositio, 49).

10) É foco para a nossa vida: quem realmente compreende a natureza profunda da Eucaristia começa a centrar a sua vida em torno à Comunhão. Não há nada mais importante: nem futebol, nem reuniões, nem festas. Não há nada mais importante que o nosso encontro semanal para receber o remédio do Doutor das almas, Jesus Cristo.

Todos estes efeitos surpreendentes – e muitos outros – estão ao seu alcance!

Mas lembre-se de que a sua disposição ao receber a Eucaristia pode determinar o quanto você está aberto a esses efeitos.

Então, seja reverente, recolha-se com fervor e peça a Deus, através do poder da Eucaristia, todas as graças de que você precisa na sua vida hoje.

Ele vai ouvir!

Francisco também fez um apelo pelas famílias que sofrem com a falta de trabalho e com a precariedade

Por Iacopo Scaramuzzi

Em um mundo globalizado, no qual as novas formas de pobreza materiais e espirituais se multiplicaram, pede-se que os cristãos “estejam alertas como sentinelas, para que não aconteça que, diante das pobrezas produzidas pela cultura do bem-estar”, caiam na indiferença. As palavras são do Papa Francisco e foram pronunciadas durante a última Audiência extraordinária jubilar antes do recesso de verão, na qual destacou que “as obras de misericórdia não são temas teóricos, mas testemunhos concretos”.

Francisco também fez um apelo pelas famílias que sofrem com a falta de trabalho e com a precariedade. O Pontífice recordou sua recente viagem à Armênia e disse aos fiéis que em setembro viajará, como parte da sua viagem ao Cáucaso, à Geórgia e ao Azerbaijão, para impulsionar, entre outras coisas, “esperanças e caminhos de paz”.

“Quantas vezes – disse o Papa – durante estes primeiros meses do Jubileu, ouvimos falar das obras de misericórdia! Hoje, o Senhor nos convida a fazer um sério exame de consciência. Fará bem, de fato, não esquecer nunca que a misericórdia não é uma palavra abstrata, mas um estilo de vida. Uma coisa é falar de misericórdia, outra é viver a misericórdia”.

O que dá vida à misericórdia, explicou o Papa, “é seu constante dinamismo para ir ao encontro das necessidades de todos os que vivem mal-estar espiritual e material. A misericórdia tem olhos para ver, ouvidos para escutar, mãos para ajudar. A vida cotidiana nos permite tocar com a mão muitas das exigências que afetam os mais pobres e sofridos. Pede-se a nós essa atenção particular que nos leva a nos dar conta do estado de sofrimento e da necessidade em que se encontram tantos irmãos e irmãs”.

“Às vezes, prosseguiu o Papa, passamos diante de situações dramáticas de pobreza e parece que estas não nos tocam; tudo continua como se nada fosse, numa indiferença que, ao final, nos torna hipócritas e, sem perceber, acaba numa forma de letargia espiritual em que o ânimo se torna insensível e a vida, estéril. Mas tem gente que passa toda a vida sem nunca perceber as necessidades dos outros, sem ver todas as necessidades espirituais e materiais. São pessoas que passam sem viver, que não servem os outros. Lembrem-se bem: quem não vive para servir, não serve para viver”. Francisco acrescentou: “Quem experimentou na própria vida a misericórdia do Pai não pode permanecer insensível diante das necessidades dos irmãos”.

Além disso, o Papa Bergoglio convidou para pensar em quantos são os aspectos da misericórdia de Deus para conosco mesmos, e acrescentou que a causa das mudanças de nosso mundo globalizado, alguns tipos de pobreza, materiais e espirituais, se multiplicaram. Por esta razão, exortou para dar espaço à criatividade da caridade para personalizar as novas modalidades operacionais. Deste modo, indicou o Papa ao concluir a catequese, a via da misericórdia será cada vez mais concreta, motivo pelo qual se pede a nós para que permaneçamos vigilantes como sentinelas para que, diante das pobrezas produzidas pela cultura do bem-estar, o olhar do cristão não se enfraqueça e se torne incapaz de ver o essencial.

Por último, o Pontífice recordou sua viagem apostólica à Armênia, o primeiro país a abraçar o cristianismo e que fez de 24 a 26 de junho: “Dou graças ao Senhor pela minha recente viagem à Armênia. Agradeço ao presidente da República, ao Catholicos Karekin II, ao Patriarca e aos Bispos católicos e a todo o povo armênio por me acolher como peregrino de fraternidade e de paz. Se Deus quiser, dentro de três meses, viajarei à Geórgia e ao Azerbaijão. Decidi visitar estes países da região do Cáucaso para apreciar suas antigas raízes cristãs e encorajar a esperança e os caminhos de paz”.

O Papa deu também a bênção à estátua de Nossa Senhora da Flor, trazida pelos fiéis de Acquapendente e saudou as religiosas da União das Superioras Maiores da Itália. Depois, saudou especialmente a Associação dos Conselheiros do Trabalho, que iniciaram na quinta-feira, seu Festival do Trabalho. Para eles foi o alento do Santo Padrepara que promovam “a cultura do trabalho que assegura a dignidade da pessoa humana e bem comum da sociedade, a partir da sua célula, a família”.

“É precisamente a família – enfatizou o Papa – que sofre mais as consequências de um mau trabalho: mau por sua escassez e por sua precariedade”. “Vocês, conselheiros do trabalho – prosseguiu o Bispo de Roma –, não têm uma tarefa assistencial, mas de promoção, para que no âmbito nacional e europeu as instituições e os agentes econômicos persigam, de modo concertado, o objetivo da plena e digna ocupação”.

FONTE: VATICAN INSIDER

O mês de julho a Igreja dedica ao preciosíssimo Sangue de Cristo, derramado pelo perdão dos nossos pecados.

O Sangue de Cristo representa a Sua Vida humana e divina, de valor infinito, oferecida à Justiça divina para o perdão dos pecados de todos os homens de todos os tempos e lugares. Quem for batizado e crer, como disse Jesus, será salvo (Mc 16,16) pelo Sangue de Cristo.

Em cada Santa Missa a Igreja renova, presentifica, atualiza e eterniza este Sacrifício de Cristo pela Redenção da humanidade. Em média, a cada quatro segundos essa oferta divina sobe ao Céu em todo o mundo.

O Catecismo da Igreja ensina que mesmo que o mais santo dos homens tivesse morrido na cruz, seria o seu sacrifício insuficiente para resgatar a humanidade das garras do demônio; era preciso um sacrifício humano, mas de valor infinito. Só Deus poderia oferecer este sacrifício; então, o Verbo divino, dignou-se assumir a nossa natureza humana, para oferecer a Deus um sacrifício de valor infinito. A majestade de Deus é infinita; e foi ofendida pelos pecados dos homens. Logo, só um sacrifício de valor infinito poderia restabelecer a paz entre a humanidade e Deus.

“Mas eis aqui uma prova brilhante de amor de Deus por nós: quando éramos ainda pecadores, Cristo morreu por nós.  Portanto, muito mais agora, que estamos justificados pelo seu sangue, seremos por ele salvos da ira” (Rm 5,8-9).

São Pedro ensina que fomos resgatados pelo Sangue do Cordeiro de Deus, mediante “a aspersão do seu sangue” (1Pd 1, 2).

“Porque vós sabeis que não é por bens perecíveis, como a prata e o ouro, que tendes sido resgatados da vossa vã maneira de viver, recebida por tradição de vossos pais, mas pelo precioso sangue de Cristo, o Cordeiro imaculado e sem defeito algum, aquele que foi predestinado antes da criação do mundo.” (1Pe1,19)

Ao despedir dos bispos de Éfeso, em lágrimas, S.Paulo pede que cuidem do rebanho de Deus contra os hereges que já surgiam naquele tempo, porque este rebanho foi “adquirido com o seu Sangue” (At 20,28).

Para os judeus a vida estava no sangue (cf. Lv 11,17), e por isso eles não comiam o sangue dos animais; na verdade, a vida está na alma e não  no sangue; mas para eles o sangue tinha este significado. É muito interessante notar que no dia da Páscoa, a saída do povo judeu do Egito, naquela noite da morte dos primogênitos, Deus, segundo o entendimento do povo, mandou que este passasse o sangue do cordeiro imolado nos umbrais das portas para que o Anjo exterminador não causasse a morte do primogênito naquela casa.

Este sangue do cordeiro simbolizava e prefigurava o Sangue de Cristo, da Nova e Eterna Aliança que um dia seria celebrada no Calvário. É por isso que S.João Batista, o Precursor de Jesus, ao anunciá-lo aos judeus vai dizer: “Este é o Cordeiro de Deus que tira os pecados do mundo” (Jo 1, 19).  É a missão de Cristo, ser o Cordeiro de Deus imolado por amor dos homens.

É este Sangue de Cristo que nos purifica de todo pecado:

“Se, porém, andamos na luz como ele mesmo está na luz, temos comunhão recíproca uns com os outros, e o sangue de Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica de todo pecado” (1Jo 1,7).

“Jesus Cristo, testemunha fiel, primogênito dentre os mortos e soberano dos reis da terra. Àquele que nos ama, que nos lavou de nossos pecados no seu Sangue  e que fez de nós um reino de sacerdotes para Deus e seu Pai, glória e poder pelos séculos dos séculos! Amém.” (Ap 1, 5)

“Cantavam um cântico novo, dizendo: Tu és digno de receber o livro e de abrir-lhe os selos, porque foste imolado e resgataste para Deus, ao preço de teu Sangue, homens de toda tribo, língua, povo e raça; e deles fizeste para nosso Deus um reino de sacerdotes, que reinam sobre a terra” (Ap 5, 9-10).

Os mártires derramaram o seu sangue por Cristo, na força do seu Sangue:

“Mas estes venceram-no por causa do Sangue do Cordeiro e de seu eloquente testemunho. Desprezaram a vida até aceitar a morte” (Ap 12, 11).

