Vaticano

O papa Francisco pediu um novo pacto social que garanta o direito a uma aposentadoria para aqueles idosos que não querem nem podem trabalhar, e o trabalha aos jovens que querem e devem trabalhar, além de rejeitar as “aposentadorias de ouro” tão injustas como as “de baixa renda”.

O Pontífice fez este apelo em uma audiência na Sala Paulo VI, no Vaticano, aos delegados do Congresso Italiano de Sindicatos do Trabalho por ocasião do seu 18º Congresso Nacional.

O Santo Padre destacou a beleza do tema escolhido para este Congresso, “Pela pessoa, pelo trabalho”, e assinalou que “‘pessoa’ e ‘trabalho’ são duas palavras que podem e devem estar juntas. Porque se pensamos e dizemos ‘trabalho’ sem ‘pessoa’, o trabalho acaba se tornando algo desumano, esquecendo-se da pessoa, esquece-se e abandona-se a si mesmo”.

Por outro lado, “pensemos em uma pessoa sem emprego, então estamos lidando com algo parcial, incompleta, porque a pessoa se realiza totalmente quando se torna um trabalhador, trabalhadora; porque o indivíduo se torna uma pessoa quando se abre aos outros, à vida social, quando floresce no trabalho”.

O Pontífice sublinhou que a pessoa “não é somente trabalho, porque nem sempre trabalhamos, nem sempre devemos trabalhar. As crianças não trabalham, e não devem trabalhar. Não trabalhamos quando estamos doentes, não trabalhamos quando somos idosos”, indicou como um exemplo.

Neste sentido, sublinhou o direito que certas pessoas têm de não trabalhar, porque não devem ou não podem, e lamentou que no mundo tenha “tantas crianças que trabalham e não estudam, quando o único trabalho bom para eles é estudar. Ou quando nem sempre, e nem a todos, reconhecem o direito a uma aposentadoria justa, ou quando um trabalhador fica doente e é descartado do mundo do trabalho pois perdeu a eficiência”.

Francisco se deteve um pouco mais a esclarecer o que é uma “aposentadoria justa” e afirmou que é aquela que não é “nem muito rica, nem muito pobre” e sublinhou que “as aposentadorias de ouro são uma ofensa ao trabalho, assim como as de baixa renda”.

“Uma sociedade está desorientada e míope quando obriga os idosos a trabalharem e obriga uma geração inteira de jovens a não trabalhar, quando deveriam fazê-lo, por eles e por todos”, insistiu o Papa.

Em seguida, pediu “um novo pacto social para o trabalho, que reduza as horas de trabalho daqueles que estão em sua última estação laboral, e que crie trabalhos para os jovens que têm o direito e o dever de trabalhar”.

Do mesmo modo, refletiu brevemente sobre as razões da incompreensão que os sindicatos muitas vezes sofrem. “O capitalismo do nosso tempo não compreende o valor do sindicato, porque esqueceu a natureza social da economia, da empresa, da vida, dos vínculos e dos pactos”.

Entretanto, “talvez a nossa sociedade não entenda o sindicato porque não o vê lutar suficientemente nos lugares onde não há direitos: nas periferias existenciais, entre os imigrantes, os pobres, ou não entende simplesmente porque, às vezes, a corrupção entrou no coração de alguns sindicalistas”.

Por outro lado, o bispo de Roma destacou dois desafios que o movimento sindical deve enfrentar no mundo de hoje, se quiser desempenhar um papel essencial na construção do bem comum:

Profecia

“O sindicato é a expressão do ‘perfil profético’ da sociedade”, assinalou. “O sindicato nasce e renasce todas as vezes que, como os profetas bíblicos, dá voz às pessoas que não as tem”.

Entretanto, “nas sociedades capitalistas avançadas, o sindicato corre o risco de perder esta natureza profética e se tornar demasiado semelhante às instituições e aos poderes que, ao invés, deveria criticar”.

“Com o passar do tempo – continuou –, o sindicato acabou por se parecer com a política, ou melhor, com os partidos político, com sua linguagem, com seu estilo”. Desse modo, os sindicatos “perdem força e eficácia”.

Inovação

O segundo desafio está relacionado com o primeiro, porque “os profetas são sentinelas que vigiam em seu posto. O sindicato também deve vigiar sobre as muralhas do trabalho, como sentinelas que cuidam e protegem os que vivem dentro da cidade, mas que também guardam e protegem aqueles que estão fora das muralhas”.

O Santo Padre advertiu que “o sindicato não pode desempenhar o seu papel essencial de inovação social se somente vigia os que estão dentro, se só protege os direitos das pessoas que estão trabalhando ou são assalariadas”. “A sua vocação também é proteger os direitos daqueles que ainda não trabalham, daqueles que foram excluídos do trabalho, dos que também foram excluídos dos seus direitos e da democracia”.

O papa Francisco concluiu o seu discurso dirigido aos sindicalistas reconhecendo que, há algum tempo “estão tentando se dirigir na direção correta, especialmente com os imigrantes, com os jovens e com as mulheres. Exorto-os a continuar e, se for possível, fazer ainda mais”. (Fonte: ACIDigital)

0 497

O papa Francisco celebrou seus 25 anos de ordenação episcopal com uma missa concelebrada com os Cardeais na Capela Paulina, no Vaticano (27).

De brasileiros, estavam presentes os cardeais João Braz de Aviz, Cláudio Hummes, Raymundo Damasceno Assis e Sérgio da Rocha.

Em sua homilia, comentando a primeira leitura, o Pontífice falou de três imperativos inseridos no diálogo entre Deus e Abraão: levantar-se, olhar e esperar. Expressões que marcam não só o caminho que Abraão deve percorrer, mas também a sua atitude interior.

Levantar-se significa não ficar parado, realizar a missão em caminho e o símbolo é a tenda. Olhar é fixar o horizonte, cuja mística consiste em estar cada vez mais distante enquanto se avança. Esperar é a força de ir avante, com o ânimo de um “escoteiro”. “A esperança não tem muros”, disse o papa.

