Vaticano

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VATICANO, 28 Abr. 14 / 10:13 am (ACI/EWTN Noticias).-

Centenas de milhares de peregrinos que pernoitaram no Vaticano para participar da cerimônia de canonização dos Papas João Paulo II e João XXIII, organizaram-se em filas para visitar os túmulos dos dois novos santos dentro da Basílica de São Pedro.


Para que todos os peregrinos de Roma pudessem parar alguns minutos em oração ante o túmulo dos novos papas santos, a Basílica de São Pedro permaneceu aberta até às 10 da noite.


Os peregrinos despertaram a cidade de Roma com cânticos de louvor a Deus em direção à Praça de São Pedro e para os principais pontos da cidade, adaptados para a ocasião, com telões que retransmitiram a cerimônia ao vivo.


Em declarações ao Grupo ACI/EWTN Notícias, Feli Peñaranda, peregrina da Venezuela, explicou que foi uma das experiências mais emocionantes da sua vida. “Entramos às 5h30 da manhã (hora local) na Praça de São Pedro e foi uma experiência maravilhosa de fé. Eu peço a São João Paulo II que sempre proteja e acompanhe esta juventude para que sempre caminhemos por este caminho na fé e a João XXIII que sempre nos guia e interceda por nós”.


As bandeiras da Polônia foram as protagonistas da festa, mas também haviam outras, como a da Venezuela, Colômbia, Peru, Chile, Brasil, Argentina, Espanha ou Líbano.


Da Praça de São Pedro, a Madre Doris Bustamante Ugarte, das Filhas da Divina Providência, e proveniente do Peru, explicou ao Grupo ACI/EWTN Notícias que depois da canonização se dirigirá a orar diante dos dois Papas. “Chegamos às 3h da madrugada, estamos cansadíssimas, mas vale a pena viver um acontecimento assim tão importante para a Igreja. Estar na canonização de dois Papas é uma coisa indescritível, algo muito grande, e tenho que agradecer Deus. No meu coração só há palavras de agradecimento ao Senhor”, disse.


O jovem João Paulo Soteldo, batizado com este nome em homenagem ao novo santo polonês, explicou ao Grupo ACI/EWTN Notícias que “é um orgulho levar o nome de um Papa tão importante para a Igreja”. “Agora iremos visitar o seu túmulo em São Pedro”, acrescentou.


“Estivemos fazendo adoração e depois viemos para esperar para entrar na basílica. É um momento histórico, nunca houve a canonização de dois Papas ao mesmo tempo. João Paulo II foi o nosso Papa e sempre nos disse que abríssemos as portas a Cristo e que não tivéssemos medo”, disse Esther García ao Grupo ACI/EWTN Notícias, natural da Espanha e que chegou acompanhada por um grupo de 55 jovens.

 

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canonização de João Paulo II, canonização de João XXIII, canonização

FONTE: http://www.acidigital.com/noticia.php?id=27049

Papa celebra missa Crismal esta manhã e fala especialmente aos sacerdotes sobre a alegria sacerdotal

Na manhã desta Quinta-feira Santa, o Papa Francisco presidiu a Santa Missa Crismal na Basílica de São Pedro.

Hoje é dia de fazer memória a Instituição Sacerdotal. Dia em que cada sacerdote relembra sua ordenação. “O Senhor nos ungiu em Cristo com o óleo da alegria e esta unção nos convida a receber e nos carregar deste grande dom: a alegria, o gozo sacerdotal. A alegria do sacerdote é um bem precioso, não apenas para ele, mas também para todos os fiéis: o povo fiel em meio ao qual é chamado o sacerdote para ser ungido e ao qual é convidado a ungir”, disse o Papa.

“Penso que não exageramos se dizemos que o sacerdote é uma pessoa muito pequena: a incomensurável grandeza do dom que nos é dado para o ministério, é para os menores dos homens. O sacerdote é o mais pobre dos homens, se Jesus não o enriquece com a Sua pobreza; é o mais inútil servo, se Jesus não o chama de amigo; o mais tolo dos homens, se Jesus não o instrui pacientemente como Pedro; o mais indefeso dos cristãos, se o Bom Pastor não o fortifica em meio ao rebanho”, prossegue o Papa.

O Papa deu três características significativas da alegria sacerdotal:
Alegria que unge
Alegria incorruptível
Alegria missionária

O Papa Francisco continuou com a explicação: Alegria que unge. “Os sinais da liturgia da ordenação nos falam do desejo materno que tem a Igreja de transmitir e comunicar tudo aquilo que o Senhor nos deu: a imposição das mãos, a unção com o santo Crisma, o revestir com os paramentos sacros, a participação imediata a primeira Consagração. Diria: ungidos até o osso, a alegria que emana de dentro vem desta unção”.

Alegria incorruptível. “A integridade do Dom, a qual ninguém pode tirar ou acrescentar nada, é fonte incessante de alegria: uma alegria incorruptível, que o Senhor colocou”.

Alegria missionária. “A alegria do sacerdote é colocada em íntima relação com o santo pobre e fiel de Deus, porque se trata de uma alegria eminentemente missionária. A unção é para ungir o santo povo fiel de Deus: para batizar e confirmar, para curar e consagrar, para abençoar, para consolar e evangelizar”.

Após a homilia, os presbíteros fizeram a renovação das promessas sacerdotais. Em seguida, Francisco abençoou os óleos dos enfermos, dos catecúmenos e fez a consagração do Crisma.

Clarissa Oliveira

Fonte: http://www.aleteia.org/

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REDAÇÃO CENTRAL, 25 Mar. 14 / 11:13 am (ACI).-

O dia 25 de março é a data que a Igreja Católica celebra a Solenidade da Anunciação do Senhor, quer dizer, quando o Anjo Gabriel foi enviado a Nazaré para anunciar à Virgem Maria que seria a Mãe de Deus ao que Ela respondeu com o seu Fiat generoso: “’Eis aqui a serva do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra!” (Lc. 1,38).


Maria foi escolhida por Deus desde a eternidade para que por obra e Graça do Espírito Santo concebesse ao Senhor feito homem, Jesus, segunda pessoa da Santíssima Trindade. A Virgem diz sim a Deus e nesse momento se encarna no seio de Maria.

 

Com alegria contemplamos o Mistério do Deus Todo-Poderoso que na origem do Mundo Cria todas as coisas com a sua Palavra, porém desta vez escolhe depender da palavra de um frágil ser humano, a Virgem Maria, para poder realizar a Encarnação do Filho Redentor.












FONTE: http://www.acidigital.com/noticia.php?id=26888

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REDAÇÃO CENTRAL, 19 Mar. 14 / 10:05 am (ACI).-

Hoje 19 de março, a Igreja Universal celebra a festa do verdadeiro esposo virginal da Mãe de Deus, São José, o pai adotivo de Jesus Cristo, o varão prudente e justo que com paternal amor cuida do mundo inteiro.


São José, desde a eternidade, foi preparado por Deus para ser o protetor e custódio de Maria e de seu filho amado, como assinala o Beato João Paulo II na Exortação Apostólica Redemptoris Custos “São José foi chamado por Deus para servir diretamente a Pessoa e a missão de Jesus, mediante o exercício da sua paternidade: desse modo, precisamente, ele ‘coopera no grande mistério da Redenção, quando chega a plenitude dos tempos’”.


Este documento escrito com o fim de destacar a figura e a missão de São José na vida de Cristo e da Igreja, também assinala que a vida deste casto varão foi uma peregrinação de fé que se demonstra em sua obediência.


São José, o pai e patrono de todos os católicos, caracteriza-se porque sua vida e trabalho foi pura expressão de amor a Deus, também é conhecido como padroeiro dos operários e padroeiro da boa morte pois morreu junto a Jesus e Maria.


Na Carta Encíclica do Papa Leão XIII de 1889, chamada Quamquam Pluries, lê-se que “As razões pelas quais o Bem-aventurado José, deve ser considerado especial Patrono da Igreja, e a Igreja, por sua vez, deve esperar muitíssimo da sua proteção e do seu patrocínio, provêm principalmente do fato de ele ser esposo de Maria e pai adotivo de Jesus. Daqui derivam toda a sua grandeza, graça, santidade e glória”.



