Formação

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MENSAGEM DO SANTO PADRE FRANCISCO
PARA A XXXIII JORNADA MUNDIAL DA JUVENTUDE
(Domingo de Ramos, 25 de março de 2018)

«Maria, não temas, pois achaste graça diante de Deus» (Lc 1, 30)

 

Queridos jovens!

A Jornada Mundial da Juventude de 2018 constitui um passo mais na preparação da jornada internacional, que se realizará no Panamá em janeiro de 2019. Esta nova etapa da nossa peregrinação tem lugar no ano em que está convocada a Assembleia Ordinária do Sínodo dos Bispos sobre o tema: Os jovens, a fé e o discernimento vocacional. É uma feliz coincidência. A atenção, a oração e a reflexão da Igreja concentrar-se-ão sobre vós, jovens, no desejo de perceber e, sobretudo, «acolher» o dom precioso que vós sois para Deus, para a Igreja e para o mundo.

Como já sabeis, para nos acompanhar ao longo deste itinerário, escolhemos o exemplo e a intercessão de Maria, a jovem de Nazaré, que Deus escolheu como Mãe do seu Filho. Ela caminha connosco rumo ao Sínodo e à JMJ do Panamá. No ano passado, guiaram-nos as palavras do seu cântico de louvor – «O Todo-poderoso fez em Mim maravilhas» (Lc 1, 49) –, ensinando-nos a conservar na memória o passado; este ano, procuramos escutar, juntamente com Ela, a voz de Deus que infunde coragem e dá a graça necessária para responder à sua chamada: «Maria, não temas, pois achaste graça diante de Deus» (Lc 1, 30). São as palavras que o mensageiro de Deus, o arcanjo Gabriel, dirigiu a Maria, jovem simples duma pequena povoação da Galileia.

1. Não temas!

Compreensivelmente, a inesperada aparição do anjo e a sua saudação misteriosa («Salve, ó cheia de graça, o Senhor está contigo»: Lc 1, 28) provocaram uma forte turbação em Maria, surpreendida por esta primeira revelação da sua identidade e da sua vocação, que Lhe eram ainda desconhecidas. Maria, como outras personagens da Sagrada Escritura, treme perante o mistério da chamada de Deus, que, dum momento para o outro, a confronta com a imensidão do desígnio divino e Lhe faz sentir toda a sua pequenez de humilde criatura. O anjo, lendo no fundo do coração d’Ela, diz-Lhe: «Não temas»! Deus lê também no nosso íntimo. Conhece bem os desafios que devemos enfrentar na vida, sobretudo quando nos deparamos com as opções fundamentais de que depende o que seremos e faremos neste mundo. É a «perplexidade» que sentimos face às decisões sobre o nosso futuro, o nosso estado de vida, a nossa vocação. Em tais momentos, ficamos turbados e somos assaltados por tantos medos.

E vós, jovens, quais são os medos que tendes? Que é que vos preocupa mais profundamente? Um medo «de fundo», que existe em muitos de vós, é o de não ser amados, bem-queridos, de não ser aceites por aquilo que sois. Hoje, há muitos jovens que, na tentativa de se adequar a padrões frequentemente artificiais e inatingíveis, têm a sensação de dever ser diferentes daquilo que são na realidade. Fazem contínuos «foto-retoques» das imagens próprias, escondendo-se por trás de máscaras e identidades falsas, até chegarem quase a tornar-se eles mesmos um «fake», um falso. Muitos têm a obsessão de receber o maior número possível de apreciações «gosto». E daqui, desta sensação de desajustamento, surgem muitos medos e incertezas. Outros temem não conseguir encontrar uma segurança afetiva e ficar sozinhos. Em muitos, à vista da precariedade do trabalho, entra o medo de não conseguirem encontrar uma conveniente afirmação profissional, de não verem realizados os seus sonhos. Trata-se de medos atualmente muito presentes em inúmeros jovens, tanto crentes como não-crentes. E mesmo aqueles que acolheram o dom da fé e procuram seriamente a sua vocação, por certo não estão isentos de medos. Alguns pensam: talvez Deus me peça ou virá a pedir demais; talvez, ao percorrer a estrada que Ele me aponta, não seja verdadeiramente feliz, ou não esteja à altura do que me pede. Outros interrogam-se: Se seguir o caminho que Deus me indica, quem me garante que conseguirei percorrê-lo até ao fim? Desanimarei? Perderei o entusiasmo? Serei capaz de perseverar a vida inteira?

Nos momentos em que se aglomeram no nosso coração dúvidas e medos, torna-se necessário o discernimento. Este permite-nos pôr ordem na confusão dos nossos pensamentos e sentimentos, para agir de maneira justa e prudente. Neste processo, o primeiro passo para superar os medos é identificá-los claramente, para não acabar desperdiçando tempo e energias a braços com fantasmas sem rosto nem consistência. Por isso, convido-vos, todos, a olhar dentro de vós próprios e a «dar um nome» aos vossos medos. Perguntai-vos: Hoje, na situação concreta que estou a viver, o que é que me angustia, o que é que mais temo? O que é que me bloqueia e impede de avançar? Porque é que não tenho a coragem de abraçar as decisões importantes que deveria tomar? Não tenhais medo de olhar, honestamente, para os vossos medos, reconhecê-los pelo que são e enfrentá-los. A Bíblia não nega o sentimento humano do medo, nem os inúmeros motivos que o podem provocar. Abraão teve medo (cf. Gn 12, 10-11), Jacob teve medo (cf. Gn 31, 31; 32, 8), e de igual modo também Moisés (cf. Ex 2, 14; 17, 4), Pedro (cf. Mt 26, 69-75) e os Apóstolos (cf. Mc 4, 38-40; Mt 26, 56). O próprio Jesus, embora a um nível incomparável, sentiu medo e angústia (cf. Mt 26, 37; Lc 22, 44).

«Porque sois tão medrosos? Ainda não tendes fé?» (Mc 4, 40). Esta advertência de Jesus aos discípulos faz-nos compreender como muitas vezes o obstáculo à fé não é a incredulidade, mas o medo. Neste sentido, o trabalho de discernimento, depois de ter identificado os nossos medos, deve ajudar-nos a superá-los, abrindo-nos à vida e enfrentando serenamente os desafios que ela nos apresenta. De modo particular para nós, cristãos, o medo nunca deve ter a última palavra, mas ser ocasião para realizar um ato de fé em Deus… e também na vida. Isto significa acreditar na bondade fundamental da existência que Deus nos deu, confiar que Ele conduz a um fim bom mesmo através de circunstâncias e vicissitudes muitas vezes misteriosas para nós. Se, em vez disso, alimentarmos os medos, tenderemos a fechar-nos em nós próprios, a barricar-nos para nos defendermos de tudo e de todos, ficando como que paralisados. É preciso reagir! Nunca fechar-se! Na Sagrada Escritura, encontramos 365 vezes a expressão «não temer», nas suas múltiplas variações, como se dissesse que o Senhor nos quer livres do medo todos os dias do ano.

O discernimento torna-se indispensável quando se trata da busca da própria vocação. Pois esta, na maioria das vezes, não aparece logo clara ou completamente evidente, mas vai-se identificando pouco a pouco. O discernimento, que se deve fazer neste caso, não há de ser entendido como um esforço individual de introspeção, cujo objetivo seria conhecer melhor os nossos mecanismos interiores para nos fortalecermos e alcançarmos um certo equilíbrio; porque, então, a pessoa pode tornar-se mais forte, mas permanece em todo o caso fechada no horizonte limitado das suas possibilidades e pontos de vista. Ao contrário, a vocação é uma chamada do Alto e, neste caso, o discernimento consiste sobretudo em abrir-se ao Outro que chama. Portanto, é necessário o silêncio da oração para escutar a voz de Deus que ressoa na consciência. Ele bate à porta dos nossos corações, como fez com Maria, desejoso de estreitar amizade connosco através da oração, falar-nos através da Sagrada Escritura, oferecer-nos a sua misericórdia no sacramento da Reconciliação, tornar-Se um só connosco na Comunhão Eucarística.

Mas é importante também o confronto e o diálogo com os outros, nossos irmãos e irmãs na fé, que têm mais experiência e nos ajudam a ver melhor e a escolher entre as várias opções. O jovem Samuel, quando ouve a voz do Senhor, não a reconhece imediatamente e três vezes foi ter com Eli, o sacerdote idoso, que acaba por lhe sugerir a resposta certa a dar à chamada do Senhor: «Se fores chamado outra vez, responde: “Fala, Senhor; o teu servo escuta”» (1 Sm 3, 9). Nas vossas dúvidas, sabei que podeis contar com a Igreja. Sei que há bons sacerdotes, consagrados e consagrados, fiéis-leigos – muitos deles também jovens –, que vos podem acompanhar como irmãos e irmãs mais velhos na fé; animados pelo Espírito Santo, serão capazes de vos ajudar a decifrar as vossas dúvidas e a ler o desígnio da vossa vocação pessoal. O «outro» é não apenas o guia espiritual, mas também quem nos ajuda a abrir-nos a todas as riquezas infinitas da existência que Deus nos deu. É necessário abrir espaços nas nossas cidades e comunidades para crescer, sonhar, perscrutar novos horizontes! Nunca percais o prazer de gozar do encontro, da amizade, o prazer de sonhar juntos, de caminhar com os outros. Os cristãos autênticos não têm medo de se abrir aos outros, de compartilhar os seus espaços vitais transformando-os em espaços de fraternidade. Não deixeis, queridos jovens, que os fulgores da juventude se apaguem na escuridão duma sala fechada, onde a única janela para olhar o mundo seja a do computador e do smartphone. Abri de par em par as portas da vossa vida! Os vossos espaços e tempos sejam habitados por pessoas concretas, relações profundas, que vos deem a possibilidade de compartilhar experiências autênticas e reais no vosso dia-a-dia.

2. Maria!

«Eu te chamei pelo teu nome» (Is 43, 1). O primeiro motivo para não temer é precisamente o facto de Deus nos chamar pelo nome. O anjo, mensageiro de Deus, chamou Maria pelo nome. Dar nomes é próprio de Deus. Na obra da criação, Ele chama à existência cada criatura com o seu nome. Por trás do nome, há uma identidade, aquilo que é único em cada coisa, em cada pessoa, aquela essência íntima que só Deus conhece profundamente. Depois, esta prerrogativa divina foi partilhada com o homem, a quem Deus concedeu dar um nome aos animais, às aves e até aos próprios filhos (cf. Gn 2, 19-21; 4, 1). Muitas culturas compartilham esta profunda visão bíblica, reconhecendo no nome a revelação do mistério mais profundo duma vida, o significado duma existência.