O Apocalipse ainda nos mostra que os santos lavaram as suas vestes (as almas) no Sangue de Cristo:

“Esses são os sobreviventes da grande tribulação; lavaram as suas vestes e as alvejaram no Sangue do Cordeiro” (Ap 7, 14).

Hoje esse Sangue redentor de Cristo está à nossa disposição de muitas maneiras. Em primeiro lugar pela fé; somos justificados por esse Sangue ensina S. Paulo:

“Mas eis aqui uma prova brilhante de amor de Deus por nós: quando éramos ainda pecadores, Cristo morreu por nós. Portanto, muito mais agora, que estamos justificados pelo seu Sangue, seremos por ele salvos da ira” (Rm 5, 8-9).

Ele está à nossa disposição também no Sacramento da Confissão; pelo ministério da Igreja e dos sacerdotes o Cristo nos perdoa dos pecados e lava a nossa alma com o seu precioso Sangue. Infelizmente muitos católicos ainda não entenderam a profundidade deste Sacramento e fogem dele por falta de fé ou de humildade. O Sangue de Cristo perdoa os nossos pecados na Confissão e cura as nossas enfermidades espirituais e psicológicas.

Este Sangue está presente na Eucaristia: Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Jesus. Na Comunhão podemos ser lavados e inebriados pelo Sangue redentor do Cordeiro sem mancha que veio tirar o pecado de nossa alma. Mas é preciso parar para adorá-lo no Seu Corpo dado a nós. Infelizmente muitos ainda comungam mal, com pressa, sem Ação de Graças, sem permitir que o Sangue Real e divino lave a alma pecadora e doente.

Prof. Felipe Aquino

A liberdade é o maior dom que Deus nos deu; maior até do que a inteligência.

É, acima de tudo, a liberdade que nos faz “imagem” de Deus. Se Ele não nos tivesse feito livres, seríamos como robôs, ou marionetes, ou teleguiados; não seríamos “semelhantes” a Ele.

Para garantir a nossa dignidade Deus nos fez livres, capazes de escolher o bem ou o mal,  e até capazes de virar as costas para o próprio Criador.

Quando a sociedade quer punir o homem, por ele abusar da liberdade, então tira-a, colocando-o na prisão.

O pecado é sempre um “abuso da liberdade”; isto é, o seu mau uso.

Você só poderá dar-se integralmente a alguém, e amar, se você for verdadeiramente livre.

Mas hoje existem também muitas “caricaturas” da liberdade, assim como do amor.

Muitos se enganam pensando que ser livre é poder dizer “eu faço o que quero”.

Muitos pensam que ser livre é não ter leis que obedecer, dogmas a aceitar ou verdades pré-fixadas a acolher. É um engano.

Será que você é livre quando não respeita os sinais de tráfego, e, por desrespeitá-los acaba saindo da estrada e se acidentando?

É claro que não, você está sendo irresponsável, e muito burro!

Será que você é livre, quando teima em dizer que: 2 + 2 = 5 !

É claro que não, você está sendo insensato, incoerente e ilógico.

Será que você pode dizer que é livre porque usa a bebida ou a droga como quer e quando quer, porque é dono do seu nariz?

É claro que não, você está sendo louco e destruindo a sua vida.

Será que você pode dizer que é livre porque usa o seu corpo à vontade, dando-lhe todos os prazeres da gula e do sexo?

É claro que não, você está profanando o templo santo do Espírito de Deus que é o seu próprio físico, e está sendo escravo das suas paixões.

Portanto, não diga que você é livre porque faz o que quer, independente da vontade de Deus e dos homens.

Ser livre não é  “fazer o que você quer” , sem restrições.

Esta é a liberdade do animal, que não possui a luz da inteligência e a força da vontade para guiar os seus passos e manter-se de pé.

Será que na empresa em que você trabalha, você só faz o que quer, chega na hora que quer, e só realiza o que tem vontade de fazer? É claro que não, você obedece ordens, normas e horários.

Jamais diga que ser livre é fazer o que você quer, sem restrições.

A sua liberdade não depende só do seu corpo, mas do seu espírito, acima de tudo.

Mesmo que você esteja numa cela ou preso numa cama, ainda assim é possível ser livre, porque nada e ninguém pode aprisionar o  seu espírito.

Na verdade, é você mesmo quem limita a sua liberdade, quando permite ser conduzido pelos caprichos do seu corpo ou pelas manhas da sua sensibilidade. Esta é a pior escravidão. Você pensa que é livre, mas na verdade você é dominado pelos instintos.

Ser homem, é exatamente vencer os instintos que nos querem roubar o dom precioso da liberdade, que custou até o sangue de Jesus.

Podemos prender um navio ao cais do porto por muitas cordas; mas enquanto ele estiver preso por uma só corda, ainda não poderá navegar livremente, mar adentro, até o seu destino.

Você não estará livre enquanto qualquer amarra o impedir de caminhar.

Se você estiver preso demais a alguma coisa, ainda não é livre.

Se você se apegou a alguém de maneira descontrolada, deixou de ser livre.

Se você é escravo de algum vício, então é claro que você não é livre plenamente.

Se os instintos do corpo ou da sensibilidade, o “pegam pelo nariz” e o obrigam a satisfazê-los, então, é claro que você não é livre.

A liberdade, portanto, não é estar livre de leis, verdades e dogmas sagrados, mas é estar livre de nossos vícios.

A liberdade pode se transformar em libertinagem, abuso da liberdade.

Isto acontece quando você quer ser livre sem respeitar a “verdade” e a “responsabilidade”. Elas são os trilhos sobre os quais a liberdade deve caminhar para não enlouquecer, e não fazer de você um libertino.

Liberdade sem verdade é loucura.

Liberdade sem responsabilidade é depravação.

 

Existe uma verdade científica, religiosa, moral… que a liberdade tem que obedecer para ser autêntica.

A liberdade deve também respeitar a responsabilidade.

Você pode dar murros no ar à vontade, mas até que não atinja o nariz de alguém.

Se você ultrapassar este limite, não mais está sendo livre, mas perverso, libertino.

Para você ser livre é preciso “conquistar” a sua liberdade, lutando contra você mesmo, para não ceder aos instintos cegos que o escravizam.

Você será livre, não quando conseguir dominar os outros, mas quando, enfim, dominar a si mesmo. Que conquista!

Diz um Salmo que vale mais aquele que domina a si mesmo  do que aquele que conquista uma cidade.

Não fique dizendo que as coisas erradas que você faz é culpa do seu temperamento incontrolável ou da sua fraqueza moral, etc.  …

Lute contra tudo isto e conquiste este tesouro que se chama liberdade.

Você só será livre quando for uma pessoa “de pé”: o espírito comandando a sensibilidade e o físico.

Não há dúvida de que quanto mais “coisas” você possui: roupas, casas, dinheiro, carros, discos, etc., maior será a sua luta para não permitir que tudo isto acorrente a sua liberdade.

Ser livre é ser desapegado e despojado: dos egoísmos, dos vícios, e dos prazeres.

Isto não quer dizer que você não possa usar todas essas coisas; elas são às vezes indispensáveis.

A Liturgia da Igreja nos ensina que é preciso “caminhar entre as coisas que passam, abraçando somente  as que não passam”.

Ser livre é apegar-se somente às coisas que não passam: o bem que reside no seio da virtude.

Só é livre aquele que comanda as suas ações, e não se deixa arrastar pela força dos instintos.

Se você não for livre, então será escravo de muitas coisas: da indecisão, da angústia, da instabilidade…, enfim, você não será uma pessoa madura e preparada para amar.

Só sabe amar; só pode dar-se, aquele que se possui, aquele que é livre.

Quando você é livre todas as suas ações são boas, segundo a vontade de Deus, pois obedecem a verdade e a responsabilidade.

Você será plenamente livre quando for plenamente obediente a Deus e às suas Leis: Deus é o grande Livre !

Nossa liberdade é proporcional à dignidade daquele que obedecemos. Se você obedece à Deus é livre, se serve ao pecado,  é escravo do pecado, ensina São Paulo aos romanos.

Jesus é Aquele que é Livre, e faz Livres os que O seguem.

“Vinde a mim, vós todos os que estais aflitos sob o fardo, e eu vos aliviarei. Tomai meu jugo sobre vós e recebei minha doutrina, porque eu sou manso e humilde de coração e achareis repouso para as vossas almas. Porque meu jugo é suave e meu fardo é leve” (Mt 11,29-30).

Obedecer as Leis de Deus é o jugo suave e leve; é ser de fato livre.

O pássaro só é livre se voar nos céus; o peixe só é livre se nadar nas águas.

Jamais o pássaro será livre se quiser voar dentro da água; e jamais o peixe será livre se quiser nadar na terra.

Assim, você só será livre se aceitar viver da maneira e da forma exatas que o Pai estabeleceu para você viver.

A verdade que o faz plenamente livre é a Verdade de Jesus:

“Eu sou a Verdade”.

“Se permanecerdes na minha palavra sereis meus verdadeiros discípulos, conhecereis a verdade e a verdade vos libertará” (Jo 8,31-32).

Quanto mais você for fiel e obediente às Leis de Deus, mais livre você será e mais apto para amar.

Quem é o viajante livre, aquele que obedece os sinais da estrada que lhe indicam os perigos, ou aquele que os desobedece e se acidenta?

Deus é o nosso Criador; Ele nos fez com sabedoria e amor. Ele escreveu o “catálogo” sob o qual cada um deve viver para ser feliz e ser livre.

O que acontece se você desobedece ao catálogo do fabricante que manda ligar a televisão numa fonte elétrica de 110 volts?

Ela queimará se você a ligar em outra voltagem, ou então, não captará as imagens.