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São José, festas religiosas, Igreja Católica











FONTE: http://www.acidigital.com/noticia.php?id=26860

Após mais de 400 anos de espera, José de Anchieta será declarado santo pelo Papa Francisco, no dia 2 de abril, no Vaticano.  Considerado o “Apóstolo do Brasil”, ele foi beatificado em 22 de junho de 1980 pelo papa João Paulo II.  Para marcar a data, o Arcebispo de Montes Claros, Dom José Alberto Moura, celebrará uma Missa Solene, às 6 hs, na Catedral Metropolitana Nossa Senhora Aparecida e às 9 hs os sinos  irão tocar.

José de Anchieta nasceu em 19 de março de 1534 em Tenerife, Ilhas Canárias, Espanha. Em 1551 ingressou na Companhia de Jesus, em Portugal, e dois anos depois embarcou com destino ao Brasil, na comitiva de Duarte da Costa – segundo Governador Geral – para catequizar os índios.

Em 25 de janeiro de 1554 fundou, com o Pe. Manoel da Nóbrega, um colégio em Piratininga; aos poucos se formou um povoado ao redor do colégio, batizado por José de Anchieta, de São Paulo.

Foi mandado para São Vicente para catequizar os índios e com eles aprendeu a língua Tupi. Além de instruir os índios, Padre José de Anchieta foi professor dos noviços que entravam para a Companhia de Jesus no Brasil. Viveu em São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo. Em 1595 escreveu Arte da gramática da língua mais usada na costa do Brasil, a primeira gramática do Tupi – Guarani. É ainda autor de diversas poesias, cartas e autos. A poesia de José Anchieta é marcada por conceitos morais, espirituais e pedagógicos. Compôs primeiro em sua língua materna, o castelhano, e em latim e, posteriormente, traduziu para o português e para o tupi. Faleceu em 9 de junho de 1597 no Espirito Santo.

 

O papa prefacia o livro do cardeal Müller sobre a pobreza e a missão da Igreja

Quem de nós não se sente desconfortável até mesmo com a palavra “pobreza“? Há muitas formas de pobreza: física, econômica, espiritual, social, moral. O mundo ocidental identifica a pobreza principalmente com a falta de poder econômico e enfatiza negativamente essa condição. Seus governos, aliás, se baseiam essencialmente no enorme poder que o dinheiro tem hoje, um poder aparentemente superior a qualquer outro. É por isso que a falta de poder econômico significa irrelevância política, social e até mesmo humana. Quem não tem dinheiro só é levado em conta na medida em que pode servir a outros fins. Há muitas pobrezas, mas é a pobreza econômica que é vista com mais horror. Esta é uma grande verdade. O dinheiro é um instrumento que, de alguma forma, assim como a propriedade, prolonga e aumenta as capacidades da liberdade humana, permitindo-lhe operar no mundo, agir, dar frutos. Em si mesmo, é um instrumento bom, como quase todas as coisas de que o homem dispõe: é um meio que expande as nossas possibilidades. No entanto, esse meio pode se voltar contra o homem. O dinheiro e o poder econômico podem ser um meio que afasta o homem do homem, confinando-o num horizonte egocêntrico e egoísta.

A própria palavra aramaica que Jesus usa no Evangelho, “mammom”, ou seja, tesouro escondido (cf. Mt 6,24; Lc 16,13), é significativa: quando o poder econômico é um instrumento que produz tesouros que guardamos apenas para nós mesmos, escondendo-os dos outros, ele produz iniquidade, perde o seu originário valor positivo. A palavra grega usada por São Paulo em sua Carta aos Filipenses (cf. Fl 2, 6), “arpagmos”, também remete a um bem que se mantém zelosamente só para si, ou mesmo o fruto do que se roubou de outros. Isso acontece quando os bens são usados ​​por homens que conhecem a solidariedade apenas para o círculo, pequeno ou grande, dos próprios conhecidos, ou quando se trata de recebê-la, mas não de oferecê-la. Isso acontece quando um homem, tendo perdido a esperança no horizonte transcendente, perdeu também o gosto da gratuidade, o gosto de fazer o bem pela simples beleza de fazer o bem (cf. Lc 6, 33).

Já quando o homem é educado para reconhecer a fundamental solidariedade que o liga a todos os outros homens, e disso quem nos lembra é a Doutrina Social da Igreja, então ele bem sabe que não pode guardar para si os bens de que dispõe. Quando vive habitualmente na solidariedade, o homem sabe que o que nega aos outros e retém para si mesmo se voltará mais cedo ou mais tarde contra ele próprio. No fundo, Jesus alude a isto no Evangelho quando acena à ferrugem e à traça que arruínam as riquezas acumuladas de maneira egoísta (cf. Mt 6, 19-20; Lc 12, 33).

Quando, porém, os bens de que se dispõe são utilizados não apenas para satisfazer as próprias necessidades, eles se multiplicam e se espalham, dando muitas vezes um fruto inesperado. Há uma ligação original entre o lucro e a solidariedade, uma circularidade entre ganho e dom, que o pecado tende a romper e ofuscar. É tarefa dos cristãos redescobrir, viver e anunciar a todos esta valiosa e original unidade entre lucro e solidariedade. Como o mundo de hoje precisa redescobrir esta bela verdade! Quanto mais o mundo concordar em acertar as contas com este fato, mais diminuirão as pobrezas econômicas que tanto o afligem.

Mas não podemos nos esquecer de que não existem apenas as pobrezas relacionadas com a economia. É Jesus mesmo quem nos lembra, advertindo-nos, de que a nossa vida não depende apenas “dos nossos bens” (cf. Lc 12, 15). Originalmente, o homem é pobre, necessitado e indigente. Quando nascemos, precisamos, para viver, dos cuidados dos nossos pais, e, assim, em cada época e fase da vida, cada um de nós nunca será capaz de prescindir completamente da necessidade e da ajuda dos outros, nunca será capaz de se livrar do limite da impotência diante de alguém ou de alguma coisa. Esta também é uma condição que caracteriza o nosso “ser criaturas”: não fomos feitos por nós mesmos e, sozinhos, não podemos nos proporcionar tudo aquilo de que precisamos. O leal reconhecimento desta verdade nos convida a permanecer humildes e a praticar com coragem a solidariedade, como virtude indispensável ao próprio viver.

Em todo caso, dependemos de alguém ou de algo. Podemos viver esta realidade como uma fraqueza da vida ou como uma possibilidade, como um recurso para lidarmos com um mundo em que ninguém pode prescindir do outro, em que todos somos úteis e valiosos para todos, cada um à sua maneira. Não há como descobrir isto sem adotar uma práxis responsável e responsabilizadora, em vista de um bem que é, então, de verdade, indissociavelmente pessoal e comum. É evidente que essa práxis só pode surgir de uma nova mentalidade, da conversão a uma nova maneira de olharmos uns para os outros! Só quando o homem se concebe não como um mundo fechado em si mesmo, e sim como alguém que, pela sua natureza, está ligado a todos os outros, percebidos originariamente como “irmãos”, é que é possível uma práxis social em que o bem comum não é mera palavra vazia e abstrata!

Quando o homem se concebe e se educa para viver assim, a originária pobreza criatural não é mais vista como uma desvantagem, e sim como um recurso em que aquilo que enriquece cada um e é doado livremente se torna um bem e um dom para o benefício de todos. Esta é a luz positiva com que o Evangelho nos convida a olharmos para a pobreza. É esta luz que nos ajuda a entender por que Jesus transforma esta condição em uma autêntica “bem-aventurança”: “Bem-aventurados vós, os pobres!” (Lc 6, 20).

Mesmo fazendo tudo isso que está em nosso poder e evitando todas as formas de irresponsabilidade para com as nossas próprias fraquezas, não tenhamos medo de nos reconhecer necessitados e incapazes de nos dar tudo aquilo de que precisamos, pois, sozinhos e apenas com as nossas forças, não podemos superar todos os limites. Não tenhamos medo desse reconhecimento, porque Deus mesmo, em Jesus, se curvou (cf. Fil 2, 8) e se curva sobre nós e sobre a nossa pobreza, para nos ajudar e nos dar os bens que por nós mesmos nunca poderíamos ter.

É por isso que Jesus elogia os “pobres em espírito” (Mt 5, 3), ou seja, aqueles que olham assim para as suas necessidades e, necessitados que são, se confiam a Deus, sem medo de depender dele (cf. Mt 6, 26). De Deus podemos obter aquele Bem que nenhum limite pode obstaculizar, porque Ele é mais poderoso que qualquer limite e nos deu mostra disso ao vencer a morte! Deus, sendo rico, se fez pobre (cf. 2 Cor 8, 9) para nos enriquecer com os seus dons! Ele nos ama; cada fibra do nosso ser lhe importa; aos seus olhos, cada um de nós é único e tem um valor imenso: “Até os cabelos da vossa cabeça estão todos contados… Vós valeis mais do que muitos pardais” (Lc 12 ,7).