Quando chama pelo nome uma pessoa, Deus revela-lhe ao mesmo tempo a sua vocação, o seu projeto de santidade e de bem pelo qual essa pessoa será um dom para os outros e se tornará única. E mesmo quando o Senhor quer ampliar os horizontes duma vida, decide dar à pessoa chamada um novo nome, como faz com Simão, chamando-o «Pedro». Daqui veio o uso de adotar um nome novo quando se entra numa Ordem Religiosa, para indicar uma nova identidade e uma nova missão. A chamada divina, enquanto pessoal e única, exige a coragem de nos desvincularmos da pressão homogeneizadora dos lugares-comuns, para que a nossa vida seja verdadeiramente um dom original e irrepetível para Deus, para a Igreja e para os outros.

Assim, queridos jovens, ser chamados pelo nome é um sinal da nossa grande dignidade aos olhos de Deus, da sua predileção por nós. E Deus chama cada um de vós pelo nome. Vós sois o «tu» de Deus, preciosos a seus olhos, dignos de estima e amados (cf. Is43, 4). Acolhei com alegria este diálogo que Deus vos propõe, este apelo que vos dirige, chamando-vos pelo nome.

3. Achaste graça diante de Deus

O motivo principal pelo qual Maria não deve temer é porque achou graça diante de Deus. A palavra «graça» fala-nos de amor gratuito, não devido. Quanto nos encoraja saber que não temos de merecer a proximidade e a ajuda de Deus, apresentando antecipadamente um «currículo excelente», cheio de méritos e sucessos! O anjo diz a Maria que  achou graça diante de Deus; não, que a obterá no futuro. A própria formulação das palavras do anjo faz-nos compreender que a graça divina é ininterrupta, não algo fugaz ou momentâneo, e por isso nunca falhará. E no futuro também haverá sempre a graça de Deus a sustentar-nos, sobretudo nos momentos de prova e escuridão.

A presença contínua da graça divina encoraja-nos a abraçar, com confiança, a nossa vocação, que exige um compromisso de fidelidade que se deve renovar todos os dias. Com efeito, a senda da vocação não está desprovida de cruzes: não só as dúvidas iniciais, mas também as tentações frequentes que se encontram ao longo do caminho. O sentimento de inadequação acompanha o discípulo de Cristo até ao fim, mas ele sabe que é assistido pela graça de Deus.

As palavras do anjo descem sobre os medos humanos, dissolvendo-os com a força da boa nova de que são portadoras: a nossa vida não é pura casualidade nem mera luta pela sobrevivência, mas cada um de nós é uma história amada por Deus. O «ter achado graça» aos olhos d’Ele significa que o Criador entrevê uma beleza única no nosso ser e tem um desígnio magnífico para a nossa existência. Esta consciência, certamente, não resolve todos os problemas nem tira as incertezas da vida, mas tem a força de a transformar em profundidade. O desconhecido, que o amanhã nos reserva, não é uma obscura ameaça a que devemos sobreviver, mas um tempo favorável que nos é dado para viver a unicidade da nossa vocação pessoal e partilhá-la com os nossos irmãos e irmãs na Igreja e no mundo.

4. Coragem no presente

Da certeza de que a graça de Deus está connosco, provém a força para ter coragem no presente: coragem para levar por diante aquilo que Deus nos pede aqui e agora, em cada âmbito da nossa vida; coragem para abraçar a vocação que Deus nos mostra; coragem para viver a nossa fé sem a esconder nem atenuar.

Sim, quando nos abrimos à graça de Deus, o impossível torna-se realidade. «Se Deus está por nós, quem pode estar contra nós?» (Rm 8, 31). A graça de Deus toca o hoje da vossa vida, «agarra-vos» assim como sois, com todos os vossos medos e limites, mas revela também os planos maravilhosos do Senhor! Vós, jovens, precisais de sentir que alguém tem verdadeiramente confiança em vós: sabei que o Papa confia em vós, que a Igreja confia em vós! E vós, confiai na Igreja!

À jovem Maria foi confiada uma tarefa importante, precisamente porque era jovem. Vós, jovens, tendes força, atravessais uma fase da vida em que certamente não faltam as energias. Usai essa força e essas energias para melhorar o mundo, começando pelas realidades mais próximas de vós. Desejo que, na Igreja, vos sejam confiadas responsabilidades importantes, que se tenha a coragem de vos deixar espaço; e vós, preparai-vos para assumir estas responsabilidades.

Convido-vos ainda a contemplar o amor de Maria: um amor solícito, dinâmico, concreto. Um amor cheio de audácia e todo projetado para o dom de Si mesma. Uma Igreja impregnada por estas qualidades marianas será sempre uma Igreja em saída, que ultrapassa os seus limites e confins para fazer transbordar a graça recebida. Se nos deixarmos contagiar pelo exemplo de Maria, viveremos concretamente aquela caridade que nos impele a amar a Deus acima de tudo e de nós mesmos, a amar as pessoas com quem partilhamos a vida diária. E amaremos inclusive quem nos poderia parecer, por si mesmo, pouco amável. É um amor que se torna serviço e dedicação, sobretudo pelos mais fracos e os mais pobres, que transforma os nossos rostos e nos enche de alegria.

Gostaria de concluir com as encantadoras palavras pronunciadas por São Bernardo numa famosa homilia sobre o mistério da Anunciação, palavras que manifestam a expetativa de toda a humanidade pela resposta de Maria: «Ouviste, ó Virgem, que conceberás e darás à luz um filho; ouviste que isso não será por obra de varão, mas por obra do Espírito Santo. O anjo aguarda a resposta; também nós, Senhora, esperamos a tua palavra de misericórdia. A tua breve resposta pode renovar-nos e restituir-nos à vida. Todo o mundo, prostrado a teus pés, espera a tua resposta. Dá depressa, ó Virgem, a tua resposta» (Hom. 4, 8-9: Opera omnia, Edit. Cisterc. 4 (1966), 53-54).

Queridos jovens, o Senhor, a Igreja, o mundo esperam também a vossa resposta à vocação única que cada um tem nesta vida! À medida que se aproxima a JMJ do Panamá, convido-vos a preparar-vos para este nosso encontro com a alegria e o entusiasmo de quem deseja fazer parte duma grande aventura. A JMJ é para os corajosos! Não para jovens que procuram apenas a comodidade, recuando à vista das dificuldades. Aceitais o desafio?

Vaticano, 11 de fevereiro – VI Domingo do Tempo Comum e Memória de Nossa Senhora de Lurdes – de 2018.

 

FRANCISCO

Fonte: http://w2.vatican.va/

Uma oração para começar ou terminar o dia (também pode ser usada na adoração ao Santíssimo!)

Carne viva de Cristo, fortifica-me!
Sangue generoso do Salvador, inebria-me!

Olhar silencioso de Cristo, preenche-me!
Palavra sacratíssima do meu Mestre, instrue-me!

Braços abertos de Cristo, protegei-me!
Costas abertas do Crucificado, recebei-me!

Coração transpassado de Cristo, aprisiona-me!
Mão afetuosa de Jesus, abençoa-me!

Dedo onipotente de Cristo, cura-me!
Doce ombro do Bom Pastor, reconduze-me!

Vulto amoroso de Cristo, atrai-me!
Sorriso escondido de meu Amigo, pacifica-me!

Hálito vigoroso de Cristo, dá-me a vida!
Força triunfante do Senhor, conduze-me!

Fogo ardente de Cristo, inflama-me!
Bondade do Filho de Maria, seduze-me!

Luz puríssima de Cristo, ilumina-me!

Vida que jorra do Redentor, transforma-me!
Alma sublime de Cristo, eleva-me!

Divindade do Verbo feito Carne, consagra-me!
Espírito Santo, Dom de Cristo, santifica-me!

(Autor desconhecido)

Fonte: https://pt.aleteia.org/

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Ciudad Juarez, 22 Fev. 18 / 05:00 pm (ACI).- Diante do caso de uma imagem da Virgem de Guadalupe que supostamente “chora” em Ciudad Juárez, no norte do México, a Igreja pediu prudência e que o caso seja analisado “com paciência, fé e devoção”.

Em declarações recolhidas recentemente pelo jornal diocesano ‘Presencia’, Pe. Mario Manríquez, vigário de Pastoral da Diocese de Ciudad Juarez, assegurou que, ante as informações que receberam sobre o caso, o Bispo, Dom José Guadalupe Torres Campos, “nos pede aproximar-nos com prudência, paciência, fé e devoção”.

Desde o começo do mês de fevereiro, a imprensa local divulgou o caso de uma imagem da Virgem de Guadalupe que chora, segundo sua dona, Rosa Ramírez.

“A Virgem chora em alguns momentos, em outros ela ri, fecha os olhos, isso é de acordo com a fé de cada pessoa”, disse Ramírez ao jornal mexicano ‘Milenio’.

Ramírez, de 54 anos, tem câncer e acredita que as supostas lágrimas da imagem são um sinal milagroso para que tenha “mais fé”.

De acordo com ‘El Diario de Juárez’, no começo deste mês, Dom Torres Campos disse que “é legítimo o sentimento de fé, mas temos que esperar para ter evidências e fazer alguns exames e testes para comprovar que ela está chorando”.

Pe. Manríquez indicou que visitou a casa de Rosa Ramírez e destacou que “o clima é de fé, não realizam nenhuma coleta de dinheiro, nem outro pedido, isso acontece com muita simplicidade”.

“Eu vi a imagem, não a vi chorar, mas vi algumas pessoas que a procuraram com devoção para rezar a Virgem de Guadalupe por algum milagre, algum pedido para seus familiares doentes”, disse.

A autoridade diocesana indicou que “esse fato é reconhecido como uma manifestação de fé, somente isso”.

“Para provar um milagre, é necessário realizar estudos, outro tipo de coisas de laboratório que até hoje não foram realizados”, assinalou.

Pe. Manríquez encorajou os fiéis a “verem as coisas com os olhos da fé, realmente acreditando em Deus que se manifesta de muitas maneiras e que a nossa mãe, Maria de Guadalupe, se manifestou evidentemente ante os mexicanos e pode continuar manifestando-se, isso não é contra a nossa fé”.

