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Relato emocionante de uma mãe que redescobriu a fé depois de saber que estava gerando um bebê PIG (Pequeno para a Idade Gestacional)

Você tem fé? Sempre teve?

Pois preciso te contar que eu sempre tive… mas que a minha renasceu com a maternidade!

Desde que me descobri grávida, rezava a Deus para que, em primeiro lugar, me presenteasse com uma criança perfeita e saudável porque era naquele momento que se iniciavam as novas descobertas, exames e ultrassons.

Nos primeiros ultrassons e exames até a 12ª semana, tudo ótimo e tudo normal; inclusive é na 12ª semana em que se descarta, ou não, a vinda de uma criança sindrômica.

Pois bem, a partir de então, o próximo ultrassom viria com 16 ou 20 semanas (a critério do médico) para medidas, sexo e morfologia.

O meu veio na 16ª Semana com a descoberta do sexo: UMA MENINA! Meu sonho de infância sendo realizado e, nesse caso, o do marido também. Nada mais maravilhoso para coroar uma criança perfeita.

Porém, foi a partir dos seguintes que minha fé aumentou! Porque quem crê, seja em Deus, Oxalá ou qualquer outro nome que seja dado a algo que te eleve a um patamar de crença; acredita sem questionar… e eu, infelizmente, ainda não era assim…

Fazia ultrassons a cada 4 semanas e sempre ouvia do médico: ‘olha, está tudo bem, mas você está gerando um bebê PIG’. Bebê PIG? Como assim? É claro, o primeiro médico do ultrassom já me explicou que bebê PIG é aquele “Pequeno para Idade Gestacional”, o que quer dizer para a mãe que seu bebê é menor do que deveria ser e pesa menos do que deveria pesar.

E eu fazia o que diante disto? Chorava… da saída da sala do médico até chegar na minha casa! E chorava ao lembrar e rezava e chorava.

Nesse meio tempo até a 38ª. semana, minha ginecologista, excelente médica e muito humana, sempre me dizia: ‘criança que não cresce dentro vai crescer muito mais do lado de fora”.

Até que na noite das 37 semanas e 5 dias, o bebê parou de mexer, nem um chute, silêncio total. Liguei para a médica que imediatamente me pediu uma cardiotocografia – CTG – (é um método biofísico não invasivo de avaliação do bem estar fetal. Consiste no registro gráfico da frequência cardíaca fetal e das contrações uterinas) de urgência. Mas espera, eu já tinha feito uma com 32 semanas e o resultado estava bom. Outra agora?

Fui ao hospital realizar o tal exame. Feito! Aparentemente tudo normal. Peguei o resultado e, curiosa, comparei com o anterior: estava diferente! Apresentava umas quedas que não existiam no último. Tirei duas fotos e encaminhei para a médica (Santa Tecnologia) seguida de uma resposta virtual ressoante: venha ao meu consultório amanhã pela manhã, não se preocupe.

Minhas orações, como de costume, começaram conversando com minha filha e com Deus. Eu tinha fé que ele não me abandonaria.

No dia seguinte, no consultório, ela me diz que o exame estava ok, porém apresentava algumas quedas de respiração; indicativo de que o feto poderia estar começando a sofrer e então, faríamos a cesárea no dia seguinte.

Naquela hora eu pensei: “Meu Deus me ajude e ajude minha filha, pois nós já precisamos uma da outra. Não me abandone e eu não te abandonarei!” Acreditei Nele e na minha médica e, no dia seguinte às 13 horas estávamos lá, prontas para nos conhecer.

Minha menininha nasceu! Um pacotinho RUIVO (essa foi a maior surpresa), com 2,385 kg e 43 cm, linda, perfeita e saudável.

Desde então, eu rezo em pé na beirada de seu berço todas as noites pelo tempo que for necessário para a chegada do seu sono. Minhas orações se fortaleceram e se fortalecem a cada dia. Eu acredito em um Deus que me dá forças, me dá paz e me socorre. Eu confio sem questionar e aceito os desafios que me são impostos.

Acredito que Deus nos dá a oportunidade de sermos mães para aumentar a nossa fé em tudo. Mães são pessoas melhores. Eu me considero uma pessoa muito melhor hoje: sou mais humana, mais paciente e estou formando uma cidadã. Como não carregar muito mais amor por tudo?

E você, como anda a sua fé?

Por Fernanda Paganini (professora e mãe da Maria Luiza), via Mamães da Vida Real 

Fonte: https://pt.aleteia.org/

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VATICANO, 12 Mar. 18 / 09:50 am (ACI).- O Papa Francisco assinalou, durante a Missa celebrada na Casa Santa Marta na manhã de hoje, que a fé não deve estar se sustentar apenas nos milagres, mas deve se fundamentar no desejo de Deus.

O Santo Padre refletiu sobre as palavras que Jesus dedica ao funcionário do rei que foi ao seu encontro na Galileia para pedir a cura do seu filho doente. “Se não virdes sinais e prodígios, não acreditais”. Francisco assinalou que parecia que Jesus estava perdendo a paciência com o fato de o prodígio ser a única coisa que contava para o povo.

O Papa perguntou: “Onde está a fé? Ver um milagre, um prodígio e dizer: ‘Mas Tu tens a potência, Tu és Deus’, sim, é um ato de fé, mas pequenino assim. Porque é evidente que este homem tem um poder forte; mas ali começa a fé, que depois deve ir avante. Onde está o seu desejo de Deus? Porque a fé é isto: ter o desejo de encontrar Deus, encontrá-Lo, estar com Ele, ser feliz com Ele”.

Para explicar o grande milagre que o Senhor realiza, o Pontífice mencionou a primeira leitura extraída do livro do profeta Isaías: “Eis que eu criarei novos céus e nova terra. Haverá alegria e exultação sem fim em razão das coisas que eu vou criar”. Deste modo, “o Senhor atrai o nosso desejo para a alegria de estar com Ele”.

O Santo Padre assinalou: “Quando o Senhor passa na nossa vida e faz um milagre em cada um de nós, e cada um de nós sabe o que o Senhor fez na sua vida, ali não termina tudo: este é o convite a ir avante, a continuar a caminhar, buscar a face de Deus, buscar esta alegria”.

O milagre, portanto, é somente o início, e o Papa convidou a não parar e continuar caminhando. “Existem muitos cristãos parados, que não caminham; cristãos atolados nas coisas de todos os dias, mas não crescem, permanecem pequenos. Cristãos estacionados: se estacionam. Cristãos enjaulados que não sabem voar com o sonho a esta bela coisa para a qual o Senhor nos chama”.

Finalmente, o Papa convidou a perguntar-se: “Como é meu desejo? Busco o Senhor assim? Ou tenho medo, sou medíocre? (…) Qual é a medida do meu desejo? A entrada ou todo o banquete?”. O Santo Padre concluiu convidando a “proteger o próprio desejo: não se ajeitar muito, ir mais além, arriscar. O verdadeiro cristão arrisca, sai da segurança”.

Evangelho comentado pelo Papa Francisco:

Jo 4,43-54

Naquele tempo, 43Jesus partiu da Samaria para a Galileia. 44O próprio Jesus tinha declarado, que um profeta não é honrado na sua própria terra. 45Quando então chegou à Galileia, os galileus receberam-no bem, porque tinham visto tudo o que Jesus havia feito em Jerusalém, durante a festa. Pois também eles tinham ido à festa. 46Assim, Jesus voltou para Caná da Galileia, onde havia transformado a água em vinho.

Havia em Cafarnaum um funcionário do rei que tinha um filho doente. 47Ouviu dizer que Jesus tinha vindo da Judeia para a Galileia. Ele saiu ao seu encontro e pediu-lhe que fosse a Cafarnaum curar seu filho, que estava morrendo. 48Jesus disse-lhe: “Se não virdes sinais e prodígios, não acreditais”. 49O funcionário do rei disse: “Senhor, desce, antes que meu filho morra!” 50Jesus lhe disse: “Podes ir, teu filho está vivo”. O homem acreditou na palavra de Jesus e foi embora.

