Vaticano

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“Como Santo Inácio de Loyola, deixemo-nos conquistar pelo Senhor Jesus e, guiados por Ele, coloquemo-nos ao serviço do próximo.” Esta é a mensagem do Papa Francisco no Twitter, no dia em que a Igreja recorda o Santo fundador da Companhia de Jesus.

Se é um dia um dia especial para os jesuítas em todo o mundo, o é também para o Papa Francisco, que pertence à Companhia. Em 2014, o papa festejou a data com seus confrades na Cúria Geral, que fica a dois passos da Praça S. Pedro.

A última vez que almoçou com eles foi no dia 12 de fevereiro deste ano, por ocasião da despedida do padre Adolfo Nicolás, Prepósito da Companhia de 2008 a 2016, que agora desempenha sua missão nas Filipinas.

Discernimento

Desde outubro do ano passado, esta função é desempenhada pelo venezuelano Arturo Sosa, que em entrevista à Rádio Vaticano falou dos dois grandes desafios da Companhia hoje:

“Eu gostaria de sintetizar os desafios da Companhia em dois grupos. O primeiro é como nós podemos entender a nossa melhor contribuição à missão de reconciliação da Igreja que, segundo a 36ª Congregação Geral, tem três dimensões: a reconciliação com Deus, a reconciliação dos homens entre si e a reconciliação com a criação. Nós nos sentimos colaboradores deste processo, pois compartilhamos a missão do Senhor entregue à Igreja. A contribuição tem um fundamento, e o fundamento é a fé. Portanto, o primeiro desafio é discernir onde Deus trabalha neste momento da história humana e como o faz, para sermos seus instrumentos e para colaborarmos àquilo que Ele faz.”

Desigualdade

Padre Arturo Sosa afirma que é preciso olhar para os crucifixos do mundo de hoje – mundo marcado pela desigualdade e pela pobreza. “Sem justiça social, a reconciliação não é possível”, afirma, acrescentando que é preciso entender as causas da injustiça e pensar em modelos alternativos de convivência humana. “O desafio que temos diante de nós é buscar reconciliar este processo, para garantir às futuras gerações uma vida melhor do que temos hoje em meio à desigualdade e à pobreza.”

Conversão

O segundo grande grupo de desafios identificado pelo Prepósito é adaptar a Companhia de Jesus aos tempos atuais, “colocar a Companhia em condições de oferecer uma colaboração mais eficaz a esses desafios”. Para o sacerdote venezuelano, isso começa com a conversão pessoal, com a conversão da vida comunitária e, a mais difícil, a conversão institucional. (Fonte: Rádio Vaticano)

A alegria do Evangelho nos livra da tristeza e do vazio interior: palavras do Papa no Angelus do último domingo de julho (30).

Aos milhares de fiéis na Praça S. Pedro não obstante o calor, o papa comentou o Evangelho do dia, sobre o discurso das parábolas de Jesus.

De modo especial, Francisco falou de duas delas: o tesouro escondido e a pérola preciosa. Ambas destacam a decisão dos protagonistas de vender qualquer coisa para obter o que descobriram. O camponês decide arriscar todos os seus pertences, assim como  o comprador decide apostar tudo naquela pérola, a ponto de vender todas as outras.

Busca e sacrifício

Essas semelhanças, explicou o Papa, evidenciam duas características sobre a posse do Reino de Deus: a busca e o sacrifício. O Reino de Deus é oferecido a todos, mas não é colocado à disposição num prato de prata, requer um dinamismo: se trata de buscar, caminhar, se mexer.

“A atitude da busca é a condição essencial para encontrar; é preciso que o coração arda do desejo de alcançar o bem precioso, ou seja, o Reino de Deus que se faz presente na pessoa de Jesus. É Ele o tesouro escondido, é Ele a pérola de grande valor. Ele é a descoberta fundamental que pode dar uma reviravolta decisiva à nossa vida, preenchendo-a de significado.”

Sacrifício e renúncias

Já a avaliação do valor inestimável do tesouro leva a uma decisão que implica sacrifício e renúncias. Quando o tesouro e a pérola foram descobertos, isto é, quando encontramos o Senhor, é preciso não deixar esta descoberta estéril, advertiu Francisco, mas sacrificar tudo a ela, colocando Ele em primeiro lugar. “A graça em primeiro lugar.”

Com Jesus Cristo, sempre nasce e renasce a alegria

“O discípulo de Cristo não é alguém que se privou de algo essencial; é alguém que encontrou muito mais: encontrou a alegria plena que somente o Senhor pode doar. Aqueles que se deixam salvar por Ele foram livrados do pecado, da tristeza, do vazio interior, do isolamento. Com Jesus Cristo, sempre nasce e renasce a alegria.”

O Pontífice convidou os fiéis a contemplarem a alegria do camponês e do comprador das parábolas. “Rezemos, por intercessão da Virgem Maria, para que cada um de nós saiba testemunhar, com as palavras e os gestos cotidianos, a alegria de ter encontrado o tesouro do Reino de Deus, isto é, o amor que o Pai nos doou mediante Jesus.” (Fonte: Rádio Vaticano)

O papa Francisco, durante a oração do Ângelus neste domingo na Praça de São Pedro, no Vaticano, exortou os cristãos a não desanimar no exercício do discernimento entre o bem e o mal e recordou que, em nossa vida, ambas as realidades convivem e que só Deus poderá separá-las no Juízo Final.

Para explicar, o Santo Padre se referiu à parábola do trigo e do joio da leitura evangélica do dia. “A narrativa se desenvolve em um campo com dois opostos protagonistas. De um lado, o dono do campo que representa Deus e semeia a boa semente; por outro, o inimigo que representa Satanás e semeia a erva ruim”.