O que acontece se você desrespeitar o catálogo do seu carro que manda abastecê-lo com gasolina?

Se você encher o tanque de álcool, porque é mais barato, o seu carro não vai funcionar bem e o motor será prejudicado.

E assim é tudo na vida; toda a criação de Deus está sujeita a leis naturais que devemos obedecer. Só o homem – porque tem inteligência e vontade – é capaz de desobedecer às leis pelas quais Deus faz o universo belo…

Quando você desobedece as leis de Deus, os seus Mandamentos, você “queima” a sua vida, como aquela televisão ligada em 220 volts.

Só Deus nos faz plenamente livres. Só os seus “escravos” são  perfeitamente livres; e, por isso, aptos para amar como Ele ama.

Se você quiser amar o seu namorado de verdade, então, ame e obedeça o Evangelho e a Igreja; você será uma pessoa inteira, livre, capaz de dar-se, de amar e de construir o outro.

Não aceite as caricaturas da liberdade porque elas são verdadeiras escravidões.

É a obediência a Deus que alimenta a nossa liberdade e o nosso amor.

Cristo aceitou morrer na cruz para conquistar para você a verdadeira liberdade; pois, ali Ele matou o pecado que escraviza. Esta liberdade você recebeu no Batismo; não a perca por nada neste mundo.

São Paulo pediu aos gálatas insistentemente:

“É para que sejamos homens livres, que Cristo nos libertou [do pecado]. Ficai, portanto, firmes e não vos submetais outra vez ao jugo da escravidão” (Gal 5,1).

Este “jugo da escravidão” é o jugo do pecado, que destrói a vida.

“O salário do pecado é a morte” (Rm 6, 23).

O que para o mundo é motivo de tristeza, a luta para vencer o pecado, a entrada pela “porta estreita” que Cristo recomenda, para os filhos de Deus é motivo de verdadeira e autêntica libertação. O verdadeiro escravo neste mundo é aquele que tem a sua alma amordaçada pelo pecado, pelos vícios.

Se você quiser ser verdadeiramente livre, e levar os outros à esta liberdade insuperável, então, vença o pecado, e ajude os outros a fazê-lo; especialmente o seu namorado.

Para você meditar:

TEMPO E ETERNIDADE

“Meu Deus, protegei-me do “deixa – correr”, do “deixa – fazer”, do “deixa – viver”, do “deixa – matar”…

E dessa passividade que permanece passiva por medo de agir e sofrer.

É tão fácil deixar tudo correr…

Deixa correr a vida como areia, e acusar as circunstâncias, e maldizer os fatos, e acusar os outros…

É muito mais fácil sentir-se sempre cansado: cansado de tudo, cansado de nada…

A vida não passa de uma sucessão de gestos ínfimos, mas que, divinizados, nos moldam a eternidade.

Materialmente, uma obra de arte – quadro ou estátua – não é mais que o resultado de uma série de pinceladas ou de cinzeladas. O valor imaterial, o único que conta, é o pensamento do artista que informou cada gesto e fez dessa síntese a realização do seu próprio sorriso. Criamos eternidade com qualquer ato nosso. Este é o poder maravilhoso do homem: A cada segundo construímos o nosso reino.

Um ato, uma vez realizado, não pode ser desfeito. Sua repercussão e seus reflexos se prolongam por espaços inacessíveis. Criamos o definitivo e esse prolongamento das menores ações até a eternidade é que faz a nossa grandeza de homens.

Não compreendemos nada de nada. Há tanto mistério no crescimento de um grão de trigo quanto no movimento das estrelas. Nós bem sabemos que somos os únicos capazes de amar, e é por isso que o menor dos homens é maior do que todos os mundos reunidos.

Guy de Larigaudie

Do Livro: NAMORO, Prof. Felipe Aquino

A ressurreição e os milagres de Jesus são inacreditáveis para os padrões cientificistas, que precisam que tudo se ajuste à sua lógica

Os céticos e racionalistas duvidam da ressurreição e dos milagres de Jesus, tratando-os como histórias de fantasia, inacreditáveis demais para o homem educado com os padrões humanos cientificistas, que precisa que tudo se ajuste à sua lógica – e, se não se ajusta, é então “impossível”.

Mas, como pergunta o próprio Deus a Abraão, sobre a risada de Sara, há algo que seja muito difícil para Deus? Por que algo seria demais, difícil ou impossível para Deus, que criou tudo o que existe, os planetas, as montanhas, os oceanos, os ventos, os seres vivos, animais e vegetais, e todas as condições para que se mantenham vivos, quando antes nada havia…? Por que seria difícil para Ele enviar à terra seu Filho para interceder pelos homens, concebendo-O através do Espírito Santo e da jovem Virgem Maria?

Por que seria difícil ou impossível para Ele andar por sobre as águas do mar? Ele criou o próprio mar! Por que seria difícil ou impossível para Ele ressuscitar ou curar doenças? Ele criou a própria Vida! Portanto, por que seria impossível para Ele intervir de maneira milagrosa na vida milagrosa que Ele mesmo criou?

Deus já está entre nós como Pai Criador. Ele também está em todos nós, pelo mesmo motivo, pois somos feitos de sua substância (à sua imagem e semelhança): e, se Ele nos criou e está entre nós e também em nós como Deus, porque para Ele seria difícil ou impossível estar entre nós também como Homem, encarnando para viver 33 anos entre a espécie que Ele mesmo Criou? Ele já havia criado o homem, por que não poderia Ele, quando se fez necessário, para salvar-nos, Criar a Si Mesmo como Homem, nos dando a conhecer face a face, corpo a corpo, espírito a espírito, o seu Filho?

O ser humano racionalista e cético em relação ao domínio do Vivo, toma a vida como garantida, não percebendo mais que a própria existência da vida, a própria existência de nós mesmos, é um mistério insondável. Mais insondável, até, do que os milagres de Jesus em sua missão – pois, estes, ainda, foram testemunhados e registrados para a história. A Criação, nenhum homem testemunhou.

Se duvidamos dos milagres de Jesus e da ressurreição, podemos duvidar da própria vida. E não seria isso um contrassenso, seres vivos duvidarem da própria vida? Mas, sim, o homem, em certo nível, vive mesmo a duvidar da própria vida, resistindo a ela e fazendo (mantendo) uma aliança com a morte e a estagnação, o enrijecimento e a descrença. Para o homem racionalista, cético e descrente – resistente ao vivo mistério da vida – é um problema falarmos com essa linguagem: Deus, Ele… Pois tal homem, então, imagina algo que se adapte às suas costumeiras narrativas sobre a vida, como se a única vida que existisse fosse a vida humana com seus padrões inventados. Imagina que estamos falando então de um homem grande e barbudo que espia tudo do céu como um guarda ou um vigilante, e que só intervém quando a Ele convém. Poderíamos falar então, para iniciar ou facilitar o diálogo, em uma força criadora, organizadora, cuidadora e misteriosa, que, ao ter criado tudo, consequentemente está presente também em tudo, e por isso também sabe de tudo. Que, ao criar as condições para que tudo continue existindo e vivendo, continua ela mesma presente nas coisas a todo o instante, conhecendo todo e qualquer movimento do que é vivo em toda a amplitude do universo. Mas o homem se enrijece para essa força, de fato, não a querendo mais presente: e só consegue crer no que vê e entende com seus padrões lógicos limitados (frente aos desdobramentos inimagináveis do cosmos, ou melhor, de Deus, o criador do cosmos).

É realmente um mistério, um milagre, que Deus se tenha feito homem, para salvar uma humanidade perdida, desviada do caminho da vida. Mas se uma pessoa qualquer para por um instante de achar que a vida se limita aos seus compromissos e dramas humanos – trabalho, festa, relacionamento – ela pode subitamente voltar a perceber que o próprio fato de ela estar aqui, agora – materializada, com esse corpo que funciona e vive, alimenta-se, digere o alimento, movimenta-se e respira – é um total milagre.

A questão Bíblica central é que a espécie humana, ao comer o fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal, atraída pelo Satanás, faz uma aliança com o projeto daquele anjo caído, destacado da legião de anjos de Deus para manifestar ambições próprias: a ambição, então, a partir do Pecado Original, passa a ser… ser superior ao próprio Deus, ou tomar seu lugar. O Satanás é um anjo que desenvolveu ciúmes de Deus – d’Ele, que é o pastor do rebanho cósmico inteiro, das estrelas aos menores seres. Satanás viu na nascente espécie humana uma oportunidade de capturar para si seu rebanho próprio, os homens, tirando-os de Deus.

Desde então, há uma luta de proporções gigantescas acontecendo entre Deus e o seu anjo caído, no que diz respeito ao domínio da vida humana, especificamente. Séculos, milênios desta luta, estão relatados na Bíblia Sagrada, do Antigo ao Novo Testamento. A vinda de Jesus foi uma manifestação grandiosa e perfeita de Deus, fazendo-se homem, para vencer o reinado da morte e da iniquidade estabelecidas por Satanás neste mundo, e pela atração que o ser humano sente pelas tentações deste. Jesus faz com os homens então, a Nova e Eterna Aliança, aceitando com misericórdia perene o retorno daqueles que querem voltar à vida paradisíaca que poderíamos estar vivendo coletivamente, caso não tivéssemos comido daquele fruto, e não o continuássemos comendo.

Algumas imagens inspiradas no Novo Testamento mostram Jesus puxando Adão e Eva de volta para o Paraíso. Jesus, que é homem, que é o Filho do Homem, dá a Adão a chance de se aperfeiçoar. Jesus, que é homem, é o único homem que não pecou, pois é Deus, e indicou para toda a humanidade a saída da prisão coletiva em que vivemos. Mas Ele mesmo, ao se deparar com a reação doente da grande maioria dos seres humanos à sua presença na terra – seres que, inclusive, o entregaram e mataram – declarou: “E este é o veredito, que a Luz veio ao mundo, mas os homens amaram a escuridão em vez da luz, pois seus negócios eram maus” (João 3,9).