Fonte: http://www.aleteia.org/

Milhares de fiéis e peregrinos lotaram a Praça São Pedro e ruas adjacentes, neste domingo, 8 de dezembro, para rezar o Ângelus com o Papa Francisco, que, depois de saudar o Prefeito de Roma, Ignazio Marino, e outras autoridades, deu início à homenagem à Imaculada Conceição de Maria, celebrada solenemente por toda a Igreja neste dia.

Após a deposição de uma coroa de flores diante do monumento da Imaculada Conceição, foi lido um trecho do Apocalipse que narra a visão do sinal grandioso que apareceu no céu, a mulher vestida de sol, com a lua sob os pés e uma coroa de doze estrelas sobre a cabeça, ameaçada pelo dragão. Em seguida, pronunciou sua oração à Imaculada, transcrita a seguir:

“Virgem Santa e Imaculada,
a Ti, que és a honra do nosso povo,
e a defensora atenta da nossa cidade,
(a Ti) nos dirigimos com confiança e amor.

Tu és a Toda Bela, ó Maria!
Em Ti não há pecado.

Suscita em todos nós um renovado desejo de santidade: 
brilhe na nossa palavra o esplendor da caridade, 
habitem no nosso corpo pureza e castidade, 
torne-se presente na nossa vida toda a beleza do Evangelho

Tu és a Toda Bela, ó Maria,
Em Ti se fez carne a Palavra de Deus.

Ajuda-nos a permanecer na escuta atenta da voz do Senhor: 
nunca nos deixe indiferentes o grito dos pobres, 
não nos encontre distraídos o sofrimento dos doentes e dos carecidos, 
comovam-nos a solidão dos idosos e a fragilidade das crianças, 
seja sempre amada e venerada por todos nós cada vida humana.

Tu és a Toda Bela, ó Maria!
Em Ti, a alegria plena da vida bem-aventurada, com Deus

Faz com que não percamos o significado do nosso caminho terreno, 
ilumine os nossos dias a luz gentil da fé, 
oriente os nossos passos a força consoladora da esperança, 
anime o nosso coração o calor contagioso do amor
permaneçam os olhos de todos nós bem fixos em Deus, onde há a verdadeira alegria.

Amém!”

Fonte: www.portalum.com.br

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VATICANO, 26 Nov. 13 / 12:49 pm (ACI).-

A ACI Digital põe a disposição dos seus usuários e do público em geral o texto na íntegra da primeira exortação apostólica do Papa Francisco intitulada Evangelii Gaudium (O Gozo do Evangelho) sobre o anúncio do Evangelho no mundo atual.

O texto foi entregue no domingo 24 de novembro, durante o encerramento do Ano da Fé, a um grupo de 36 pessoas dos cinco continentes, de diferentes estados de vida, em representação de toda a Igreja.

A exortação apostólica, a primeira do Papa Francisco, está dividida em uma introdução e cinco capítulos cujos títulos são: “A transformação missionária da Igreja”, “Na crise do compromisso comunitário”, “O anúncio do Evangelho”, “A dimensão social da Evangelização” e “Evangelizadores com espírito”.

Segue abaixo a íntegra do texto:

Exortação Apostólica Evangelii Gaudium, do Papa Francisco

SOBRE O ANÚNCIO DO EVANGELHO NO MUNDO ATUAL

1. A ALEGRIA DO EVANGELHO enche o coração e a vida inteira
daqueles que se encontram com Jesus. Quantos se deixam salvar por Ele são
libertados do pecado, da tristeza, do vazio interior, do isolamento. Com Jesus
Cristo, renasce sem cessar a alegria. Quero, com esta Exortação, dirigir-me aos
fiéis cristãos a fim de os convidar para uma nova etapa evangelizadora marcada
por esta alegria e indicar caminhos para o percurso da Igreja nos próximos
anos.

I. Alegria que se renova e comunica

2. O grande risco do mundo actual, com sua múltipla e
avassaladora oferta de consumo, é uma tristeza individualista que brota do
coração comodista e mesquinho, da busca desordenada de prazeres superficiais,
da consciência isolada. Quando a vida interior se fecha nos próprios
interesses, deixa de haver espaço para os outros, já não entram os pobres, já
não se ouve a voz de Deus, já não se goza da doce alegria do seu amor, nem
fervilha o entusiasmo de fazer o bem. Este é um risco, certo e permanente, que
correm também os crentes. Muitos caem nele, transformando-se em pessoas
ressentidas, queixosas, sem vida. Esta não é a escolha duma vida digna e plena,
este não é o desígnio que Deus tem para nós, esta não é a vida no Espírito que
jorra do coração de Cristo ressuscitado.

3. Convido todo o cristão, em qualquer lugar e situação que
se encontre, a renovar hoje mesmo o seu encontro pessoal com Jesus Cristo ou,
pelo menos, a tomar a decisão de se deixar encontrar por Ele, de O procurar dia
a dia sem cessar. Não há motivo para alguém poder pensar que este convite não
lhe diz respeito, já que «da alegria trazida pelo Senhor ninguém é excluído».
Quem arrisca, o Senhor não o desilude; e, quando alguém dá um pequeno passo em
direcção a Jesus, descobre que Ele já aguardava de braços abertos a sua
chegada. Este é o momento para dizer a Jesus Cristo: «Senhor, deixei-me
enganar, de mil maneiras fugi do vosso amor, mas aqui estou novamente para
renovar a minha aliança convosco. Preciso de Vós. Resgatai-me de novo, Senhor;
aceitai-me mais uma vez nos vossos braços redentores». Como nos faz bem voltar
para Ele, quando nos perdemos! Insisto uma vez mais: Deus nunca Se cansa de
perdoar, somos nós que nos cansamos de pedir a sua misericórdia. Aquele que nos
convidou a perdoar «setenta vezes sete» (Mt 18, 22) dá-nos o exemplo: Ele
perdoa setenta vezes sete. Volta uma vez e outra a carregar-nos aos seus
ombros. Ninguém nos pode tirar a dignidade que este amor infinito e inabalável
nos confere. Ele permite-nos levantar a cabeça e recomeçar, com uma ternura que
nunca nos defrauda e sempre nos pode restituir a alegria. Não fujamos da
ressurreição de Jesus; nunca nos demos por mortos, suceda o que suceder. Que
nada possa mais do que a sua vida que nos impele para diante!

4. Os livros do Antigo Testamento preanunciaram a alegria da
salvação, que havia de tornar-se superabundante nos tempos messiânicos. O
profeta Isaías dirige-se ao Messias esperado, saudando-O com regozijo:
«Multiplicaste a alegria, aumentaste o júbilo» (9, 2). E anima os habitantes de
Sião a recebê-Lo com cânticos: «Exultai de alegria!» (12, 6). A quem já O
avistara no horizonte, o profeta convida-o a tornar-se mensageiro para os
outros: «Sobe a um alto monte, arauto de Sião! Grita com voz forte, arauto de
Jerusalém» (40, 9). A criação inteira participa nesta alegria da salvação:
«Cantai, ó céus! Exulta de alegria, ó terra! Rompei em exclamações, ó montes!
Na verdade, o Senhor consola o seu povo e se compadece dos desamparados» (49,
13).

Zacarias, vendo o dia do Senhor, convida a vitoriar o Rei que chega «humilde,
montado num jumento»: «Exulta de alegria, filha de Sião! Solta gritos de
júbilo, filha de Jerusalém! Eis que o teu rei vem a ti. Ele é justo e
vitorioso» (9, 9). Mas o convite mais tocante talvez seja o do profeta
Sofonias, que nos mostra o próprio Deus como um centro irradiante de festa e de
alegria, que quer comunicar ao seu povo este júbilo salvífico. Enche-me de vida
reler este texto: «O Senhor, teu Deus, está no meio de ti como poderoso
salvador! Ele exulta de alegria por tua causa, pelo seu amor te renovará. Ele
dança e grita de alegria por tua causa» (3, 17).

É a alegria que se vive no meio das pequenas coisas da vida quotidiana, como
resposta ao amoroso convite de Deus nosso Pai: «Meu filho, se tens com quê,
trata-te bem (…). Não te prives da felicidade presente» (Sir 14, 11.14). Quanta
ternura paterna se vislumbra por detrás destas palavras!