“O Senhor hoje nos diz o mesmo: levante-se, olhe e espere. Essa palavra de Deus vale também para nós, que temos quase a mesma a idade de Abraão”, brincou Francisco, que pediu aos cardeais não fechem a sua vida e a sua história:

“Quem não nos quer bem, diz: ‘somos a gerontocracia da Igreja’. É uma zombaria, não sabe o que diz. Não somos gerontes, somos avôs. E se não sentimos isso, devemos pedir a graça de senti-lo. Avôs para quais os netos olham e esperam de nós a experiência sobre o sentido da vida. Avôs não fechados. Para nós, ‘levante-se, olhe e espere’ se chama sonhar. Somos avôs chamados a sonhar e dar o nosso sonho à juventude de hoje, que necessita disso, porque tirarão dos nossos sonhos a força para profetizar e levar avante a sua missão.”

O Senhor, acrescentou o papa, pede aos avôs da Igreja que tenham a vitalidade para dar aos jovens, sem se fechar, para oferecer à juventude o melhor, para levar avante a profecia e o trabalho.

“Peço ao Senhor que dê a todos nós esta graça, também para quem ainda não é avô, como o presidente do Brasil (referindo-se ao presidente da CNBB, dom Sérgio da Rocha), que é um jovenzinho, mas você chegará lá. A graça de ser avôs, a graça de sonhar e dar esse sonho aos nossos jovens, eles precisam disso.”

Antes da bênção final, o papa Francisco agradeceu aos cardeais “por esta oração comum neste aniversário”, pedindo o perdão pelos seus pecados e a perseverança na fé, na esperança e na caridade.

Ordenação em Buenos Aires

O padre Jorge Mario Bergoglio soube que seria Bispo Auxiliar de Buenos Aires no 13 de maio de 1992, notícia que foi aprovada oficialmente por João Paulo II uma semana depois, no dia 20.

No dia 27 de junho daquele mesmo ano, 1992, recebeu a ordenação episcopal na Catedral de  Buenos Aires das mãos do Cardeal Antonio Quarracino, então Arcebispo da capital argentina. (Fonte: Rádio Vaticano)

O papa Francisco criticou na homilia da Missa na Casa Santa Marta os cristãos que consultam os horóscopos e cartomantes e se paralisam na vida, em vez de procurar viver em tudo a vontade de Deus e glorificá-lo, inclusive nos momentos ruins.

Um cristão “que está parado” não é um “verdadeiro cristão”, por isso advertiu a respeito do perigo de “se instalar e ficar parado” em vez de “confiar em Deus”.

Francisco refletiu sobre a primeira leitura do dia, extraída do Livro do Gênesis, na qual se fala de Abraão: “Este é o estilo da vida cristã, o estilo nosso como povo”, baseado em três dimensões: o “despojamento”, a “promessa” e a “bênção”.

“O ser cristão tem sempre esta dimensão do despojamento que encontra a sua plenitude no despojamento de Jesus na Cruz. Sempre há um ‘vai’, um ‘deixa’, para dar o primeiro passo: ‘Sai da tua terra, da tua família e da casa do teu pai’. Se fizermos memória veremos que nos Evangelhos a vocação dos discípulos é um ‘vai’, ‘deixa’ e ‘vem’”.

Portanto, os cristãos devem ter a “capacidade” de serem despojados, se não se deixam “despojar e crucificar com Jesus”, não são cristãos autênticos.

“O cristão não tem um horóscopo para ver o futuro; não procura a necromante que tem a bola de cristal, para que leia a sua mão. Não, não. Não sabe aonde vai. Deve ser guiado. Esta é a primeira dimensão de nossa vida cristã: o despojamento”, disse o pontífice.

“Mas, por que o despojamento? Para ir em direção a uma promessa. Esta é a segunda. Somos homens e mulheres que caminham para uma promessa, para um encontro, para algo, uma terra, diz a Abraão, que devemos receber como herança”.

O Santo Padre recordou que Abraão “confia Deus” e sempre “está em caminho”. “O caminho começa todos os dias na parte da manhã; o caminho de confiar no Senhor, o caminho aberto às surpresas do Senhor, muitas vezes não boas, muitas vezes feias. Pensemos em uma doença, uma morte. Mas é um caminho aberto, pois eu sei que Tu me irás conduzir a um lugar seguro, a uma terra que preparaste para mim; isto é, o homem em caminho, o homem que vive em uma tenda, uma tenda espiritual”.

O papa também alertou que quando a alma “se ajeita muito, se ajeita demais, perde essa dimensão de ir em direção da promessa e em vez de caminhar em direção da promessa, carrega a promessa e possui a promessa. E não deve ser assim, isso não é realmente cristão”.

A terceira dimensão é a “bênção”. O cristão “abençoa”, ou seja, “fala bem de Deus e fala bem dos outros” e “é abençoado por Deus e pelos outros”.

E este é o esquema “da nossa vida cristã”, porque todos “devemos abençoar os outros, ‘falar bem dos outros’ e ‘falar bem a Deus dos outros’”.

Francisco também advertiu que estamos acostumados “a não falar bem” do próximo, quando “a língua se move um pouco como quer”, em vez de seguir o “nosso Pai”. (Fonte: ACIDigital)

 

0 329

O papa Francisco recebeu em audiência, nesta segunda-feira (26), na Sala Clementina, no Vaticano, cerca de 150 membros da Liga Italiana Contra o Câncer.

Segundo Francisco, essa instituição é uma riqueza para a sociedade italiana, pois com a variedade de seus serviços, “forma nas pessoas e nas famílias um estilo de prevenção, favorecendo a mentalidade de que a prevenção oncológica é primeiramente um estilo de vida”. Depois, junto com várias realidades na Itália, esse organismo “alimenta o voluntariado, expressão emblemática da gratuidade que deve incidir cada vez mais na vida cotidiana”.