Daí que haverá uma segunda vinda de Jesus, e o Juízo Final: pois, Deus é misericordioso, mas Ele se fez carne, num movimento cósmico e divino muito grandioso, para oferecer uma nova chance de escolha ao homem… E esta chance está dada a todos, as portas do paraíso foram abertas, basta caminhar na direção e entrar. Daí o Juízo Final: quando Jesus verá quais dos homens aproveitaram a nova chance, e quais a desperdiçaram. Mais ainda: quais trabalharam ativamente para tentar fechar novamente as portas do paraíso para a espécie humana.

Pois a vinda de Deus à terra, como homem, foi uma atualização daquele momento narrado em Gênesis, quando o Satanás tenta a Adão e Eva a comerem o fruto proibido. Vamos continuar comendo o fruto do Pecado Original, e escolhendo coletivamente a escuridão, o sofrimento e a morte? Ou vamos escolher a Luz, e aceitar a mão de Jesus, o Messias, que pode e quer nos puxar para fora do inferno em que vivemos, para readentrar o Paraíso divino?

No Antigo Testamento, séculos antes da vinda de Jesus Cristo, Deus já dizia através do profeta Jeremias: “Pois meu povo cometeu duas maldades; eles esqueceram a mim, a fonte das águas da vida, e construíram para eles cisternas, cisternas quebradas, que não podem segurar nenhuma água” (Jeremias 2,13).

A vida de Jesus Cristo, sua crucificação pelo humano pecador, e sua ressurreição – isto é, sua vitória sobre a morte e o pecado – são as marcas vivas da Nova Aliança, a oportunidade que o homem tem para abandonar suas cisternas quebradas, artificiais e impotentes, e voltar-se de uma vez e sem olhar para trás, para a fonte das águas da vida.

“Aquele que acreditar em mim, como a escritura disse, de sua barriga fluirão rios de água da vida” (João 7,38).

Uma diferença crucial, que até hoje muitos cristãos ignoram: julgar algo é possível; julgar alguém, não

O Papa Francisco tem sido claro em destacar a “obrigatoriedade” do amor fraterno para com todas as pessoas, caso se queira ser autêntico na fé cristã e não apenas cristão da boca para fora. E o papa não está inventando absolutamente nada: foi ninguém menos que Jesus Cristo quem fez questão de declarar esta obrigatoriedade com toda a ênfase ao afirmar que até mesmo aos inimigos nós devemos amar e perdoar “setenta vezes sete” – expressão que quer dizer “sem limites”. Do contrário, pergunta o próprio Cristo, que mérito teremos?

Isto significa que nenhum cristão tem o direito de julgar e muito menos condenar o próximo.

Nenhum.

A ninguém.

A própria Igreja se declara incapaz de julgar o que há no coração e na consciência de quem quer que seja: e ela afirma esta impossibilidade claramente na célebre fórmula “De internis neque Ecclesia” (pronuncia-se “de intérnis nékue Eklésia”), ou seja: “Sobre as realidades internas, nem sequer a Igreja (pode julgar)”.

Somente Deus conhece o que há no interior de cada consciência e somente Ele pode (e vai) nos julgar.

Existe uma grande diferença, no entanto, entre julgar uma pessoae julgar atos específicos praticados ou omitidos por uma pessoa. Embora seja humanamente impossível julgar as intenções, é perfeitamente possível julgar um ato ou omissão concretos e declará-los moralmente bons, maus ou neutros. Afinal, assim como é uma verdade básica da fé cristã que só Deus perscruta o íntimo dos corações e só Ele pode julgar as consciências, também é uma verdade básica da fé cristã que Deus é Bondade, Verdade, Beleza e Unidade Absoluta – e se Deus é a Referência do que é bom, verdadeiro, belo e uno, isto significa que existe, objetivamente, um parâmetro absoluto de bondade, verdade, beleza e unidade. Dito de outra forma, a verdade, a bondade, a beleza e a unidade não são relativas, como pretende a “elasticidade ética” da contemporaneidade laica, incoerente e ilógica na própria formulação de que o relativo possa ser parâmetro de alguma coisa. É o caráter absoluto da Verdade, da Bondade, da Beleza e da Unidade o que constitui a base da moral. Como dizer que algo ébom se não existe A Bondade?

Não se pode julgar uma pessoa porque não se sabe o que há em sua interioridade, mas pode-se julgar o que ela faz, diz ou deixa de fazer e dizer, já que o seu agir é patente. No cristianismo, esta lógica se traduz na máxima “Odiar o pecado, mas amar o pecador”. E é nesta lógica que muitos cristãos escorregam, confundindo pecador e pecado e julgando/condenando não atos ou omissões concretos, e sim pessoas, odiando-as em vez de amá-las.

“Tudo o que aconteceu com Cristo dá-nos a conhecer que, depois da imersão na água, o Espírito Santo voa sobre nós do alto do Céu e que, adotados pela Voz do Pai, nos tornamos filhos de Deus”. S. Hilário de Poitiers

Antes de tudo, é necessário compreendermos com profundidade qual é o verdadeiro sentido do Batismo…

Bem, primeiro, recordemos o batismo de Jesus. Qual o significado do batismo de Jesus no Rio Jordão com João Batista?

Não foi o Batismo sacramental que Jesus recebeu, pois Ele não tinha o pecado original. João Batista foi o escolhido pelo pai para preparar o caminho do Redentor, anunciar a Israel a chegada do Messias. Ele é a “Voz que clama no deserto. Preparai o caminho do Senhor, endireitai as veredas para Ele” (Mt 3,3). João deixou claro: “Eu vos batizo com água… Ele vos batizará com o Espírito santo e com fogo” (Mt 3,11)

Por que, então, Jesus entrou na fila dos pecadores?

Ensina a Igreja que foi para “ser solidário com os pecadores”, e aceitar ser o “Servo de Javé”, que Jesus, por Sua Paixão e morte de cruz, salvaria o Mundo, pagaria à Justiça Divina a culpa de toda a humanidade.

Ali começou a vida pública de Jesus; o Espírito Santo desce sobre Sua humanidade e o Pai confirma a predileção por Seu Filho. É a Epifania de Jesus a Israel como o Seu messias.

Diz a Liturgia das Horas que ele entrou nas águas do Jordão para “lavar todas as águas, até às fontes”, para a purificação dos cristãos pelo Batismo.

Foi um gesto de obediência à vontade do Pai e de profunda humildade, pelo qual Jesus dissolveu a desobediência e a soberba de Adão. Ele é o Novo Adão. Ali no Jordão “Ele aceitou, por amor a nós, este batismo de morte para a remissão dos nossos pecados” (CIC, §536). E ali Ele recebeu o Espírito Santo em plenitude para ser a fonte do Espírito para toda a humanidade. No batismo de Jesus, “abriram-se os Céus” (Mt 3,16) que o pecado de Adão havia fechado e as águas são santificadas, que é o prelúdio de uma nova criação.

Nós, que também fomos batizados, voltamos a ser filhos de Deus no Filho de Deus, membros da Igreja, novamente, herdeiros do Céu. Pelo Batismo fomos sacramentalmente assimilados a Jesus, devendo repetir este mistério de rebaixamento humildade e de arrependimento, desceu à água com Jesus para subir novamente com Ele “renasceu da água e do Espírito” (Jo 3)”para tornar-se, no Filho, filho bem amado do Pai” (CIC,§ 537)e viver Nele uma vida nova.

No Batismo, somos sepultados com Cristo para ressuscitar com Ele. São Paulo disse: ” Se ressuscitastes com Cristo, buscai as coisas do alto… Pois morrestes e a vossa vida está escondida com Cristo, em Deus”. (Col 3,1-3).

O Batismo, portanto, nos chama a uma vida nova; é a “entrada sacramental na vida da fé” (CIC, §1236). Nele o batizado recebe “a semente da fé” que deve fazer crescer, pois “sem fé é impossível agradar a Deus” (Hb 11,6), e o “justo vive pela fé” (Rom 1,17). Ao catecúmeno ou ao seu padrinho é feita a pergunta: “Que pedis à Igreja de Deus?”. E este deve responder: ” A fé”.

Então, o cristão deve viver pela fé; fazê-la crescer na luta contra as fraquezas da natureza e os pecados. O batismo nos faz “cristãos”, isto é, “imitadores de Cristo”. São leão Magno dizia: “De que vale carregarmos o nome de cristãos, se não imitamos a Jesus Cristo?”

Em nosso Batismo, nossos pais e padrinhos, na fé da Igreja, assumiram por nós as promessas do Batismo, renunciaram o pecado, a satanás e a todos as suas obras e professaram a Fé da Santa Igreja. Rezaram o Credo!

E nós? Será que estamos cumprindo essa promessa?

Será que lutamos todos os dias, sem cessar, para renunciar as obras do demônio?

Combatemos os pecados como: soberba, ganância, impurezas, gula, ódio, inveja, preguiça, maledicência, respeito humano, mentira, egoísmo?…

Será que obedecemos a Jesus que nos manda “vigiar e orar” porque o espírito é forte, mas a carne é fraca?

Sem a oração, “sem cessar”; sem vigilância; sem vida sacramental, com confissão e comunhão permanente; não podemos cumprir as promessas de nosso Batismo. E São Paulo exorta-nos: “Mortificai os vossos membros: imoralidade sexual, paixão, maus desejos, especialmente a ganância, que também é uma idolatria… Rejeitai a tudo isto: ira, furor, malvadeza, ultrajes, e não saia de vossa boca nenhuma palavra indecente… pois já vos despojastes do homem velho e da sua maneira de agir, e vos revestistes do homem novo”. (Col 3,5-10). Jesus disse com todas as letras: “Sem Mim nada podeis fazer” (Jo 15,5). Então, busquemos o Senhor e a Sua força, sobretudo na oração de intimidade com Ele e na Eucaristia.