Entretanto, afirmou que “dentro da vida normal devemos agradecer a Deus, vivê-lo como um acontecimento de fé. Depois de ser estudado, se for aprofundado e confirmado que é um milagre será outro tema, e seria divulgado”.

“Por enquanto, o senhor bispo nos pede aproximar-nos com prudência, paciência, fé e devoção”, assinalou.

Fonte: http://www.acidigital.com/

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Iniciado no domingo, o Retiro Espiritual de Quaresma, em andamento na Casa Divino Mestre de Ariccia, nas proximidades de Roma, prosseguirá até a próxima sexta-feira.

“Jamais é positivo que a Igreja fique falando sozinha, ou que se isole numa torre de marfim. Ela é mestra, mas é também discípula, também aprendiz e em busca da verdade.” É uma das afirmações do pregador dos Exercícios Espirituais propostos ao Papa e à Cúria Romana, Pe. José Tolentino Mendonça, na sétima meditação, na tarde desta quarta-feira (21/02), intitulada “Beber da própria sede”. Iniciado no domingo, o Retiro Espiritual de Quaresma, em andamento na Casa Divino Mestre de Ariccia, nas proximidades de Roma, prosseguirá até a próxima sexta-feira.

Desenvolvida em sete pontos, na introdução à meditação vespertina o sacerdote português advertiu que com grande facilidade nos tornamos custódios do sagrado, ao invés de pessoas em busca do sagrado. Agimos como administradores, ao invés de considerar-nos exploradores, interrogantes e apaixonados.

Fé cristã, experiência de nomadismo

Feita tal consideração, lembrou que a fé bíblica, a nossa fé cristã, é uma experiência de nomadismo. Alguns cientistas estão lançando o alarme: a doença do Séc. XXI será o sedentarismo, afirmou, questionando se não devemos nos perguntar se o sedentarismo não é também espiritual. Quase sem dar-nos conta, tornamo-nos guias de peregrinos, mas não mais peregrinamos.

“ Temos sempre a caridade na boca, mas de há muito perdemos o sentido da gratuidade e da oblação.”

Aquela palavra inicial que Deus diz a Abraão – “Deixa a tua terra, a tua parentela e a casa de teu pai rumo à terra que te indicarei” – é a mesma que Ele diz à Igreja do nosso tempo e a cada um de nós. “O lugar preferencial em que a fé se inscreve é existir-em-construção”, disse o pregador dos Exercícios.

Segundo Pe. José Tolentino, para que isso seja possível devemos aprender a beber da nossa sede. Isto é, “devemos ousar valorizá-la mais espiritualmente”.

Acolher no vazio a voz de Deus

Uma das ameaças que mais desafiou o Povo de Deus em sua caminhada rumo à Terra Prometida foi precisamente a sede, lembrou ele. Mesmo quando experimentamos a vida como um vazio, acrescentou, o grande desafio é acolher nele a voz de Deus.

Como ensina o Mestre Eckhart, Deus fala na posse e na privação. Aliás, na privação muitas vezes se entende melhor a sua voz. Se a sede nos perturba ou nos devora, façamos um caminho.

A fé não resolve a sede, advertiu. Muitas vezes a intensifica, a leva ao descoberto e, em algumas circunstâncias, a torna ainda mais dramática.

“ A fé nos ajuda a ver na sede uma forma de caminho e de oração.”

Em nenhuma etapa o caminho espiritual nos impermeabiliza da vulnerabilidade, da qual devemos ter consciência. Carregamos nosso tesouro em vasos de argila – nos recorda São Paulo, frisou Pe. José Tolentino. Somos por isso chamados a viver o dom de Deus até o fim, na fragilidade, da fraqueza, na tentação e na sede, afirmou.

Os problemas que vivemos podem variar de gênero, podem mudar de frequência, mas nos acompanharão sempre. As tentações existirão sempre. O que muda, num processo de maturação humana e espiritual, é o nosso modo de acolhê-las, a sabedoria ao interpretá-las, a liberdade interior que desfaz os determinismos. É como se a sede nos humanizasse e constituísse um caminho de amadurecimento espiritual, disse ainda.

Na sede, a verdadeira experiência espiritual

O pregador dos Exercícios Espirituais lembrou ainda que o Apóstolo Paulo testemunha a fé como uma hipótese: quando sou fraco, então é que sou forte. A fé resiste e se aprofunda nas necessidades, nas angústias, nas afrontas, nos sofrimentos, ou seja, dentro de uma existência atacada pela sede. Naturalmente, é um paradoxo, afirmou, “mas é aí que se realiza a verdadeira experiência espiritual.

O grande obstáculo para a vida de Deus dentro de nós não é a fragilidade ou a fraqueza, mas a dureza e a rigidez. Não é a vulnerabilidade e a humilhação, mas seu contrário: o orgulho, a autossuficiência, a autojustificação, o isolamento, a violência, o delírio de poder. A força da qual realmente precisamos, a graça de que necessitamos, não é nossa, mas de Cristo, afirmou Pe. José Tolentino acrescentando que se nos dispormos à escuta, “a sede  pode ser um mestre precioso da vida interior.”

 Oitava meditação: “Crer em Deus é, portanto, crer na misericórdia”

“De verdade é importante a experiência de relação que ali se manifesta – parábola do filho prodigo – e se recompõe. (…) temos a oportunidade de observar as nossas mesmas passagens, externas e interiores, e de olhar com profundidade a nossa historia.” Assim inicia, Padre José Tolentino Mendonça, sacerdote português que esta pregando o retiro ao Papa e seus colaboradores.

Na meditação sobre a parábola do filho prodigo, quando se refere ao filho mais novo Padre Jose fala que “é uma historia que nos pega dentro. E nesse espelho tem tudo: o desejo de liberdade do filho mais jovem, os seus sonhos sem fundamento, os passos falsos, a fantasia da onipotência, a sua incapacidade de reconciliar desejos e leis. Com um resultado previsível: o vazio e a solidão. Se descobrira completamente sozinho”.

Fazendo uma comparação, o filho mais velho, segundo o pregador ressalta que ele tem “a dificuldade de viver a fraternidade, a recusa de alegrar-se do bem do outro, e a incapacidade de viver a logica da misericórdia. Não consegue resolver a relação com seu irmão, ainda cheia de agressividade, com uma barreira e violência. E nem mesmo a relação com o Pai é totalmente integrada: ele nutre ainda a expectativa da recompensa.”

“No filho mais velho não é o problema com a lei, mas com a generosidade do amor. E isto é uma das doenças dos desejos”. E afirma que todos nos somos também assim: “ contradições de sentimentos. E esta completa ambivalência humana, é o maior elogio da misericórdia de Deus, que a parábola, ilumina.”

E afirma ainda, que “ dentro de nos, em verdade não existem somente coisas bonitas, harmoniosas e resolvidas.  Dentro de nos existem sentimentos sufocados, tantas coisas que devem se tornar claras, doenças, inúmeros fios para se conectarem. Existem sofrimentos, âmbitos que devem ser reconciliado, memorias e fissuras que se devem deixar Deus curar.

A pergunta é: a que ponto nos deixamos reconciliar? Mas reconciliar profundamente, com a logica do Evangelho, e no mais profundo de nos?”

Reforçando ainda mais a importância da misericórdia, afirma que “este excesso de amor que Deus nos ensina, está em condições de resgatar-nos. Cada um de nós possui uma riqueza interior, um mundo de possibilidades, mas também limites com os quais, em um caminho de conversão, é necessário confrontar-se”.

Comparando os desejos, afirma eu os errados, ou como define de “os desejos soltos – uma realidade que o nosso tempo promove – desencadeia em nós movimentos errados e irresponsáveis, a pura inconstância, o hedonismo  e um rodamoinho enganador”. E que os verdadeiros  “ao invés, é assinalado com uma carência, uma insatisfação, de uma sede que vem de um principio dinâmico e projetivo. I desejo é literalmente insaciável, pois aspira a isto que não pode ser possuído: o senso. Assim, o desejo no se sacia: se aprofunda.”

Quando chega especificamente na figura do Pai –na parábola- reflete o poder curador da sua misericórdia. O Pai sabe que “tem dois filhos e entende que deve relacionar-se com eles de modo diferente, reservar a a cada um, olhares diferentes”, cada um com os seus desejos. Nesta reflexão sobre o Pai, Padre Jose diz:

“Jesus não perde tempo explicando a razão porque o filho mais jovem quer ir embora, mas que o Pai aceita o espaço que o filho pretende, acolhe o risco da sua liberdade, e simplesmente o ama. E que depois no seu retorno, cobre de beijos  aquela vida infeliz, e a faz totalmente amável”.

E não somente os desejos do filho mais novo deve ser curado pela misericórdia, diz o pregador, mas também os do seu primogênito. “O Pai vai ao seu encontro. O Pai da dignidade a indignação do filho mais velho, vai escuta-lo, sai, desce para busca-lo. Essa misericórdia de escutar os outros até o fim. E a misericórdia gera uma das mais belas declarações de amor que um Pai possa dedicar ao filho:

‘Filho, você está sempre comigo, e tudo o que é meu é teu” (Lc 15,31).

Para concluir, afirma sobre a misericórdia: “A misericórdia é isso. Um dever a qual ninguém nos obriga, mas uma obrigação que nasce da esperança. É o bem mais precioso e deve ser vitoriosa sobre todas as mortes. Quem crê que a misericórdia seja fácil, é porque nunca a viveu e nem a experimentou. A misericórdia está entre as coisas mais exigentes e empenhativas. Porem não tem vida sem misericórdia.

A misericórdia é um dos atos soberanos de Deus. Crer em Deus é, portanto, crer na misericórdia”.

Fonte: https://www.comshalom.org/

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Na localidade de Ariccia, ao sul de Roma, o Papa Francisco e seus colaboradores da Cúria prosseguem os exercícios espirituais até sábado (24/02). O sacerdote Tolentino Mendonça continuou a série de pregações ao Papa e seus colaboradores.

Quinta Meditação: “A sede de Jesus”

“A sede de Jesus” foi o tema proposto na quinta meditação pelo pregador do retiro, Pe. José Tolentino de Mendonça.

O sacerdote português iniciou a meditação com um trecho do Evangelho de João em que Jesus, após ter sido pregado na cruz, diz: “Tenho sede.”