Cultura da vida 

“É necessário difundir uma cultura da vida, formada de atitudes, comportamentos. Uma verdadeira cultura popular, séria, acessível a todos, não baseada em interesses comerciais. As famílias precisam ser acompanhadas no caminho de prevenção. Um caminho que envolve as várias gerações num pacto solidário. Um caminho que valoriza a experiência de quem viveu, com os próprios familiares, o percurso cansativo da patologia oncológica.”

O papa definiu como preciosa a colaboração de voluntariado da Liga Italiana Contra o Câncer com as estruturas de saúde, públicas e privadas, e também a ajuda oferecida às famílias na vida cotidiana muitas vezes marcada pelo estresse e assistência contínua aos doentes.

Periferia

Segundo Francisco, esse último aspecto é um testemunho em sintonia com a comunidade eclesial “chamada por vocação e missão ao serviço a quem sofre e a vivê-lo segundo o binômio tipicamente cristão da humildade e do silêncio. O bem que se cumpre é eficaz sobretudo quando é feito sem procurar recompensa e sem aparecer nas situações concretas da vida cotidiana”.

Nesse serviço, se exerce também um deslocamento rumo às periferias.

“A periferia, de fato, é cada homem e mulher que vive numa condição de marginalização. A periferia é toda pessoa obrigada a viver às margens da sociedade e das relações, sobretudo quando a doença quebra os ritmos habituais, como no caso das patologias oncológicas. A periferia chama em causa a responsabilidade de cada um de nós, porque todo cristão, como toda pessoa animada pelo desejo da verdade e do bem, é um instrumento consciente da graça.”

Riqueza

Segundo Francisco, o cuidar de um doente “é uma riqueza inestimável para a sociedade: recorda a toda comunidade civil e eclesial de não ter medo da proximidade, não ter medo da ternura, não ter medo de gastar tempo com laços que ofereçam e recebam apoio e conforto recíproco, espaços de solidariedade autênticos e não formais”.

O papa ressaltou que a saúde é um bem primário e fundamental de cada pessoa, e desejou que a prevenção do câncer possa ser estendida a todos, através da colaboração entre os serviços públicos e privados, e iniciativas da sociedade civil e caritativas. (Fonte: Rádio Vaticano)

“Refletir sobre o papel fundamental das instituições acadêmicas na educação humana e cultural das jovens gerações, em um âmbito social profundamente transformado”.

Com estas palavras o papa Francisco através de um telegrama quis saudar os muitos participantes no XIV Simpósio Internacional de Professores Universitários, promovido pelo Setor da Pastoral Universitária da Diocese de Roma, que teve início na tarde desta quinta-feira (22) e se encerra neste sábado (24), na Pontifícia Universidade Lateranense. O tema central é: “A Terceira missão das Universidades, dos Centros de Pesquisa e das Instituições de Formação Artística, Musical e Dança na Europa. Para um desenvolvimento humano e global”.

O pontífice, partindo da presença de representantes de diferentes culturas e tradições, fez votos de que possa ser encorajado, durante este encontro, um diálogo construtivo sobre a contribuição fundamental desses “valores cristãos que, – escreve o Papa -, moldaram o pensamento e a arte em diferentes países, promovendo incessantemente solidariedade, respeito pela dignidade humana, e dando prioridade ao diálogo como uma forma de encontro”. (Fonte: SP/ Rádio Vaticano)

0 547

Para ouvir a voz do Senhor, é preciso se fazer pequeno. Foi o que o papa Francisco recordou na homilia da missa desta sexta-feira (23), na Casa Santa Marta, celebrando o Sagrado Coração de Jesus.

O Senhor nos escolheu, ele se “misturou conosco no caminho da vida” e nos deu “Seu Filho, e a vida de Seu Filho, por amor nosso”. Referindo-se a primeira leitura de hoje tirado do Deuteronômio, onde Moisés diz que Deus nos escolheu para sermos seu povo entre todos os povos da terra, Francisco explica como se louva a Deus porque “no coração de Jesus dá-nos a graça de celebrar com alegria os grandes mistérios da nossa salvação, de Seu amor por nós”, celebrando, isto é “a nossa fé”. Em particular, o papa se detém sobre duas palavras contidas no texto: escolher e pequenez. Em relação à primeira, disse ele, não fomos nós a “escolhê-Lo”, mas é Deus que se fez “nosso prisioneiro”:

“Ele se prendeu à nossa vida, não pode se distanciar”. Jogou forte! Ele permanece fiel nessa atitude. Fomos escolhidos por amor e esta é a nossa identidade. ‘Eu escolhi esta religião, eu escolhi …’ Não, você não escolheu. É Ele que escolheu você, chamou você e se prendeu. E esta é a nossa fé. Se não acreditamos nisso, não entendemos a mensagem de Cristo, não entendemos o Evangelho”.

Para a segunda palavra, pequenez, recorda como Moisés especifique que o Senhor escolheu o povo de Israel, porque é “o menor de todos os povos”:

“Ele se apaixonou pela nossa pequenez e por isso ele nos escolheu. E ele escolhe os pequenos: não os grandes, os pequenos. E Ele se revela aos pequenos: ‘Escondestes essas coisas aos grandes e poderosos e as revelastes aos pequeninos!’ Ele se revela aos pequenos: se você quer entender algo do mistério de Jesus, abaixe-se: faça-se pequeno. Reconheça que você não é nada. E não só escolhe e se revela aos pequenos, mas chama os pequenos: ‘Vinde a mim, todos vós que estais cansados e sobrecarregados: Eu vos aliviarei’. Vós que sois os mais pequenos – pelos sofrimentos, cansaço … Ele escolhe os pequenos, se revela aos pequenos e chama os pequenos. Mas os grande Ele não os chama? O Seu coração está aberto, mas a voz os grande não conseguem ouvi-la porque eles estão cheios de si mesmos. Para ouvir a voz de Deus, é preciso se fazer pequeno”.