E Jesus nos deu a Sua Mãe para ser nossa Mãe espiritual: guia, consolo, conforto, apoio e segurança nos caminhos da vida.

Com Jesus e Maria, com a intercessão dos santos por nós, sem cessar, cumpramos as promessas do nosso Batismo; nossa salvação!

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Em Maria encontramos o primeiro tabernáculo, que Jesus habitou por nove meses

Maria, de modo especial, é o templo de Deus por excelência, ela é a Arca da Aliança. Ela trouxe em seu seio imaculado, o próprio Filho de Deus. De tal forma amou o Pai e guardou as palavras do seu Filho que, o Filho e o Pai vieram a ela e nela fizeram sua morada. Ao concebermos Maria como habitação do Sagrado, compreendemos o quanto Deus nos ama, apesar de nossa condição frágil.

É impossível nos aproximarmos de Maria sem nos aproximarmos de Jesus. Maria nos leva a Cristo. Junto de Maria somos banhados pela luz do Espírito Santo que a cumulou de graça. Em toda a Sagrada Escritura não há mulher que tenha sido agraciada dessa maneira a ponto de ter sido convidada para ser a mãe do Filho de Deus. São Lucas nos relata: “O Altíssimo te cobrirá com sua sombra” (Lc 1, 34). Aqui, o evangelista nos apresenta Maria como uma nova tenda do encontro de Deus com a humanidade. Coberta pela sombra do Altíssimo, Maria se torna o santuário onde Jesus toma imagem visível.

Em Maria encontramos o primeiro tabernáculo que Jesus habitou por nove meses. Em Maria, Deus encarnado visita seu povo. Entre todos os santos, a santíssima Virgem Maria resplandece como modelo de santidade e de espiritualidade eucarística. Maria está de tal modo, ligada ao mistério eucarístico que mereceu que o Papa João Paulo II a chamasse de “Mulher Eucarística”. Ela viveu este espírito eucarístico antes que o Sacramento da Eucaristia fosse instituído por Jesus, isto pelo fato de ter oferecido seu seio virginal à encarnação do Verbo de Deus. Logo após o nascimento de Jesus, ela realizou um gesto puramente eucarístico e ao mesmo tempo, eclesial: apresentou o Menino Jesus aos pastores, aos magos e ao sumo-sacerdote no templo em Jerusalém; o fruto bendito de seu ventre  apresenta-o ao povo de Deus e aos gentios para que o adorassem e o reconhecessem como o Messias, o próprio Filho de Deus.

Para ser como Maria, Mulher Eucarística, devemos transformar a nossa vida que deve ser toda ela eucarística. O livro dos Atos dos Apóstolos nos refere que, após a ascensão do Senhor ao céu, os apóstolos voltaram de novo ao Cenáculo, onde costumavam se reunir (At 1, 12-13).  A Mãe de Jesus estava ali presente no seio da Igreja. Lucas, o autor dos Atos, não poderia deixar de anotar esse fato: Maria está presente no instante em que vai resplandecer a Igreja. A Mãe de Jesus, que estava com os apóstolos no desabrochar da Igreja no dia de Pentecostes, continuava no meio deles, participando da fração do pão. A Eucaristia, que por assim dizer, viera dela, que tem com ela relação e origem, era seu alimento de cristã, que caminhava com a Igreja.

Igreja e Eucaristia são inseparáveis. Não há Igreja sem Eucaristia, porque não há Igreja sem sacrifício de Jesus que se renova, como não há Igreja sem encarnação de Jesus que se prolonga no tempo. A peregrinação da Igreja se faz com a Eucaristia e pela Eucaristia, e com Maria, assunta ao céu,  isto é, inseparável da mediação de Maria no céu.

O teólogo René Laurentin, resume assim a participação de Maria Santíssima na Eucaristia:

1º) A participação de Maria no mistério da Eucaristia corresponde, em primeiro lugar à participação que ela teve na Encarnação do Verbo de Deus. O Corpo que recebemos na Hóstia é o mesmo corpo daquele que nasceu de Maria. Esse corpo, nascido de uma mulher é o Corpo de Deus!

2º) A participação de Maria no mistério do Santo Sacrifício corresponde à sua participação no sacrifício da cruz. A presença de Maria junto à Missa corresponde à sua presença no Calvário. Como consequência, é certa a universal intercessão de Maria junto ao Santo Sacrifício, a Missa.

3º) As ligações de Maria com a Eucaristia se prendem, enfim, ao fato de que a Mãe de Deus participou na fração do pão na Igreja de Pentecostes. Ela é o modelo mais perfeito e mais concreto da comunhão do Corpo de Cristo.

4º) A Igreja, povo de Deus que está a caminho, vive da Eucaristia e pela Eucaristia, fruto do seio virginal de Maria e estritamente unida à sua oblação materna no Calvário. Por isso, é impossível separar o culto da Eucaristia do culto de Maria.

Cada vez mais devemos enfatizar na caminhada de fé do povo de Deus estes dois mistérios vitais para a Igreja: Cristo Eucarístico e sua Mãe medianeira junto da Eucaristia.

“A Eucaristia é o coração e o ápice da vida da Igreja – diz o Catecismo – pois nela Cristo associa sua Igreja e todos os seus membros a Seu sacrifício de louvor e de ação de graças oferecido uma vez por todas na cruz a seu Pai; pelo seu sacrifício ele derrama as graças da salvação sobre seu corpo, que é a Igreja” (§1407).

Quem quer receber a Cristo na comunhão eucarística não pode ter, em consciência, algum pecado mortal. Será preciso confessar antes.

“É pecado mortal todo pecado que tem como objeto uma matéria grave, e que é cometido com plena consciência e deliberadamente” (CIC§ 1859).

Isto é, uma infração grave à lei de Deus, cometida de maneira consciente e livre.

“A matéria grave que é precisada pelos dez mandamentos segundo a resposta de Jesus ao jovem rico: “Não mates, não cometas adultério, não roubes, não levantes falso testemunho, não defraudes ninguém, honra teu pai e tua mãe” (Mc 10,19)”, (CIC§ 1858).

O meio mais poderoso para a nossa santificação é a Comunhão com Jesus na Eucaristia. Por ela nos unimos com o “Santo”, e somos nele transformados. Assim como o ferro, no fogo, vai assumindo a cor deste, pela Comunhão vamos assumindo a “imagem e semelhança” do Senhor.

A Eucaristia é o alimento espiritual de nossa caminhada para Deus. No Antigo Testamento ela foi prefigurada pelo maná que alimentou o povo de Deus por quarenta anos, a caminho da Terra Prometida. (Ex 8,2-16). Esse maná era apenas uma figura do verdadeiro “pão vivo descido do céu”, que quem comer “viverá eternamente” (Jo 6,51).

No discurso sobre a Eucaristia, que Jesus proferiu na sinagoga de Cafarnaum, ele deixou claro:

“Em verdade, em verdade vos digo, se não comerdes a carne do Filho do homem e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós” (v. 53).

Se não temos a vida de Jesus sem a Eucaristia, muito menos poderemos ter a santidade, pois esta é exatamente a consequência da participação da vida divina.

“Porque a minha carne é verdadeira comida e meu sangue é verdadeira bebida” (v. 55).

Assim como o corpo não pode ter vida sem comida e sem bebida, da mesma forma a alma não tem a vida eterna sem a Eucaristia, sem o Corpo ressuscitado de Jesus.

No discurso de Jesus há uma promessa maravilhosa:

“Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele” (56).

Jesus, na última Ceia, insistiu com os discípulos:

“Permanecei em mim e eu permanecerei em vós. O ramo não pode dar fruto por si mesmo, se não permanecer na videira. Assim também vós: não podeis tão pouco dar fruto, se não permanecerdes em mim. Eu sou a videira, vós os ramos. Quem permanecer em mim e eu nele, essa dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer” (Jo 15,1-5).

No final Jesus completa dizendo:

“Nisto é glorificado meu Pai, para que deis muito fruto e vos torneis meus discípulos” (8).

Essas palavras mostram que o “fundamental” na vida cristã, é “permanecer” em Jesus, a fim de que possamos dar frutos, que glorificam o Pai.

Para que pudéssemos, então, “permanecer nele”, ele nos deixou a Eucaristia, o maior de todos os milagres do seu amor por nós. O seu próprio Ser nos é dado, corpo, sangue, alma e divindade. É o próprio Jesus ressuscitado que vem a cada um de nós.

Seu Corpo se funde ao nosso, sua Alma se une à nossa, seu Sangue se mistura com o nosso, e sua Divindade se junta à nossa humanidade. Não pode haver união mais íntima e mais intensa na face da terra. É o amado (Jesus) que vai em busca da sua amada (nossa alma) para unir-se a ela. O amor exige a união. E nessa união Ele nos santifica.

“Vinde a mim, vós todos que estais aflitos sob o fardo, e eu vos aliviarei” (Mt 11,28).

A maneira mais fácil de acolher esse convite amoroso do Senhor é na Eucaristia.

“Não os quero despedir em jejum para que não desfaleçam no caminho” (Mt 15,32).

Jesus disse aos seus discípulos, sobre aquela multidão faminta que o seguia há três dias pelo deserto, e por isso fez o milagre da multiplicação dos pães. Agora Ele “multiplica” o seu próprio Corpo para que não desfaleçamos na caminhada dura desta vida até a Casa do Pai. Sem dúvida, a multiplicação dos pães, foi um grande milagre que prefigurava a Eucaristia distribuída a cada um de nós.cpa_como_comungar

A Comunhão nos preserva do pior de todos os males que é o pecado. O Concílio de Trento (1545-1563) afirma que é “remédio pelo qual somos livres das falhas cotidianas (…) e preservados do pecado mortal”.