51Enquanto descia para Cafarnaum, seus empregados foram ao seu encontro, dizendo que o seu filho estava vivo. 52O funcionário perguntou a que horas o menino tinha melhorado. Eles responderam: “A febre desapareceu, ontem, pela uma da tarde”. 53O pai verificou que tinha sido exatamente na mesma hora em que Jesus lhe havia dito: “Teu filho está vivo”. Então, ele abraçou a fé, juntamente com toda a sua família. 54Esse foi o segundo sinal de Jesus. Realizou-o quando voltou da Judeia para a Galileia.

Fonte: http://www.acidigital.com/

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REDAÇÃO CENTRAL, 15 Fev. 18 / 05:00 pm (ACI).- No dia 12 de fevereiro, completou-se 209 anos do nascimento de Charles Darwin, o reconhecido cientista que propôs a teoria da evolução através da seleção natural, um processo de transformação das espécies por meio de mudanças produzidas em gerações sucessivas.

O trabalho de Darwin, que foi divulgado em 1859, é aceito hoje por praticamente todos os cientistas. Entretanto, esta teoria é compatível com a fé católica?

Pe. Jorge Loring, em seu livro ‘Para Salvar-te’, afirmou sobre a teoria de Darwin que, embora “o corpo possa vir por evolução”, não ocorreria o mesmo com a alma de uma pessoa, porque esta “é espiritual”.

“Há muitos teólogos católicos que defendem esta teoria, que não é condenada pela Igreja. A partir da fé e da filosofia, não há inconveniente em admitir a teoria da evolução”, acrescentou.

Por sua parte, Pe. Mariano Artigas, doutor em filosofia, física e teologia, adverte em seu livro ‘As fronteiras do evolucionismo’ que o fato da evolução “é uma hipótese e não há algo cientificamente indiscutível. Afirma-se, mas não se prova”.

Em 1950, o Papa Pio XII afirmou na encíclica Humani Generis que o Magistério da Igreja não proíbe “que nas investigações e disputas entre homens doutos de ambos os campos se trate da doutrina do evolucionismo, que busca a origem do corpo humano em matéria viva preexistente”. Porém, enfatizou que “a fé nos obriga a reter que as almas são diretamente criadas por Deus”.

O próprio Darwin disse ao final de seu livro ‘A origem das espécies’ que “é grandioso o espetáculo das forças variadas da vida que Deus infundiu nos seres criados, fazendo-os se desenvolver em formas cada vez mais belas e admiráveis”.

Pew Research Center reuniu 6 fatos sobre o que as pessoas pensam em relação à evolução.

1. A minoria dos norte-americanos aceita a evolução

Segundo o estudo Religious Landscape Study, aproximadamente 6 de cada 10 adultos norte-americanos (62%) dizem que os seres humanos evoluíram com o tempo. Entretanto, 33% do total expressa a crença de que os seres humanos e outros seres vivos evoluíram exclusivamente devido aos processos naturais.

Um quarto dos adultos norte-americanos (25%) diz que a evolução foi guiada por um ser supremo.

A mesma pesquisa indicou que 34% dos norte-americanos rejeitam completamente a evolução.

2. A maioria dos cientistas acredita que os seres humanos evoluíram com o tempo

De acordo com uma pesquisa de 2014 sobre ciência e sociedade, enquanto 98% dos cientistas da ‘Associação Norte-americana para o Avanço da Ciência’ acreditam que os seres humanos evoluíram com o tempo, apenas dois terços (66%) dos norte-americanos, em geral, acreditam que os cientistas estejam de acordo sobre a evolução.

O público em geral que rechaça a evolução está dividido sobre se existe um consenso científico a respeito do tema: ‘47% diz que os cientistas estão de acordo com a evolução e 46% diz que não.

3. Decisões judiciais proíbem o ensinamento do Design Inteligente em escolas públicas

A teoria do Design Inteligente aponta a uma inteligência superior que deve ter criado a complexidade do sistema da criação.

Apesar dos esforços de muitos estados e cidades norte-americanas por proibir o ensino da evolução em escolas públicas e ensinar alternativas à evolução, os tribunais negaram nas últimas décadas os planos de estudo que se desviam da teoria evolutiva.

4. As igrejas protestantes são mais propensas a rechaçar a evolução nos EUA

Segundo o estudo Religious Landscape Study, uma sólida maioria (57%) de protestantes assegura que os seres humanos e outros seres vivos sempre existiram em sua forma atual.

Estas opiniões se refletem em grande medida nas posições das grandes igrejas protestantes, assim como, em muitos casos, na maioria de seus membros.

5. A maioria dos norte-americanos afirma que ciência e religião costumam estar em conflito

Segundo uma pesquisa de 2015, a maioria dos norte-americanos (59%) afirma que a ciência e a religião estão frequentemente em conflito. Entretanto, os que são mais praticantes de sua religião são menos propensos que outros a ver este “choque”.

Entre os que vão à igreja ao menos uma vez por semana, a metade (50%) considera que a religião e a ciência estão em conflito, em comparação aos que raramente ou nunca vão à igreja (73%).

Ao mesmo tempo, a maioria das pessoas (68%) diz que suas próprias crenças religiosas pessoais não chocam com a doutrina científica aceita.

6. Comparado aos Estados Unidos, em outros países a evolução é mais rejeitada

Na América Latina, aproximadamente 4 de cada 10 habitantes de vários países – incluindo Equador, Nicarágua e República Dominicana – dizem que os seres humanos e outros seres vivos sempre existiram em sua forma atual.

Isso ocorre mesmo quando os ensinamentos oficiais do catolicismo, que é a religião majoritária na região, não rejeitem a evolução.

Por outro lado, os muçulmanos em muitas nações estão divididos. Entretanto, a maioria dos países, como Afeganistão, Indonésia e Iraque, rejeitam a evolução.

Fonte: http://www.acidigital.com/

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Tudo, absolutamente tudo, muda na vida de uma mulher se ela tem fé

Já ouvi, muitas vezes, que a “fé é o exercício da memória”. É a capacidade de não somente lembrar-se do que é eterno e amável, mas também, de ser guiada por essas lembranças. Pela , sabemos que não são apenas lembranças, mas marcas profundas que trazemos pelas experiências que tivemos pelo caminho.

As lembranças que trazemos nos moldam sem que percebamos. Elas dão caminho para as nossas decisões, mas, também, às ações e reações. Por meio da memória, posso observar claramente como minha fé foi construída e entender que ela existe, e é vivida nas relações. Posso ter fé em mim mesma, fé em alguém e em Deus.

Tudo, absolutamente tudo, muda na vida de uma mulher se ela tem fé. Uma mulher que confia em Deus, confia em si mesma e também no outro, para estabelecer com ele relações duradouras e fecundas, podendo viver novas experiências ou dando a si outras chances quando as decepções chegam.

Nossa fé não pode depender de situações

Toda realidade interior, para manter-se viva e com qualidade de existência, necessita de alimento. A fé de uma mulher precisa de alimento nobre e seguro. Às vezes, temos a tentação de fazer com que a fé em alguém seja um alimento, mas, sabemos que o ser humano falha e nossa fé mais profunda não pode depender de instabilidades, incoerências ou decepções.

A convivência com pessoas que amamos provoca em nós vários gestos de confiança, mas toda fé depositada em um ser humano deve vir acompanhada de misericórdia e caridade, pois, o amor humano não subsiste sem uma elevada porção de compreensão, humildade e recomeços. Sim, uma mulher pode alimentar-se de bons relacionamentos para manter sua fé em pé e cada vez mais amadurecida e forte, porém, não deve depender da perfeição desses vínculos para ser fiel, porque eles realmente não existem com perfeição, somente com perfeito esforço.

Uma mulher inteligente ama a verdade

Uma mulher inteligente ama a verdade e a busca com toda intensidade de seu ser. Ela precisa estar atualizada diante de tantos estímulos modernos, que pretendem insistentemente dissolver sua vida interior. Ela precisa ler bons livros, que não alimentem somente seus afetos e sede de boas sensações e emoções, mas, que deem resistência e solidez à sua mentalidade; ela precisa ver bons filmes e estimular a abertura à sua realidade e, também, aos que estão à sua volta; ouvir pregações que a levem a um lugar cada vez mais sagrado em sua alma. Uma mulher inteligente precisa, constantemente, dar conteúdos bons a si mesma e alargar a capacidade de compreensão de sua alma, crescer espiritualmente não somente com as experiências providentes da vida, mas deliberadamente com esforço e vontade forte. Isso é alimentar sua fé.