Assim, então, se chega ao mistério do coração de Cristo, que não é – como “alguém diz”, recorda Francisco- uma “imagem pequena” para os devotos: o coração traspassado de Cristo é “o coração da revelação, o coração da nossa fé, porque ele se fez pequeno, ele escolheu este caminho”. O de humilhar-se e aniquilar-se “até a morte” na cruz: é – disse o papa – “uma escolha para a pequenez, para que a glória de Deus possa se manifestar”. Do corpo de Cristo trespassado pela lança do soldado “saiu sangue e água”, recorda Francisco, e “este é o mistério de Cristo”, na celebração de hoje, de um “coração que ama, que escolhe, que é fiel” e “se une a nós, se revela aos pequenos, chama os pequenos, e se faz pequeno”:

“Cremos em Deus, sim; sim, também em Jesus, sim … ‘Jesus é Deus?’ – ‘Sim’. Mas o mistério é este. Esta é a manifestação, esta é a glória de Deus. Fidelidade ao escolher, no prender-se e pequenez também por si mesmo: tornar-se pequeno, aniquilar-se. O problema da fé é o núcleo da nossa vida: podemos ser muito, muito virtuosos, mas sem ou pouca fé; devemos começar a partir daqui, a partir do mistério de Jesus Cristo que nos salvou com a sua fidelidade”.

A oração final é para que o Senhor nos conceda a graça de celebrar no coração de Jesus Cristo, “os grandes gestos, as grandes obras de salvação, as grandes obras da redenção”. (Fonte: SP/ Rádio Vaticano)

Em sua catequese da Audiência Geral desta quarta-feira, o papa Francisco falou sobre os santos, “testemunhas e companheiros de esperança”.

O Pontífice recordou que se pode alcançar a santidade cumprindo com o dever de cada dia com o coração aberto a Deus. “Não pensemos que é uma coisa difícil, que é mais fácil ser delinquente que santo! Não. É possível ser santos porque nos ajuda o Senhor; é Ele que nos ajuda”.

A seguir, o texto completo da catequese do papa Francisco:

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

No dia do nosso Batismo, ressoou para nós a invocação dos santos. Muitos de nós, naquele momento, éramos crianças, portanto, nos braços dos pais. Pouco antes de fazer a unção com o óleo dos catecúmenos, símbolo da força de Deus na luta contra o mal, o sacerdote convidou toda a assembleia a rezar por aqueles que estavam para receber o Batismo, invocando a intercessão dos santos. Aquela era a primeira vez em que, no curso da nossa vida, nos era presenteada esta companhia dos irmãos e irmãs “maiores” – os santos – que passaram pela nossa mesma estrada, que conheceram nossos mesmos cansaços e vivem para sempre no abraço de Deus. A Carta aos Hebreus define esta companhia que nos circunda com a expressão “multidão de testemunhas” (12, 1). Assim são os santos: uma multidão de testemunhas.

Os cristãos, no combate contra o mal, não se desesperam. O cristianismo cultiva uma incurável confiança: não crê que as forças negativas e que dividem possam prevalecer. A última palavra sobre a história do homem não é o ódio, não é a morte, não é a guerra. Em todo momento da vida nos assiste a mão de Deus e também a discreta presença de todos os crentes que “nos precederam com o sinal da fé” (Canone Romano). A existência deles nos diz, antes de tudo, que a vida cristã não é um ideal inatingível. E junto nos conforta: não estamos sozinhos, a Igreja é feita de inúmeros irmãos, muitas vezes anônimos, que nos precederam e que pela ação do Espírito Santo estão envolvidos nos eventos de quem ainda vive aqui embaixo.

A do Batismo não é a única invocação dos santos que marca o caminho da vida cristã. Quando dois noivos consagram o seu amor no sacramento do Matrimônio, é invocada de novo para eles – desta vez como casal – a intercessão dos santos. E esta invocação é fonte de confiança para os dois jovens que partem para a “viagem” da vida conjugal. Quem ama verdadeiramente tem o desejo e a coragem de dizer “para sempre” – “para sempre” – mas sabe ter necessidade da graça de Cristo e da ajuda dos santos para poder viver a vida matrimonial para sempre. Não como alguns dizem: “até que o amor dure”. Não: para sempre! Do contrário é melhor que não se case. Ou para sempre ou nada. Por isso na liturgia nupcial se invoca a presença dos santos. E nos momentos difíceis é preciso ter a coragem de levantar os olhos para o céu, pensando em tantos cristãos que passaram pela tribulação e preservaram brancas suas vestes batismais, lavando-as no sangue do Cordeiro (cfr Ap 7, 14): assim diz o Livro do Apocalipse. Deus nunca nos abandona: toda vez que temos necessidade virá um anjo seu a nos levantar e infundir consolação. “Anjos” algumas vezes com uma face e um coração humanos, porque os santos de Deus estão sempre aqui, escondidos no meio de nós. Isso é difícil de entender e também de imaginar, mas os santos estão presentes na nossa vida. E quando alguém invoca um santo ou uma santa, é justamente porque está próximo a nós.

Também os sacerdotes preservam a recordação de uma invocação dos santos pronunciada sobre eles. É um dos momentos mais tocantes da liturgia da ordenação. Os candidatos se prostram por terra com o rosto na direção do pavimento. E toda a assembleia, guiada pelo bispo, invoca a intercessão dos santos. Um homem ficaria esmagado sob o peso da missão que lhe é confiada, mas sentindo que todo o paraíso está em suas costas, que a graça de Deus não faltará porque Jesus permanece sempre fiel, então sim pode partir sereno e reforçado. Não estamos sozinhos.

E o que somos nós? Somos pó que aspira ao céu. Frágeis as nossas forças, mas poderoso o mistério da graça que está presente na vida dos cristãos. Somos fiéis a esta terra, que Jesus amou em cada instante da sua vida, mas sabemos e queremos esperar na transfiguração do mundo, na sua realização definitiva onde finalmente não haverá mais lágrimas, maldades e sofrimento.