O Papa Inocêncio III afirmou:

“Jesus Cristo com a sua paixão nos livrou do poder do pecado, mas com a Eucaristia nos livra do poder de pecar”.

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Chega de enrolação: deixe o Espírito Santo agir hoje! O Papa Francisco nos explica como

O Pentecostes vai “ficando para trás” e aumenta o risco de voltarmos à rotina, como se esta fosse apenas mais uma segunda-feira e como se o Pentecostes tivesse sido só mais uma simples lembrança litúrgica, agora já “atrasada”, entre tantas outras que deixamos passar sem maior impacto (como a Ascensão…).

Mas a vinda do Espírito Santo é tudo menos “uma coisa qualquer”.

Para refletirmos e nos abrirmos ao impulso do Espírito Santo, propomos reler a mensagem que o Papa Francisco nos enviou no ângelus do dia 1º de janeiro de 2014, início de ano, Solenidade de Santa Maria Mãe de Deus e 47ª Jornada Mundial da Paz. Inspiradoramente, ele ligou a essa data o Espírito Santo.

“Caros irmãos e irmãs, no início do novo ano a todos dirijo os mais cordiais votos de paz e de todos os bens. A todos faço votos de um ano de paz, na graça do Senhor e com a proteção materna de Maria”.

Dirigindo-se à multidão na Praça de São Pedro, o Santo Padre observou que os seus votos de ano novo eram os votos da Igreja: votos cristãos, portanto, e não ligados a um “sentimento um tanto mágico e fatalista de um novo ciclo que agora se inicia”. Disse ele: “Nós sabemos que a história tem um centro: Jesus Cristo, encarnado, morto e ressuscitado; tem um fim: o Reino de Deus, Reino de paz, de justiça, de liberdade, de amor; e tem uma força que a move em direção àquele fim: o Espírito Santo”.

Francisco explicou que o Espírito Santo é a potência de amor que fecundou o ventre da Virgem Maria e que anima, também hoje, os projetos e as obras de todos os construtores de paz.

“Duas estradas se entrecruzam hoje: a festa de Maria Santíssima Mãe de Deus e o Dia Mundial da Paz”, ressaltou o Papa. Sobre o Dia Mundial da Paz, o Santo Padre recordou o tema daquele ano: “Fraternidade: fundamento e caminho para a paz”; um tema que nunca deixará de ser atual, já que é a própria “fórmula” da paz: reconhecer-nos como irmãos.

Irmãos como? O papa responde:

“Na base, está a convicção de que somos todos filhos do único Pai celeste, fazemos parte da mesma família humana e partilhamos um destino comum”.

Daí a responsabilidade de cada um agir para que o mundo se torne uma comunidade de irmãos que se respeitam e cuidam uns dos outros.

“Somos também chamados a enxergar as violências e as injustiças presentes em tantas partes do mundo e que não podem nos deixar indiferentes e imóveis: é necessário o empenho de todos para construir uma sociedade verdadeiramente mais justa e solidária (…) Que o Senhor nos ajude a nos encaminharmos mais decididamente pelos caminhos da justiça e da paz; que o Espírito Santo atue nos corações, desfaça a rigidez e as durezas e nos conceda a graça de nos enternecermos diante da fragilidade do Menino Jesus. A paz, de fato, exige a força da doçura, a força não violenta da verdade e do amor”.

Quais são artigos da fé católica?

1. Crer em Deus Pai todo-poderoso.

2. E em Jesus Cristo, seu Filho único, Nosso Senhor.

3. Jesus Cristo foi concebido pelo poder do Espírito Santo, nasceu da Virgem Maria.

4. Jesus Cristo padeceu sob Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado.

5. Jesus Cristo desceu aos Infernos, ressuscitou dos mortos no terceiro dia.

6. Jesus subiu aos céus, está sentado à direita de Deus Pai, todo-poderoso.

7. Donde virá julgar os vivos e os mortos.

8. Creio no Espírito Santo.

9. Creio na Igreja Católica.

10. Creio no perdão dos pecados.

11. Creio na ressurreição da carne.

12. Creio na Vida eterna.

E os Dez Mandamentos?

1. Amar a Deus sobre todas as coisas.

2. Não pronunciarás o nome do Senhor, teu Deus, em vão.

3. Lembra-te de guardar o Dia do Senhor.

4. Honra teu pai e tua mãe, para que se prolonguem os teus dias na terra que o Senhor, teu Deus, te dá.

5. Não matarás.

6. Não pecarás contra a castidade.

7. Não roubarás.

8. Não apresentarás um falso testemunho contra teu próximo.

9. Não desejarás a mulher do próximo.

10. Não cobiçarás as coisas alheias.

Você conhece os Cinco Mandamentos da Igreja?

1. Participar da Missa inteira nos domingos e em outras festas de guarda e abster-se de ocupações de trabalho.

2. Confessar-se ao menos uma vez por ano.

3. Receber o sacramento da Eucaristia ao menos pela Páscoa da Ressurreição.

4. Jejuar e abster-se de carne, conforme manda a Santa Mãe Igreja.

5. Ajudar a igreja em suas necessidades;

Quais são os dias santos de guarda?

1. Todos os domingos do ano

2. Dia 1º de janeiro, festividade de Santa Maria, Mãe de Deus.

3. Festividade do Corpo e Sangue de Cristo (Corpus Christi), celebrada na quinta-feira depois do Domingo da Santíssima Trindade;

4. Dia 8 de dezembro, festividade da Imaculada Conceição da Virgem Maria.

5. Dia 25 de dezembro, Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Lei do Jejum e Abstinência

1. Toda sexta-feira do ano é dia de penitência, a não ser que coincida com alguma solenidade do calendário litúrgico. Nesse dia os fiéis devem abster-se de comer carne ou outro alimento, ou praticar alguma forma de penitência, principalmente alguma obra de caridade ou algum exercício de piedade.

2. A Quarta-feira de Cinzas e a sexta-feira Santa, memória da Paixão e Morte de Cristo, são dias de jejum e abstinência. A abstinência pode ser substituída pelos próprios fieis por outra prática de penitência, caridade ou piedade, particularmente pela participação nesses dias na Sagrada Liturgia (Legislação complementar da CNBB quanto aos cânones 1251 e 1253 do Código de Direito Canônico).

3. Idade da obrigação: a abstinência obriga a partir dos 14 anos completos; o jejum a partir dos 18 anos completos até os 60 anos começados.

Quem foram os doze Apóstolos?

1. Pedro (Simão)

2. Bartolomeu

3. André

4. Filipe

5. Tomé

6. Tiago

7. João

8. Tiago (o Menor)

9. Judas Tadeu

10. Judas Iscariotes

11. Simão (o Zelote)

12. Mateus (Matias)

Quais são os sete Sacramentos?

Batismo (Mt 28,19)

Confirmação ou Crisma (At 8,17)

Eucaristia (Mt 26,26)

Penitência (Jo 20,23)

Unção dos Enfermos (Ti 5,14)

Ordem (Lc 22,19)

Matrimônio (Mt 19,6)

Quais são as três virtudes teologais?

(1 Cor 13, 13 e cfr. Catecismo da Igreja Católica, n. 1813)

Fé – Esperança – Caridade

Quais são as quatro Virtudes Cardeais?

(Cfr. Catecismo da Igreja Católica, ns. 1805-1809)

Prudência – Justiça – Fortaleza – Temperança.

Quais são os Sete Dons do Espírito Santo?

(Cfr. IS 11, 2-3 e Catecismo da Igreja Católica, n.1813)

Sabedoria

Inteligência

Conselho

Fortaleza

Ciência

Piedade

Temor de Deus

E os doze Frutos do Espírito Santo?

(Cfr. Gál 5,22 e Catecismo da Igreja Católica, n. 1832)

Caridade

Paz

Benignidade

Longanimidade

Fidelidade

Continência

Alegria

Paciência

Bondade

Mansidão

Modéstia

Castidade

Você sabe quais são as sete Obras de Misericórdia Espirituais?

(Cfr. Catecismo da Igreja Católica, n. 2447)

1. Dar bom conselho.

2. Ensinar os ignorantes.

3. Corrigir os que erram

4. Consolar os aflitos.

5. Perdoar as injúrias.

6. Sofrer com paciência as fraquezas do próximo.

7. Rogar a Deus pelos vivos e defuntos.

E as sete obras de misericórdia Corporais?

(Cfr. Mt 25, 35,36; Tob 4,12 e Catecismo da Igreja Católica, ns. 2447-2449)

1. Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o Reino dos Céus.

2. Bem-aventurados os mansos, porque eles possuirão a terra.

3. Bem-aventurados os aflitos, porque serão consolados.

4. Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça. Porque serão saciados.

5. Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia.

6. Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus.

7. Bem-aventurados os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus.

8. Bem-aventurados os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino dos Céus.

Você sabe quais sete pecados capitais? E as virtudes opostas?

(Cfr. Catecismo da Igreja Católica, n. 1866)

Orgulho – Humildade

Avareza – Generosidade

Inveja – Amor ao próximo

Ira – Mansidão

Luxúria – Castidade

Gula – Temperança

Preguiça – Diligência

Você conhece os seis pecados contra o Espírito Santo?

(Cfr. Catecismo da Igreja Católica, n. 1864)

1. Desesperar da salvação.

2. Presunção de se salvar sem merecimento.

3. Contradizer a verdade conhecida por tal.

4. Ter inveja das mercês que Deus faz a outros.

5. Obstinação no pecado.

6. Impenitência final.

Os quatro Pecados que Bradam ao Céu?