“Com o passar do tempo, em meio ao trigo cresce também o joio e, diante disso, o patrão e seus servos têm diferentes opiniões. Os servos querem intervir arrancando o joio. Entretanto, o patrão, preocupado, sobretudo em salvar o trigo, se opõe dizendo: ‘Não. Pode acontecer que, arrancando o joio, arranqueis também o trigo’”.

Desse modo, o Pontífice assinalou que “Jesus nos diz que neste mundo o bem e o mal estão de tal forma entrelaçados, que é impossível separá-los e extirpar todo o mal. Somente Deus pode fazer isto e o fará no juízo final”.

Por isso, incentivou os cristãos a desempenharem um adequado exercício da liberdade, “onde se pratica a difícil tarefa do discernimento”.

“Trata-se – explicou – de conjugar, com grande confiança em Deus e na providência, dois comportamentos aparentemente contraditórios: a decisão e a paciência. A decisão é aquela de querer ser trigo bom, com todas as próprias forças, e portanto, tomar distância do maligno e de suas seduções”.

Por sua parte, “a paciência, significa preferir uma Igreja que é fermento na massa, que não teme sujar suas mãos lavando as roupas de seus filhos, antes que uma Igreja de ‘puros’, que pretende julgar antes do tempo, quem está e quem não está no Reino de Deus”.

Nesse exercício de discernimento, “o Senhor, que é a Sabedoria encarnada, hoje nos ajuda a compreender que o bem e o mal não se podem identificar com territórios definidos ou determinados grupos humanos”.

“Ele nos diz que a linha de separação entre o bem e o mal passa no coração de cada pessoa. Somos todos pecadores. Jesus Cristo, com sua morte na cruz e sua ressurreição, nos libertou da escravidão do pecado e nos dá a graça de caminhar em uma vida nova, mas com o Batismo nos deu também a Confissão, porque sempre temos a necessidade de sermos perdoados de nossos pecados. Olhar sempre e somente o mal que está fora de nós, significa não querer reconhecer o pecado que existe também em nós”.

Por último, Francisco destacou a paciência de Deus com os homens. “Quanta paciência Deus tem! Também cada um pode dizer isso: Quanta paciência Deus tem comigo!”. (Fonte: ACIDigital)

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O papa Francisco publicou um tweet na noite de ontem (19), somente em língua italiana, em virtude dos 25 anos do assassinato do juiz Paolo Borsellino e dos seus cinco agentes de segurança, vítimas da máfia em Palermo, na Itália. Diz a mensagem de Francisco publicada na conta @Pontifex: “Rezemos por todas as vítimas das máfias, peçamos a força para seguir em frente, para continuar a lutar contra a corrupção”.

O crime aconteceu em 19 de julho de 1992, mas, 57 dias antes, foram também assassinados o seu amigo, a sua mulher e mais três homens da segurança.

O tweet do papa reforça uma série de iniciativas no país para renovar o compromisso na luta e na defesa da legalidade e da justiça. No Senado italiano, o presidente Pietro Grasso pediu um minuto de silêncio em memória à coerência e ao sentido de dever do juiz assassinado que, num “domingo qualquer de verão” se transformou, num instante, “numa ferida que nunca poderemos curar”.

Já o presidente da Itália, Sergio Mattarella, reafirmou que a “máfia não é um mal incontestável, mas um fenômeno criminal que pode ser derrotado”. Mattarella falou de um país que vive dias de reconhecimento ao juiz Borsellino e a homens como ele, capazes de promover uma sociedade sana e virtuosa e com um método eficiente de trabalho que definiu como “patrimônio precioso” contra a criminalidade.

O padre Luigi Ciotti, presidente de “Libera”, uma entidade italiana de promoção da legalidade e da justiça, pediu coragem por parte das instituições para aprofundar a leitura judiciária dos fatos e as responsabilidades políticas. E advertiu: “hoje, mais do que nunca, é preciso que os homens das instituições falem, dando a sua contribuição em busca da verdade”. (Fonte: AC/ Rádio Vaticano)

No nosso espaço Memória Histórica – 50 anos do Concílio Vaticano II, vamos tratar no Programa de hoje sobre “a Ressurreição como fato histórico”.

Temos trazido neste nosso espaço uma série de reflexões sobre a Ressurreição do Senhor e sobre a Teologia do Terceiro Artigo, isto é, o Espírito Santo, inspiradas nas pregações do Frei Raniero Cantalamessa ao Papa e à Cúria.

No último programa, o padre Gerson Schmidt, que tem nos acompanhado neste percurso, falou sobre o “Significado apologético da Ressurreição”, onde entre outros, propôs a frase do Pregador da Casa Pontifícia “Somente a ressurreição é o selo de autenticidade divina de Cristo”,

No programa de hoje, Padre Gerson nos fala sobre “A Ressurreição como fato histórico”:

“Aqui estamos fazendo uma abordagem da Páscoa, da riqueza do tempo pascal e a importância que o Concilio deu ao ano litúrgico. Aproveitamos aqui uma análise da historicidade da ressurreição, feita pelo Frei Raniero Cantalamessa.

Fundamentando que a ressurreição de Cristo foi um fato histórico comprovado, Cantalamessa cita o exegeta alemão Martin Dibelius nascido em Dresden, catedrático da Universidade de Berlim e Professor de Novo Testamento na Universidade de Heidelberg, que trabalha com o “método da história das formas” aplicando-o aos evangelhos sinópticos.