Que o Senhor dê a todos nós a esperança de ser santos. Mas alguém de vocês poderá me perguntar: “Padre, se pode ser santo na vida de todos os dias?”. Sim, se pode. “Mas isso significa que devemos rezar o dia inteiro?”. Não, significa que você deve fazer o teu dever todo o dia: rezar, ir para o trabalho, cuidar dos filhos. Mas é preciso fazer tudo com o coração aberto para Deus, de modo que o trabalho, mesmo na doença e no sofrimento, mesmo na dificuldade, seja aberto a Deus. E assim se pode tornar santo. Que o Senhor nos dê a esperança de sermos santos. Não pensemos que é uma coisa difícil, que é mais fácil ser delinquente que santo! Não. É possível ser santos porque nos ajuda o Senhor; é Ele que nos ajuda.

É o grande presente que cada um de nós poderá dar ao mundo. Que o Senhor nos dê a graça de acreditar tão profundamente Nele chegando a se tornar imagem de Cristo para este mundo. A nossa história precisa de “místicos”: pessoas que rejeitam qualquer domínio, que aspiram à caridade e à fraternidade. Homens e mulheres que vivem aceitando também uma porção de sofrimento, porque carregam também a fadiga de outros. Mas sem esses homens e mulheres o mundo não teria esperança. Por isso desejo a vocês – e desejo a mim também – que o Senhor nos dê a esperança de sermos santos.

Obrigado!

(Fonte: ACIDigital com tradução de Canção Nova)

0 493

Quarta-feira,  28 de junho, às 16 horas, (11 da manhã, hora de Brasília) na Basílica Vaticana, o papa Francisco presidirá um Consistório ordinário público para a criação de novos cardeais, para a imposição do barrete, a entrega do anel e a atribuição do título ou diaconia. O anúncio foi feito pelo Escritório de Celebrações Litúrgicas Pontifícias.

As visitas de cortesia aos novos Cardeais terão lugar no mesmo dia, das 18 às 20 horas, no átrio da Sala Paulo VI. Quinta-feira, dia 29 de junho, às 9h30, (4h30, hora de Brasília) na Basílica Vaticana, o Santo Padre abençoará os sagrados Pálios, destinados aos novos arcebispos metropolitanos, e celebrará a Santa Missa da Solenidade dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo. A Rádio Vaticano transmite, ao vivo, as duas celebrações com comentários em português. (Fonte: SP/Rádio Vaticano)

No nosso espaço Memória Histórica – 50 anos do Concílio Vaticano II, vamos continuar a tratar no programa de hoje sobre a renovação litúrgica trazida pela Constituição dogmática Sacrosanctum Concilium.

No programa passado, vimos como a liturgia é a celebração por excelência do Mistério Pascal de Cristo agora realizado em nossas vidas, em nossa história concreta, na atualidade da vida concreta dos que ali celebram a salvação.

De fato, a Constituição dogmática Sacrosanctum Concilium – promulgada pelo papa Paulo VI em 4 de dezembro de 1963 – afirma que Jesus instituiu o sacrifício da Santa Missa, a fim de perpetuar nos séculos, até a sua volta, o sacrifício da cruz. Assim, a obra de salvação continuada pela Igreja realiza-se na liturgia.

No programa de hoje, padre Gerson Schmidt, que tem nos acompanhado neste percurso dos documentos conciliares, no traz a primeira parte da reflexão “Atualização do mistério pascal em cada liturgia”:

“Padre Pedro Mosén Farnés, falecido em 24 de março deste ano, em Barcelona, foi um dos grandes liturgistas e expoentes do Concílio Vaticano II para trazer a renovação litúrgica, que é proposta na Sacrosanctum Concilium – a constituição dogmática pilar de toda a valorização e renovação dos sacramentos e, no centro disso, a Pascoa, a vigília Pascal por excelência e a Eucaristia, como Mistério Pascal.

O esplendor da Liturgia centrou-se nesse foco – o Mistério Pascal. Aqui não se trata de que na liturgia Cristo estivesse simplesmente presente para me ajudar, mas que nela está a Ressurreição de Cristo, que te convida a entrar na morte com Ele, para com Ele ressuscitar. Se não entro nesse dinâmica renovadora da liturgia, os sacramentos serão ritos exteriores e eu serei um mero expectador, da mesma forma como vou a um cinema assistir um filme que pode até me envolver emocionalmente, mas serem apenas sou um assistente, um mero expectador de um fato alheio a minha vida e história.

A Constituição Dogmática Lumen Gentium, no número 03, diz com clareza essa atualização da liturgia em nossa história e vida pessoal e comunitária: “todas as vezes que se celebra no altar o sacrifício da cruz, pela qual Cristo, nossa páscoa, foi imolado, atualiza-se a obra da nossa redenção”(LG  03). (É convenienterepetir aqui esse texto para o ouvinte).

Três comentários palavras aqui queremos comentar desse texto da Lumen Gentium. Primeiro: A palavra sacrifício, para ser referendada à Santa Missa, deve aqui ser bem entendida. Na religião pagã, a palavra é traduzida por “sacrumfacere”, ou seja, fazer o sagrado. A missa, sabemos não é apenas sacrifício, mas também banquete, festa, uma celebração que é memorial pascal, refeição alegre, festiva e atual da Páscoa de Jesus Cristo. Assim, a Eucaristia seria muito mais um “sacrificiumlaudis”, um louvor e uma rica ação de graças pela vitória de Cristo sobre a morte. O sacrifício da cruz tem razão de ser em vista da Ressurreição, da festiva passagem (Pessach) da morte para a vida.  O caráter sacrifical da missa, demasiadamente penitencial, foi acentuado por uma época na Igreja.