(Cfr. Catecismo da Igreja Católica, n. 1867)

1. Homicídio voluntário.

2. Pecado sensual contra a natureza.

3. Opressão dos pobres.

4. Não pagar a quem trabalha.

Cooperação e cumplicidade com os pecados alheios

(Cfr. Catecismo da Igreja Católica, n. 1868)

1. Participando neles direita ou voluntariamente.

2. Mandando, aconselhando, louvando ou aprovando esses pecados.

3. Não os revelando ou não os impedindo, quando a isso somos obrigados.

4. Protegendo os que fazem o mal.

Quais são três principais gêneros de boas obras?

(Cfr. Catecismo da Igreja Católica, n. 1969)

Oração – Jejum – Esmola.

Conselhos Evangélicos

(Cfr. Catecismo da Igreja Católica, n. 2103)

A nossa Mãe a Santa Igreja alegra-se ao encontrar em seu seio muitos homens e mulheres que seguem mais estreitamente a exinanição do Salvador e mais claramente o demonstram, aceitando a pobreza na liberdade dos filhos de Deus e renunciando às próprias vontades; submetem-se eles aos homens por causa de Deus, em matéria de perfeição, além da medida do preceito, para que mais plenamente se conformem a Cristo obediente (Lúmen géntium, n. 42).

Pobreza voluntária – Castidade – Obediência.

Na Missa, Jesus não é “morto de novo e de novo”, como alguns críticos reivindicam, mas Ele é oferecido continuamente, numa oblação pura, desde o nascer até o pôr do sol.

Sabemos que ainda não somos dignos do céu. É por isso que somos dependentes do cálice que recebemos na Missa, o sangue de Jesus, cujo “sangue aspergido… fala mais misericordiosamente do que o sangue de Abel”. O sangue de Cristo, o cálice do Seu sangue, purifica os pecadores arrependidos e é, para eles, um cálice de bênção e de perdão.

A Igreja Católica ensina que a Sagrada Comunhão remove todos os pecados veniais da alma do pecador. Através de nosso contato com Jesus tornamo-nos, pela graça, o que Ele é por natureza. Participamos de Sua natureza. Ele é todo puro, todo santo, e por isso, Seu toque nos purifica. O que Ele diz ao leproso é igualmente válido para nós: “Eu quero, fica purificado” (Mt 8,3).

Na Antiga Aliança, os israelitas ofereciam sacrifícios para expiar os pecados, mas agora, Cristo se tornou o sacrifício plenamente suficiente. Por Sua morte, Ele cumpriu o que muitos milhões de oferendas do mundo antigo jamais puderam cumprir. Vejamos a Epístola aos Hebreus: “De fato, se o sangue de bodes e touros e a cinza de novilhas espalhada sobre os seres impuros os santificam, realizando a pureza ritual dos corpos, quanto mais sangue de Cristo purificará a nossa consciência das obras mortas, para servirmos ao Deus vivo” (Hb 9,13-14). A morte e ressurreição de Cristo marcam um sacrifício “de uma vez por todas”: “somos santificados pela oferenda do corpo de Jesus Cristo, realizada uma vez por todas” (Hb 10,10)>

A morte e ressurreição de Jesus aconteceram apenas uma vez na história, mas Ele quis que todas as pessoas, das diversas épocas, participassem daquele sacrifício. E a forma desejada por Deus é a Missa, que é em si, o sacrifício de Jesus Cristo. Ele não é “morto de novo e de novo”, como alguns críticos reivindicam, mas Ele é oferecido continuamente, numa oblação pura, desde o nascer até o pôr do sol.

O sacrifício de Cristo não anula o nosso, mas faz com que seja possível. Com efeito, foi Jesus quem ordenou a Seus ministros sacerdotes para que participassem de Seu ato sacrificial, pois foi Ele quem disse: “Fazei isto em memória de mim”. Os Seus Apóstolos, como todos os sacerdotes católicos subsequentes, não submetiam a Jesus, mas antes, O representam e participam de Seu sacerdócio.

Os primeiros cristãos viviam num mundo onde o sacrifício era parte integrante de uma religião. Se tivessem se convertido do Judaísmo, conheceriam os sacrifícios do Templo de Jerusalém. Se tivessem vindo do paganismo, conheceriam os sacrifícios dos deuses pagãos. Mas agora, todos esses sacrifícios deram lugar ao rito habitualmente chamado de “o sacrifício”. A Carta aos Hebreus cita o Salmo 50,23 para incentivar um contínuo “sacrifício de louvor” (Hb 13,15) na Igreja. Paulo, comumente, usa uma linguagem com palavras próprias de um culto de sacrifício, tais como: leutourgia (liturgia; por exemplo, Rm 15,16), eucaristia (ação de graças, eucaristia; por exemplo, 2Cor 9,11), thusia (sacrifício; por exemplo, Fl 4,18); hierougein (serviço sacerdotal; por exemplo, Rm 15,16); e prosphoron (oferenda; por exemplo, Rm 15,16). Pedro fala de toda a Igreja como um sacerdócio chamado de “a oferta dos sacrifícios espirituais agradáveis a Deus por Jesus Cristo” (1Pd 2,5).

Essa linguagem sacrifical aparece também nos escritos cristãos dos discípulos dos Apóstolos. Um livro antigo, chamado Didaqué, repetidamente usa a palavra “sacrifício” para descrever a Eucaristia: “E no dia do Senhor, reuni-vos para partir o pão e dar graças, primeiramente confessando suas transgressões, para que o seu sacrifício seja puro”. Santo Inácio de Antioquia, escrevendo apenas alguns anos depois da morte dos Apóstolos, habitualmente se referia à Igreja como o “lugar do sacrifício”.

No Antigo Testamento, os sacrifícios iniciavam ou restauravam a comunhão entre Deus e o homem; e assim o faz a Missa, no Novo Testamento, só que de forma mais perfeita. Para Santo Inácio e seus contemporâneos em 105 d. C., a Igreja estava unida em comunhão pela Eucaristia. Isso eles tinham aprendido bem de São Paulo, que disse: “Porque há um só pão, nós, embora muitos, somos um só corpo, esclareceu esta doutrina para qualquer um que pudesse estar em dúvida: “Acautelai-vos, então, de ter, porém, uma Eucaristia. Porque há uma só carne de Nosso Senhor Jesus Cristo, e um cálice para manifestar a unidade do seu sangue; um altar, como há um só bispo, juntamente com os sacerdotes e diáconos, meus companheiros no serviço”. E, Inácio, definia como hereges aqueles que se “abstém da Eucaristia e da oração, porque não confessam que a Eucaristia é a carne de Nosso Salvador Jesus Cristo, o qual sofreu por nossos pecados e que o Pai, em Sua bondade, O ressuscitou”.

Pelo fato de não crescermos ao redor de cultos de sacrifício, como os primeiros cristãos faziam, não estamos acostumados à linguagem que Inácio utiliza a todo o momento, uma linguagem de sacrifício, ao falar de um altar, por exemplo, e da oferenda da carne. Numa outra carta sua, ele mesmo se compara a uma oferenda de trigo e de pão. Para cada culto sacrifical, fosse em Israel, na Grécia ou em Roma, era necessário um sacerdote. Esse, por definição, é alguém que oferece o sacrifício (ver Hb 8,3). Santo Inácio reconhece o sacerdócio de todos os fiéis, como São Pedro; mas ele também reconhece, como São Paulo, que alguns homens são separados para presidir os ritos da Igreja. Inácio escreveu aos cristãos de Esmirna: “Que a Eucaristia só seja considerada válida se for celebrada na presença do bispo ou daquele a quem ele tiver confiado à celebração”.

No Apocalipse, o livro do Novo Testamento que os católicos consideram um “ícone da liturgia”, Cristo aparece como um cordeiro do sacrifício (Ap 5,6). É o sangue desse Cordeiro, dado em sacrifício, que “tira os pecados do mundo” (Jo 1,29).

Agora a oferenda está no céu, exatamente onde João a viu, mas o céu toca a terra na Missa. Os Padres da Igreja gostavam de citar o Profeta Isaías quando falavam sobre o sacrifício Eucarístico e seu poder de apagar os nossos pecados: “Um dos serafins voou para mim segurando, com uma tenaz, uma brasa tirada do altar. Com ela tocou meus lábios dizendo: ‘Agora que isto tocou os teus lábios, tua culpa está sendo tirada; teu pecado, perdoado” (Is 6,6-7). Para os primeiros cristãos, a “queima com carvão” prefigurava o Santíssimo Sacramento, o Pão que desceu do altar de Deus para purificar a Igreja em oração.

Trecho retirado do livro: Razões Para Crer, Scott Hahn. Ed. Cléofas

Os requisitos para recebermos dignamente a Sagrada Eucaristia já nos são conhecidos: não estar em pecado mortal, ter uma intenção reta e guardar o jejum eucarístico aplicável ao nosso caso. Se cumprirmos estas condições, de cada vez que comungarmos receberemos infalivelmente um aumento de graça santificante, juntamente com muitas graças atuais.

Não é preciso dizer que o nosso aspecto externo deve estar de acordo com as adequadas disposições interiores. A mais elementar cortesia exige que, quando nos aproximamos da Comunhão, estejamos limpos de corpo e de roupa. Não é necessário irmos solenemente vestidos: Nosso Senhor acolherá sem dúvida com carinho o operário que se detém no seu percurso até a fábrica para assistir à missa e comungar com a roupa de trabalho, ou o pobre homem que não tem outro remédio senão usar a sua roupa remendada e cerzida. Mas a limpeza e o asseio estão ao alcance de todos.

O mesmo ocorre com a modéstia no vestir. Os que querem visitar a rainha da Inglaterra deve submeter-se a um protocolo rígido; e ninguém, sonharia, nem sequer no país mais democrático do mundo, em entrevistar-se com o presidente da República vestido de calças curtas e camisa esporte. O Rei dos reis tem incomparavelmente mais direito às manifestações externas de reverência e respeito. Não é pedantismo nem beatice, mas piedade da mais elementar, a que proíbe as sumárias peças esportivas e os vestidos decotados para nos aproximarmos da Comunhão.