Tudo vai ficar diferente em uma mulher quando ela passar a entender que nem tudo o que ela sente é real, e que a alma precisa de alimento sólido para amadurecer, crescer e, assim, fazer boas escolhas. Por isso, antes de se tornar uma mulher de fé, é preciso tomar uma decisão que implicará em gasto de tempo e esforço; a menos que essa mulher decida ficar “sempre a mesma”. O que não é real, porque, quem para no tempo anda para trás, com mais velocidade do que se imagina e sente.

Alimentar a fé não é uma atitude apenas emocional, não é um impulso sentimental. Mas sim uma decisão consciente e bem acordada. Do mais secreto lugar em uma alma feminina, no seu lugar mais consciente e comprometedor, é que uma mulher decide mudar. A fé é um dom de Deus, mas a melhora e o crescimento dela depende de uma decisão interna. É uma das decisões mais importantes da vida, pois muda um destino inteiro. Que você, mulher, decida-se a ser uma pessoa movida pela fé em Deus!

Isso sim é típico de uma mulher de fé, porque, ela se deixa mover pelo Espírito de Deus. Uma mulher de fé é uma mulher de decisão, ainda que discreta e silenciosa.

A partir de uma Mulher discreta, silenciosa e muito decidida, Deus pôde interferir na história da humanidade inteira! É preciso agir interiormente. Isso é uma mulher de fé. Você quer ser uma mulher assim?

Fonte: https://formacao.cancaonova.com/

Roma, 10 Out. 17 / 05:30 pm (ACI).- Patrick Canac, um empresário francês de sucesso, foi batizado, mas, como muitas pessoas, com o passar dos anos afastou-se da Igreja. Entretanto, há pouco mais de um ano, viu como a sua vida deu uma volta de 180 graus: voltou para a Igreja e doou uma grande quantidade de dinheiro para a construção de um novo seminário no seu país.

Mas, qual é o motivo da sua volta à fé? O testemunho do Pe. Jacques Hamel, sacerdote assassinado em agosto de 2016 por dois jihadistas do ISIS enquanto celebrava a Missa em uma pequena cidade francesa.

“Eu fui educado na fé cristã. Recebi o batismo e todos os sacramentos de iniciação cristã, mas depois eu me afastei da prática religiosa por muito tempo”, explicou o empresário ao Grupo ACI durante uma visita a Roma.

“No ano passado, fiquei impressionado com o assassinato do Pe. Jacques Hamel em uma igreja em Rouen”. “O terror presente nesta igreja me recordou os tempos mais escuros da nossa civilização”, confessou.

Apesar de estar afastado da fé, reconhece que naquele momento pensou que todos “nós temos raízes judaico-cristãs” que “devem ser defendidas e salvas”.

“A minha reação foi imediata, foi um reflexo, como se tivessem assassinado o meu irmão. Que hoje seja possível entrar em uma igreja e matar o celebrante é algo terrível, é um horror, é o diabo que entra em uma igreja”.

“Eu reagi sem pensar. Os mesmos problemas existem no Oriente Médio, onde os cristãos são assassinados. E dentro de mim, reagi dizendo: ‘Eu sou cristão e eu tenho que fazer alguma coisa, colocar a disposição as minhas capacidades’”.

De fato, Patrick doou uma grande quantidade de dinheiro para construir o novo seminário Redemptoris Mater, em Avignon, na França. Aos poucos, o projeto começou a se tornar realidade e o Papa Francisco abençoou a primeira pedra do prédio na Audiência Geral de 4 de setembro, na Praça de São Pedro.

“Acho que é importante que nossos países ocidentais – obviamente a França – sejam evangelizados, que as pessoas sejam encorajadas a aproximar-se novamente da Igreja, porque a Igreja é o berço da nossa evangelização”.

“Penso nos primeiros cristãos, que foram pioneiros, estes missionários e mártires que anunciaram o Evangelho em todo o mundo. E essa é a razão pela qual eu coloquei a disposição as minhas habilidades nos negócios, a fim de ajudar este projeto de construção do seminário Redemptoris Mater, em Avignon”.

O empresário sublinha que “trata-se de um projeto de formação de missionários, um projeto moderno, internacional, ecumênico, aberto ao mundo. Permite a formação de sacerdotes que irão à missão para evangelizar”.

“É um projeto de formação de missionários, de presbíteros que evangelizarão pessoas como eu para que possam voltar para a Igreja”, destacou novamente.

Além disso, considera que “é importante na situação atual da França, que está ameaçada”. “Depois do assassinato do Pe. Hamel, sinto que a nossa civilização judaico-cristã está sendo ameaçada. Tudo o que contribui na formação das pessoas que anunciarão o Evangelho, uma palavra cristã de paz e de amor deve ser ajudado”, reconheceu.

Também não pode esquecer que foi o próprio Papa Francisco que autorizou o início do processo de beatificação do sacerdote assassinado sem ter que esperar 5 anos após sua morte.

“Concordo totalmente com a proposta do Papa Francisco. O Pe. Hamel é um mártir. O que eu conheci a respeito do seu comportamento antes de ser assassinado é que ele é um verdadeiro cristão, digno de um mártir. Ele tentou convencer os seus assassinos de que estavam fazendo o mal. A sua atitude foi extraordinária e exemplar para todos, cristãos e não cristãos”, sublinhou visivelmente emocionado.

Fonte: http://www.acidigital.com/

US writer and motivational speaker Lizzie Velasquez delivers a speech during a conference at the National Auditorium in Mexico city, on September 5, 2014 in the framework of Telmex foundation's "Mexico Siglo XXI" forum, owned by Mexican tycoon Carlos Slim. AFP PHOTO/RONALDO SCHEMIDT (Photo credit should read RONALDO SCHEMIDT/AFP/Getty Images)

Ela descobriu esse “apelido” ao ver a própria face num vídeo do YouTube. Mas o apelido não é só cruel: é essencialmente falso.

que você faria se estivesse navegando na internet e achasse um vídeo chamado “A mulher mais feia do mundo”, com 4 milhões de visualizações, e percebesse que o rosto exibido nele é o seu próprio?

Você choraria? Eu choraria.

Você leria todos e cada um dos milhares de comentários execráveis, alguns dos quais recomendando que você se matasse para fazer um favor ao mundo? Eu leria.

Você se deixaria abalar dolorosamente e cairia em desespero? Eu, provavelmente, sim.

Ou será que você escolheria um caminho diferente e mais corajoso?

Será que você transformaria esse momento traumático no impulso para levantar a voz incansavelmente contra o assédio covarde, para questionar os nossos frívolos padrões de beleza e para testemunhar o que significa ser essencialmente uma pessoa bela?

Lizzie Velasquez escolheu este outro caminho.

Ela nasceu quatro semanas antes do previsto e os médicos ficaram tão impactados com a sua aparência que primeiro levaram uma fotografia Polaroid aos seus pais a fim de prepará-los para verem a própria filha. Mas os pais não quiseram a foto: eles queriam a sua bebê e exigiram que os médicos a levassem imediatamente até eles.

O diagnóstico de Lizzie é de síndrome progeroide neonatal, um transtorno genético que lhe dificulta ganhar peso e que a deixou cega do olho direito e com visão limitada no esquerdo. Lizzie cresceu no Texas sabendo que o seu aspecto era diferente do das outras crianças, mas também consciente de que o profundo amor dos pais e das irmãs por ela lhe assentava os alicerces da confiança e da segurança pessoal.

Foi essa confiança alicerçada no amor de seus pais o que a salvou naquele dia em que ela encontrou a própria imagem no vídeo do YouTube chamado “A mulher mais feia do mundo”, quando tinha 17 anos.

Depois de ler todos os comentários, procurando desesperadamente uma pessoa que a defendesse, foi buscar a mãe na sala de estar.

“Se aquele vídeo tinha me machucado tanto, eu não conseguia imaginar o quanto ele iria machucar a minha mãe. E acredito que, naquele momento, se acendeu para mim uma luz: eu não estava disposta a ficar ali sentada e deixar que aquelas palavras fossem a definição de quem eu sou”.