Quando é usado o termo na liturgia, usado também pelo papa João XXIII, não é em sentido absoluto, mas como um dos aspectos do Mistério de Cristo, em sua oferta na cruz como sacrifício único e total. São Cipriano afirma: “e uma vez que, em todos os sacrifícios, nós fazemos a memória da paixão de Cristo – é de fato a paixão de Cristo que nós oferecemos – nós não podemos fazer diferente do que Ele fez” (Carta, 63,17). Por isso, a Eucaristia não é um sacrifício do fiel a Deus, mas de Deus ao fiel. Precisamos tirar a ideia pagã do sacrifício que aplacaria a ira de Deus, como os antigos holocaustos e sacrifícios judaicos. O grande sacrifício na eucaristia não somos nós que fazemos. É claro que oferecemos nosso coração, nossa vida. Mas o único e grande sacrifício que acontece na liturgia é a que Jesus Cristo fez uma vez por todas, até a morte, no altar da cruz”.  (Fonte: Rádio Vaticano)

Os santos, testemunhas e companheiros de esperança: este foi o tema da catequese do Papa Francisco na Audiência Geral nesta quarta-feira (21), na Praça S. Pedro.

Na penúltima audiência antes da pausa de verão, havia na Praça cerca de 15 mil fiéis, entre os quais grupos das dioceses de Bom Jesus do Gurgueia (PI), Jundiaí, São Carlos e Santo André.

A essa multidão, o Pontífice recordou os momentos na vida cristã em que invocamos a intercessão dos santos: durante o Batismo, o Matrimônio e a ordenação sacerdotal.

O Cristianismo cultiva uma incurável confiança: não acredita que as forças negativas e desagregadoras possam prevalecer. “A última palavra na história do homem não é o ódio, não é a morte, não é a guerra”, disse o papa. Em cada momento da vida cristã, nos assiste a mão de Deus e também a discreta presença de todos os fiéis que nos precederam. Antes de tudo, a existência dos santos nos diz que a vida cristã não é um ideal inalcançável. E nos conforta: não estamos sós, a Igreja é feita de inúmeros irmãos, com frequência anônimos, que nos precederam e que, por ação do Espírito Santo, estão envolvidos nos acontecimentos de quem ainda vive aqui. Os esposos sabem que precisam da graça de Deus e da ajuda dos santos para dizer “para sempre”. “Não é como alguns dizem, ‘até que o amor dure’. Para sempre ou nada. Do contrário, é melhor não se casar”, exortou Francisco.

No momentos difíceis, acrescentou Francisco, é preciso ter a coragem de elevar os olhos ao céu, pensando nos muitos cristãos que passaram por atribulações. Deus jamais nos abandona: toda vez que precisarmos, virá um anjo para nos consolar. “Anjos” algumas vezes com um rosto e um coração humanos, porque os santos de Deus estão sempre aqui, escondidos no meio de nós. “Isso é difícil de entender e imaginar. Mas os santos estão presentes na nossa vida”, destacou o pontífice, que concluiu:

“Que o Senhor nos doe a esperança de sermos santos. É o grande presente que cada um de nós pode dar ao mundo. Alguém poderá me perguntar: mas é possível ser santo na vida de todos os dias? Ser santo não significa rezar o tempo todo, mas fazer o seu dever. Rezar, trabalhar, cuidar dos filhos, mas fazer tudo com o coração aberto a Deus. Assim nos tornaremos santos. É possível. Não é difícil. É mais fácil ser santo do que delinquente. É possível porque o Senhor nos ajuda.”

Que o Senhor nos dê a graça de acreditar tão profundamente Nele, a ponto de nos tornar imagem de Cristo para este mundo. “Que o Senhor doe a vocês e a mim também a esperança de sermos santos.”

Ao final da catequese, o papa concedeu a todos a sua bênção apostólica. (Fonte: Rádio Vaticano)

O papa afirmou hoje (20) que é preciso “devolver a palavra” e respeitar a dignidade dos mais pobres, numa visita à localidade italiana de Barbiana, onde homenageou o padre Lorenzo Milani (1923-1967).

“É preciso devolver a palavra aos pobres, porque sem a palavra não há dignidade e, portanto, não há liberdade nem justiça”, defendeu Francisco nesta localidade, território da Arquidiocese de Florença.

O papa esteve no norte da Itália para uma homenagem pessoal a dois sacerdotes católicos do século XX, Primo Mazzolari (1890-1959) e, mais tarde, o padre Lorenzo Milani, por ocasião do 50º aniversário da sua morte.

Na sua última intervenção, Francisco sublinhou que a palavra que “pode abrir caminho para a plena cidadania na sociedade, através do trabalho, e para a plena pertença à Igreja, com uma fé consciente”.

“No nosso tempo, só a possibilidade de ter a palavra pode permitir o discernimento de tantas e, muitas vezes, confusas mensagens que chovem agora”, prosseguiu.

O papa apelou a uma “plena humanização” para cada pessoa nesta terra, defendendo o direito “ao pão, à casa, ao trabalho, à família” e à “possa da palavra, como instrumento de liberdade e de fraternidade”.

Francisco chegou a Barbiana vindo de Bozzolo, de helicóptero, e recolheu-se de imediato em oração junto do túmulo do padre Milani.

Já na praça junto à igreja paroquial, o papa dirigiu-se aos presentes para pedir amor pela Igreja e atenção aos “mais pobres e frágeis, seja na vida social como na vida pessoal e religiosa”.

A intervenção evocou o padre Lorenzo Milani como um sacerdote que “testemunhou como no dom de si a Cristo se encontram os irmãos nas suas necessidades”.

A visita contou com a presença de antigos discípulos e alunos do sacerdote florentino, que o Papa citou: “Aprendi que os problemas dos outros são iguais aos meus. Sair deles juntos é política. Sair sozinho deles é mesquinhez”.

Francisco falou depois aos padres presentes, aos quais pediu que tenham “sede de Absoluto” e vivam com a força da fé e da caridade.

Antes de fechar o seu discurso, o pontífice quis sublinhar que a sua visita quis ser um reconhecimento da “fidelidade ao Evangelho e retidão da ação pastoral” do padre Lorenzo Milani, que nem sempre terá sido compreendida.

“A Igreja reconhece nesta vida um modo exemplar de servir o Evangelho, os pobres e a própria Igreja”, insistiu.