Seu método implica também a comparação com outras formas literárias extra bíblicas provenientes do contexto do Oriente Médio, para investigar as possíveis dependências e inter-relações e também a originalidade dos textos. Esse teólogo Martin Dibelius diz o seguinte:

“No momento decisivo, quando Jesus foi capturado e executado, os discípulos não cultivavam nenhum pensamento sobre a ressurreição. Eles fugiram e deram por encerrado o caso de Jesus. Algo teve de intervir que, em um curto espaço de tempo, não só provocou a mudança radical de seu estado de espírito, mas os levou também a uma atividade totalmente diferente e à fundação da Igreja. Esse “algo” é o núcleo histórico da fé pascal (Martin Dibelius, Iesus,  Berlim 1966, p. 117.)”.

Qual é, então, o ponto de chegada da pesquisa histórica com relação à ressurreição? – pergunta Cantalamessa. Ele mesmo responde: “Podemos apreendê-lo nas palavras dos discípulos de Emaús. Alguns discípulos, na manhã da Páscoa, foram ao túmulo de Jesus e descobriram que as coisas estavam como haviam relatado as mulheres, que foram antes deles, “mas a ele, não o viram” (cf. Lc 24, 24).

Até a história vai a sepulcro de Jesus e deve constatar que as coisas estão da forma como disseram os testemunhos. Mas ele, o Ressuscitado, não o vê. Não basta constatar historicamente os fatos, é necessário “ver” o Ressuscitado, e isso a história não pode dar, mas só a fé.  Quem chega correndo da terra firme rumo a costa do mar deve parar de repente; pode ir além com o olhar, mas não com os pés”.

Era preciso constatar que de fato Jesus aparece vivo e bem vivo depois de morto, e bem morto. O sepulcro vazio não é prova da ressurreição de Cristo, pois poderiam ter deslocado o cadáver de Jesus ou “roubado” como alguns Judeus pagaram alguns guardas para espalhar essa notícia desse possível roubo. Temiam eles uma insurreição – uma revolta popular pelo fato de Jesus haver ressurgido dos mortos.

Os Evangelhos narram historicamente 11 aparições do ressuscitado, após a sua morte. Nelas os apóstolos, apesar das dúvidas, até nas últimas aparições e acharem que ele é fantasma ou um espectro, constatam com aspectos concretos. Jesus fala com ele, deixa-se tocar, come com eles, reparte o pão e se mostra não ser uma ilusão, nem assombração. Há, portanto, uma constatação real, não ilusório, fictícia ou fantasmagórica, de que Cristo está vivo. Cristo mostra as chagas para identificar que o ressuscitado se identifica com o crucificado”. (Fonte: Rádio Vaticano)

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Depois da instalação do Tribunal eclesiástico em São Raimundo Nonato e o início da fase diocesana, atualmente o processo de beatificação do espanhol dom Inocêncio López Santamaria – bispo que viveu no sertão do Piauí combatendo a fome, a seca e o analfabetismo – encontra-se no Vaticano.

O andamento do processo

Em fevereiro deste ano, uma delegação do Vaticano exumou o corpo do religioso da Ordem Mercedária do Brasil, morto em 1958, aos 83 anos, em Salvador. A exumação faz parte do processo de beatificação e canonização autorizado pelo papa Francisco.

A trajetória do bispo

Nascido em 1874 na aldeia de Sotovellanos, na Espanha, dom Inocêncio chegou ao Brasil em 1931 e foi bispo da Prelazia de Bom Jesus do Gurgueia, hoje Diocese de São Raimundo Nonato.

Para o processo, têm sido ouvidas testemunhas e depoimentos de quem conviveu com o bispo, cerca de 60 pessoas, entre elas cinco padres que conheceram pessoalmente o religioso. Entre os documentos descobertos, estão cartas do bispo às autoridades pedindo ajuda para alimentação das famílias, estradas e água.

O legado no território

No Piauí, fundou a Congregação das Irmãs Mercedárias Missionárias do Brasil e  construiu 28 escolas somente na zona rural de São Raimundo. Com a ajuda de Dom Inocêncio foram construídas cerca de 700 km de estradas, poços, açudes e capelas entre 1931 a 1958. (Fonte: Rádio Vaticano)

Ser catequista não é uma profissão, mas uma vocação: é o que afirma o Papa Francisco na mensagem enviada aos participantes do Simpósio  Internacional sobre Catequese, em andamento na Faculdade de Teologia da Pontifícia Universidade Católica Argentina (UCA), em Buenos Aires.

No texto, o Pontífice cita um diálogo de São Francisco de Assis com um de seus seguidores, que queria aprender a pregar. O santo lhe diz: Quando visitamos os enfermos, ajudamos as crianças e damos de comer aos pobres já estamos pregando. “Nesta lição, está contida a vocação e a tarefa do catequista”, escreve o Papa.

Ser catequista

Em primero lugar, a catequese não é um trabalho ou uma tarefa externa à pessoa do catequista, mas se “é” catequista e toda a vida gira em torno desta missão. De fato, “ser” catequista é uma vocação de serviço na Igreja, que se recebeu como dom do Senhor para ser transmitido aos demais. Por isso, o catequista deve constantemente regressar àquele primeiro anúncio ou “kerygma”, que é o dom que transformou a própria vida. Para Francisco, este anúncio deve acompanhar a fé que já está presente na religiosidade do povo.