Um ano mais tarde, o diretor da sua escola pediu a Lizzie para fazer um discurso aos alunos do instituto. O diretor lhe garantiu com antecedência que haveria professores por perto para acalmar os estudantes se eles se alvoroçassem. Não precisou: na metade do discurso, quando Lizzie levantou o olhar para o auditório, seus companheiros estavam todos em absoluto silêncio e totalmente concentrados nela. Alguns até começaram a chorar. Naquele momento, Lizzie sentiu que a “barreira de ser diferente” desaparecia e que todos eram apenas “um grupo de pessoas”.

A experiência foi um ponto de virada para ela, que, desde então, se tornou conferencista motivacional e uma ardente defensora do respeito a todos e do fim do assédio. Foi palestrante no Tedx Talks, escreveu livros e tem seu próprio canal no YouTube. Durante toda a vida, Lizzie confiou na sua fé católica para superar os momentos mais escuros.

“Foi a minha rocha esse tempo todo. Basta dedicar um tempo sozinha a rezar e falar com Deus para saber que Ele está aqui para mim”.

Demonstrando que a verdadeira beleza só pode ser vista pelos olhos da alma, Lizzie também declarou:

“Deus me abençoou com a maior bênção da minha vida, que é a minha síndrome”.

Fonte: https://pt.aleteia.org/

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As provações são fontes do fortalecimento e do combate espiritual

As provações nos fortalecem para o combate espiritual, por isso os apóstolos sempre estimularam os fiéis a enfrentá-las com coragem. São Pedro diz: ““Caríssimos, não vos perturbeis no fogo da provação, como se vos acontecesse alguma coisa extraordinária. Pelo contrário, alegrai-vos em ser participantes dos sofrimentos de Cristo”” (1 Pe 4,12). Ensinando-nos que essas dificuldades nos levarão à perfeição: ““O Deus de toda graça, que vos chamou em Cristo à sua eterna glória, depois que tiverdes padecido um pouco, vos aperfeiçoará, vos tornará inabaláveis, vós fortificará”” (1 Pe 5,10).

O mesmo apóstolo nos ensina que a provação nos “aperfeiçoarᔠe nos tornará “inabaláveis”. É importante não se deixarmos perturbar no fogo da provação. Não nos exasperar, não perder a paz e a calma, pois é exatamente isso que o tentador deseja.

Agindo diante da provação

Uma alma agitada fica a seu bel-prazer, não consegue rezar, fica irritada, mal-humorada, triste, indelicada com os outros e acaba deprimida.

O antídoto contra tudo isso é a humilde aceitação da vontade de Deus no exato momento em que algo desagradável nos ocorre, dando, de imediato, glória a Deus, como São Paulo ensina:

“Em todas as circunstâncias dai graças, pois esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus” (1Tes 5,16).

É preciso fazer esse grande e difícil exercício de dar glória a Deus na adversidade. Nesses momentos, gosto de glorificar a Deus, rezar muitas vezes o “”Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo”,  até que minha alma se acalme e se abandone aos cuidados do Senhor.

Essa atitude muito agrada ao Senhor, pois é a expressão da fé pura de quem se abandona aos Seus cuidados. É como a fé de Maria e de Abraão, que “esperaram contra toda esperança” (cf. Hb11,17-19), e assim agradaram a Deus sobremaneira.

Da mesma forma, Jó agradou muito ao Todo-poderoso, porque no meio de todas as provações, tendo perdido todos os seus bens e todos os seus filhos, ainda assim soube dizer com fé:

“Nu saí do ventre da minha mãe, nu voltarei. O Senhor deu, o Senhor tirou; bendito seja o nome do Senhor!” (Jo 1,21).

Afirmam os santos que vale mais um ““Bendito seja Deus!” pronunciado com o coração, no meio do fogo da provação, do que mil atos de ação de graças quando tudo vai bem.

Limpe seu coração

O Jardineiro Divino da nossa alma sabe os métodos que deve empregar para limpar cada alma. Não se assuste com as podas que Ele fizer no jardim de sua alma.

Santa Teresa diz que ouviu Jesus dizer-lhe: “”Fica sabendo que as pessoas mais queridas de meu Pai são as que são mais afligidas com os maiores sofrimentos””. Por isso afirmava que não trocaria os seus sofrimentos por todos os tesouros do mundo. Tinha a certeza de que Deus a santificava pelas provações. A grande santa da Igreja chegou a dizer que “quando alguém faz algum bem a Deus, o Senhor lhe paga com alguma cruz”.

Para nós, essas palavras parecem um absurdo, mas não para os santos, que conheceram todo o poder salvífico e santificador do sofrimento.

“As nossas tribulações de momento são leves e nos preparam um peso de glória eterna” (II Cor 4,17).

Quando São Francisco de Assis passava um dia sem nada sofrer por Deus, temia que o Senhor tivesse se esquecido dele. São João Crisóstomo, doutor da Igreja, diz que “é melhor sofrer do que fazer milagres, já que aquele que faz milagres se torna devedor de Deus, mas no sofrimento Deus se torna devedor do homem”.

Lute contra suas misérias

As ofensas, as injúrias, os desprezos, os cinismos irritantes, as doenças, as dores, as lágrimas, as tentações, a humilhação do pecado próprio nos são necessários, pois nos dão a oportunidade de lutar contra as nossas misérias.

Isso tudo, repito mais uma vez, não quer dizer que Deus seja o Autor do mal ou se alegre com o nosso sofrimento. Não! O que o Senhor faz, de maneira até amável, é transformar o sofrimento, que é o salário do próprio pecado do homem, em matéria-prima de nossa própria salvação, dando assim, um sentido à nossa dor.

A partir daí, sob a luz da fé, podemos sofrer com esperança. É o enorme abismo que nos separa dos ateus, para quem a dor e a morte continuam a ser o mais terrível dos absurdos da vida humana.

A provação produz a perseverança, e por ela, passo a passo, chegaremos à perfeição, como nos ensina São Tiago.

“Sofrer com paciência é sabedoria, pois assim se vive com paz. Quem sofre sem paciência e sem fé revolta-se, desespera-se, sofre em dobro, além de fazer os outros sofrerem também.

Santo Afonso disse que ,“neste vale de lágrimas, não pode ter a paz interior senão quem recebe e abraça com amor os sofrimentos, tendo em vista agradar a Deus”. Segundo ele, “essa é a condição a que estamos reduzidos em consequência da corrupção do pecado”.

Fonte: Comunidade Shalom – via Canção Nova

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Para estes dias em que parece que Deus não nos, vê, não nos ouve, nem nos ama

Eu cresci pensando que um relacionamento com Deus era uma transação: eu dava a Deus quantidades mínimas de meu tempo e oração, e, em troca, esperava ganhar algo Dele. Eu supunha que eu receberia um sentimento, uma palavra, uma visão. Não ajudei o Ministério da Juventude a colocar uma ênfase muito grande no fato de que a desolação espiritual não era normal, e que você poderia obter algo de Deus, caso tentasse.

Durante todo o meu período escolar, me senti ignorada por Deus. “Eu devo ser muito pecaminosa”, pensava. Olhava ao redor e todos tinham uma história para contar, uma revelação para compartilhar. Eu não conseguia me relacionar. As palavras “ateia” e “agnóstica” vinham sempre em minha mente. Elas pareciam tão estranhas, mas tão gratificantes… “Deus, se você está lá fora, pegue isso!” – eu dizia. “Isso O mostrará! Eu não preciso de Você”, completava.

Isso foi há mais ou menos 3 anos. De lá para cá, eu descobri minha fé. No entanto, eu ainda sofro imensamente daquele sentimento de que Deus não me vê, não me ouve, nem me ama completamente.

Por isso, aqui estão algumas dicas que eu usei para me ajudar a passar por uma das mais dolorosas experiências espirituais: a desolação.

  1. Inspire-se em Madre Teresa de Calcutá

Madre Teresa é conhecida por sua experiência de desolação espiritual. “Estou convencida”, dizia ela, “que um momento é suficiente para resgatar toda uma existência miserável, uma existência, talvez, considerada inútil.”  Na pequena experiência que ela teve com o sentimento da presença de Deus, ela sabia que o que ela tinha recebido era uma graça, e que era real. Ela nos mostra que devemos encarar o amor de Deus como um dom que vale toda uma vida de miséria. Ela olhou para trás e viu como Deus tinha trabalhado em sua vida, e que Ele a alimentou e empurrou-a para a frente durante seus anos de desolação.