Após este encontro, Francisco regressou ao Vaticano, concluindo assim uma viagem que partiu da sua própria iniciativa. (Fonte: OC/ Agência Ecclesia)

0 367

“Uma cultura sem raízes, uma família sem raízes é uma família sem história, sem memória”. Foi o que disse o Papa na abertura do Congresso diocesano de Roma, na Basílica de S. João de Latrão, na noite de segunda-feira (19). Francisco também convidou a estar ao lado dos adolescentes, recordando que esta fase da vida é ‘difícil’, mas não é uma ‘patologia.

A oração em ‘romanesco’

O Congresso diocesano deste ano tem como tema “Acompanhar os pais na educação dos filhos adolescentes”. Dirigindo-se às famílias, o papa disse: “Vocês vivem as tensões desta grande cidade: o trabalho, a distâncias, o tempo reduzido, o dinheiro que nunca é suficiente. Por isso, para simplificar, rezem em dialeto, pensando nas suas famílias e em como formar seus filhos no âmbito desta realidade”.

Atenção à sociedade ‘desenraizada’

“Muitas vezes – disse o papa – oferecemos a nossos filhos uma formação excessiva em campos que consideramos importantes para seu futuro e pretendemos que eles deem o máximo. Mas não damos tanta importância ao fato que devem conhecer sua terra, suas raízes”.

Adolescência, fase de crescimento para os jovens

Para o papa, a adolescência “é um tempo precioso na vida dos filhos; um tempo difícil, de mudanças e instabilidade… uma fase que traz riscos e dúvidas, mas crescimento para eles e para toda a família”.

Francisco disse também que lhe preocupa a tendência atual dos pais de ‘medicar’ precocemente os jovens. “Parece que tudo se resolve medicando ou controlando tudo com o slogan ‘desfrutar o tempo ao máximo’ e assim, a agenda dos jovens fica pior do que a de um executivo”. Portanto, “a adolescência não é uma patologia que precisamos combater; faz parte do crescimento natural”.

“Eles querem se sentir – logicamente – protagonistas”, “procuram muitas vezes sentir aquela ‘vertigem’ que os faça sentir vivos”. “Assim, temos que encorajá-los a transformar seus sonhos em projetos! Proponhamos grandes objetivos e ajudemo-los a realizá-los!”.

Atenção à juventude eterna e ao consumismo

“Hoje há uma espécie de competição entre pais e filhos: o paradigma e modelo de sucesso é ‘a eterna juventude’. Ao que parece, crescer e envelhecer é ‘um mal’, é sinônimo de frustração e de uma vida acabada. Tudo deve ser mascarado e dissimulado”. “Como é triste que as pessoas façam ‘lifting’ no coração! É doloroso que se queira cancelar as rugas dos encontros, das alegrias e tristezas!”.

O outro perigo é o consumismo

“Educar à austeridade é uma riqueza incomparável. Desperta a criatividade, gera possibilidades e especialmente, abre ao trabalho em grupo, à solidariedade; abre aos outros”.

O agradecimento ao Cardeal Vallini

Enfim, o papa agradeceu o cardial Agostino Vallini, que deixa seu cargo de vigário-geral de Roma a dom Angelo De Donatis. “Nestes anos – disse Francisco – o cardial Vallini “me manteve com os pés no chão”. (Fonte: Rádio Vaticano)

0 448

Na Basílica de São João de Latrão, onde esteve para abertura do Congresso Eclesial da Diocese de Roma, o Papa Francisco se reuniu ontem (19) com um grupo de 121 refugiados hóspedes de 38 paróquias romanas.

Participaram do encontro o cardeal Agostino Vallini, vigário-geral de Roma, e o diretor da Caritas diocesana, mons. Enrico Feroci.

Francisco elogiou este trabalho de fraternidade, que vai além das religiões:

“Obrigado a quem os acolheu e a vocês,  que aceitaram ser acolhidos”, disse ao grupo, destacando o ‘belo exemplo’ dado por estas comunidades paroquiais, que aderiram ao seu chamado no Angelus de 6 de setembro de 2015.

Naquela ocasião, o Papa exortou as paróquias e institutos religiosos do mundo a acolher famílias de refugiados de guerras e violências.

A partir deste apelo, a Caritas de Roma promoveu dois projetos de acolhimento extensivo: “Era estrangeiro e vocês me hospedaram” e “Pró-teto: refugiado em minha casa”, que criam oportunidades de hospitalidade de requerentes de asilo e refugiados em paróquias, institutos religiosos e famílias romanas.

No encontro, Francisco recordou as pessoas que fogem da violência e das perseguições e deixou votos de que estas histórias de dor e esperança se transformem em oportunidades de encontro fraterno e verdadeiro conhecimento recíproco.

O papa ainda recebeu um cartaz das mãos de cinco crianças, em que constavam agradecimentos em diversos idiomas.

Obrigado papa Francisco por abrir o seu coração e as portas da Igreja”, dizia uma das mensagens.  (Fonte: Rádio Vaticano)

0 471

O papa Francisco recebeu em audiência na manhã deste sábado (17), no Vaticano, a chanceler alemã, Angela Merkel, que, a seguir, foi recebida também pelo cardeal Secretário de Estado, Pietro Parolin, acompanhado por dom Paul Richard Gallagher, secretário para as Relações com os Estados.

Durante os cordiais colóquios foram destacadas as boas relações e a frutuosa colaboração entre a Santa Sé e a Alemanha como também as questões de comum interesse, com particular atenção para a próxima reunião do G20, em Hamburgo.

Além do mais, foi ressaltada a necessidade de se dedicar especial atenção também à responsabilidade da Comunidade Internacional para combater a pobreza e a fome, a ameaça global do terrorismo e as mudanças climáticas.

Por fim, foi reservada uma particular recordação ao ex-Chanceler Federal, Helmut Kohl, falecido nesta sexta-feira (16) e à sua incansável obra em favor da reunificação da Alemanha e a unidade da Europa.