5. O Evangelho, onde resplandece gloriosa a Cruz de Cristo,
convida insistentemente à alegria. Apenas alguns exemplos: «Alegra-te» é a
saudação do anjo a Maria (Lc 1, 28). A visita de Maria a Isabel faz com que
João salte de alegria no ventre de sua mãe (cf. Lc 1, 41). No seu cântico,
Maria proclama: «O meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador» (Lc 1, 47). E,
quando Jesus começa o seu ministério, João exclama: «Esta é a minha alegria! E
tornou-se completa!» (Jo 3, 29). O próprio Jesus «estremeceu de alegria sob a
acção do Espírito Santo» (Lc 10, 21). A sua mensagem é fonte de alegria:
«Manifestei-vos estas coisas, para que esteja em vós a minha alegria, e a vossa
alegria seja completa» (Jo 15, 11). A nossa alegria cristã brota da fonte do
seu coração transbordante. Ele promete aos seus discípulos: «Vós haveis de
estar tristes, mas a vossa tristeza há-de converter-se em alegria» (Jo 16, 20).
E insiste: «Eu hei-de ver-vos de novo! Então, o vosso coração há-de alegrar-se
e ninguém vos poderá tirar a vossa alegria» (Jo 16, 22). Depois, ao verem-No
ressuscitado, «encheram-se de alegria» (Jo 20, 20). O livro dos Actos dos
Apóstolos conta que, na primitiva comunidade, «tomavam o alimento com alegria»
(2, 46). Por onde passaram os discípulos, «houve grande alegria» (8, 8); e
eles, no meio da perseguição, «estavam cheios de alegria» (13, 52). Um eunuco,
recém-baptizado, «seguiu o seu caminho cheio de alegria» (8, 39); e o
carcereiro «entregou-se, com a família, à alegria de ter acreditado em Deus»
(16, 34). Porque não havemos de entrar, também nós, nesta torrente de alegria?

6. Há cristãos que parecem ter escolhido viver uma Quaresma
sem Páscoa. Reconheço, porém, que a alegria não se vive da mesma maneira em
todas as etapas e circunstâncias da vida, por vezes muito duras. Adapta-se e
transforma-se, mas sempre permanece pelo menos como um feixe de luz que nasce
da certeza pessoal de, não obstante o contrário, sermos infinitamente amados.
Compreendo as pessoas que se vergam à tristeza por causa das graves
dificuldades que têm de suportar, mas aos poucos é preciso permitir que a
alegria da fé comece a despertar, como uma secreta mas firme confiança, mesmo
no meio das piores angústias: «A paz foi desterrada da minha alma, já nem sei o
que é a felicidade (…). Isto, porém, guardo no meu coração; por isso, mantenho
a esperança. É que a misericórdia do Senhor não acaba, não se esgota a sua
compaixão. Cada manhã ela se renova; é grande a tua fidelidade. (…) Bom é
esperar em silêncio a salvação do Senhor» (Lm 3, 17.21-23.26).

7. A tentação apresenta-se, frequentemente, sob forma de
desculpas e queixas, como se tivesse de haver inúmeras condições para ser
possível a alegria. Habitualmente isto acontece, porque «a sociedade técnica
teve a possibilidade de multiplicar as ocasiões de prazer; no entanto ela
encontra dificuldades grandes no engendrar também a alegria». Posso dizer que
as alegrias mais belas e espontâneas, que vi ao longo da minha vida, são as
alegrias de pessoas muito pobres que têm pouco a que se agarrar. Recordo também
a alegria genuína daqueles que, mesmo no meio de grandes compromissos
profissionais, souberam conservar um coração crente, generoso e simples. De
várias maneiras, estas alegrias bebem na fonte do amor maior, que é o de Deus,
a nós manifestado em Jesus Cristo. Não me cansarei de repetir estas palavras de
Bento XVI que nos levam ao centro do Evangelho: «Ao início do ser cristão, não
há uma decisão ética ou uma grande ideia, mas o encontro com um acontecimento,
com uma Pessoa que dá à vida um novo horizonte e, desta forma, o rumo
decisivo».

8. Somente graças a este encontro – ou reencontro – com o
amor de Deus, que se converte em amizade feliz, é que somos resgatados da nossa
consciência isolada e da auto-referencialidade. Chegamos a ser plenamente
humanos, quando somos mais do que humanos, quando permitimos a Deus que nos
conduza para além de nós mesmos a fim de alcançarmos o nosso ser mais
verdadeiro. Aqui está a fonte da acção evangelizadora. Porque, se alguém
acolheu este amor que lhe devolve o sentido da vida, como é que pode conter o
desejo de o comunicar aos outros?

II. A doce e reconfortante alegria de evangelizar

9. O bem tende sempre a comunicar-se. Toda a experiência
autêntica de verdade e de beleza procura, por si mesma, a sua expansão; e
qualquer pessoa que viva uma libertação profunda adquire maior sensibilidade
face às necessidades dos outros. E, uma vez comunicado, o bem radica-se e
desenvolve-se. Por isso, quem deseja viver com dignidade e em plenitude, não
tem outro caminho senão reconhecer o outro e buscar o seu bem. Assim, não nos
deveriam surpreender frases de São Paulo como estas: «O amor de Cristo nos
absorve completamente» (2 Cor 5, 14); «ai de mim, se eu não evangelizar!» (1
Cor 9, 16).

10. A proposta é viver a um nível superior, mas não com
menor intensidade: «Na doação, a vida se fortalece; e se enfraquece no
comodismo e no isolamento. De facto, os que mais desfrutam da vida são os que
deixam a segurança da margem e se apaixonam pela missão de comunicar a vida aos
demais». Quando a Igreja faz apelo ao compromisso evangelizador, não faz mais
do que indicar aos cristãos o verdadeiro dinamismo da realização pessoal: «Aqui
descobrimos outra profunda lei da realidade: “A vida se alcança e amadurece à
medida que é entregue para dar vida aos outros”. Isto é, definitivamente, a
missão». Consequentemente, um evangelizador não deveria ter constantemente uma
cara de funeral. Recuperemos e aumentemos o fervor de espírito, «a suave e
reconfortante alegria de evangelizar, mesmo quando for preciso semear com
lágrimas! (…) E que o mundo do nosso tempo, que procura ora na angústia ora com
esperança, possa receber a Boa Nova dos lábios, não de evangelizadores tristes
e descoroçoados, impacientes ou ansiosos, mas sim de ministros do Evangelho
cuja vida irradie fervor, pois foram quem recebeu primeiro em si a alegria de
Cristo».

Uma eterna novidade

11. Um anúncio renovado proporciona aos crentes, mesmo
tíbios ou não praticantes, uma nova alegria na fé e uma fecundidade
evangelizadora. Na realidade, o seu centro e a sua essência são sempre o mesmo:
o Deus que manifestou o seu amor imenso em Cristo morto e ressuscitado. Ele
torna os seus fiéis sempre novos; ainda que sejam idosos, «renovam as suas
forças. Têm asas como a águia, correm sem se cansar, marcham sem desfalecer»
(Is 40, 31). Cristo é a «Boa-Nova de valor eterno» (Ap 14, 6), sendo «o mesmo
ontem, hoje e pelos séculos» (Heb 13, 8), mas a sua riqueza e a sua beleza são
inesgotáveis. Ele é sempre jovem, e fonte de constante novidade. A Igreja não
cessa de se maravilhar com a «profundidade de riqueza, de sabedoria e de
ciência de Deus» (Rm 11, 33). São João da Cruz dizia: «Esta espessura de
sabedoria e ciência de Deus é tão profunda e imensa, que, por mais que a alma
saiba dela, sempre pode penetrá-la mais profundamente». Ou ainda, como afirmava
Santo Ireneu: «Na sua vinda, [Cristo] trouxe consigo toda a novidade». Com a
sua novidade, Ele pode sempre renovar a nossa vida e a nossa comunidade, e a
proposta cristã, ainda que atravesse períodos obscuros e fraquezas eclesiais,
nunca envelhece. Jesus Cristo pode romper também os esquemas enfadonhos em que
pretendemos aprisioná-Lo, e surpreende-nos com a sua constante criatividade
divina. Sempre que procuramos voltar à fonte e recuperar o frescor original do
Evangelho, despontam novas estradas, métodos criativos, outras formas de
expressão, sinais mais eloquentes, palavras cheias de renovado significado para
o mundo actual. Na realidade, toda a acção evangelizadora autêntica é sempre
«nova».