Vamos, assim como Madre Teresa, valorizar as vezes que nos encontramos intimamente com Cristo, e ,ao invés de desejar mais, agradecer a Deus pelo que Ele já nos concedeu. Depois disso, vamos avançar para estender o reino de Deus aqui na terra.

  1. Adoração e oração

Recentemente, eu tive uma experiência de adoração que eu nunca mais vou esquecer. Depois de conversar com uma freira dominicana sobre minha desolação espiritual, eu fui para a adoração para pegar alguns conselhos dela. Ela me disse para tentar apenas repousar na santa presença de Deus, ao invés de tentar compreender alguma coisa sobre Ele.

Então, eu entro em adoração e fico aos pés de Jesus. Como uma comporta aberta, uma oração começa a correr para fora de mim. “Deus, estou cansada. Eu venho aqui toda vez procurando, tentando entender e alcançar algo. Eu nem sei o que estou procurando. Estou esgotada. Eu acho que eu só quero ter a certeza de que, como todo o mundo me disse, Você me ama. É cansativo, Senhor. Eu estou exausta! Eu te dou isso. Eu não quero mais isso. Tire isso de mim. Deixe que Você seja o suficiente para mim. Deixe-me descansar em Você, e venha sem expectativas de que eu vou sair dessa.”

Eu, finalmente, me senti livre – não da desolação, mas do estresse de tentar resistir constantemente a isso. Agora, eu me sinto livre para estar neste estado de desolação. Eu me sinto livre para deixar a vergonha na porta. Eu me sinto livre para parar de me agarrar na minha alma desolada, tentando sair.

Tire um tempo para estar diante Dele e para entregar a Ele suas inseguranças provocadas pela desolação. Isso vai deixar você mais livre do que você imagina.

  1.  Entenda isso como uma dádiva

Santo Inácio, em suas “Regras para o Discernimento dos Espíritos”, primeiro diz que se não estivermos tentando fazer as coisas funcionarem com Deus, elas não vão funcionar. Mais importante, porém, ele diz que a desolação pode ser permitida por Deus para ver até aonde iremos na fé, para levarmos louvor e glória até Ele. Em terceiro lugar, ele diz que pode ser uma maneira de nos fazer ver a consolação como um verdadeiro dom que só Deus pode dar. Ao dizer que a consolação é um dom, Inácio compreendeu que a desolação é algo crucial para o reconhecimento da nossa consolação não como um prêmio ou algo que ganhamos ou recebemos cada vez que chegamos à oração, mas sim um dom flagrante de Deus. Assim, a desolação se torna um presente para nos dar a realização.

Sim, é fácil “desistir”. É fácil ter ciúme. Mas é difícil perseverar e dar a Deus tudo o que temos, mesmo que sintamos que não estamos necessariamente recebendo tudo o que pensamos que precisamos. É difícil pegar a nossa Bíblia e dizer: “Deus, eu te concedo este tempo, porque quero avançar o teu reino, não importa em que condição estão o meu coração e a minha alma. ”

Todos nós sofremos. Todos nós temos uma cruz a carregar, não importa se grande ou pequena. Por que não aceitar a cruz como oportunidade de santificação? Uma oportunidade para mostrar a Deus que Ele vale a nossa luta, a nossa dor e a nossa constante perseverança?

Portanto, vamos ser como a Madre Teresa, e tantos outros santos homens e mulheres, que lutam pela santidade quando é mais difícil lutar. Quando é mais difícil orar. E quando é mais difícil levantar os olhos para aquele que nos ama.

Deus, faça-nos santos através disso.

Fonte: ALETEIA EUA

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Autora Mary Eberstadt destaca a correlação entre o enfraquecimento do casamento e da natalidade e o declínio da fé

Que o cristianismo parece estar em declínio em muitos países do Ocidente é coisa visível para praticamente todo o mundo, mas as respostas sobre o como e o porquê desse fenômeno ainda devem gerar muito debate.

Os exames desse processo de secularização apontam hipóteses baseadas em fatores comportamentais ligados, por exemplo, à urbanização e à tecnologia. De fato, não faltam estatísticas indicando que a prática religiosa cristã diminuiu em quase todos os países considerados mais desenvolvidos do ponto de vista econômico. Também é frequente apontar uma relação entre o declínio da família tradicional e o declínio da religião.

No entanto, a autora norte-americana Mary Eberstadt, em sua obra How the West Really Lost God (“Como o Ocidente perdeu Deus”, sem tradução ao português até o momento), apresenta uma abordagem diferente ao examinar essa relação dentro do processo geral de secularização: enquanto o mais comum é identificar o enfraquecimento familiar como consequência do enfraquecimento religioso, Mary Eberstadt propõe o contrário: que o declínio da família é uma causa do declínio da religião.

Observando que somos as pessoas mais livres da história da humanidade e, ao mesmo tempo, as mais indigentes em termos de vínculos familiares e de fé, ela ilustra a ligação fé-família citando estudos e pesquisas empíricas que, por exemplo, informam que a tendência a ir à igreja cai nas famílias com menos filhos e que, por outro lado, os homens casados e com filhos têm o dobro de probabilidade de frequentar a igreja se comparados com os homens solteiros e sem filhos. Além disso, ela cita pesquisas que demonstram que convivência pré-marital também interfere negativamente na vivência da fé.

O que você decide a respeito da sua família é um forte indicador de quanto tempo você vai dedicar ou não à igreja“, considera a autora, propondo que famílias mais sólidas e numerosas levam as pessoas a serem mais religiosas.

Mary Eberstadt reconhece que a correlação não é necessariamente de causalidade, mas destaca a mútua influência que existe entre os fatores “família” e “fé” – e entre o enfraquecimento de um e do outro. Para mencionar outro exemplo: à medida que caíram as taxas de fertilidade em muitos países ocidentais, cada vez mais pessoas passaram a “morar juntas” em vez de se casar sacramentalmente e, em paralelo, cada vez menos gente continuou frequentando a igreja. “Mais crianças e mais casamentos significam mais Deus”, conclui Eberstadt após descrever e comentar a série de transformações demográficas das últimas décadas.

A autora aborda ainda outros “clichês” da relação entre família e religiosidade, como o fato de as mulheres em geral serem mais religiosas do que os homens: enquanto outras teses aventam que a feminilidade seria mais “propensa” do que a masculinidade à prática religiosa, Eberstadt sugere algo mais constatável na prática: que a experiência da família e dos filhos, mais imediata na mulher do que no homem, leva mais facilmente à vivência da religiosidade.

Ela considera que a paternidade/maternidade pode levar os pais a uma prática religiosa mais frequente devido à necessidade, por exemplo, de proporcionar aos filhos um ambiente mais favorável à vida de comunidade.

É particularmente interessante a observação de que o cristianismo é “uma história contada através da perspectiva de uma família de 2000 anos atrás”; assim, numa sociedade cada vez mais individualista e familiarmente fragmentada, as dinâmicas familiares tornam mais fácil enxergar o sentido e sentir a atração da proposta cristã.

Mary Eberstadt registra também que as chamadas “novas tendências familiares” contrárias ao cristianismo deverão continuar a se expandir no Ocidente nos próximos tempos, mas destaca, em paralelo, que a “virada” também tende a acontecer mais cedo ou mais tarde: além do histórico de renascimentos do cristianismo em panoramas difíceis, é preciso recordar que, antropologicamente, o ser humano precisa dos vínculos familiares e voltará a recorrer a eles quando perceber que a sua ruptura não lhe trouxe nem verdadeira autonomia nem verdadeira felicidade. Aliás, a autora ressalta que, embora as pessoas não gostem de ouvir que estão erradas, o cristianismo não tem como deixar de lado a sua missão de propor um estilo de vida em que somos todos filhos do mesmo Pai; um estilo de vida que, necessariamente, implica sólidos laços de família, matrimônio indissolúvel e abertura irrevogável à vida em quaisquer circunstâncias, por mais desafiadoras que se apresentem.

A obra de Mary Eberstadt conclui, em suma, que o cristianismo e as famílias saudáveis significam uma grande vantagem para a sociedade em sua busca de sentido e felicidade.

Fonte: ALETEIA BRASIL

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Separar sua vida espiritual da sua vida profissional pode fazer você sentir como duas pessoas diferentes

Era Quarta-feira de Cinzas quando enfrentei o dilema. Eu queria receber as cinzas para marcar o início da Quaresma, mas simplesmente não poderia fazê-lo. Estava muito envergonhada.