Com Cristo

O catequista, acrescentou o Papa, caminha a partir de Cristo e com Ele, não é uma pessoa que parte de suas próprias ideias e gostos, mas se deixa olhar por Ele, porque é este olhar que faz arder o coração. Quanto mais Jesus toma o centro da nossa vida, mais nos impulsiona a sair de nós mesmos, nos descentraliza e nos faz mais próximos dos outros.

Catequese “mistagógica”

O Papa compara este dinamismo do amor com os movimentos cardíacos: sístole e diástole, se concentra para se encontrar com o Senhor e imediatamente se abre para pregar Jesus. O exemplo fez do próprio Jesus, que se retirava para rezar ao Pai e logo saía ao encontro das pessoas sedentas de Deus. Daqui nasce a importância da catequese “mistagógica”, que é o encontro constante com a Palavra e os sacramentos e não algo meramente ocasional.

Criatividade

E na hora de pregar, Francisco pede que os catequistas sejam criativos, buscando diferentes meios e formas para anunciar a Cristo. “Os meios podem ser diferentes, mas o importante é ter presente o estilo de Jesus, que se adaptava às pessoas que tinha a sua frente. É preciso saber mudar, adaptar-se, para que a mensagem seja mais próxima, mesmo quando é sempre a mesma, porque Deus não muda, mas renova todas as coisas Nele.

O Papa conclui agradecendo a todos os catequistas pelo que fazem, mas sobretudo porque caminham com o Povo de Deus. “Eu os encorajo a serem alegres mensageiros, custódios do bem e da beleza que resplandecem na vida fiel do discípulo missionário.”

O Simpósio Internacional sobre Catequese teve início no dia 11 de julho e prossegue até o dia 14. O encontro tem como tema “Bem-aventurados os que creem”, e entre os conferencistas estão o Arcebispo  Luis Francisco Ladaria sj, prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé e Mons. José Ruiz Arenas, Secretário do Pontifício Conselho para a Promoção da Nova Evangelização. (Fonte: Rádio vaticano)

Foi publicado esta terça-feira (11) o Motu Proprio do papa Francisco “Maiorem hac dilectionem” sobre a oferta da vida nas causas dos santos.

Com o documento, o pontífice abre o caminho à beatificação daqueles fiéis que, impulsionados pela caridade, ofereceram heroicamente a própria vida pelo próximo, aceitando livre e voluntariamente uma morte certa e prematura com o intuito de seguir Jesus.

Um nova via de santidade

Há séculos, as normas da Igreja Católica preveem que se possa proceder à beatificação de um Servo de Deus percorrendo uma dessas três vias: o martírio (suprema imitação de Cristo com morte violenta), as virtudes heroicas (a vivência acima do comum e constante no tempo das virtudes teologais), e os casos excepcionais (conhecida como equipolente).

Essas três vias, todavia, resultavam insuficientes para interpretar todos os casos possíveis de santidade canonizável. De fato, ultimamente, a Congregação das Causas dos Santos colocou-se a questão “se os Servos de Deus que, inspirados pelo exemplo de Cristo, tenham livre e voluntariamente oferecido e imolado a própria vida pelos irmãos num supremo ato de caridade, que tenha sido diretamente causa de morte, não mereçam a beatificação”. Trata-se, portanto, de introduzir uma quarta via, que foi chamada “oferta da vida”.

Oferta da vida: entre martírio e virtudes heroicas

Embora tenha elementos que a assemelhem seja à via do martírio, seja à via das virtudes heroicas, esta nova via pretende valorizar um tipo de testemunho cristão heroico até agora sem um procedimento específico, justamente porque não se enquadra completamente nem na categoria do martírio nem na categoria das virtudes heroicas. Não é martírio porque não há um perseguidor e não é virtude heroica porque não é expressão de um exercício prolongado das virtudes. Para delimitar este aspecto, o Motu Proprio fala de “morte num período breve de tempo”, o que não significa imediata, mas nem mesmo tão longa a ponto de transformar o ato heroico em virtude heroica.

A “oferta da vida” até então não constituía uma categoria específica, mas, se comprovada, era incorporada ou como martírio ou como virtudes heroicas – o que não fazia jus à sua verdadeira natureza. Há séculos, a Igreja não exclui das honras dos altares os fiéis que deram a vida num extremo ato de caridade, como, por exemplo, morrer contagiado com a mesma doença do enfermo assistido.

Critérios

O documento pontifício esclarece no artigo 2: “a oferta da vida, para que seja válida e eficaz para a beatificação de um Servo de Deus, deve responder aos seguintes critérios: a. oferta livre e voluntária da vida e heroica aceitação propter caritatem de uma morte certa e decorrida num breve período de tempo; b. nexo entre a oferta da vida e a morte prematura; c. exercício, pelo menos em grau ordinário, das virtudes cristãs antes da oferta da vida e, depois, até a morte; d. existência da fama de santidade pelo menos depois da morte; e. necessidade do milagre para a beatificação, ocorrida depois da morte do Servo de Deus e por sua intercessão”.

Enriquecimento

Com este documento, a doutrina sobre a santidade cristã  e o procedimento tradicional da Igreja para a beatificação dos Servos de Deus não somente não são alterados, mas são enriquecidos de novos horizontes e oportunidades para a edificação do povo de Deus, que nos seus Santos vê o rosto de Cristo, a presença de Deus na história e a exemplar atuação do Evangelho.

O texto do Motu Proprio do papa Francisco está disponível no momento em italiano e latim. (Fonte: Rádio Vaticano)

Nesta primeira sexta-feira do mês, o papa celebrou uma missa para os operários do centro industrial do Vaticano, atendendo a um pedido dos próprios trabalhadores. Antes de iniciar, Francisco fez uma oração pelo pai do funcionário Sandro, falecido alguns dias atrás.