12. Embora esta missão nos exija uma entrega generosa, seria
um erro considerá-la como uma heróica tarefa pessoal, dado que ela é, primariamente
e acima de tudo o que possamos sondar e compreender, obra de Deus. Jesus é «o
primeiro e o maior evangelizador». Em qualquer forma de evangelização, o
primado é sempre de Deus, que quis chamar-nos para cooperar com Ele e
impelir-nos com a força do seu Espírito. A verdadeira novidade é aquela que o
próprio Deus misteriosamente quer produzir, aquela que Ele inspira, aquela que
Ele provoca, aquela que Ele orienta e acompanha de mil e uma maneiras. Em toda
a vida da Igreja, deve-se sempre manifestar que a iniciativa pertence a Deus,
«porque Ele nos amou primeiro» (1 Jo 4, 19) e é «só Deus que faz crescer» (1
Cor 3, 7). Esta convicção permite-nos manter a alegria no meio duma tarefa tão
exigente e desafiadora que ocupa inteiramente a nossa vida. Pede-nos tudo, mas
ao mesmo tempo dá-nos tudo.

13. E também não deveremos entender a novidade desta missão
como um desenraizamento, como um esquecimento da história viva que nos acolhe e
impele para diante. A memória é uma dimensão da nossa fé, que, por analogia com
a memória de Israel, poderíamos chamar «deuteronómica». Jesus deixa-nos a
Eucaristia como memória quotidiana da Igreja, que nos introduz cada vez mais na
Páscoa (cf. Lc 22, 19). A alegria evangelizadora refulge sempre sobre o
horizonte da memória agradecida: é uma graça que precisamos de pedir. Os
Apóstolos nunca mais esqueceram o momento em que Jesus lhes tocou o coração:
«Eram as quatro horas da tarde» (Jo 1, 39). A memória faz-nos presente,
juntamente com Jesus, uma verdadeira «nuvem de testemunhas» (Heb 12, 1). De
entre elas, distinguem-se algumas pessoas que incidiram de maneira especial
para fazer germinar a nossa alegria crente: «Recordai-vos dos vossos guias, que
vos pregaram a palavra de Deus» (Heb 13, 7). Às vezes, trata-se de pessoas
simples e próximas de nós, que nos iniciaram na vida da fé: «Trago à memória a
tua fé sem fingimento, que se encontrava já na tua avó Lóide e na tua mãe
Eunice» (2 Tm 1, 5). O crente é, fundamentalmente, «uma pessoa que faz
memória».

III. A nova evangelização para a transmissão da fé

14. À escuta do Espírito, que nos ajuda a reconhecer
comunitariamente os sinais dos tempos, celebrou-se de 7 a 28 de Outubro de 2012
a XIII Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, sobre o tema A nova
evangelização para a transmissão da fé cristã. Lá foi recordado que a nova
evangelização interpela a todos, realizando-se fundamentalmente em três
âmbitos. Em primeiro lugar, mencionamos o âmbito da pastoral ordinária,
«animada pelo fogo do Espírito a fim de incendiar os corações dos fiéis que
frequentam regularmente a comunidade, reunindo-se no dia do Senhor, para se
alimentarem da sua Palavra e do Pão de vida eterna». Devem ser incluídos também
neste âmbito os fiéis que conservam uma fé católica intensa e sincera,
exprimindo-a de diversos modos, embora não participem frequentemente no culto.
Esta pastoral está orientada para o crescimento dos crentes, a fim de
corresponderem cada vez melhor e com toda a sua vida ao amor de Deus.

Em segundo lugar, lembramos o âmbito das «pessoas baptizadas que, porém, não
vivem as exigências do Baptismo», não sentem uma pertença cordial à Igreja e já
não experimentam a consolação da fé. Mãe sempre solícita, a Igreja esforça-se
para que elas vivam uma conversão que lhes restitua a alegria da fé e o desejo
de se comprometerem com o Evangelho.

Por fim, frisamos que a evangelização está essencialmente relacionada com a
proclamação do Evangelho àqueles que não conhecem Jesus Cristo ou que sempre O
recusaram. Muitos deles buscam secretamente a Deus, movidos pela nostalgia do
seu rosto, mesmo em países de antiga tradição cristã. Todos têm o direito de
receber o Evangelho. Os cristãos têm o dever de o anunciar, sem excluir
ninguém, e não como quem impõe uma nova obrigação, mas como quem partilha uma
alegria, indica um horizonte estupendo, oferece um banquete apetecível. A
Igreja não cresce por proselitismo, mas «por atracção».

15. João Paulo II convidou-nos a reconhecer que «não se pode
perder a tensão para o anúncio» àqueles que estão longe de Cristo, «porque esta
é a tarefa primária da Igreja». A actividade missionária «ainda hoje representa
o máximo desafio para a Igreja» e «a causa missionária deve ser (…) a primeira
de todas as causas». Que sucederia se tomássemos realmente a sério estas
palavras? Simplesmente reconheceríamos que a acção missionária é o paradigma de
toda a obra da Igreja. Nesta linha, os Bispos latino-americanos afirmaram que
«não podemos ficar tranquilos, em espera passiva, em nossos templos», sendo
necessário passar «de uma pastoral de mera conservação para uma pastoral
decididamente missionária». Esta tarefa continua a ser a fonte das maiores
alegrias para a Igreja: «Haverá mais alegria no Céu por um só pecador que se
converte, do que por noventa e nove justos que não necessitam de conversão» (Lc
15, 7).

A proposta desta Exortação e seus contornos

16. Com prazer, aceitei o convite dos Padres sinodais para
redigir esta Exortação. Para o efeito, recolho a riqueza dos trabalhos do
Sínodo; consultei também várias pessoas e pretendo, além disso, exprimir as
preocupações que me movem neste momento concreto da obra evangelizadora da
Igreja. Os temas relacionados com a evangelização no mundo actual, que se
poderiam desenvolver aqui, são inumeráveis. Mas renunciei a tratar
detalhadamente esta multiplicidade de questões que devem ser objecto de estudo
e aprofundamento cuidadoso. Penso, aliás, que não se deve esperar do magistério
papal uma palavra definitiva ou completa sobre todas as questões que dizem
respeito à Igreja e ao mundo. Não convém que o Papa substitua os episcopados
locais no discernimento de todas as problemáticas que sobressaem nos seus
territórios. Neste sentido, sinto a necessidade de proceder a uma salutar
«descentralização».

17. Aqui escolhi propor algumas directrizes que possam
encorajar e orientar, em toda a Igreja, uma nova etapa evangelizadora, cheia de
ardor e dinamismo. Neste quadro e com base na doutrina da Constituição
dogmática Lumen gentium, decidi, entre outros temas, de me deter amplamente
sobre as seguintes questões:

a) A reforma da Igreja em saída missionária.

b) As tentações dos agentes pastorais.

c) A Igreja vista como a totalidade do povo de Deus que evangeliza.

d) A homilia e a sua preparação.

e) A inclusão social dos pobres.

f) A paz e o diálogo social.

g) As motivações espirituais para o compromisso missionário.

18. Demorei-me nestes temas, desenvolvendo-os dum modo que
talvez possa parecer excessivo. Mas não o fiz com a intenção de oferecer um
tratado, mas só para mostrar a relevante incidência prática destes assuntos na
missão actual da Igreja. De facto, todos eles ajudam a delinear um preciso
estilo evangelizador, que convido a assumir em qualquer actividade que se
realize. E, desta forma, podemos assumir, no meio do nosso trabalho diário,
esta exortação da Palavra de Deus: «Alegrai-vos sempre no Senhor! De novo vos
digo: alegrai-vos!» (Fl 4, 4).

Capítulo I
A TRANSFORMAÇÃO MISSIONÁRIA DA IGREJA

19. A evangelização obedece ao mandato missionário de Jesus:
«Ide, pois, fazei discípulos de todos os povos, baptizando-os em nome do Pai,
do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a cumprir tudo quanto vos tenho
mandado» (Mt 28, 19-20). Nestes versículos, aparece o momento em que o
Ressuscitado envia os seus a pregar o Evangelho em todos os tempos e lugares,
para que a fé n’Ele se estenda a todos os cantos da terra.