O pensamento de aparecer para trabalhar com uma grande mancha preta na minha testa me fez suar frio. O que os colegas de trabalho achariam? Será que eles me perguntariam sobre isso? Será que as pessoas olhariam para mim nas reuniões? Será que elas pensariam que eu era muito devota?

Não me interpretem mal: não tenho vergonha da minha fé. Mas não quero ser o centro das atenções. Estou com medo de ofender alguém, ou deixar os colegas de trabalho desconfortáveis mostrando minha fé.

Então, eu não fiz. Não fui à igreja e não ouvi o padre dizer “pois tu és pó e ao pó tornarás” (Gn 3,19), enquanto passava cinzas na minha testa. Perdi um importante ritual da minha fé porque estava com medo.

Frequentemente luto com o quanto deixo minha fé aparecer no trabalho – ou se deveria deixá-la aparecer em tudo.

Tenho lidado com diferentes formas desta luta desde a infância – na escola ou em outros ambientes sociais. Cresci em uma Igreja Batista fundamentalista onde tinha que testemunhar e participar de visitas porta a porta. Parecia frio chamar os vizinhos para tentar convertê-los ao cristianismo – o pior pesadelo para um introvertido. Isso me traumatizou. Na escola eu pensava que era pecadora se não tentasse abertamente convencer meus amigos agnósticos a mudarem para a equipe cristã. Lembro-me desajeitadamente convidando uma amiga para ir à igreja comigo. Poderia dizer que ela não queria ir – mas se sentiu obrigada. Essas experiências me deixaram com uma forma de TEPT (transtorno de estresse pós-traumático) de evangelismo. Eu tremo ao pensar em forçar minha fé sobre alguém. Não admira que hesite em expor muito de minhas crenças no trabalho.

Ao mesmo tempo, também não quero sentir como se estivesse vivendo duas vidas: minha vida “profissional” e minha “outra” vida. Quero integrar minha vida. Então, qual é a resposta? Como posso ter a integridade – não ter que esconder partes de mim – quando se trata de fé e trabalho? E o que dizer de ser luz e sal? Sabendo que este estado de conflito do ser afeta muitas pessoas, decidi procurar respostas de estudiosos espirituais.

“Alguns dos antigos métodos de compartilhamento evangélico são imprudentes, se não forem abruptamente antiético”, diz Bill Peel, diretor do Center for Faith at Work at LeTourneau University, e autor do Workplace Grace: Becoming a Spiritual Influence at Work. Ele escreve que um bom modelo de evangelização no trabalho deve respeitar a integridade e a vulnerabilidade do descrente, ao mesmo que respeita o profissionalismo do local.

Na verdade, se um empregado tenta demasiadamente converter os colegas de trabalho, pode ir contra a lei. A mesma lei federal americana que proíbe os empregadores de discriminação contra funcionários com base em sexo, cor, nacionalidade e religião, exige que o empregador mantenha um ambiente de trabalho livre de assédio.

Assim, os gestores de RH têm que encontrar um equilíbrio delicado quando se trata de lidar com a evangelização no trabalho. Eles têm de permitir que os funcionários tenham liberdade religiosa, mas também têm de proteger os trabalhadores contra pressões.

Courtney Leyes escreve em HR Professionals Magazine que “é obrigação do empregador tomar medidas razoáveis para manter um ambiente de trabalho livre de assédio. Se houver queixa de conduta, o proselitismo é indesejável”, o profissional de RH não necessariamente deve permitir o proselitismo à custa de outros colaboradores.

Em seu artigo 10 Reasons it’s Wrong to Evangelize in the Workplace, John Shore diz: “a menos que parte da descrição do seu trabalho diga, ‘evangelizar seus colegas de trabalho’, você está efetivamente roubando de seu empregador quando gasta o tempo na empresa fazendo isso. Pior, você está deixando o seu empregador vulnerável a todos os tipos de problemas que ele não quer. Como um especialista em Recursos Humanos sucintamente coloca: ‘a religião, como a política, é um tema no ambiente de trabalho que gera tempestade’”.


Atração, não promoção

Então, ao invés de forçar a minha fé sobre meus colegas de trabalho, ou ir para o outro extremo e trancar minha fé por completo, no trabalho costumo aderir à ideia da “atração, não promoção”. Eu gosto do que São Francisco dizia: “pregue o Evangelho o tempo todo. Se necessário, use palavras”.

O escritor Bill Peel escreve: “devemos, primeiramente, fazer bem o nosso trabalho. Temos de fazer o nosso trabalho com integridade. E devemos mostrar às pessoas que nós nos importamos”.

Isso soa como um bom conselho para mim.

Ao contrário da visitação de porta em porta, que fui forçada a fazer quando criança, agora expresso minha fé mais silenciosamente. Eu tento fazer bem o meu trabalho e cuido daqueles com quem trabalho. Uso um crucifixo que me faz lembrar que sou filha amada de Deus. Posto coisas na minha página do Facebook sobre ir à missa, ou adiciono um link para um artigo ou livro que tem temas espirituais. Escrevi um livro sobre a grandiosidade de Deus e convidei alguns dos meus colegas de trabalho à minha festa de lançamento do livro. Ficaria surpresa se alguém no trabalho não soubesse que minha fé era importante para mim.

Tento encontrar “Deus” nos momentos ao longo do dia. Os exercícios espirituais de Santo Inácio de Loyola lembram-me de encontrar Deus em todas as coisas. Como o momento em que um amigo no trabalho me procurou para tomar um café e falar sobre o significado da vida. Ou quando um colega de trabalho me procurou para confessar sua depressão – e me perguntou como a minha fé me dava esperança. E ainda outra vez que uma amiga estava chorando no banheiro porque o namorado tinha acabado de terminar com ela. Espero que tenha sido capaz de mostrar o amor de Cristo a todos esses colegas de trabalho.

Vamos encarar – o local de trabalho pode ser brutal. É muitas vezes um mundo cão, e os valores daqueles que o cercam podem não corresponder aos seus. Somos chamados a ser luz e a brilhar intensamente. Mas há muitas maneiras de fazer isso. E quando não sei como, recordo do crucifixo ao redor do meu pescoço e rezo para que Deus me mostre o caminho.

Karen Beattie é autora do Rock-Bottom Blessings: Discovering God’s Abundance When All Seems Lost. Seus artigos de revistas e ensaios foram publicados em America, Christianity Today e Power of Moms. Ela vive no lado norte de Chicago com o marido, a filha de 5 anos e um gato idoso.

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“Honraremos aqueles que foram morar com Deus”, completa o jogador que sobreviveu à tragédia da Chapecoense

O jogador Alan Ruschel, da Chapecoense, sobrevivente da tragédia com o voo da LaMia na Colômbia, deu mostras da sua fé e gratidão pelo milagre da vida e da recuperação ao postar a seguinte mensagem na rede social Instagram:

Os planos de Deus são maiores que os meus, tão grande que eu não posso imaginar?? Obrigado a todos pelo carinho,pela força, pelas orações e pensamentos positivos. Seguimos na luta e honraremos aqueles que foram morar com Deus. Pai, peço que ampare seus familiares e que os conforte!! Deus, obrigado pela misericórdia deste milagre, o Senhor é maravilhoso. OBRIGADO! ????

ALIANÇA

O lateral esquerdo da Chapecoense comoveu o mundo quando chegou em estado de choque ao hospital, na Colômbia, mas não parou de perguntar por sua família. Ele fez um pedido arrepiante à equipe médica:Guardem a minha aliança“!

SALVO POR UMA CRIANÇA

O resgate de Alan Ruschel também chamou a atenção do planeta por causa da surpreendente ajuda de um adolescente desconhecido, que, no caos daquela noite chuvosa, guiou os bombeiros até o local da tragédia.

FONTE: ALETEIA BRASIL

Faça esta oração acreditando firmemente em cada palavra… e deixe Deus agir em sua vida

Felizes os que não Te viram
e creram em Ti.
Felizes os que não contemplaram
Teu semblante
e confessaram Tua divindade.
Felizes os que, lendo o Evangelho,
reconheceram em Ti
aquele a quem esperavam.
Felizes os que, em Teus enviados,
divisaram Tua divina presença.