Os Padres da Igreja interpretaram essa sede de Jesus sobretudo como “sede corporal”, não dando muito valor ao sentido  metafórico contido nessa declaração.

“A sede física documentava de forma convincente que Jesus era de carne e osso como toda pessoa”, mas tinha sede “da salvação dos homens”.

A sede da samaritana e a sede de Jesus

No encontro com a samaritana, Jesus pede água, mas é ele quem dá de beber e promete-lhe a “água viva”. A samaritana não entende imediatamente as palavras de Jesus, “as interpreta como sede física, mas desde o início Jesus dava um sentido espiritual”.  

“O seu desejo sempre visava outra sede”, conforme explicou à samaritana: «Se você conhecesse o dom de Deus, e quem lhe está pedindo de beber, você é que lhe pediria. E ele daria a você água viva.»

Segundo Pe. Tolentino, “a sede Jesus parece se extinguir somente quando ele se proclama fonte de água viva e abre à promessa do dom do Espírito”.

“A sede é o selo do cumprimento de sua obra e, ao mesmo tempo, do forte desejo de doar o Espírito, verdadeira água viva capaz de saciar radicalmente a sede do coração humano.”

O pregador do retiro explicou que a sede da qual Jesus fala é uma sede existencial que se extingue, quando a nossa vida se converge em direção ao Senhor.

“Ter sede, é ter sede Dele. Somos chamados a viver de uma centralidade cristológica: sair de nós mesmos para buscar em Cristo aquela água que sacia a nossa sede, vencendo a tentação da autorreferencialidade que nos deixa doentes e tiraniza”.

“A sede de Jesus é a sede de dar água viva, a sede de conceder à Igreja o dom da água viva. Para os fiéis, a sede de água viva é a sede de aprofundamento da fé, sede de penetrar no mistério de Jesus, sede do Espírito. Para Jesus, a sede é o desejo de comunicar todos esses dons.”

A sede de Jesus revela a sede humana

Segundo Pe. Tolentino, “a sede de Jesus ilumina e responde à sede de Deus à falta de sentido e verdade, ao desejo de todo ser humano de ser salvo, mesmo que seja um desejo oculto ou enterrado debaixo dos detritos existenciais”.

O “Tenho sede”, proclamado por Jesus, envolve a Igreja de todos os tempos, em particular a nossa.

A esse propósito, o sacerdote português citou como exemplo Madre Teresa de Calcutá, que em 10 de setembro de 1946, a bordo de um trem que ligava Siliguri a Darjeeling, na Índia, viveu uma forte experiência espiritual: “de forma quase física sentiu a sede de Jesus que a chamava a dar a vida a serviço da sede dos pobres e rejeitados, dos últimos dos últimos. O coração e a alma das Missionárias da Caridade é somente este: a sede do coração de Jesus escondido no pobre.”

Acolher o Espírito, dom da sede

O Espírito continua nos fazendo ouvir a voz de Jesus que nos diz: “Tenho sede!”

“Ele é o dinamismo do Ressuscitado em nós. O Espírito é a continuação dessa história, uma continuação que não é repetida, não é sempre a mesma. É a fantasia do Espírito, a sua criatividade que difunde em nós dons diferentes, carismas diferentes, competências complementares a fim de construirmos o Reino de Deus onde quer que estejamos.”

O Espírito “é a força motriz da vida da Igreja e da vida de todo cristão. Por isso, precisamos do Espírito Santo e devemos redescobrir a fé em seu poder. Muitas vezes o Espírito Santo permanece completamente esquecido. Devemos redescobrir o Espírito Santo, porque sem Ele a Igreja é somente memória, o que fazemos é somente uma recordação do que foi. É o Espírito que diz: o cristianismo é também presente e futuro”, disse Pe. Tolentino.

“Somos chamados a viver na esperança toda situação da vida. Às vezes, somos uma Igreja em que falta a vivacidade do Espírito, a juventude do Espírito. É o Espírito que nos dá o sentido de plenitude, o sentido da missão e que nos torna uma Igreja em saída.”

Sexta Meditação: “As lágrimas que falam de uma sede”, inspirada na presença feminina no Evangelho.

As mulheres nos abrem o Evangelho

Padre Tolentino ressaltou que as mulheres, na narração evangélica, se expressam quase sempre com gestos. Dedicam-se ao serviço, não competem pela liderança; estão ‘com’ Jesus e fazem de seu destino o próprio. ‘Servem’, que na gramática de Jesus, é o verbo mais nobre.

“Com esta linguagem, evangelizam com o modo dos periféricos, dos simples, dos últimos ”

Uma espécie de sede

Curiosamente, no Evangelho de Lucas, um dos elementos que une as personagens femininas são as lágrimas: todas choram, expressando emoções, conflitos, alegrias, solidão ou feridas. Nos Evangelhos, Cristo também chora, assumindo a nossa condição e todas as lágrimas do mundo. Elas explicam a nossa sede de vida, de desejo; de relação. São a linha divisória que distingue os seres que sabem tudo dos seres que não sabem nada. São aquilo que pode nos tornar santos depois de humanos.

As lágrimas da mulher sem nome

O Evangelho de Lucas apresenta uma mulher que chora e ensina a chorar: uma intrusa, discípula anônima que segue o Mestre confiante que Ele a protegerá. Aparece sem ser convidada, unge e chora aos pés de Jesus. Não teve medo, mas suas lágrimas ‘contavam sua história’, como afirma o escritor Roland Barthes. Nosso choro não revela apenas a intensidade da nossa dor, mas a natureza de nossa sensibilidade pois chorando, nos dirigimos sempre a alguém. É a sede do próximo que nos leva a chorar.

“ As lágrimas suplicam a presença de um amigo capaz de acolher nossa intimidade sem palavras e abraçar a nossa vida, sem julgar ”

Vê esta mulher?

Prosseguindo a meditação, Pe. Tolentino afirmou que o pranto da mulher intrusa era um ‘dilúvio’: ela banhou os pés de Jesus, os enxugou com os cabelos, os beijou e perfumou”. Em uma palavra, ‘tocou’ Jesus.

“Como sacerdotes, muitas vezes tomamos distância da religiosidade popular que se expressa com lágrimas e afetividade, considerando-a uma forma de devoção ‘primitiva’; ou às vezes nem a notamos ”

“É difícil perceber a religião dos simples, baseada em gestos e não em ideias. A religião dos pastores pode ser perfeita em termos formais, teologicamente impecável, mas é ascética, impessoal, atuada com eficiência… mas não comove, não chega às lágrimas… vai com o ‘piloto automático’”.

“Repete-se conosco – concluiu o pregador – o que aconteceu com o fariseu: convidamos Jesus a entrar em nossa casa, mas não somos disponíveis a celebrar com Ele aquela forma radical de hospitalidade que é o amor”.

Fonte: https://www.comshalom.org/

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LA PAZ, 21 Fev. 18 / 05:00 pm (ACI).- O Arcebispo Emérito de Sucre (Bolívia), Dom Jesús Pérez, convidou a descobrir na Quaresma uma “academia autêntica, válida e necessária para todos, onde se renovam e fortalecem nossos músculos espirituais”.

Em sua reflexão, o Prelado explicou que, com a Quarta-feira de Cinzas, abre-se “um itinerário de purificação para a Páscoa: em penitência, escuta frequente e atenta da Palavra de Deus e com práticas das obras de misericórdia”.

Em seguida, no primeiro domingo da Quaresma, o Evangelho mostra “Jesus homem, tentado como toda pessoa, mas dando-nos o ensinamento de como vencer as tentações”.

“Jesus vive em oração, penitência e na escuta humilde da Palavra do Pai”, sustentou Dom Pérez. “No deserto treina para lutar contra Satanás, luta que perdurará até a sua morte na Cruz”.

O Arcebispo sublinhou que “as tentações estavam direcionadas a afastar Jesus de sua missão no mundo”, portanto, a Quaresma se torna “uma convocação a ser fiéis a Deus, um chamado a viver como filhos de Deus, a ser santos ou bons, praticando a justiça”.

Por outro lado, nesta academia espiritual, a Igreja orienta seus filhos a viver com obras concretas o que Jesus sintetiza: na oração, no jejum e nas obras de misericórdia.

“Todas estas ações, segundo Jesus, devem ser feitas não para ser vistos e elogiados, mas para agradar a Deus Pai, que vô tudo o que fazemos”, indicou Dom Pérez.

Assim, a Palavra de Deus e os ensinamentos da Igreja “nos convidam a entrar em uma academia autêntica, válida e necessária para todos, onde se renovam e fortalecem nossos músculos espirituais, para nos encontrarmos com Deus em maior profundidade”.

O Arcebispo Emérito de Sucre insistiu na urgência de viver a Quaresma em “mudança e conversão”, em meio a um mundo “injusto e corrupto, que está nos levando a um suicídio humano e espiritual”.

“Também na família se nota a injustiça – alertou o Arcebispo –, quando, pela indiferença, pela incompreensão, pelo egoísmo e por tantas outras ações, as relações pessoais são falseadas e as pessoas, afastadas”.

“Estamos diante de um mundo no qual se quer silenciar a presença de Deus. Isso também é injusto. A Quaresma é a passagem de Cristo por esse mundo injusto para fazê-lo humano e cristão”, concluiu Dom Pérez.

Fonte: http://www.acidigital.com/

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As “vestes da alma” devem refletir-se em nossa roupa do corpo, mas os símbolos por si sós não têm valor algum sem a coerência do coração

AQuaresma não é uma temporada de moda tipo “primavera-verão” ou “outono-inverno”, e o uso de uma cor diferenciada nesse tempo litúrgico não se deve a nenhuma questão de “tendência”. Não é esta a “lógica” das cores e símbolos na vida católica.

Trata-se de 40 dias de especial recolhimento, reflexão, oração, penitência e conversão espiritual em preparação para a Santa Páscoa. Também externamente, e como meio para nos ajudar a cultivar essas disposições interiores, a Igreja recorre a símbolos que nos recordam e incentivam a viver esse período com a devida profundidade. O roxo é um desses símbolos.