Bergoglio tinha já encontrado a chanceler outras 5 vezes; no dia do início de seu Pontificado, em São Pedro no dia 19 de março de 2013; depois outras duas audiências de mais de 40 minutos, no dia 18 de maio do mesmo ano e no dia 21 de fevereiro de 2015, e ainda quando o papa recebeu líderes europeus e responsáveis do Prêmio Carlos Magno que lhe foi outorgado no dia 6 de maio de 2016. A quinta visita, no dia 24 de março para a audiência aos líderes da União Europeia vindos a Roma para os 60 anos dos Tratados assinados na capital italiana.

Em 2015, antes da Cúpula do G7 realizada na Baviera, os dois responsáveis trataram de algumas questões internacionais, com especial referência à luta contra a pobreza e a fome; a exploração de seres humanos e os direitos das mulheres; os desafios da saúde global e da salvaguarda da criação. Angela Merkel entregou a Francisco uma doação em dinheiro para ajudar as crianças refugiadas e ainda um conjunto de discos do compositor alemão evangélico Johann Sebastian Bach.

Já em 2013, o tema central do encontro foi a situação sociopolítica, econômica e religiosa na Europa, com referências à proteção dos Direitos Humanos e às questões das perseguições contra os cristãos, da liberdade religiosa e da colaboração internacional para a promoção da paz.

A chanceler alemã permaneceu no Vaticano por cerca de uma hora e meia. Além do encontro com o Papa e com o Secretário de Estado, Pietro Parolin, a Senhora Merkel visitou o Campo Santo teutônico, dentro da Cidade do Vaticano, próximo à Sala Paulo VI, onde surge um Centro cultural alemão dedicado a Bento XVI. (Fonte: SP/ Rádio Vaticano)

“Tomar consciência de sermos frágeis, vulneráveis e pecadores: somente a potência de Deus salva e cura. Foi a exortação do Papa Francisco na homilia da missa celebrada nesta sexta-feira (16) na Casa Santa Marta.

Nenhum de nós ‘pode se salvar sozinho’: precisamos do poder de Deus para sermos salvos. O papa Francisco refletiu sobre a Segunda carta aos Coríntios, em que o apóstolo fala do mistério de Cristo dizendo “temos um tesouro em vasos de barro” e exorta todos a tomar consciência de serem ‘barro, frágeis e pecadores’: sem o poder de Deus – recordou, não podemos prosseguir. “Temos este tesouro de Cristo – explicou o Francisco – em nossa fragilidade… nós somos barro”, porque é o poder, a força de Deus que nos salva, que nos cura, que nos ergue. É esta, no fundo, a realidade de nossa fraqueza”.

A dificuldade de admitir nossa fragilidade

“Todos nós somos vulneráveis, frágeis, fracos, e precisamos ser curados. Ele nos diz: somos afligidos, abalados, perseguidos, atingidos: é a manifestação da nossa fraqueza, é a nossa vulnerabilidade. E uma das coisas mais difíceis na vida é admitir a própria fragilidade. Às vezes, tentamos encobri-la para que não se veja; ou mascará-la, ou dissimular… O próprio Paulo, no início deste capítulo, diz: ‘Quando caí em dissimulações vergonhosas’. Dissimular é vergonhoso sempre. É hipocrisia”.

Além da ‘hipocrisia com os outros’ – prosseguiu Francisco – existe também a ‘comparação com nós mesmos’, ou seja, quando acreditamos ‘ser outra coisa’, pensando ‘não precisar de curas ou apoio’. Quando dizemos: “não sou feito de barro, tenho um tesouro meu”.

“Este é o caminho, é a estrada rumo à vaidade, à soberba, à autorreferencialidade daqueles que não se sentindo de barro, buscam a salvação, a plenitude de si mesmos. Mas o poder de Deus é o que nos salva, porque Paulo reconhece a nossa vulnerabilidade:

Paulo e a vergonha da dissimulação

‘Somos afligidos de todos os lados, mas não vencidos pela angústia. Existe algo em Deus que nos dá esperança. Somos postos entre os maiores apuros, mas sem perder a esperança; perseguidos, mas não desamparados; derrubados, mas não aniquilados’. É o poder de Deus que nos salva. Sempre existe esta relação entre o barro e o poder, o barro e o tesouro. Nós temos um tesouro em vasos de barro, mas a tentação é sempre a mesma: cobrir, dissimular, não admitir que somos barro… a hipocrisia em relação a nós mesmos”.

O apóstolo Paulo – destacou o papa – com este modo de pensar, de raciocinar, de pregar a Palavra de Deus, nos conduz a um diálogo entre o tesouro e a argila. Um diálogo que continuamente devemos fazer para sermos honestos”. Francisco citou o exemplo da confissão, ‘quando dizemos os pecados como se fossem uma lista de preços no supermercado’, pensando em “clarear um pouco o barro” para sermos mais fortes. Ao invés, temos que aceitar a fraqueza e a vulnerabilidade, mesmo que seja difícil fazê-lo: é aqui que entra em jogo a ‘vergonha’.

“É a vergonha, aquilo que aumenta o coração para deixar entrar o poder de Deus, a força de Deus. A vergonha de ser barro e não um vaso de prata ou de ouro. De ser de argila. E se chegarmos a este ponto, seremos felizes. O diálogo entre o poder de Deus e o barro. Por exemplo, no lava-pés, quando Jesus se aproxima de Pedro e este lhe diz: ‘Não, a mim não Senhor, por favor’. O que? Pedro não tinha entendido que era de barro, que precisava do poder do Senhor para ser salvo”.

Reconhecer nossas fragilidades e obter a salvação

É na generosidade que reconhecemos ser vulneráveis, frágeis, fracos, pecadores. Somente quando aceitamos ser de barro – concluiu Francisco – “o extraordinário poder de Deus virá a nós e nos dará a plenitude, a salvação, a felicidade, a alegria de sermos salvos, recebendo assim a alegria de sermos ‘tesouro’ do Senhor.  (Fonte: Rádio Vaticano)

Galeria de Fotos