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Os desafios e iniciativas sustentáveis da Igreja e da sociedade no combate à desertificação e a seca

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A seca e a desertificação do solo têm sido combatidas com iniciativas que contribuem para o uso sustentável de terras em áreas vulneráveis ao fenômeno. Diversos projetos estão sendo desenvolvidos para promover a conscientização sobre o problema que atinge 42% das terras do planeta e 35% da população mundial. Os dados são da Organização das Nações Unidas (ONU).

Segundo a ONU, a desertificação é definida como um processo de degradação ambiental causada pelo manejo inadequado dos recursos naturais nos espaços áridos, semiáridos e subúmidos secos, que compromete os sistemas produtivos das áreas susceptíveis, os serviços ambientais e a conservação da biodiversidade.

A entidade afirma ainda que os efeitos da desertificação afetam diretamente cerca de 250 milhões de pessoas, enquanto cerca de 100 milhões estão em áreas de risco espalhados por mais de cem países. Para sensibilizar e aumentar a conscientização sobre os esforços internacionais para combater estes fenômenos, o dia 17 de junho foi escolhido para celebrar o Dia Mundial de Combate à Desertificação e à Seca.

A celebração deste ano analisa a relação entre a degradação da terra e migração. “Entre outros, a degradação ambiental, a insegurança alimentar e a pobreza são causas da migração e as dificuldades para o desenvolvimento. Em apenas 15 anos, de 2000 a 2015, o número de migrantes em todo o mundo aumentou 173-244 milhões”, destaca o site da ONU que trata da comemoração.

Em 2015, o papa Francisco publicou sua primeira encíclica “Laudato Si” que fala sobre o cuidado da casa comum e faz um alerta para os efeitos da degradação ambiental. No documento, Francisco se dirige aos fiéis católicos, retomando as palavras de São João Paulo II.

“Os cristãos, em particular, advertem que a sua tarefa no seio da criação e os seus deveres em relação à natureza e ao Criador fazem parte da sua fé, mas se propõe especialmente entrar em diálogo com todos acerca da nossa casa comum”, destacou o pontífice.

No Brasil, a Rede Eclesial Pan-Amazônica (REPAM), organismo ligado à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) favorece o fortalecimento de ações no combate à desertificação.

“A REPAM busca fortalecer, incentivar e congregar inciativas que atuam na defesa e no cuidado de nossa Casa Comum, de modo particular, àquelas que agem no combate ao desmatamento e fortalecem os Povos da Floresta – povos indígenas, quilombolas, comunidades extrativistas, ribeirinhas e da agricultura familiar –, como é o exemplo do Fundo Dema, um fundo fiduciário que apoia projetos coletivos que visam a valorização socioambiental dessas populações e preservação do Bioma Amazônico”, explica coordenadora de comunicação da REPAM-Brasil, irmã Osnilda Lima.

Acordos de cooperação

Na busca de um desenvolvimento sustentável e integral, o Brasil junto com outros 192 países, é signatário da Convenção das Nações Unidas para o Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos das Secas – UNCCD (sigla em Inglês). Esse compromisso estabelece padrões de trabalho e metas internacionais convergentes em ações coordenadas na busca de soluções qualitativas que atendam às demandas socioambientais nos espaços áridos, semiáridos e subúmidos secos, particularmente onde residem as populações mais pobres do planeta.

O Fundo Dema é resultado da luta e da conquista das organizações, entre elas a Prelazia do Xingu e movimentos populares da Amazônia Brasileira, que se materializou por meio de um processo de parceria desses atores sociais, o Ministério Público Federal (MPF) e o Governo Brasileiro, e tem origem quando cerca de seis mil toras de mogno, madeira nobre da Amazônia, extraídas ilegalmente, foram apreendidas pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA).

“Por meio da pressão social e mediação do MPF, o IBAMA doou a madeira à sociedade civil como uma forma de reconhecer e fortalecer as comunidades das quais o produto havia sido extraído ilegalmente”, destacou irmã Osnilda.

Panorama Brasil

No Brasil são 1.480 municípios suscetíveis a esse processo que pode ser causado pelo homem ou pela própria natureza e agravados pelas questões climáticas e que atinge, particularmente, os estados do Nordeste, além de Minas Gerais e Espírito Santo.

No Brasil as áreas susceptíveis à desertificação correspondem à aproximadamente 15% do território nacional (1.344.766 km²), abrangendo 1.491 municípios em nove Estados da região Nordeste, no norte de Minas Gerais e norte do Espírito Santo, segundo dados de 2016 divulgados pelo Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), associação privada sem fins lucrativos, parceira do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação.

Estudos realizados pelo CGEE mostram que esta área possui uma população estimada pelo IBGE em 2016 de 37.180.844 habitantes. Com base em estudos da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos – Funceme, cerca de 5% destas ASD (70.279 km²) estão fortemente afetadas por desertificação. Os Estados mais comprometidos em termos absolutos são Bahia, Ceará, Piauí, Rio Grande do Norte, Paraíba e Pernambuco.

No último capítulo da encíclica “Laudato Si” o papa convida a todos a reformular hábitos e comportamentos. “Toda mudança tem necessidade de motivações e de um caminho educativo; estão envolvidos todos os ambientes educacionais, primeiro a escola, a família, os meios de comunicação e a catequese”, ressalta Francisco no documento. (Fonte: CNBB)

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