Jesus foi revestido de um manto roxo durante a sua Paixão, como forma de burla por parte dos soldados por ter-se apresentado como rei dos judeus. Já naquele tempo, os tons roxos compunham um símbolo de realeza e especial dignidade. No Êxodo, por exemplo, lemos que Moisés recebeu a ordem de fazer o tabernáculo “com dez cortinas de linho fino retorcido, de púrpura violeta, púrpura escarlate e carmesim” (cf. Ex 26, 1); e, em II Crônicas 3,14, vemos que o rei Salomão ordenou decorar o templo de Jerusalém com tecidos desses mesmos tons.

A Igreja decidiu manter o roxo como símbolo da Paixão de Cristo e como recordatório da nossa própria participação nela, bem como da divindade desse Cristo que se oferece ao sacrifício da Cruz para nos redimir dos nossos pecados.

É neste sentido que o roxo é a cor litúrgica da Quaresma.

É claro que não basta nos vestirmos de roxo para “combinar” com esse tempo litúrgico: uma minissaia, por mais roxa que seja, não vai refletir a postura de recolhimento e modéstia que somos convidados a adotar todos os dias, mas na Quaresma com particular intensidade. O roxo em símbolos exteriores é apenas uma parte de toda uma disposição mais ampla de espírito. É por isso, aliás, que não somos chamados pela Igreja a nos vestir de roxo durante 40 dias. O importante é a postura coerente entre o nosso interior e as nossas manifestações exteriores. Conscientes do essencial, podemos, embora não exista nenhum tipo de obrigatoriedade, usar algum detalhe em roxo, como uma pulseira, um lenço, um acessório discreto e modesto que simplesmente sirva como lembrete (e testemunho) do significado deste precioso tempo quaresmal.

É importante observar que, no Domingo de Ramos e na Sexta-Feira Santa, o roxo é substituído pelo vermelho, a fim de simbolizar tanto o sacrifício até o martírio quanto a força triunfante da vida em Deus. Já no Domingo de Páscoa, a cor litúrgica é o branco, outro símbolo tradicional de vida e também de pureza espiritual, paz e júbilo.

Mas lembremo-nos: de nada adianta focar em símbolos externos se o nosso coração não estiver vivendo o real significado deste profundo tempo de conversão!

Fonte: https://pt.aleteia.org/

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Quaresma é tempo de conversão, por isso tempo de intensa alegria.

A Quaresma chegou e com ela uma Graça toda especial de conversão e retorno a Deus, a seu projeto de amor a nosso respeito. Uma das grandes características desse tempo litúrgico é a Alegria. Sim, é verdade. Longe de nós associarmos esse tempo com tristeza, remorso, acusação.

Quaresma é tempo de conversão, por isso tempo de intensa alegria. Alegria por mais uma oportunidade que Jesus e sua Igreja nos concedem para mudarmos de vida. Alegria em poder nos unir livremente a Jesus por meio do jejum, da oração e de atos de caridade que nos uni a Deus e ao próximo. Alegria porque iniciamos nossa caminhada rumo a Páscoa do nosso Amado Salvador Jesus.

Alegria pela Palavra de Deus que na liturgia diária nos fará  refletir e meditar como estamos vivendo o nosso Batismo e seguimento de Cristo. Alegria ao receber o Sacramento da Confissão, tão buscado e motivado nesse período. Nesse Sacramento temos a nossa Paz e Alegria interior restauradas, nossas feridas banhadas no Sangue precioso de Cristo.

Que possamos hoje suplicar ao Espírito Santo que nos encha de alegria nessa Quaresma que se inicia. Faça-nos viver com o coração alegre e penitente esse tempo de muita, muita graça. Alegria que emana da conversão, do amor ao próximo, de pequenos e constantes atos de caridade para com os pequenos, fracos e indefesos. Alegria que traz ao nosso coração a Esperança que nos faz perseverar até o fim.

Uma Santa e alegre Quaresma.

Shalom.

Fonte: https://www.comshalom.org/

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Trata-se da “regra” fundamental para quem o visita na Santa Marta

Em 14 de junho de 2017, o psicólogo e psicoterapeuta Salvo Noé, autor de livros e cursos de motivaçãovisitou o Papa Francisco e lhe presentou seu livro, uma pulseira e uma placa. O Papa Francisco lhe agradeceu dizendo:

“Vou colocar [a placa] na porta do meu escritório, onde recebo as pessoas”.

Francisco foi além: colocou-o na porta do seu quarto, que é uma espécie de quarto-escritório típico da Casa Santa Marta, a hospedaria vaticana onde ele mora desde que foi eleito pontífice.

Mas que placa é essa?

Traduzindo do italiano, ela significa:

“É proibido reclamar”.

A frase original (“Vietato lamentarsi”) é seguida por uma explicação na mesma língua:

“Os transgressores estão sujeitos a uma síndrome de vitimismo com a consequente diminuição do humor e da capacidade de resolver problemas. A sanção é dupla se a violação for cometida na presença de crianças. Para tornar-se o melhor de si mesmo, é preciso focar nas próprias potencialidades e não nos próprios limites. Portanto: pare de queixar-se e aja para tornar a sua vida melhor”.

O aviso está dado!

Fonte: https://pt.aleteia.org/

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“Jejuar sem dúvida é bom para o bem-estar, mas para os crentes é em primeiro lugar uma ‘terapia’ para curar tudo o que os impede de se conformarem com a vontade de Deus.”

Queridos irmãos e irmãs!

No início da Quaresma, que constitui um caminho de treino espiritual mais intenso, a Liturgia propõe-nos três práticas penitenciais muito queridas à tradição bíblica e cristã — a oração, a esmola, o jejum— a fim de nos predispormos para celebrar melhor a Páscoa e deste modo fazer experiência do poder de Deus que, como ouviremos na Vigília pascal, “derrota o mal, lava as culpas, restitui a inocência aos pecadores, a alegria aos aflitos. Dissipa o ódio, domina a insensibilidade dos poderosos, promove a concórdia e a paz” (Hino pascal).

Na habitual Mensagem quaresmal, gostaria de refletir este ano em particular sobre o valor e o sentido do jejum.

De fato, a Quaresma traz à mente os quarenta dias de jejum vividos pelo Senhor no deserto antes de empreender a sua missão pública. Lemos no Evangelho: “O Espírito conduziu Jesus ao deserto a fim de ser tentado pelo demônio. Jejuou durante quarenta dias e quarenta noites e, por fim, teve fome” (Mt 4, 1-2). Como Moisés antes de receber as Tábuas da Lei (cf. Ex 34, 28), como Elias antes de encontrar o Senhor no monte Horeb (cf. 1Rs 19, 8), assim Jesus rezando e jejuando se preparou para a sua missão, cujo início foi um duro confronto com o tentador.

Podemos perguntar que valor e que sentido tem para nós, cristãos, privar-nos de algo que seria em si bom e útil para o nosso sustento.

As Sagradas Escrituras e toda a tradição cristã ensinam que o jejum é de grande ajuda para evitar o pecado e tudo o que a ele induz. Por isto, na história da salvação é frequente o convite a jejuar. Já nas primeiras páginas da Sagrada Escritura o Senhor comanda que o homem se abstenha de comer o fruto proibido: “Podes comer o fruto de todas as árvores do jardim; mas não comas o da árvore da ciência do bem e do mal, porque, no dia em que o comeres, certamente morrerás” (Gn 2, 16-17). Comentando a ordem divina, São Basílio observa que “o jejum foi ordenado no Paraíso”, e “o primeiro mandamento neste sentido foi dado a Adão”. Portanto, ele conclui: “O ‘não comas’ e, portanto, a lei do jejum e da abstinência” [1].

Dado que todos estamos entorpecidos pelo pecado e pelas suas consequências, o jejum é-nos oferecido como um meio para restabelecer a amizade com o Senhor. Assim fez Esdras antes da viagem de regresso do exílio à Terra Prometida, convidando o povo reunido a jejuar “para nos humilhar — diz — diante do nosso Deus” (8, 21). O Onipotente ouviu a sua prece e garantiu os seus favores e a sua proteção. O mesmo fizeram os habitantes de Nínive que, sensíveis ao apelo de Jonas ao arrependimento, proclamaram, como testemunho da sua sinceridade, um jejum dizendo: “Quem sabe se Deus não Se arrependerá, e acalmará o ardor da Sua ira, de modo que não pereçamos?” (3, 9). Também então Deus viu as suas obras e os poupou.

No Novo Testamento, Jesus ressalta a razão profunda do jejum, condenando a atitude dos fariseus, os quais observaram escrupulosamente as prescrições impostas pela lei, mas o seu coração estava distante de Deus. O verdadeiro jejum, repete também noutras partes o Mestre divino, é antes cumprir a vontade do Pai celeste, o qual “vê no oculto, recompensar-te-á” (Mt 6, 18). Ele próprio dá o exemplo respondendo a satanás, no final dos 40 dias transcorridos no deserto, que “nem só de pão vive o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus” (Mt 4, 4). O verdadeiro jejum finaliza-se portanto a comer o “verdadeiro alimento”, que é fazer a vontade do Pai (cf. Jo 4, 34).

Portanto, se Adão desobedeceu ao mandamento do Senhor “de não comer o fruto da árvore da ciência do bem e do mal”, com o jejum o crente deseja submeter-se humildemente a Deus, confiando na sua bondade e misericórdia. Encontramos a prática do jejum muito presente na primeira comunidade cristã (cf. At 13, 3; 14, 22; 27, 21; 2Cor 6, 5).

Também os Padres da Igreja falam da força do jejum, capaz de impedir o pecado, de reprimir os desejos do “velho Adão”, e de abrir no coração do crente o caminho para Deus. O jejum é também uma prática frequente e recomendada pelos santos de todas as épocasEscreve São Pedro Crisólogo: “O jejum é a alma da oração e a misericórdia é a vida do jejum, portanto quem reza jejue. Quem jejua tenha misericórdia. Quem, ao pedir, deseja ser atendido, atenda quem a ele se dirige. Quem quer encontrar aberto em seu benefício o coração de Deus não feche o seu a quem o suplica” [2].

Nos nossos dias, a prática do jejum parece ter perdido um pouco do seu valor espiritual e ter adquirido antes, numa cultura marcada pela busca da satisfação material, o valor de uma medida terapêutica para a cura do próprio corpo. Jejuar sem dúvida é bom para o bem-estar, mas para os crentes é em primeiro lugar uma “terapia” para curar tudo o que os impede de se conformarem com a vontade de DeusNa Constituição apostólica Paenitemini de 1966, o Servo de Deus Paulo VI reconhecia a necessidade de colocar o jejum no contexto da chamada de cada cristão a “não viver mais para si mesmo, mas para aquele que o amou e se entregou a si por ele, e… também a viver pelos irmãos”.