I. Uma Igreja «em saída»

20. Na Palavra de Deus, aparece constantemente este
dinamismo de «saída», que Deus quer provocar nos crentes. Abraão aceitou a
chamada para partir rumo a uma nova terra (cf. Gn 12, 1-3). Moisés ouviu a
chamada de Deus: «Vai; Eu te envio» (Ex 3, 10), e fez sair o povo para a terra
prometida (cf. Ex 3, 17). A Jeremias disse: «Irás aonde Eu te enviar» (Jr 1,
7). Naquele «ide» de Jesus, estão presentes os cenários e os desafios sempre
novos da missão evangelizadora da Igreja, e hoje todos somos chamados a esta
nova «saída» missionária. Cada cristão e cada comunidade há-de discernir qual é
o caminho que o Senhor lhe pede, mas todos somos convidados a aceitar esta
chamada: sair da própria comodidade e ter a coragem de alcançar todas as
periferias que precisam da luz do Evangelho.

21. A alegria do Evangelho, que enche a vida da comunidade
dos discípulos, é uma alegria missionária. Experimentam-na os setenta e dois
discípulos, que voltam da missão cheios de alegria (cf. Lc 10, 17). Vive-a
Jesus, que exulta de alegria no Espírito Santo e louva o Pai, porque a sua
revelação chega aos pobres e aos pequeninos (cf. Lc 10, 21). Sentem-na, cheios
de admiração, os primeiros que se convertem no Pentecostes, ao ouvir «cada um
na sua própria língua» (Act 2, 6) a pregação dos Apóstolos. Esta alegria é um
sinal de que o Evangelho foi anunciado e está a frutificar. Mas contém sempre a
dinâmica do êxodo e do dom, de sair de si mesmo, de caminhar e de semear sempre
de novo, sempre mais além. O Senhor diz: «Vamos para outra parte, para as
aldeias vizinhas, a fim de pregar aí, pois foi para isso que Eu vim» (Mc 1,
38). Ele, depois de lançar a semente num lugar, não se demora lá a explicar
melhor ou a cumprir novos sinais, mas o Espírito leva-O a partir para outras
aldeias.

22. A Palavra possui, em si mesma, uma tal potencialidade,
que não a podemos prever. O Evangelho fala da semente que, uma vez lançada à
terra, cresce por si mesma, inclusive quando o agricultor dorme (cf. Mc 4,
26-29). A Igreja deve aceitar esta liberdade incontrolável da Palavra, que é
eficaz a seu modo e sob formas tão variadas que muitas vezes nos escapam,
superando as nossas previsões e quebrando os nossos esquemas.

23. A intimidade da Igreja com Jesus é uma intimidade
itinerante, e a comunhão «reveste essencialmente a forma de comunhão
missionária». Fiel ao modelo do Mestre, é vital que hoje a Igreja saia para
anunciar o Evangelho a todos, em todos os lugares, em todas as ocasiões, sem
demora, sem repugnâncias e sem medo. A alegria do Evangelho é para todo o povo,
não se pode excluir ninguém; assim foi anunciada pelo anjo aos pastores de
Belém: «Não temais, pois anuncio-vos uma grande alegria, que o será para todo o
povo» (Lc 2, 10). O Apocalipse fala de «uma Boa-Nova de valor eterno para
anunciar aos habitantes da terra: a todas as nações, tribos, línguas e povos»
(Ap 14, 6).

«Primeirear», envolver-se, acompanhar, frutificar e festejar

24. A Igreja «em saída» é a comunidade de discípulos
missionários que «primeireiam», que se envolvem, que acompanham, que frutificam
e festejam. Primeireiam – desculpai o neologismo –, tomam a iniciativa! A
comunidade missionária experimenta que o Senhor tomou a iniciativa, precedeu-a
no amor (cf. 1 Jo 4, 10), e, por isso, ela sabe ir à frente, sabe tomar a
iniciativa sem medo, ir ao encontro, procurar os afastados e chegar às
encruzilhadas dos caminhos para convidar os excluídos. Vive um desejo
inexaurível de oferecer misericórdia, fruto de ter experimentado a misericórdia
infinita do Pai e a sua força difusiva. Ousemos um pouco mais no tomar a
iniciativa! Como consequência, a Igreja sabe «envolver-se». Jesus lavou os pés
aos seus discípulos. O Senhor envolve-Se e envolve os seus, pondo-Se de joelhos
diante dos outros para os lavar; mas, logo a seguir, diz aos discípulos:
«Sereis felizes se o puserdes em prática» (Jo 13, 17). Com obras e gestos, a
comunidade missionária entra na vida diária dos outros, encurta as distâncias,
abaixa-se – se for necessário – até à humilhação e assume a vida humana,
tocando a carne sofredora de Cristo no povo. Os evangelizadores contraem assim
o «cheiro de ovelha», e estas escutam a sua voz. Em seguida, a comunidade
evangelizadora dispõe-se a «acompanhar». Acompanha a humanidade em todos os seus
processos, por mais duros e demorados que sejam. Conhece as longas esperas e a
suportação apostólica. A evangelização patenteia muita paciência, e evita
deter-se a considerar as limitações. Fiel ao dom do Senhor, sabe também
«frutificar». A comunidade evangelizadora mantém-se atenta aos frutos, porque o
Senhor a quer fecunda. Cuida do trigo e não perde a paz por causa do joio. O
semeador, quando vê surgir o joio no meio do trigo, não tem reacções lastimosas
ou alarmistas. Encontra o modo para fazer com que a Palavra se encarne numa
situação concreta e dê frutos de vida nova, apesar de serem aparentemente
imperfeitos ou defeituosos. O discípulo sabe oferecer a vida inteira e jogá-la
até ao martírio como testemunho de Jesus Cristo, mas o seu sonho não é estar
cheio de inimigos, mas antes que a Palavra seja acolhida e manifeste a sua
força libertadora e renovadora. Por fim, a comunidade evangelizadora jubilosa
sabe sempre «festejar»: celebra e festeja cada pequena vitória, cada passo em
frente na evangelização. No meio desta exigência diária de fazer avançar o bem,
a evangelização jubilosa torna-se beleza na liturgia. A Igreja evangeliza e se
evangeliza com a beleza da liturgia, que é também celebração da actividade
evangelizadora e fonte dum renovado impulso para se dar.

II. Pastoral em conversão

25. Não ignoro que hoje os documentos não suscitam o mesmo
interesse que noutras épocas, acabando rapidamente esquecidos. Apesar disso
sublinho que, aquilo que pretendo deixar expresso aqui, possui um significado
programático e tem consequências importantes. Espero que todas as comunidades
se esforcem por actuar os meios necessários para avançar no caminho duma
conversão pastoral e missionária, que não pode deixar as coisas como estão.
Neste momento, não nos serve uma «simples administração». Constituamo-nos em
«estado permanente de missão», em todas as regiões da terra.

26. Paulo VI convidou a alargar o apelo à renovação de modo
que ressalte, com força, que não se dirige apenas aos indivíduos, mas à Igreja
inteira. Lembremos este texto memorável, que não perdeu a sua força
interpeladora: «A Igreja deve aprofundar a consciência de si mesma, meditar
sobre o seu próprio mistério (…). Desta consciência esclarecida e operante
deriva espontaneamente um desejo de comparar a imagem ideal da Igreja, tal como
Cristo a viu, quis e amou, ou seja, como sua Esposa santa e imaculada (Ef 5,
27), com o rosto real que a Igreja apresenta hoje. (…) Em consequência disso,
surge uma necessidade generosa e quase impaciente de renovação, isto é, de
emenda dos defeitos, que aquela consciência denuncia e rejeita, como se fosse
um exame interior ao espelho do modelo que Cristo nos deixou de Si mesmo».

O Concílio Vaticano II apresentou a conversão eclesial como a abertura a uma
reforma permanente de si mesma por fidelidade a Jesus Cristo: «Toda a renovação
da Igreja consiste essencialmente numa maior fidelidade à própria vocação. (…)
A Igreja peregrina é chamada por Cristo a esta reforma perene. Como instituição
humana e terrena, a Igreja necessita perpetuamente desta reforma».

Há estruturas eclesiais que podem chegar a condicionar um dinamismo
evangelizador; de igual modo, as boas estruturas servem quando há uma vida que
as anima, sustenta e avalia. Sem vida nova e espírito evangélico autêntico, sem
«fidelidade da Igreja à própria vocação», toda e qualquer nova estrutura se
corrompe em pouco tempo.