O centro da homilia foi o episódio narrado no Evangelho de Mateus em que se fala dos cobradores de impostos e pecadores:

“Eles eram considerados os piores, porque cobravam, colocavam no bolso uma parte e mandavam o resto do dinheiro aos romanos: vendiam a liberdade da pátria e por isso, eram malvistos, odiados. Eram traidores da pátria. Jesus os viu e os chamou. Escolheu um apóstolo, o pior, Mateus, e o convidou para o almoço. Ele ficou feliz”.

 Depois de citar este trecho, o Papa propôs uma recordação do passado:

“Antes, quando me hospedava na Via della Scrofa, (casa para o clero no centro de Roma, ndr), eu gostava de ir – e agora não posso mais – à Igreja de São Luís dos Franceses para admirar um quadro do Caravaggio, ‘A conversão de Mateus’: ele grudado no dinheiro e Jesus indicando-o com o dedo. Jesus aponta para ele e convida todos os traidores, publicanos, para o almoço. Ao ver isso, os fariseus, que se consideravam ‘justos’, julgavam todos e diziam: “Por que seu mestre come com eles?”. Jesus diz: “Eu não vim para chamar os justos, mas os pecadores”.

Diploma de pecador

O papa comentou: “Isto me consola muito, porque penso que Jesus veio para mim porque somos todos pecadores; todos temos este diploma. Cada um de nós sabe bem onde peca mais, onde está a sua fraqueza. Antes de tudo temos que reconhecer isso: nenhum de nós que estamos aqui pode dizer “Não sou pecador”. Os fariseus diziam assim e Jesus os condena. Eram soberbos, vaidosos, se achavam superiores aos outros. Mas somos todos pecadores: é a nossa láurea e também a possibilidade de atrair Jesus a nós. Jesus vem até nós, vem a mim porque sou pecador”.

Para isso Ele veio, para os pecadores, não para os justos. Estes não precisam. Jesus disse: “Aqueles que têm saúde não precisam de médico, mas sim os doentes. Aprendei, pois, o que significa: `Quero misericórdia e não sacrifício’. Eu não vim para chamar os justos, mas os pecadores’”.

“Quando leio isso – prosseguiu o Papa – me sinto chamado por Jesus e todos podemos dizer o mesmo: ‘Jesus veio para mim, para cada um de nós’”.

Ele perdoa sempre

Esta é a nossa consolação e nossa confiança: que Ele perdoa sempre, cura nossa alma sempre, sempre. “Sou fraco, tenho recaídas…”: será Jesus a reerguer-te e a curar-te, sempre. Jesus veio para me dar força, para me fazer feliz, para deixar minha consciência tranquila. Não tenhamos medo. Nos momentos piores, quando sentimos o peso por alguma coisa que fizemos, escorregões… Jesus me ama porque sou assim”.

São Jerônimo

Na conclusão, Francisco reevocou uma fase da vida do grande São Jerônimo, que tinha um temperamento difícil e tentava ser mais delicado, porque era um dálmata (nascido na atual Croácia, ndr) e os dálmatas têm índole forte… Conseguiu dominar o seu caráter e oferecia ao Senhor muitas coisas, muito trabalho, e perguntava: “Senhor, o que queres de mim?”. O Senhor respondia: “Ainda não me destes tudo”. E ele: “Mas Senhor, eu dei isso, isso e aquilo…”. “O que falta?”. “Uma coisa: os teus pecados”.

A beleza do coração misericordioso de Jesus

E bonito ouvir isso – concluiu Francisco. “Dá-me teus pecados e tuas fraquezas; eu os curo e tu prossegues”. “Pensemos hoje no coração de Jesus, para que nos faça entender esta beleza do coração misericordioso, que me diz apenas: “Dá-me tuas fraquezas, teus pecados e eu perdoo tudo”. “E que esta alegria seja nossa”.

(Fonte: CM/ Rádio Vaticano)

No nosso espaço Memória Histórica – 50 anos do Concílio Vaticano II, vamos tratar no programa de hoje sobre “a historicidade da ressurreição do Senhor”.

Nos programas anteriores, tratamos da renovação litúrgica trazida pela Constituição conciliar Sacrosanctum Concilium, a constituição pilar de toda a valorização e renovação dos sacramentos e, no centro disto, a Páscoa, a vigília pascal por excelência e a Eucaristia, como Mistério Pascal.

Mas quando falamos de Páscoa, falamos da Ressurreição do Senhor, fato que nas palavras do Frei Raniero Cantalamessa, “é um acontecimento histórico, em um sentido muito particular”. Ela está dentro e fora do tempo, com ela, a história se abre ao que está além da história, a escatologia.

“A historicidade da ressurreição do Senhor” é o tema da reflexão do Padre Gerson Schmidt para a edição de hoje deste nosso espaço:

Depois do Concilio Vaticano II, a tônica da terceira pessoa, o Espírito Santo tem sido pauta das reflexões eclesiais. Fruto do Concílio são os novos carismas (SC, 06) e importância dada em nosso tempo para a pleumatologia – o estudo sobre o Espírito Santo. Frei Raniero diz que a ressurreição de Jesus Cristo se prova historicamente, não sendo apenas uma utopia que se levanta pelo kerigma ou uma projeção coletiva dos discípulos. Pergunta o pregador, falando ao Papa e aos padres da Cúria Romana: “O que provocou tal mudança que fez com que os mesmos homens que antes haviam negado Jesus ou tinham fugido, agora dizem em público estas coisas, fundam Igrejas e se deixam, inclusive, prender, flagelar, matar por ele? Em coro, eles nos dão esta resposta: “Ressuscitou! Nós vimos!”.