Felizes os que, no segredo, de seus corações,
escutaram Tua voz e responderam.
Felizes os que,
animados pelo desejo de tocar Deus,
encontraram-Te no mistério.
Felizes os que, nos momentos de escuridão,
aderiram mais fortemente à Tua luz.
Felizes os que,
desconcertados pela provação,
mantêm sua confiança em ti.
Felizes os que, tendo a impressão
de que estás ausente,
continuam a crer em Tua proximidade.
Felizes os que não Te viram,
mas vivem a firme esperança de Te ver um dia.
Amém.

(Autor: Frei Ignácio Larrañaga )

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E uma carta, linda e comovente, dos pais e dos irmãos de Gaspard, que sabem que cada dia pode ser o último deste garotinho nesta terra

Para dar a Deus todas as graças pelo aniversário do pequeno Gaspard, Aleteia compartilha estas palavras, belíssimas e comoventes, escritas pelos pais dele. Mas, antes, vamos apresentá-lo.

Gaspard nasceu em 30 de agosto de 2013, perto de Rennes, França. Ele tem um irmão de 9 anos de idade e duas irmãs, uma de 7 e a outra de 4 anos e meio (sim, para a nossa família, cada mês conta muito).

Em 29 de setembro de 2014 ele foi diagnosticado com a síndrome de Sandhoff. Esta doença, cuja prevalência na Europa é de cerca de 1 em 130.000 pessoas, implica a degeneração do sistema nervoso central.

Ela faz com que ruídos provoquem grandes sobressaltos, leva à cegueira precoce e causa uma gradual deterioração motora e mental. Há outros sintomas muitas vezes presentes, como um rosto de bebê (e é também por isso que Gaspard é tão bonito!), além de infecções respiratórias frequentes.

O desenvolvimento é normal até os primeiros 3 a 6 meses de vida, mas depois a doença se manifesta e evolui rapidamente. Não há tratamento específico para esta enfermidade. O prognóstico é sombrio: a esperança de vida raramente ultrapassa os 4 anos. Em suma, trata-se de uma vida curta, muitas vezes difícil, mas cheia de amor e ternura.

Em um gesto extraordinário de fé, a família de Gaspard tem compartilhado a sua história para dividir uma certeza: essa provação, inimaginavelmente dolorosa, pode ser encarada com a certeza de que Deus sabe por que permite um mistério tão assombroso – e de que haverá um reencontro, eterno, definitivo, no Céu.

Eis a carta dos pais neste aniversário de 3 anos do pequeno grande Gaspard:

* * *

No dia 30 de agosto de 2013, às 15h27, nós tivemos a grande alegria de conhecer o lindo rosto de Gaspard!

Então, feliz aniversário, pequeno Gaspard!

O nosso coração explode hoje de alegria! Que felicidade comemorar estes 36 meses todos juntos, nós seis, em casa! Que alegria recordarmos esse dia tão lindo! Nós ainda vamos contar aos seus irmãos e irmãs, pela 234ª vez, o dia em que você nasceu, e eles vão pedir para olhar de novo e de novo as fotos da maternidade!

Porque é preciso admitir: esperávamos este 30 de agosto de 2016 com uma mistura de impaciência e ansiedade, sem muita esperança. À medida que os dias passavam, mais essa data parecia um horizonte inatingível. Ah, como foram longas estas últimas noites e esses últimos dias!… Como escreveu a sua irmã Sibylle, com suas palavras infantis, no desenho que está na cabeceira da sua cama: “Gaspard, eu amo você e espero que você chegue aos seus 3 anos…“.

Este pode ser o seu último aniversário. Não importa. Bastam a cada dia os seus trabalhos. E nós estamos prontos para deixar você partir quando você e o Céu combinarem assim. É você que decide. De qualquer forma, lá do alto, você vai continuar a nos amar com bondade e a inspirar aqueles que amam você.

Nós estamos aqui por você, com todos os nossos erros, nossas imperfeições, nossas impaciências, mas com todo o nosso amor.

Nesta noite vamos jantar todos juntos, nós seis, no seu quarto. Vamos soprar as suas velinhas, lhe dar presentes, vamos rir. E você vai estar lá, no meio de nós. A sua pequena chama interior talvez trema um pouco mais a cada dia, mas as centenas de velas que brilharão em todos os lugares hoje à noite são a prova da imensa força interior que você demonstra desde o seu nascimento.

Então, mais uma vez, feliz aniversário, pequenino! Estamos orgulhosos de você! Ah, como somos pequenos! E você, como você é grande!

LEIA TAMBÉM OS EXTRAORDINÁRIOS DEPOIMENTOS DO PAI E DA MÃE DE GASPARD:

> O pai de Gaspard compartilha: Como ser o pai de um menino que vai morrer. Leia AQUI.

Fonte: ALETEIA TEAM

Cristianismo e Presença

Breve prólogo

Deus, Criador transcendente, revelou-se corporeamente na realidade sensível do homem, como Jesus Cristo, seu Filho Unigênito. Deus, que sempre estivera Presente, fez-se presente. Construiu, abriu e cruzou uma ponte (aliança) nova e eterna entre as dimensões divina e terrena, para salvar a humanidade. A ponte foi cruzada — a partir do Pai, pela presença do Filho — na unidade do Espírito Santo.

O Espírito Santo que concebeu o Filho na terra, no ventre da Virgem Maria, leva-nos também em sua unidade de volta ao Pai, através da revelação do Filho, que é o Caminho. O Espírito Santo, que concretizou a presença de Deus ao nosso lado, concretiza também a nossa presença ao lado de Deus.

Deus fez-se presente, sensivelmente, mas isso não quer dizer que os humanos já o estivessem, como poderíamos pensar: no pecado, estávamos e estamos adoecidos e ausentes. É como se estivéssemos aqui, mas não tanto quanto poderíamos. Nem para nós mesmos, nem para nosso próximo.

Em Cristo, presença sensível de Deus, recuperamos nossa própria realidade, espiritual e corpórea, ameaçada pelo pecado.

Cristo resgata nossa integridade e nosso vigor vital.

Conversão

Com o cristianismo aprendi, e continuo aprendendo, que o único meio possível e verdadeiro de se realizar como pessoa — de se realizar, isto é, de se tornar real — é a doação aos outros.

A doação de nós mesmos aos outros é o que nos realiza. É o que nos torna, mesmo, pessoas: antes disso, somos apenas indivíduos. É isso o que o cristianismo ensina, ou, mais do que ensina: revela.

Deus, que, pleno de poder e realidade, vive a se doar, como Amor, Razão e Graça, cujo poder está não em quanto tem e retém, mas em quanto dá e entrega do que É, fonte inesgotável e inabalável, pede a nós suas criaturas que façamos o mesmo: que saiamos da nossa contração e constrição e encontremos nossa realidade mais íntima e profunda fora de nós mesmos; nossa vida real, no cuidado e na atenção ao próximo.

Este é o sentido mesmo de nossa existência, a mensagem — inscrita em nós na aliança que Deus faz conosco ao nos criar — que somos chamados a entregar em vida. A vida é uma poderosa mensagem que nos é dada para entregarmos uns aos outros, cujo conteúdo essencial só se revela propriamente no ato da entrega: de nada adianta mantê-la no bolso, com apego, pois desse modo não será conhecida. Não podemos guardar essa mensagem: ela é a eterna Boa Nova, que não se pode conhecer sozinho, que exige a partilha, pois nunca pertenceu somente a nós mesmos, dada por Deus a todos nós.

Além de se tratar de um entendimento racional, isto é também algo que se comprova na experiência, com a graça da conversão: a doação de nós mesmos ao próximo nos realiza. E essa comprovação do entendimento na experiência evidencia a racionalidade da fé cristã.

Realização pessoal

As mais recentes gerações humanas cada vez mais buscam a realização “pessoal”: é o que buscam com mais sede e fome. A própria sociedade, e seus discursos mais tendenciais, empurra a todos nós nessa direção: realizem-se! — este é o maior e único objetivo; portanto, pede-se, nunca aceitem e parem nas escolhas e nos vínculos que ainda não levem a vocês a completa “realização”.