Uma renovação eclesial inadiável

27. Sonho com uma opção missionária capaz de transformar
tudo, para que os costumes, os estilos, os horários, a linguagem e toda a
estrutura eclesial se tornem um canal proporcionado mais à evangelização do
mundo actual que à auto-preservação. A reforma das estruturas, que a conversão
pastoral exige, só se pode entender neste sentido: fazer com que todas elas se
tornem mais missionárias, que a pastoral ordinária em todas as suas instâncias
seja mais comunicativa e aberta, que coloque os agentes pastorais em atitude
constante de «saída» e, assim, favoreça a resposta positiva de todos aqueles a
quem Jesus oferece a sua amizade. Como dizia João Paulo II aos Bispos da
Oceânia, «toda a renovação na Igreja há-de ter como alvo a missão, para não
cair vítima duma espécie de introversão eclesial».

28. A paróquia não é uma estrutura caduca; precisamente
porque possui uma grande plasticidade, pode assumir formas muito diferentes que
requerem a docilidade e a criatividade missionária do Pastor e da comunidade.
Embora não seja certamente a única instituição evangelizadora, se for capaz de
se reformar e adaptar constantemente, continuará a ser «a própria Igreja que
vive no meio das casas dos seus filhos e das suas filhas». Isto supõe que
esteja realmente em contacto com as famílias e com a vida do povo, e não se
torne uma estrutura complicada, separada das pessoas, nem um grupo de eleitos
que olham para si mesmos. A paróquia é presença eclesial no território, âmbito
para a escuta da Palavra, o crescimento da vida cristã, o diálogo, o anúncio, a
caridade generosa, a adoração e a celebração. Através de todas as suas
actividades, a paróquia incentiva e forma os seus membros para serem agentes da
evangelização. É comunidade de comunidades, santuário onde os sedentos vão
beber para continuarem a caminhar, e centro de constante envio missionário.
Temos, porém, de reconhecer que o apelo à revisão e renovação das paróquias
ainda não deu suficientemente fruto, tornando-se ainda mais próximas das
pessoas, sendo âmbitos de viva comunhão e participação e orientando-se
completamente para a missão.

29. As outras instituições eclesiais, comunidades de base e
pequenas comunidades, movimentos e outras formas de associação são uma riqueza
da Igreja que o Espírito suscita para evangelizar todos os ambientes e
sectores. Frequentemente trazem um novo ardor evangelizador e uma capacidade de
diálogo com o mundo que renovam a Igreja. Mas é muito salutar que não percam o
contacto com esta realidade muito rica da paróquia local e que se integrem de
bom grado na pastoral orgânica da Igreja particular. Esta integração evitará
que fiquem só com uma parte do Evangelho e da Igreja, ou que se transformem em
nómades sem raízes.

30. Cada Igreja particular, porção da Igreja Católica sob a
guia do seu Bispo, está, também ela, chamada à conversão missionária. Ela é o
sujeito primário da evangelização, enquanto é a manifestação concreta da única
Igreja num lugar da terra e, nela, «está verdadeiramente presente e opera a
Igreja de Cristo, una, santa, católica e apostólica». É a Igreja encarnada num
espaço concreto, dotada de todos os meios de salvação dados por Cristo, mas com
um rosto local. A sua alegria de comunicar Jesus Cristo exprime-se tanto na sua
preocupação por anunciá-Lo noutros lugares mais necessitados, como numa
constante saída para as periferias do seu território ou para os novos âmbitos
socioculturais. Procura estar sempre onde fazem mais falta a luz e a vida do
Ressuscitado. Para que este impulso missionário seja cada vez mais intenso,
generoso e fecundo, exorto também cada uma das Igrejas particulares a entrar
decididamente num processo de discernimento, purificação e reforma.

31. O Bispo deve favorecer sempre a comunhão missionária na
sua Igreja diocesana, seguindo o ideal das primeiras comunidades cristãs, em
que os crentes tinham um só coração e uma só alma (cf. Act 4, 32) . Para isso,
às vezes pôr-se-á à frente para indicar a estrada e sustentar a esperança do
povo, outras vezes manter-se-á simplesmente no meio de todos com a sua
proximidade simples e misericordiosa e, em certas circunstâncias, deverá
caminhar atrás do povo, para ajudar aqueles que se atrasaram e sobretudo porque
o próprio rebanho possui o olfacto para encontrar novas estradas. Na sua missão
de promover uma comunhão dinâmica, aberta e missionária, deverá estimular e
procurar o amadurecimento dos organismos de participação propostos pelo Código
de Direito Canónico e de outras formas de diálogo pastoral, com o desejo de
ouvir a todos, e não apenas alguns sempre prontos a lisonjeá-lo. Mas o
objectivo destes processos participativos não há-de ser principalmente a
organização eclesial, mas o sonho missionário de chegar a todos.

32. Dado que sou chamado a viver aquilo que peço aos outros,
devo pensar também numa conversão do papado. Compete-me, como Bispo de Roma,
permanecer aberto às sugestões tendentes a um exercício do meu ministério que o
torne mais fiel ao significado que Jesus Cristo pretendeu dar-lhe e às
necessidades actuais da evangelização. O Papa João Paulo II pediu que o
ajudassem a encontrar «uma forma de exercício do primado que, sem renunciar de
modo algum ao que é essencial da sua missão, se abra a uma situação nova».
Pouco temos avançado neste sentido. Também o papado e as estruturas centrais da
Igreja universal precisam de ouvir este apelo a uma conversão pastoral. O
Concílio Vaticano II afirmou que, à semelhança das antigas Igrejas patriarcais,
as conferências episcopais podem «aportar uma contribuição múltipla e fecunda,
para que o sentimento colegial leve a aplicações concretas». Mas este desejo
não se realizou plenamente, porque ainda não foi suficientemente explicitado um
estatuto das conferências episcopais que as considere como sujeitos de
atribuições concretas, incluindo alguma autêntica autoridade doutrinal. Uma
centralização excessiva, em vez de ajudar, complica a vida da Igreja e a sua
dinâmica missionária.

33. A pastoral em chave missionária exige o abandono deste
cómodo critério pastoral: «fez-se sempre assim». Convido todos a serem ousados
e criativos nesta tarefa de repensar os objectivos, as estruturas, o estilo e
os métodos evangelizadores das respectivas comunidades. Uma identificação dos
fins, sem uma condigna busca comunitária dos meios para os alcançar, está
condenada a traduzir-se em mera fantasia. A todos exorto a aplicarem, com
generosidade e coragem, as orientações deste documento, sem impedimentos nem
receios. Importante é não caminhar sozinho, mas ter sempre em conta os irmãos
e, de modo especial, a guia dos Bispos, num discernimento pastoral sábio e
realista.

III. A partir do coração do Evangelho

34. Se pretendemos colocar tudo em chave missionária, isso
aplica-se também à maneira de comunicar a mensagem. No mundo actual, com a
velocidade das comunicações e a selecção interessada dos conteúdos feita pelos
mass-media, a mensagem que anunciamos corre mais do que nunca o risco de
aparecer mutilada e reduzida a alguns dos seus aspectos secundários.
Consequentemente, algumas questões que fazem parte da doutrina moral da Igreja
ficam fora do contexto que lhes dá sentido. O problema maior ocorre quando a
mensagem que anunciamos parece então identificada com tais aspectos
secundários, que, apesar de serem relevantes, por si sozinhos não manifestam o
coração da mensagem de Jesus Cristo. Portanto, convém ser realistas e não dar
por suposto que os nossos interlocutores conhecem o horizonte completo daquilo
que dizemos ou que eles podem relacionar o nosso discurso com o núcleo
essencial do Evangelho que lhe confere sentido, beleza e fascínio.

35. Uma pastoral em chave missionária não está obsessionada
pela transmissão desarticulada de uma imensidade de doutrinas que se tentam
impor à força de insistir. Quando se assume um objectivo pastoral e um estilo
missionário, que chegue realmente a todos sem excepções nem exclusões, o
anúncio concentra-se no essencial, no que é mais belo, mais importante, mais
atraente e, ao mesmo tempo, mais necessário. A proposta acaba simplificada, sem
com isso perder profundidade e verdade, e assim se torna mais convincente e
radiosa.

36. Todas as verdades reveladas procedem da mesma fonte
divina e são acreditadas com a mesma fé, mas algumas delas são mais importantes
por exprimir mais directamente o coração do Evangelho. Neste núcleo
fundamental, o que sobressai é a beleza do amor salvífico de Deus manifestado
em Jesus Cristo morto e ressuscitado. Neste sentido, o Concílio Vaticano II
afirmou que «existe uma ordem ou “hierarquia” das verdades da doutrina
católica, já que o nexo delas com o fundamento da fé cristã é diferente». Isto
é válido tanto para os dogmas da fé como para o conjunto dos ensinamentos da
Igreja, incluindo a doutrina moral.