Cantalamessa diz assim: “A ressurreição é um acontecimento histórico, em um sentido muito particular. Ela está no limite da história, como aquele fio que separa o mar da terra firme. Está dentro e fora ao mesmo tempo. Com ela, a história se abre ao que está além da história, à escatologia. É, portanto, em certo sentido, a ruptura da história e a sua superação, assim como a criação é o seu começo. Isto significa que a ressurreição é um evento em si mesmo não testemunhável e atingível com as nossas categorias mentais que são todas ligadas à experiência do tempo e do espaço. E, de fato, ninguém vê o momento em que Jesus ressuscita. Ninguém pode dizer que viu Jesus ressuscitar, mas só de tê-lo visto ressuscitado”. Cristo ressuscitou na madrugada de domingo. Em qual vigília teria ele ressuscitado? Na primeira, na segunda…na aurora do dia? Não sabemos. Somente a noite foi testemunha. “Que noite tão ditosa, realmente gloriosa – canta o Exultet de Páscoa -, só ela conheceu o momento em que Cristo ressuscitou dentre os mortos!”. Só a noite foi testemunha da ressurreição de Cristo.

Com efeito, ninguém foi testemunha ocular do acontecimento da Ressurreição e nenhum evangelista o descreve. Ninguém pode dizer como aconteceu fisicamente. Menos ainda, sua essência mais íntima, a passagem à outra vida, foi perceptível aos sentidos. Acontecimento histórico demonstrável não somente pelo sinal do sepulcro vazio, mas pela realidade dos encontros dos apóstolos com Cristo ressuscitado; ou melhor, como a graça é um dom – da iniciativa de Cristo de se revelar como Ressuscitado aos seus.

Os apóstolos duvidaram da ressurreição. Não acreditaram assim tão rápido, mesmo Jesus tendo predito sua ressurreição ao terceiro dia. Tão impossível lhes parece que, até mesmo colocados diante da realidade de Jesus ressuscitado, os discípulos ainda duvidam: creem ver um espírito. “Não podiam acreditar por causa da alegria e estavam assustados” – a tradução da Bíblia de Jerusalém é surpresos, relata o texto de São Lucas (Lc 24,41). Tomé conhecerá a mesma prova da dúvida e, na  última aparição na Galileia, referida por Mateus, “alguns entretanto duvidaram” (Mt 28, 17). Até na última aparição narrada por Mateus – nos últimos versículos do seu evangelho – alguns ainda duvidam. Por isto, a  hipótese segundo a qual a ressurreição teria sido um ‘produto’ da fé (ou da credulidade) dos apóstolos não tem consistência. Pelo contrário, sua fé na Ressurreição nasceu sob a ação da graça divina- da experiência direta da realidade de Jesus ressuscitado.

Diz Cantalamessa: “A ressurreição, portanto, é conhecida a posteriori, em seguida. Como é a presença física do Verbo em Maria que demonstra o fato que se encarnou; assim a presença espiritual de Cristo na comunidade, evidenciada pelas aparições, demonstra que ressuscitou. Isso explica o fato de que nenhum historiador profano diga uma palavra sobre a ressurreição. Tácito, que também lembra da morte de um “um certo Cristo”(Tacito, Anais 25) nos dias de Pôncio Pilatos, cala sobre a ressurreição. Aquele evento não tinha relevância e sentido a não ser para quem experimentava as suas consequências, no seio da comunidade”. (Fonte: Rádio Vaticano)

Nesta terça-feira, a Santa Sé divulgou o sétimo vídeo das intenções de oração do Papa Francisco, correspondente ao mês de julho de 2017. Nesta ocasião, pediu que se reze por aqueles cristãos que se afastaram da fé.

Em sua mensagem, divulgada no canal do Youtube “O vídeo do Papa”, o Santo Padre assinalou que, “quando um cristão está triste, isso significa que ele se afastou de Jesus”, e incentivou a que nesses momentos, não se deixe esse cristão sozinho.

“Devemos oferecer a esperança cristã: com nossa palavra, nosso testemunho, com nossa liberdade, nossa alegria”.

Francisco incentivou a que “nunca esqueçamos que nossa alegria é Jesus Cristo, seu amor fiel e inesgotável”. O Pontífice finalizou a mensagem animando a pedir “pelos nossos irmãos que se afastaram da fé, para que, através da nossa oração e testemunho evangélico, possam redescobrir a beleza da vida cristã”.

A cada mês, a Santa Sé divulga um vídeo no qual apresenta as intenções do Papa sobre os desafios atuais para a humanidade e incentiva a Igreja e todo aquele que desejar a se unir a ele na oração.

Estes vídeos são uma iniciativa da Rede Mundial de Oração em colaboração com o Centro Televisivo Vaticano.

No vídeo correspondente ao mês de junho, Francisco convidou a rezar “todos juntos pelos responsáveis das nações, para que se comprometam decididamente em pôr fim ao comércio das armas, que provoca tantas vítimas inocentes”. (Fonte: ACIDigital)

“Eis-me aqui, sou a serva do Senhor: faça-se em mim segundo a tua palavra”: este versículo do Evangelho de Lucas (1,38) é o refrão do hino oficial da 34ª Jornada Mundial da Juventude, programada no Panamá em 2019.

A música foi apresentada no dia 3 de julho, na capital do país, na presença de milhares de jovens, leigos e religiosos.