A Quaresma poderia ser uma ocasião oportuna para retomar as normas contidas na citada Constituição apostólica, valorizando o significado autêntico e perene desta antiga prática penitencial, que pode ajudar-nos a mortificar o nosso egoísmo e a abrir o coração ao amor de Deus e do próximo, primeiro e máximo mandamento da nova Lei e compêndio de todo o Evangelho (cf. Mt 22, 34-40).

A prática fiel do jejum contribui ainda para conferir unidade à pessoa, corpo e alma, ajudando-a a evitar o pecado e a crescer na intimidade com o Senhor. Santo Agostinho, que conhecia bem as próprias inclinações negativas e as definia “nó complicado e emaranhado” [3], no seu tratado A utilidade do jejum, escrevia: “Certamente é um suplício que me inflijo, mas para que Ele me perdoe; castigo-me por mim mesmo para que Ele me ajude, para aprazer aos seus olhos, para alcançar o agrado da sua doçura” [4]. Privar-se do sustento material que alimenta o corpo facilita uma ulterior disposição para ouvir Cristo e para se alimentar da sua palavra de salvação. Com o jejum e com a oração permitimos que Ele venha saciar a fome mais profunda que vivemos no nosso íntimo: a fome e a sede de Deus.

Ao mesmo tempo, o jejum ajuda-nos a tomar consciência da situação na qual vivem tantos irmãos nossos. Na sua Primeira Carta São João admoesta: “Aquele que tiver bens deste mundo e vir o seu irmão sofrer necessidade, mas lhe fechar o seu coração, como estará nele o amor de Deus?” (3, 17). Jejuar voluntariamente ajuda-nos a cultivar o estilo do Bom Samaritano, que se inclina e socorre o irmão que sofre [5]. Escolhendo livremente privar-nos de algo para ajudar os outros, mostramos concretamente que o próximo em dificuldade não nos é indiferente.

Precisamente para manter viva esta atitude de acolhimento e de atenção para com os irmãos, encorajo as paróquias e todas as outras comunidades a intensificar na Quaresma a prática do jejum pessoal e comunitário, cultivando de igual modo a escuta da Palavra de Deus, a oração e a esmola. Foi este, desde o início, o estilo da comunidade cristã, na qual eram feitas coletas especiais (cf. 2Cor 8-9; Rm 15, 25-27), e os irmãos eram convidados a dar aos pobres quanto, graças ao jejum, tinham poupado [6]. Também hoje esta prática deve ser redescoberta e encorajada, sobretudo durante o tempo litúrgico quaresmal.

De quanto disse sobressai com grande clareza que o jejum representa uma prática ascética importante, uma arma espiritual para lutar contra qualquer eventual apego desordenado a nós mesmos. Privar-se voluntariamente do prazer dos alimentos e de outros bens materiais, ajuda o discípulo de Cristo a controlar os apetites da natureza fragilizada pela culpa da origem, cujos efeitos negativos atingem toda a personalidade humana. Exorta oportunamente um antigo hino litúrgico quaresmal: “Utamur ergo parcius, / verbis, cibis et potibus, / somno, iocis et arcitius / perstemus in custodia — Usemos de modo mais sóbrio palavras, alimentos, bebidas, sono e jogos, e permaneçamos mais atentamente vigilantes”.

Queridos irmãos e irmãos, considerando bem, o jejum tem como sua finalidade última ajudar cada um de nós, como escrevia o Servo de Deus Papa João Paulo II, a fazer dom total de si a Deus [7]. A Quaresma seja portanto valorizada em cada família e em cada comunidade cristã para afastar tudo o que distrai o espírito e para intensificar o que alimenta a alma abrindo-a ao amor de Deus e do próximo. Penso em particular num maior compromisso na oração, na lectio divina, no recurso ao Sacramento da Reconciliação e na participação ativa na Eucaristia, sobretudo na Santa Missa dominical.

Com esta disposição interior entremos no clima penitencial da Quaresma. Acompanhe-nos a Bem-Aventurada Virgem Maria, Causa nostrae laetitiae, e ampare-nos no esforço de libertar o nosso coração da escravidão do pecado para o tornar cada vez mais “tabernáculo vivo de Deus”.

Com estes votos, ao garantir a minha oração para que cada crente e comunidade eclesial percorra um proveitoso itinerário quaresmal, concedo de coração a todos a Bênção Apostólica.

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James Martin says LGBT people are treated like lepers in the Catholic Church, and it's time for a change. Image courtesy of James Martin

No último ano, tivemos morte suicida de 17 padres no Brasil. O que está acontecendo?

Entre o ano de 2017 a 2018, tivemos morte suicida de 17 padres no Brasil. A sequência de suicídios de padres católicos chama nossa atenção pelos vários motivos que podem tê-los levado a tirar a vida.

Fiquei angustiado e preocupado com a morte do Monsenhor Orlando, da diocese de Quixadá, ocorrido recentemente, com quem tive um convívio pastoral em 2009. Meus sentimentos a toda diocese de Quixadá, a todo clero.

A vida religiosa não dá superpoderes aos padres, pelo contrário, eles são tão falíveis quanto qualquer leigo. Em muitos casos, a fé pode não ser forte o suficiente para superar um momento difícil da vida.

O psicólogo William Castilho, que vai estar em nossa diocese em julho deste ano, autor do livro “Sofrimento Psíquico dos Presbíteros”, destaca que “O grau de exigência da Igreja é muito grande. Espera-se que o padre seja, no mínimo, modelo de virtude e santidade. Qualquer deslize, por menor que seja, vira alvo de crítica e julgamento. Por medo, culpa ou vergonha, muitos preferem se matar a pedir ajuda”.

Além disso, eu destaco que o excesso de trabalho, a falta de lazer, a perda de motivação pastoral e a falta de fraternidade presbiteral, são possíveis fatores que podem levar os padres ao suicídio.

Segundo os psicólogos, nós, padres diocesanos, somos mais propensos a sofrer de estresse do que os religiosos que vivem reclusos. Um dos fatores mais estressantes da vida religiosa é a falta de privacidade. Não interessa se estão tristes, cansados ou doentes: os padres têm de estar à disposição dos fiéis 24 horas por dia, sete dias por semana, férias nem pensar, passeio nem se fala, descansar não faz parte da vida do padre.

Meus caríssimos irmãos no sacerdócio, cuidemos mais de nossa vida, de nosso bem-estar, como também de nossos trabalhos pastorais. Aconselho-vos que devem pedir ajuda ao bispo sempre que sentirem tensão psicológica ou esgotamento físico: “Os padres não estão sozinhos. Fazemos parte de uma família. E, nesta família, cabe ao bispo desempenhar o papel de pai e zelar pelas necessidades dos filhos”.

Não se afaste do convívio clerical; tire suas férias anuais; procure sempre fazer  check-up médico; dê prioridades às suas horas de descanso; intensifique suas orações pessoais; peça sempre orações aos seus fiéis, cuide de si e do outro também.

Que Deus abençoe nossa vida sacerdotal, nosso clero de Brejo, nosso bispo Dom Valdeci, nós que somos esses homens comuns, no corpo e na alma, tão semelhantes a milhares de outros homens, mas que possuímos  uma marca, um sinal, uma destinação honrosa e necessária para levar a salvação a todos que nos procuram! Homens acolhidos e ungidos por Deus!

Meus queridos padres, somos uma só família!

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Pe. James Teixeira da Costa
Diocese de Brejo

Fonte: https://pt.aleteia.org/

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ROMA, 20 Fev. 18 / 04:00 pm (ACI).- O jornal do Vaticano, L’Osservatore Romano, apresentou em sua edição do dia 19 de fevereiro um artigo intitulado ‘Totalitarismo digital’, que destaca a importância da solidão, do silêncio e do jejum para viver a Quaresma na era das redes sociais .

A autora do artigo é Antonella Lumini, que recorda que, “a cada ano, o tempo litúrgico da Quaresma convida a viver momentos de recolhimento, de deserto e, se a solidão, o silêncio, o jejum, na era das redes sociais, podem parecer completamente impraticáveis, na verdade são sempre mais necessários para proteger o equilíbrio psicofísico do indivíduo”.

“Não se trata de incentivar a fuga do mundo ou de demonizar certos instrumentos, mas de reencontrar a medida certa. Em uma época na qual prevalece o consumo descontrolado de tudo, em que é normal o comportamento convulsivo para a interação nas redes, seria bom redescobrir a solidão e o jejum como caminhos a percorrer para voltar às profundezas”.

Lumini recordou que Santo Agostinho convidava a não “se dispersar, mas voltar a si mesmo, porque a verdade que desejamos está no profundo de nós”.

A autora também escreve que, “enquanto estamos sobrecarregados por tudo o que consumimos, incluindo o excesso de alimentos e o uso excessivo das redes sociais, não poderemos perceber a sede de infinito na nossa alma: assim se torna impossível penetrar neste misterioso mundo interior que constitui a verdadeira riqueza que nenhuma coisa externa poderá substituir”.

“A solidão permite que a pessoa experimente isso sozinha, desmascarando, despindo, favorecendo a relação com o Espírito, com esse fundo luminoso no qual o ego se abre à consciência, expande-se para o insondável. O ‘eu’ se abre ao ‘Eu Sou’, o nome revelado de Deus assumido por Jesus, ou se fecha tornando-se o centro de si mesmo”, assinalou.

Nesse sentido, “o jejum, entendido não só como abstinência de comida, mas também do celular e das conexões digitais, torna-se um meio capaz de impedir os círculos viciosos que causam dependência”.

Na relação pessoal com Deus, continua Antonella Lumini, o “sujeito é encorajado a crescer espiritualmente. Ao contrário, a interação constante com a rede intensifica o processo de massificação e homologação das consciências e produz uma regressão (…) na qual a individualidade se perde”.

Entre os riscos de não responder à sua sede interior, Lumini adverte que a pessoa pode cair na “agressividade, na violência, na tristeza, na depressão e no mal-estar físico”.

“Uma forma alterada e excessiva de relações sem uma verdadeira interação humana anestesia as consciências, produz uma escravidão tortuosa, sedutora, que não é imediatamente reconhecível, que está camuflada. Mas essa escravidão do totalitarismo digital não se compara com a dos regimes totalitários que privam de toda liberdade”.