37. São Tomás de Aquino ensinava que, também na mensagem
moral da Igreja, há uma hierarquia nas virtudes e acções que delas procedem.
Aqui o que conta é, antes de mais nada, «a fé que actua pelo amor» (Gal 5, 6).
As obras de amor ao próximo são a manifestação externa mais perfeita da graça
interior do Espírito: «O elemento principal da Nova Lei é a graça do Espírito
Santo, que se manifesta através da fé que opera pelo amor». Por isso afirma
que, relativamente ao agir exterior, a misericórdia é a maior de todas as
virtudes: «Em si mesma, a misericórdia é a maior das virtudes; na realidade,
compete-lhe debruçar-se sobre os outros e – o que mais conta – remediar as
misérias alheias. Ora, isto é tarefa especialmente de quem é superior; é por
isso que se diz que é próprio de Deus usar de misericórdia e é, sobretudo
nisto, que se manifesta a sua omnipotência».

38. É importante tirar as consequências pastorais desta
doutrina conciliar, que recolhe uma antiga convicção da Igreja. Antes de mais
nada, deve-se dizer que, no anúncio do Evangelho, é necessário que haja uma
proporção adequada. Esta reconhece-se na frequência com que se mencionam alguns
temas e nas acentuações postas na pregação. Por exemplo, se um pároco, durante
um ano litúrgico, fala dez vezes sobre a temperança e apenas duas ou três vezes
sobre a caridade ou sobre a justiça, gera-se uma desproporção, acabando
obscurecidas precisamente aquelas virtudes que deveriam estar mais presentes na
pregação e na catequese. E o mesmo acontece quando se fala mais da lei que da
graça, mais da Igreja que de Jesus Cristo, mais do Papa que da Palavra de Deus.

39. Tal como existe uma unidade orgânica entre as virtudes
que impede de excluir qualquer uma delas do ideal cristão, assim também nenhuma
verdade é negada. Não é preciso mutilar a integridade da mensagem do Evangelho.
Além disso, cada verdade entende-se melhor se a colocarmos em relação com a
totalidade harmoniosa da mensagem cristã: e, neste contexto, todas as verdades
têm a sua própria importância e iluminam-se reciprocamente. Quando a pregação é
fiel ao Evangelho, manifesta-se com clareza a centralidade de algumas verdades
e fica claro que a pregação moral cristã não é uma ética estóica, é mais do que
uma ascese, não é uma mera filosofia prática nem um catálogo de pecados e
erros. O Evangelho convida, antes de tudo, a responder a Deus que nos ama e
salva, reconhecendo-O nos outros e saindo de nós mesmos para procurar o bem de
todos. Este convite não há-de ser obscurecido em nenhuma circunstância! Todas
as virtudes estão ao serviço desta resposta de amor. Se tal convite não refulge
com vigor e fascínio, o edifício moral da Igreja corre o risco de se tornar um
castelo de cartas, sendo este o nosso pior perigo; é que, então, não estaremos
propriamente a anunciar o Evangelho, mas algumas acentuações doutrinais ou
morais, que derivam de certas opções ideológicas. A mensagem correrá o risco de
perder o seu frescor e já não ter «o perfume do Evangelho».

IV. A missão que se encarna nas limitações humanas

40. A Igreja, que é discípula missionária, tem necessidade
de crescer na sua interpretação da Palavra revelada e na sua compreensão da
verdade. A tarefa dos exegetas e teólogos ajuda a «amadurecer o juízo da
Igreja». Embora de modo diferente, fazem-no também as outras ciências.
Referindo-se às ciências sociais, por exemplo, João Paulo II disse que a Igreja
presta atenção às suas contribuições «para obter indicações concretas que a
ajudem no cumprimento da sua missão de Magistério». Além disso, dentro da
Igreja, há inúmeras questões à volta das quais se indaga e reflecte com grande
liberdade. As diversas linhas de pensamento filosófico, teológico e pastoral,
se se deixam harmonizar pelo Espírito no respeito e no amor, podem fazer
crescer a Igreja, enquanto ajudam a explicitar melhor o tesouro riquíssimo da
Palavra. A quantos sonham com uma doutrina monolítica defendida sem nuances por
todos, isto poderá parecer uma dispersão imperfeita; mas a realidade é que tal
variedade ajuda a manifestar e desenvolver melhor os diversos aspectos da
riqueza inesgotável do Evangelho.

41. Ao mesmo tempo, as enormes e rápidas mudanças culturais
exigem que prestemos constante atenção ao tentar exprimir as verdades de sempre
numa linguagem que permita reconhecer a sua permanente novidade; é que, no
depósito da doutrina cristã, «uma coisa é a substância (…) e outra é a
formulação que a reveste». Por vezes, mesmo ouvindo uma linguagem totalmente
ortodoxa, aquilo que os fiéis recebem, devido à linguagem que eles mesmos
utilizam e compreendem, é algo que não corresponde ao verdadeiro Evangelho de
Jesus Cristo. Com a santa intenção de lhes comunicar a verdade sobre Deus e o
ser humano, nalgumas ocasiões, damos-lhes um falso deus ou um ideal humano que
não é verdadeiramente cristão. Deste modo, somos fiéis a uma formulação, mas
não transmitimos a substância. Este é o risco mais grave. Lembremo-nos de que
«a expressão da verdade pode ser multiforme. E a renovação das formas de
expressão torna-se necessária para transmitir ao homem de hoje a mensagem
evangélica no seu significado imutável».

42. Isto possui uma grande relevância no anúncio do
Evangelho, se temos verdadeiramente a peito fazer perceber melhor a sua beleza
e fazê-la acolher por todos. Em todo o caso, não poderemos jamais tornar os
ensinamentos da Igreja uma realidade facilmente compreensível e felizmente
apreciada por todos; a fé conserva sempre um aspecto de cruz, certa obscuridade
que não tira firmeza à sua adesão. Há coisas que se compreendem e apreciam só a
partir desta adesão que é irmã do amor, para além da clareza com que se possam
compreender as razões e os argumentos. Por isso, é preciso recordar-se de que
cada ensinamento da doutrina deve situar-se na atitude evangelizadora que
desperte a adesão do coração com a proximidade, o amor e o testemunho.

43. No seu constante discernimento, a Igreja pode chegar
também a reconhecer costumes próprios não directamente ligados ao núcleo do
Evangelho, alguns muito radicados no curso da história, que hoje já não são
interpretados da mesma maneira e cuja mensagem habitualmente não é percebida de
modo adequado. Podem até ser belos, mas agora não prestam o mesmo serviço à
transmissão do Evangelho. Não tenhamos medo de os rever! Da mesma forma, há
normas ou preceitos eclesiais que podem ter sido muito eficazes noutras épocas,
mas já não têm a mesma força educativa como canais de vida. São Tomás de Aquino
sublinhava que os preceitos dados por Cristo e pelos Apóstolos ao povo de Deus
«são pouquíssimos». E, citando Santo Agostinho, observava que os preceitos
adicionados posteriormente pela Igreja se devem exigir com moderação, «para não
tornar pesada a vida aos fiéis» nem transformar a nossa religião numa
escravidão, quando «a misericórdia de Deus quis que fosse livre». Esta
advertência, feita há vários séculos, tem uma actualidade tremenda. Deveria ser
um dos critérios a considerar, quando se pensa numa reforma da Igreja e da sua
pregação que permita realmente chegar a todos.

44. Aliás, tanto os Pastores como todos os fiéis que
acompanham os seus irmãos na fé ou num caminho de abertura a Deus não podem
esquecer aquilo que ensina, com muita clareza, o Catecismo da Igreja Católica:
«A imputabilidade e responsabilidade dum acto podem ser diminuídas, e até
anuladas, pela ignorância, a inadvertência, a violência, o medo, os hábitos, as
afeições desordenadas e outros factores psíquicos ou sociais».

Portanto, sem diminuir o valor do ideal evangélico, é preciso acompanhar, com
misericórdia e paciência, as possíveis etapas de crescimento das pessoas, que
se vão construindo dia após dia. Aos sacerdotes, lembro que o con

FONTE: http://www.acidigital.com/noticia.php?id=26349

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