Um chamado à missão

“Este hino – explicou o Arcebispo de Cidade do Panamá, Dom José Domingo Ulloa Mendieta – expressa a missão à qual somos chamados como discípulos e missionários, a exemplo de Maria”. “Estamos entusiasmados de colocá-lo à disposição dos jovens de todo o mundo, para que, cantando, se preparem com alegria e predisposição para se deixar transformar por Deus”.

O autor

O hino foi escrito e composto por Abdiel Jiménez, catequista e salmista da Paróquia de Cristo Ressuscitado, em San Miguelito, autor de vários cantos litúrgicos, membro de corais e formado na Faculdade de Ciências Religiosas da Universidade católica de Santa Maria La Antigua.

A exemplo Maria

O testo exorta os jovens a viverem seguindo o exemplo de Maria e venceu em meio a 50 propostas, analisado também pelo Dicastério vaticano para os Leigos, a Família e a Vida.

A JMJ Panamá 2019 foi anunciada pelo Papa Francisco na conclusão da edição polonesa, em Cracóvia, em 2016. O evento será realizado de 22 a 27 de janeiro, sobre o tema “Eu sou a serva do Senhor: faça-se em mim segundo a tua palavra”.

Ouça o hino em:  https://youtu.be/lN6nErqWPuk

A seguir, a letra (em espanhol) do hino “Hágase em mí según tu palavra”  (Faça-se em mim segundo a tua palavra) da JMJ Panamá 2019:

Somos peregrinos
que venimos hoy aqui
desde continentes y ciudades
queremos ser misioneros del Señor
llevar su palabra y su mensaje.

Ser como María la que un día dijo sí
ante la llamada de tu proyecto
el cielo se goza y canta de alegría
toda la tierra alaba tus portentos

Refrão:
He aquí la Sierva del Señor
Hágase en mí según tu palabra (bis)

Tu Sierva yo soy
Tu Hija yo soy
Tu hijo yo soy

Ser como María
disponibles a salir
Iglesia Peregrina con amor
jóvenes testigos y discípulos
con alegría, fe y vocación

Refrão:
No tengan miedo, no
no tengan miedo
de llevar el amor de Dios
comprometidos sí, como María
que supo ser la Sierva del Señor

Refrão (4 vezes)

(Fonte: Rádio Vaticano)

 

“Comunicar na cultura digital”. Este é o tema do seminário realizado na Pontifícia Universidade “Santa Croce”, em Roma, promovido pela Embaixada do Reino Unido junto à Santa Sé.

No evento pronunciaram-se, entre outros, o Embaixador Sally Axworthy, o Prof. Tom Flechter e o Diretor da “La Civiltà Cattolica”, Padre Antonio Spadaro, que em entrevista à RV, falou sobre as características da comunicação digital e a contribuição que o Papa Francisco está oferecendo a esta nova dimensão, cada vez mais importante na vida de milhares de pessoas:

“A cultura digital nasce dentro de um ambiente que é precisamente o ambiente criado pelas redes sociais e pela rede. Assim, para compreender os valores é necessário viver dentro dela: é uma forma de enculturação, que cada um de nós deve fazer, porque a Rede não é mais uma opção, mas um dado de fato”.

RV: Neste sentido, que contribuição está dando a Igreja – e em particular o Papa Francisco – para tornar a internet mais humana?

“A coisa mais importante é não considerar a internet como um instrumento, portanto, não considerá-la como uma realidade de fios, de cabos, de modem, de computador, mas como uma rede de pessoas. No fundo, o conceito mais importante que ele expressou sobre a Rede é que a Rede é um lugar de proximidade, isto é, de vizinhança. Então, tudo isto que torna o contato entre as pessoas autêntico, verdadeiro, solidário, tudo isto corresponde à vocação que tem a Rede; tudo, pelo contrário, que divide, separa, cria ódio e vê, considera a Rede simplesmente como um instrumento para impor a si mesmo, isto não serve, está fora do plano de Deus sobre a comunicação humana”.

RV: Ainda existe dificuldade, não somente no mundo católico, em compreender que não existe uma distinção entre real e virtual, que o digital é somente uma outra dimensão da vida…

“Exatamente. É preciso evitar considerar a realidade digital como algo de virtual, isto é, substancialmente como não real, de não verdadeiro, de não autêntico. O ambiente em que vivemos é um ambiente físico, um ambiente digital e os dois ambientes têm características diferentes, mas ambos são reais; não considerar isto, significa replicar uma esquizofrenia que depois, tem consequências desastrosas!” (Fonte: Rádio Vaticano)

“Sei que muitos países trabalham e lutam para realizar uma sociedade mais justa, promovendo uma cultura da legalidade”

Papa Francisco afirmou que os pobres são os primeiros a perceber a corrupção que existe nos vários estratos sociais.

O papa falava aos cerca de 200 membros da Organização Internacional Ítalo-Latino-Americana, recebidos em audiência nesta sexta-feira (30) na Sala Clementina, no Vaticano, por ocasião do 50º aniversário da organização.

“Encorajo-os no compromisso de vocês em favor do bem comum em nosso continente americano, e a colaboração entre todos possa favorecer a construção de um mundo sempre mais humano e mais justo”, disse.

No discurso que dirigiu aos presentes, o Santo Padre destacou, entre as finalidades da organização, promover o desenvolvimento e a coordenação, bem como identificar as possibilidades de assistência recíproca e de ação comum entre os países membros.

Atendo-se a este fim, o pontífice articulou seu discurso em três aspectos que considera importantes para o momento atual: identificar as potencialidades, coordenar e promover.