Pode ser útil mencionar aqui o especial afeto e agradecimento que despertam no sacerdote aqueles que, ao comungarem – ajoelhados ou de pé -, inclinam a cabeça ligeiramente para trás, abrem suficientemente a boca e põem a língua por cima dos bordos do lábio inferior. Felizmente, a maioria dos que comungam fazem isso. Mas surpreende ver com que frequência o sacerdote tem que transpor obstáculos tais como cabeças inclinadas para a frente, dentes semicerrados ou línguas que não se decidem a sair. Se alguém tem alguma dúvida sobre o seu espírito de colaboração nesta matéria, dê uma espiada no espelho e tire as conclusões.

Onde está autorizada a prática de receber a comunhão na mão, os que desejam recebe-la assim devem apresentar a mão esquerda com a palma aberta sobre a palma da mão direita. Ali será depositada a Sagrada Hóstia, que deverá ser tomada com a máxima reverência com o indicador e o polegar da mão direita, e levada à boca antes de sair do lugar. As normas vigentes não permitem em caso algum que o próprio fiel tome diretamente a Hóstia do cibório ou do altar ou que a receba com os dedos em pinça. E a Igreja estabeleceu que, mesmo nos lugares onde se dá legitimamente a comunhão na mão, qualquer fiel tem o direito – que deve ser respeitado pelo sacerdote – de receber a Sagrada Comunhão na boca.

Alguns preocupam-se desnecessariamente com a possibilidade de que a Sagrada Hóstia lhes toque os dentes, coisa que é absolutamente irrelevante. Pode-se até mastigar a Hóstia, como se mastigam os alimentos, pois afinal é alimento espiritual. Embora isto quase nunca seja necessário.

Quer mastiguemos a Sagrada Hóstia ou não, o que devemos garantir é que a engulamos, já que a Sagrada Eucaristia é alimento espiritual, e, para recebê-lo, temos de comê-la. Se quiséssemos que a Sagrada Hóstia se dissolvesse completamente na boca, de modo que já não conservasse as aparências de pão, não receberíamos a Sagrada Comunhão nem as graças que esse sacramento no confere. Devemos, pois, manter a Sagrada Hóstia na boca apenas o tempo suficiente para que se umedeça e possamos ingerir.

Seria um erro sério recebermos a Sagrada Comunhão quando sofremos de indisposições digestivas que possam facilmente produzir vômitos. Se alguém sofre um ataque repentino de náusea e vomita a Sagrada Hóstia, deve recolhê-la num pano e entrega-la ao sacerdote para que disponha dela. Se o Sacerdote não se encontra perto ou se têm dúvidas de que as aparências de pão ainda subsistem, os vômitos devem ser envolvidos num pano e queimados.

Voltando a temas mais agradáveis e mais práticos, propomos uma tríplice questão: “Com que frequência me é permitido comungar? Com que frequência tenho obrigação de comungar? Com que frequência deveria comungar?”

A norma geral autoriza a comungar até mais de uma vez por dia; só precisa que, “quem já recebeu a Santíssima Eucaristia, pode recebê-la de novo no mesmo dia unicamente dentro da celebração eucarística na qual participe” (CDC, cân. 917).

Temos obrigação de comungar uma vez por ano pela Páscoa (desde a Quarta-feira de Cinzas até o domingo de Pentecostes) e em perigo de morte. Omitir deliberadamente a comunhão em qualquer desses casos é pecado grave.

Deveria comungar com a frequência que se fosse possível; o ideal seria que fosse diariamente. A Sagrada Eucaristia é o nosso alimento espiritual e, pelo menos, deveríamos ter tanto interesse em alimentar a nossa alma como em alimentar o nosso corpo; ora, ninguém passa muito tempo sem tomar uma refeição. A Sagrada Eucaristia é também garantia de felicidade eterna, se a recebemos regularmente e com razoável frequência, todos os dias, se pudermos. Jesus prometeu: Quem come deste pão viverá eternamente (Jo 6,59). Com os privilégios que a Igreja concedeu aos que têm dificuldades para jejuar, deveríamos fazer o propósito de receber a Sagrada Comunhão em todas as missas a que assistamos, como faziam os primeiros cristãos.

Suponhamos que estamos preparados por dentro e por fora para fazer uma comunhão digna. Podemos perguntar-nos: “Quantas graças poderei receber quando comungar?”

Já ouvimos dizer que uma só comunhão contém um depósito inesgotável de graças, que uma só comunhão seria suficiente para tornar santa uma pessoa. Já ouvimos estas e outras afirmações parecidas, e podemos sentir-nos um pouco desanimados ao ver que, apesar das nossas comunhões frequentes, ainda parece que nos movemos em níveis de santidade demasiado medíocres.

Não há dúvida de que cada comunhão contém um depósito inesgotável de graças: quem está presente na Sagrada Eucaristia é Jesus Cristo, e Jesus Cristo é Deus, e Deus é infinito, e pode conceder graças infinitas. Mas o total de graças que cada indivíduo recebe numa comunhão depende da capacidade que esse indivíduo tenha.

Há muita água no Oceano Atlântico, mas uma garrafa de litro só poderá conter um litro dessa água, mesmo que a mergulhemos até o fundo. De forma parecida, a nossa alma tem uma capacidade limitada para a graça. Como criatura finita que é, nenhuma alma humana pode ter capacidade infinita para a graça, nenhuma alma está em condições de absorver toda a graça que uma comunhão põe à sua disposição.

Mas isto não quer dizer que em cada uma das nossas comunhões estejamos conseguindo toda a graça que nos é possível. Não quer dizer que não possamos aumentar a nossa capacidade de adquirir graça. Se a garrafa que mergulhamos no oceano não está vazia, mas cheia de areia até três quartos, não tiraremos um litro de água, mas apenas um quarto de sua capacidade total. Se Deus sabe qual é a capacidade máxima de graça de uma alma. Mas todos podemos ter a certeza de ainda não a havermos alcançado.

Aumentamos a nossa capacidade de graça quando retiramos a areia da garrafa, quando tiramos os obstáculos à graça que embaraçam a nossa alma. O primeiro e o maior deles é o apego do pecado venial (uma comunhão digna pressupõe ausência de pecado mortal). Enquanto houver um só pecado venial que não queiramos abandonar (um rancor contra o chefe, a intemperança no uso do álcool, uns comentários maliciosos com laivos de murmuração), estaremos reduzindo a capacidade de graça da nossa alma.

Uma vez livres do pecado venial, ainda resta a luta contra as imperfeições, essas falhas que mostram que o nosso amor a Deus não é ainda de todo o coração. Pode haver em nós desleixo ou desinteresse na nossa oração, resistência egoísta em ajudar o próximo, falta de esforço para vencer a nossa irritabilidade ou impaciência, certa vaidade infantil nas nossas atitudes ou nos nossos talentos. Sejam quais forem, essas imperfeições são provavelmente muitos grãos de areia na nossa garrafa.

Que podemos fazer com esses pecados e imperfeições? Pôr um pouco mais de esforço e receber a Sagrada Comunhão com maior frequência. Um efeito maravilhoso da graça da comunhão é que nos purifica e fortalece contra as mesmas coisas que a impedem de agir. Com um pequeno esforço da nossa parte, cada Sagrada Comunhão prepara o caminho para maiores graças na seguinte. Cada comunhão edifica sobre a anterior.

Este fato esclarece também a afirmação de que “uma só comunhão é suficiente para fazer um santo”. É verdade que o Senhor podia, por um milagre da sua graça, fazer de um pecador um santo com uma só comunhão. Mas, normalmente, permite que o crescimento na santidade seja um crescimento orgânico, gradual e estável como o de uma criança, que mal se percebe de um dia para o outro. De novo aqui uma graça edifica sobre a anterior. É melhor para a nossa humildade não conhecermos claramente o progresso que fazemos.

A única conclusão que devemos tirar de tudo o que acabamos de ver é que nos importa muito que cada comunhão nos leve o mais longe possível. Isto exige uma preparação imediata de cada comunhão, que estimule os nossos sentimentos de arrependimento, fé, amor e gratidão, que nos arraste a uma entrega autentica, para identificarmos a nossa vontade com a de Deus. E é evidente que cumprimos tudo isto se nos unimos com sinceridade recolhimento ao oferecimento da missa.

Depois, temos esses preciosos minutos após a comunhão, em que Nosso Senhor Jesus nos tem, poderíamos dizer, abraçados. A ação de graças da comunhão significa perguntarmo-nos valentemente: “Senhor, que queres que eu faça?”, e escutarmos com mais valentia ainda a resposta que virá. Se a bênção final da missa nos apanha já com um pé no corredor, preparados para empreender uma veloz corrida para casa em busca do nosso café com leite, é que estamos malbaratando lastimavelmente muitas graças que Jesus ainda não acabara de nos dar. Fora alguma circunstância excepcional, deveríamos ter por norma permanecer na igreja por mais dez minutos, dando graças pela comunhão.

Há um ponto final (e muito consolador) que convém ter presente: podemos comungar com muita frequência; podemos preparar-nos adequadamente para a comunhão e depois dar graças com generosidade; podemos estar tratando sinceramente, de comunhão em comunhão, de pôr em prática os nossos propósitos e, apesar de tudo isso (ou talvez por causa disso), sentirmo-nos insatisfeitos conosco próprios. Então, não nos limitemos a exclamar: “Com tantas comunhões, como devia ser melhor!” Perguntemo-nos também: “Sem tantas comunhões, que seria de mim?”

Retirada do livro: A Fé explicada, Leo J. Trese.

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