Diante dessa situação, incentiva, “é hora de acordar do entorpecimento. A solidão e o jejum revelam o vazio interno e é por isso que nos dão medo”.

Lumini conclui o artigo afirmando que, “como ensinam os padre e as madres do deserto, os demônios são vícios, círculos viciosos que prendem em uma corrente da qual já não podemos sair. Às vezes, o vício é apresentado como uma virtude. Então, o silêncio, a solidão e o jejum são o antídoto.

Antonella Lumini reside em Florença (Itália) e há 30 anos vive como “eremita urbana”.

Em 2016, escreveu com o Vaticanista Paolo Rodari o livro ‘A custódia do silêncio’, no qual compartilha suas reflexões sobre o tema.

Na opinião de Rodari, “a mensagem fundamental de Antonella Lumini é que o Espírito fala em todos os lugares e sempre fala, basta saber ouvi-lo. Para aprender a ouvi-lo é necessário aprender a ficar em silêncio”.

Fonte: http://www.acidigital.com/

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São vários dias de retiro. Oremos por ele, conforme ele sempre nos pede!

Na tarde deste domingo, 18 de fevereiro, o Papa Franciscocomeçou os seus tradicionais Exercícios Espirituais de Quaresma, junto com vários membros da Cúria Romana. Trata-se de um retiro espiritual que se prolonga até sexta-feira, 23 de fevereiro.

Os Exercícios Espirituais se baseiam no método de Santo Inácio de Loyola, fundador dos jesuítas. Em ambiente de silêncio e recolhimento, os participantes se dedicam à oração pessoal e comunitária. Além da Santa Missa, do rosário e de outros atos litúrgicos tradicionais, os dias de retiro são caracterizados por uma sequência de meditações dirigidas por um pregador convidado.

Este ano, o pregador é o Pe. José Tolentino de Mendonça, um sacerdote português, e o tema geral preparado por ele é “O elogio da sede”, que será desenvolvido em meditações como “A ciência da sede”, “Percebi que estava sedento”, “Esta sede de nada”, “A sede de Jesus”, “As lágrimas contam uma sede”, “Beber da própria sede”, “As formas dos desejos”, “Ouvir a sede das periferias” e “A bem-aventurança da sede”. O primeiro dia de retiro foi aberto pela meditação introdutória “Aprendizes do espanto”.

Os demais dias começam com a celebração da Santa Missa às 7h30, seguida por uma meditação às 9h30. Às 16h começa a segunda meditação, seguida pela adoração eucarística e pela oração das Vésperas. No dia de encerramento, 23 de fevereiro, apenas uma meditação está programada.

O retiro acontece na Casa do Divino Mestre, na cidade italiana de Ariccia. Durante esses dias, ficam suspensas no Vaticano as audiências privadas e especiais com o Papa, inclusive a audiência geral das quartas-feiras.

Fonte: https://pt.aleteia.org/

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Católico, aqui está um dos segredos da vida de santidade que você está procurando

Excertos do Livro
Escola da Perfeição Cristã
Santo Afonso Maria de Ligório
Compilação de textos do Santo Doutor,
pelo Pe. Saint-Omer, C.SS.R.
§ I. Grande utilidade da leitura espiritual
    A leitura espiritual nos é talvez tão útil na tendência à perfeição como a oração, porque ela nos conduz tanto à oração como à virtude, diz São Bernardo (De modo bene viv., c. 59). “A meditação e a leitura espiritual, diz o mesmo Santo, são excelentes meios para se vencer o demônio e conquistar o Céu“. Não podemos ter sempre nosso diretor espiritual junto de nós para pedir-lhe conselho em todas as nossas ações e, especialmente, em nossas dúvidas; a leitura espiritual, porém, supre o seu lugar, dando-nos as luzes de que necessitamos e os meios de evitar os enganos do demônio e do amor próprio, e de viver segundo a Vontade de Deus. E por isso, segundo afirma Santo Atanásio, não se encontrará um fervoroso servo de Deus que não seja dado à leitura de livros espirituais.
   Do mesmo modo, tanto quanto é perniciosa a leitura de maus livros, é útil a leitura dos bons. Como aquela precipita tantas vezes a mocidade na perdição, assim esta é, muitas vezes a causa da conversão de muitos pecadores.
   O autor dos livros bons é, em última análise, o Espírito de Deus, ao passo que o demônio é propriamente o inspirador dos maus. Este sabe esconder a muitos o veneno de que estão impregnados esses livros, pretextando que, pela leitura deles, se apropria um bom estilo ou uma reta norma de vida, ou que, pelo menos, assim se aproveita convenientemente o tempo. Eu afirmo, de minha parte, que não há coisa mais prejudicial que a leitura de maus livros, particularmente para aqueles que desejam levar uma vida devota.
   Por maus livros entendo não só os que a Santa Sé proibiu em razão de sua matéria herética ou imoral, mas também todos os que tratam de amores profanos. Que piedade poderá ter um cristão que se ocupa com a leitura de romances ou de novelas amorosas? Que recolhimento de espírito terá ele na meditação ou na santa Comunhão? Mas que mal poderão causar os romances e poesias mundanas, que nada têm de indecoroso? – perguntará alguém. Causam um mal imenso: excitam a sensualidade; inflamam as paixões, que facilmente arrastam consigo a vontade, ou, ao menos, a enfraquecem tanto que o demônio já encontra o coração preparado para uma queda desastrosa no abismo do pecado, quando sobrevêm uma ocasião para um amor impuro.
   Um douto escrito diz que a heresia se alastrou tanto e ainda se espalha cotidianamente, justamente em conseqüência da leitura de tais livros, porque essa leitura favorece a imoralidade, que aplaina o caminho para o erro. O veneno de tais livros penetra pouco a pouco na alma, apodera-se do entendimento, corrompe e perverte a vontade, e traz a morte à alma. Em verdade, o demônio não possui talvez um meio mais seguro para perverter os jovens do que a leitura de livros tão venenosos. Um só livro dessa espécie pode bastar para perder toda uma família.
   Por isso, querido leitor, se chegar às tuas mãos um tal livro, lança-o imediatamente ao fogo, para que não apareça mais; e, se és pai de família, faze o que estiver em tuas forças para afastar de tua casa uma tal peste, se não quiseres dar um dia rigorosas contas a Deus.
Nota do tradutor: Os mesmo vale dos divertimetos atuais: teatros, cinemas, bailes, etc., e pricipalmente dos jornais
   Além disso, deves notar bem, alma cristã, que alguns livros não são em si mesmos maus, mas, em todo caso, não podem concorrer para o teu bem espiritual e, por isso, a leitura desses livros é prejudicial, porque te rouba muito tempo, que poderias empregar em coisas úteis à tua salvação. São Jerônimo, no retiro de Belém, lia com grande gosto os escritos de Cícero, como ele conta à sua discípula Eustóquium, enquanto que achava certa repugnância na leitura da Sagrada Escritura, cujo estilo lhe parecia muito simples. Sobreveio-lhe, então, uma grave enfermidade, na qual pareceu-lhe estar diante do tribunal de Jesus Cristo. À pergunta do Senhor de quem ele era, respondeu o Santo: Eu sou um cristão. Mentes, respondeu-lhe o divino Mestre, és um ciceroniano, e não um cristão. E Jerônimo, por mandado do divino Juiz, foi castigado por um Anjo. Ele prometeu emendar-se e, voltando a si, percebeu que suas costas estavam todas feridas pelos açoites que recebera nessa visão. Desde então, deixou o Santo a leitura das obras de Cícero, e dedicou-se à leitura da Sagrada Escritura.
   Não resta dúvida que, às vezes, se encontra nos livros mundanos um ou outro pensamento que é proveitoso para a vida espiritual, mas, como escreve São Jerônimo a uma de suas discípulas, “por que procuras alguns grãos de ouro em tão grande imundície?” (Ep. ad Fur.). Lê livros piedosos, onde encontrarás ouro puro, sem mistura impura alguma.
   […]
      Consideremos os preciosos frutos que produz a leitura de bons livros.
   Primeiramente, os bons livros enriquecem o nosso coração de bons pensamentos e santos desejos, ao passo que os maus livros enchem o nosso coração de pensamentos mundanos e sumamente prejudiciais. Quem emprega seu tempo na leitura de livros vãos, pelos quais nascem em sua alma uma multidão de pensamentos mundanos e inclinações terrenas, não poderá de forma alguma permanecer recolhido. Como poderá se ocupar com pensamentos piedosos? Como se conservar na presença de Deus e fazer repetidos atos de virtude? O moinho mói o que nele se põe; como se poderá então esperar uma fina farinha quando se põe um fruto deteriorado?
   Se alguém, que passou a maior parte do dia na leitura de um livro profano, quer se entregar à oração ou receber a Comunhão, em vez de pensar em Deus e fazer atos de amor e confiança, estará sempre distraído, porque todas aquelas coisas vãs que pouco antes leu, vêm-lhe novamente à lembrança. Pelo contrário, quem lê, por exemplo, as máximas e exemplos dos Santos, estará ocupado com santos pensamentos não só durante a oração, mas também em toda ocasião, e estes o conservam quase ininterruptamente unido a Deus.
   Em segundo lugar, uma alma que está como que embebida em bons pensamentos pela espiritual, está mais preparada para repelir as tentações do demônio. São Jerônimo deu o seguinte conselho a Sabina, sua filha espiritual: Procura ter sempre um bom livro às mãos, para que te possas defender com esse escudo contra os maus pensamentos.
   Em terceiro lugar, a leitura espiritual nos facilita o conhecimento das manchas de nossa alma e a purificação das mesmas. São Jerônimo escreve a Demétrias que ela devia servir-se da leitura espiritual como ”de um espelho”; pois, assim como o espelho mostra as manchas no rosto, assim também a leitura de livros espirituais nos aponta as manchas de nossa consciência.
Em quarto lugar, pela leitura espiritual obtêm-se muitas luzes e inspirações divinas. “Quando rezamos falamos com Deus, quando lemos é Deus que nos fala”, diz São Jerônimo (Ep. ad Eust.). É o que diz também Santo Ambrósio (De offic., 1.1, c. 30): ”Falamos a Deus quando rezamos; ouvimo-l’O quando lemos”. Como já acima notamos, não podemos ter sempre à nossa disposição o nosso confessor, ou ouvir um pregador zeloso que nos sirva de guia por meio de suas instruções, no caminho do Céu; os livros espirituais, porém, nos oferecem uma compensação por isso.
  Conforme Santo Agostinho (Enarr. in ps. 30, ser. 2), são eles outras tantas cartas de Nosso Senhor, por meio das quais nos avisa de iminentes perigos, nos mostra o caminho da salvação, nos ensina a suportar as adversidades, ilumina-nos e inflama-nos em Seu santo amor. Quem, pois, desejar salvar-se, deve ler amiúde essas cartas do Céu.
   Quantos Santos não foram levados, pela leitura de um bom livro, a abandonar o mundo e a se consagrar a Deus! É notório que Santo Agostinho, que viveu muitos anos preso nos laços dos vícios e paixões, ao ler uma epístola de São Paulo, abriu os olhos à luz divina e começou a tender à santidade. Igualmente Santo Inácio de Loyola encetou uma vida perfeita em conseqüência da leitura da vida dos Santos. Por acaso tomou-a nas mãos para distrair-se no seu leito de enfermo, a que estava condenado por ter sido ferido no ataque a Pamplona; com isso converteu-se e tornou-se o fundador da Companhia de Jesus, que é uma Ordem sumamente benemérita da Igreja. São João Colombini, ao ler, quase que contra a sua vontade, um livro espiritual, tomou a resolução de abandonar o mundo, começou uma santa vida e tornou-se o fundador de uma Ordem religiosa. Na história das Carmelitas se narra que uma nobre dama de Viena, que pretendia tomar parte de uma diversão mundana, ao ficar sabendo que esta não se realizaria, cheia de raiva, começou a ler um livro espiritual, que, por acaso, lhe caiu nas mãos. Esse livro inspirou-lhe um tal desprezo pelo mundo, que renunciou a todas as suas vaidades e fez-se carmelita.
   A leitura de bons livros não foi proveitosa aos Santos unicamente em sua conversão, mas em toda a sua vida, para se manterem firmes no caminho da perfeição e fazerem cada vez maiores progressos nele. São Domingos beijava seus livros espirituais e apertava-os amorosamente ao coração, dizendo: ”Estes livros dão-me o leite que me sustenta”. O grande servo de Deus, Tomás de Kempis, não conhecia maior consolação do que esconder-se em um canto de seu quarto com um livro que tratasse das coisas espirituais. São Filipe Néri empregava todo o tempo livre na leitura de livros espirituais, principalmente da vida dos Santos.
   Oh! Como é útil tomar a vida dos Santos por objeto de nossa leitura espiritual! Os livros que tratam das virtudes ensinam-nos o que devemos fazer; na história dos Santos vemos, porém, o que de fato fizeram tantos homens e mulheres, rapazes e donzelas, que eram homens como nós. Mesmo que a meditação dos exemplos dos Santos não nos trouxesse outro proveito, nos obrigaria a nos humilharmos profundamente, porque, lendo as grandes coisas que os Santos praticaram, devemos certamente nos envergonhar de ter feito e de fazer ainda tão pouco por Deus. Santo Agostinho dizia de si mesmo: ”Ó meu Deus, quando eu considerava os exemplos de Vossos servos, envergonhava-me de minha preguiça e sentia arder em mim o fogo de Vosso santo amor” (Conf., I. 9, c. 2). São Francisco de Assis, ao pensar nos Santos e em suas virtudes, sentia-se abrasar em chamas de amor divino (S. Boav., Vita S. Franc., c. 9).
   São Gregório Magno conta que, em seu tempo, vivia em Roma um homem, chamado Sérvulo, que era muito doentio e devia esmolar a sua subsistência. Dava uma parte das esmolas que recebia aos outros pobres e a outra a empregava na compra de bons livros. Ele não sabia ler e, por isso, pedia àqueles que ele abrigava em sua choupana durante a noite, que lhos lessem. Dessa maneira alcançou uma grande paciência nos sofrimentos, diz S. Gregório, e uma admirável sabedoria nas coisas celestes. Ao morrer, pediu aos seus amigos que lhe lessem alguma coisa; antes, porém, de expirar, interrompeu-os, dizendo: Calai-vos, calai-vos; não ouvis como todo o Céu ressoa com cânticos e aprazível música? Logo depois expirou. Apenas deu o último suspiro, espalhou-se em seu quarto um cheiro celestial, que testemunhava a santidade desse mendigo que, pobre em bens terrenos, porém rico em virtudes e merecimentos, deixara este mundo.
§ II. Maneira de se fazer a leitura espiritual
Para tirar grande proveito da leitura espiritual, devemos observar as seguintes regras:
1. Antes de começar a ler, devemos pedir a Deus que nos ilumine a respeito do que vamos ler. Já se disse acima que Nosso Senhor mesmo se digna falar conosco na leitura espiritual; por isso, devemos dizer-lhe, tomando o livro nas mãos: ”Falai, Senhor, que Vosso servo escuta”. Fazei-me conhecer a Vossa Vontade, pois Vos quero obedecer em tudo.
2. Na leitura espiritual não devemos ter a intenção de contentar o nosso desejo de saber ou até nosa curiosidade, mas unicamente procurar crescer no amor de Deus. Quando se lê para se aumentar seus conhecimentos, não é isso leitura espiritual, mas um simples estudo. É coisa pior, porém, ler-se por pura curiosidade, como fazem alguns que, por assim dizer, devoram os livros e nada mais têm em vista do que a satisfação de sua curiosidade. Que proveito poderão tirar de tal leitura? Todo o tempo que empregam nisso é perdido. Muitos leem, e leem muito, diz São Gregório (Hom. in Ezeq.), e, apesar disso, seu espírito não fica saciado, porque leem só por curiosidade.
3. Para tirar proveito dos livros espirituais devemos lê-los com vagar e ponderação.”Pela leitura espiritual tua alma deve ser alimentada”, diz Santo Agostinho. Ora, querendo alimentar-se convenientemente, não se deve engolir a comida, mas antes, mastigá-la bem. Pondera, pois, bem, o que lês, e procura aplicá-lo a ti mesmo. E se o que leste te causou uma forte impressão, segue o conselho de Santo Efrém (De pat. et. cons. saec.) e torna a ler repetidas vezes.
4. Se recebemos uma luz especial durante a leitura, ao se nos depar um belo pensamento ou uma ação virtuosa que nos comove o coração, devemos parar um pouco, para elevar a nossa mente a Deus, fazer um propósito, um ato de piedoso afeto e uma fervorosa súplica a Deus. Não faz nenhum mal se, entretanto, se escoa todo o tempo determinado para a leitura, pois um proveito maior do que o sobredito não podemos tirar da leitura espiritual. Muitas vezes a leitura de algumas linhas é mais proveitosa do que a de uma página inteira.
5. Finalmente, antes de fechar o livro, alma cristã, deves reter na memória algum pensamento piedoso que encontraste, para te ocupares com ele durante o dia, à semelhança do que se costuma fazer quando se passa por um jardim, apanhando-se uma flor para levá-la consigo.
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Fonte: https://pt.aleteia.org/