Discorrendo sobre o primeiro aspecto, Francisco destacou que os países da América Latina são ricos de história, cultura e recursos naturais; ademais, têm um povo “bom” e solidário com os outros povos, como “foi comprovado por ocasião das recentes calamidades naturais, como se ajudaram reciprocamente, dando exemplo a toda a comunidade internacional”.

O Santo Padre observou que todos esses valores sociais estão presentes, mas devem ser apreciados e reforçados:

Apesar desses bens do continente, a atual crise econômica e social atingiu a população e produziu o aumento da pobreza, do desemprego, da desigualdade social, bem como a exploração e o abuso da nossa casa comum. Diante dessa situação é preciso uma análise que leve em consideração a realidade das pessoas concretas, a realidade do nosso povo.”

Destacando o segundo aspecto, Francisco frisou que é preciso coordenar os esforços para dar respostas concretas e para fazer frente às instâncias e às necessidades dos filhos e das filhas dos nossos países.

“Coordenar não significa deixar que os outros façam e no final aprovar, ao invés, comporta muito tempo e muito esforço; é um trabalho que não aparece e é pouco apreciado, mas necessário”, observou ainda, atendo-se em seguida ao fenômeno da emigração na América Latina:

“Diante de um mundo globalizado e sempre mais complexo, a América Latina deve unir os esforços para fazer frente ao fenômeno da emigração; e grande parte de suas causas já deveriam ter sido enfrentadas há muito tempo, mas nunca é tarde demais.”

Após recordar que a emigração sempre existiu, frisou que esta nos últimos anos teve um incremento jamais visto antes. “Nosso povo, impelido pela necessidade, vai em busca de ‘novos oásis’, onde possa encontrar maiores estabilidades e um trabalho que assegure maior dignidade à vida”.

Mas nessa busca, acrescentou o Pontífice, muitas pessoas sofrem a violação de seus direitos”; muitas crianças e jovens são vítimas do tráfico de seres humanos e são exploradas, “ou caem nas redes da criminalidade e da violência organizada.

“A emigração é um drama de divisão: dividem-se as famílias, os filhos se separam dos pais, distanciam-se da terra de origem, e os próprios governos e os países se dividem diante dessa realidade. É preciso uma política conjunta de cooperação para enfrentar esse fenômeno. Não se trata de buscar culpados e de esquivar-se de responsabilidades, mas todos somos chamados a trabalhar de maneira coordenada e conjunta.”

Por fim, atendo-se ao terceiro aspecto, Francisco observou que entre as muitas ações que se poderiam realizar, considera emergir por importância “a promoção de uma cultura do diálogo.

Em seguida, o Santo Padre reconheceu que alguns países da América Latina estão passando por momentos difíceis em nível político, social e econômico:

“Os cidadãos que dispõem de menos recursos são os primeiros a perceber a corrupção que existe nos vários estratos sociais e a má distribuição das riquezas. Sei que muitos países trabalham e lutam para realizar uma sociedade mais justa, promovendo uma cultura da legalidade”, reconheceu Francisco.

O papa prosseguiu destacando que “a promoção do diálogo político é essencial, tanto entre os vários membros desta Associação, quanto com os países de outros continentes, de modo especial com os da Europa, por laços que os unem”.

O diálogo é indispensável, concluiu Francisco, “mas não o ‘diálogo entre surdos’! Requer uma atitude receptiva que acolha sugestões e partilhe aspirações”.

A Organização Internacional Ítalo-Latino-Americana é um organismo criado em Roma em 1966, cujos países membros são Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, Cuba, Equador, El Salvador, Guatemala, Haiti, Honduras, Itália, México, Nicarágua, Panamá, Paraguai, Peru, República Dominicana, Uruguai e Venezuela. (Fonte: Rádio Vaticano)

Depois da Missa celebrada por ocasião da Solenidade de São Pedro e São Paulo, o papa Francisco presidiu a oração do Ângelus da janela do Palácio Apostólico e recordou que Deus sempre “caminha conosco”.

“Os padres da Igreja amavam comparar os Santos Apóstolos Pedro e Paulo a duas colunas, sobre as quais se apoia a construção visível da Igreja”, explicou o Papa sobre os dois padroeiros de Roma.

“Eles sigilaram com o próprio sangue o testemunho de Cristo com a pregação e o serviço à comunidade cristã nascente”.

Francisco recordou como as leituras do dia evidenciam este testemunho, “as leituras bíblicas da liturgia de hoje, que indicam o motivo pelo qual a sua fé, confessada e anunciada, foi coroada com a prova suprema do martírio”.

O martírio de Pedro e Paulo “revela o caminho comum de dois apóstolos, os quais foram enviados por Jesus a anunciar o Evangelho em ambientes difíceis e em alguns casos hostis”.

Francisco também afirmou que ambos “nos mostram e nos dizem, hoje, que o Senhor está sempre ao nosso lado, caminha conosco, nunca nos abandona. Especialmente no momento da provação, Deus nos estende a mão, nos ajuda e nos liberta das ameaças dos inimigos”.

“Mas recordemos que o nosso verdadeiro inimigo é o pecado, e o maligno nos empurra para isso. Quando nos reconciliamos com Deus, especialmente no Sacramento da Penitência, recebemos a graça do perdão, somos libertados dos vínculos do mal e aliviados do peso dos nossos erros”.

O Santo Padre se despediu saudando os novos cardeais e pediu que “bondade e a graça de Deus sustente todo o povo romano para que viva em fraternidade e concórdia, fazendo resplandecer a fé cristã, testemunhada com coragem pelos Santos Apóstolos Pedro e Paulo”. (Fonte: ACIDigital)

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