VATICANO, 19 Fev. 18 / 07:00 pm (ACI).- O Penitenciário Mor do Vaticano, Cardeal Mauro Piacenza, afirmou que este dicastério, o mais antigo da Cúria Romana, é o “Tribunal da Misericórdia” da Igreja.

Assim indicou o Purpurado em entrevista à ACI Stampa – agência italiana do Grupo ACI – por ocasião do simpósio “Penitência e Penitenciaria no tempo do Jansenismo: Cultura, Teologia e prática”, realizado em Roma nos dias 15 e 16 de fevereiro.

O objetivo do evento, explicou o Purpurado, “não é simplesmente recordar ideias do passado distante, mas dar pistas que interpelem a consciência dos cristãos de hoje. Acredito que os temas discutidos poderão contribuir para redescobrir a importância do sacramento da Reconciliação para cada um de nós”.

O Cardeal explicou na entrevista que “o jansenismo era uma corrente de pensamento que surgiu da conhecida obra Augustinus do bispo holandês Cornelius Jansen”, o qual viveu entre 1585 e 1638, mais conhecido como Jansênio.

“Jansênio considerava que o homem está intrinsecamente e irremediavelmente corrompido pelo pecado” e que “Deus teria predestinado toda criatura ao inferno ou ao paraíso; e que Cristo teria morrido somente pelos predestinados”.

O Cardeal explicou que esta doutrina, “anulando a liberdade do homem e levando ao extremo o papel da graça, levou a uma aproximação rigorosa no plano da moral”.

Diante desta situação, a atitude do Magistério “foi impedir o rigorismo jansenista, levando novamente à misericórdia divina e à bondade paterna de Deus sempre disposta a perdoar”.

“Nesse sentido, coloca-se o que a Penitenciaria Apostólica realiza, sempre fiel ao seu mandato de ser, na Igreja e para a Igreja, o ‘Tribunal da Misericórdia’”, sublinha o Purpurado italiano.

O Cardeal Piacenza recordou que o Papa Bento XIV assinalava que a Penitenciaria “era o lugar onde todos os fiéis, de todos os lugares da terra, poderiam encontrar reparação aos males espirituais e conseguir um remédio rápido para as suas feridas, fornecido em segredo e gratuitamente”.

Em fevereiro de 2016, o Regente da Penitenciaria Apostólica, Dom Krzysztof Nykiel, explicou que este organismo do Vaticano é “o primeiro dos tribunais apostólicos, cuja competência é exclusivamente na jurisdição interna, ou seja, no âmbito íntimo da relação entre Deus e o pecador”.

Além de se encarregar da regulamentação da concessão de indulgências aprovadas pelo Papa, a Penitenciaria está relacionada aos crimes puníveis com a excomunhão reservada à Santa Sé, como a profanação da Eucaristia, a violação do segredo de confissão ou a consagração de um bispo sem mandato pontifício.

Em seu discurso, o Regente explicou que a Penitenciaria não é “um lugar de detenção” nem “uma espécie de prisão da Igreja”.

O seu propósito “é facilitar os fiéis no caminho de reconciliação com Deus e com a Igreja, conscientes de que a reconciliação, realizada por Cristo e através do Espírito Santo, normalmente ocorre por meio da mediação eclesial”.

Fonte: http://www.acidigital.com/

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