No entanto, justamente por essa mentalidade comprometer a capacidade humana de fazer escolhas e vínculos, bancá-los, apostar neles e responder a eles — em todas as “áreas” da vida, áreas cada vez mais compartimentadas — a sede e a fome só aumentam, e precipitam a espécie em um notável e disseminado estado de miséria espiritual e social.

Assim acontece porque tal busca é estimulada e se desloca no sentido mais equivocado possível: os indivíduos buscam a realização pessoal apenas em suas próprias pessoas, em si mesmos, na consideração incessante e absoluta dos seus desejos, critérios e interesses mais individuais como únicos valores e parâmetros para suas ações, reações e escolhas. Buscam a realização pessoal na aguda defesa solitária de seus desejos íntimos e apenas desses — não permitem mesmo que nada nem ninguém se coloque no caminho de “sua” realização. A realização é minha e no caminho dela ninguém se colocará! — tal é a postura que predomina.

Quanto mais se busca a realização dessa maneira, mais esta se distancia da pessoa, e o que surge no lugar e toma o indivíduo, esvaziando-o, é uma crescente frustração — a sensação incômoda de uma profundamente trágica irrealização de si. Um tornar-se irreal, que provoca um senso perturbador de desconexão do indivíduo com o mundo, com os lugares, com as coisas, com as pessoas e, logo, consigo mesmo. O indivíduo busca a si mesmo nas coisas e nas relações e, portanto, apenas encontra a si mesmo, porém vazio. Como não busca reconhecer e acolher o outro tal como é e se apresenta, não pode viver um ser-com o outro, muito menos ainda um ser-para o outro — não se vincula, e sem a vinculação não pode se preencher.

Mesmo em sua religiosidade, muitos indivíduos mantêm postura semelhante, que confirma em outra área de sua a vida a mentalidade mundana dominante: a religião ou a “espiritualidade” começam a aparecer como um outro meio de buscar a si mesmo, de conseguir respostas para seus objetivos pessoais, ou mesmo de receber, magicamente, a própria realização destes objetivos. Não se quer encontrar e amar a Deus, pois Deus, mesmo que nos dê o livre arbítrio, tem a Sua vontade sobre nós, que talvez não se iguale à nossa “própria”. Isto é, há uma “espiritualidade” propagada socialmente que está em total desacordo com o único verdadeiro e Santo Espírito, que já revelou e vem revelando suas leis a uma humanidade cega e surda.

Essas características mencionadas certamente não são exclusivas das gerações atuais e do que chamamos “mundo moderno”, mas marcam a história humana desde o Pecado Original, e talvez, apenas, ganhem formas sofisticadas em nossa sociedade contemporânea. Através dos tempos, a espécie humana se organiza e reorganiza socialmente para continuar evitando a realização da Verdade de formas mais “eficazes” e logo mais desastrosas. A sociedade tem sido, em nossa história, a regência global da não-vida; pois somente no reconhecimento do Criador, no dom recíproco e na comunhão das pessoas — evitados pelas estruturas e ideologias humanas mais diversas e até contrárias — pode a nossa vida se concretizar como vida verdadeira.

Como uma vida poderia ser verdadeira enquanto não olha para a Verdade de onde toda vida provém? Muitos homens discutem, distorcem e duvidam da realidade da existência de Deus, enquanto Deus é e permanece sendo a Rocha, Aquele que É. Nenhum homem jamais será tão Real quanto Deus. Deveriam discutir e duvidar da realidade de sua própria existência, os que resistem a Deus, o dono de toda Realidade.

A originalidade cristã

Aí se encontra a espiritualidade cristã: esta que pelo Espírito Santo nos concretiza como seres verdadeiramente vivos, pois nos faz reencontrar, dentro e fora, a nossa realidade mais profunda e alerta, religando o nosso âmago à nossa presença; a nossa intimidade mais essencial à nossa “com-vivência” concreta com os irmãos em Deus.

A espiritualidade cristã faz o Espírito irrigar novamente nosso corpo, e então torna esse corpo mais presente, ancorado e enraizado — isto é, real, realizado — do que nunca antes pudera estar. E essa realização do corpo vivo, através do Espírito, concretiza-se somente na doação de nós mesmos ao outro. A doação é o movimento essencial da Verdade, o movimento no qual a Verdade, que é o Amor de Deus, é encontrada face a face.

Essa é a originalidade cristã: não é uma espiritualização que tornaria etérea a pessoa, elevada para uma dimensão não-corpórea do puro espírito, que negaria ou desfaria o corpo para uma experiência individual alheia ao encontro, desfocada da vida presente para focar no além. No cristianismo, o que é além (Deus, o Absoluto) fez-se, faz-se e está presente, aqui mesmo, e nos leva a fazer o mesmo ao reconhecê-Lo.

No ato mesmo da conversão, morremos para o mundo da arrogância humana — distraído para as necessidades originais e primordiais da vida — para ressuscitarmos em uma vida nova, tal como criada e alimentada por Deus para ser sempre nova. Ressuscitamos como criaturas que começam a aprender, pela graça, a dividir com o Criador a responsabilidade pela vida que nos dá, em uma nova postura de Amor.

A originalidade cristã está em que a própria conversão é um movimento de doar-se, de sair de si para reconhecer um Outro: reconheço-me criatura do Deus perfeito que se revelou corpórea e espiritualmente a mim. E, doando-me a Ele, pois sem Ele eu nada seria, reencontro a mim, e a tudo e a todos. Pela comunhão com seu Corpo, e pela presença do seu Espírito, acho-me presente no verdadeiro mundo — que eu antes desconhecia. Mundo criado e revelado somente por Ele, fonte de toda existência.

A conversão ao cristianismo nos reintroduz na presença que havíamos perdido há tanto. Saímos do mundo irreal em que a presença se tornou escassa, em que impera a ausência, para reencontrarmos mais frequentemente a verdadeira vida, conforme as gradações de nossa abertura ao Espírito, que pode nos realizar objetivamente e nos colocar diante do outro, no encontro pleno.

Quando os que se encontrarem estiverem presentes e vivos pela graça do Espírito, a doação recíproca será igualmente mútuo acolhimento. E portanto será uma doação-acolhimento ancorada na Verdade — em que, como fundamento, estará a doação de si ao Deus Criador, e o acolhimento íntimo e pessoal da Verdade revelada e inscrita essencialmente em cada um de nós. Original doação-acolhimento reconhecida como imagem dos encontros humanos e, então, jamais comprometida em prol de uma convivência artificial ou patológica, em que as emoções se escondem, ou se impõem violentamente, para resguardar qualquer aparência. A convivência humana se corrige e se concretiza na Verdade.

Nesse caminho — o caminho estreito que leva à vida — o movimento de se doar não será aquele hesitante, que aguarda primeiro o acolhimento humano para só então se iniciar, fazendo-se parcialmente, esperando também o reconhecimento do outro para se completar. O humano não está pronto para acolher e reconhecer, portanto, se há essa espera, a real disposição de doação nunca se concretizará. Ficaremos nos entreolhando, desconfiados, aguardando aquele momento seguro que, pelos padrões relacionais distorcidos da sociedade — o caminho amplo que leva à morte — nunca chega.

Melhor será confiar que a disposição de doação gerará a firmeza e a segurança de que precisamos, pois assim é com Deus, que ama e dá a vida sem cessar, mesmo quando rejeitado por sua criatura, e permanece sendo a Rocha. Fomos acolhidos e reconhecidos por Deus no ato mesmo da criação; se estamos enraizados na doçura do Espírito e na firmeza da Rocha, podemos nos doar à vida, à vontade.

A verdadeira Filosofia

Em nossa doação à vida e ao outro, não nos perdemos. Não desfazemos a nossa subjetividade para nos tornarmos um com o outro a quem nos doamos: ao contrário, encontramos a nossa verdadeira e mais completa subjetividade na objetividade da doação amorosa ao próximo.

Este dom de si ao outro, apenas ele, pode revelar a nós mesmos nosso próprio rosto. Na partilha direta do amor perene que vem de Deus, que é a Lei de Deus, encontramos nossa imagem na semelhança com Ele, e encontramos essa imagem e semelhança também em nossos irmãos e irmãs acolhidos.

Da mesma maneira, na própria conversão à fé cristã, a pessoa não desfaz a sua subjetividade para se tornar um com o seu Deus. Quando crê, a pessoa se encontra finalmente em sua máxima pessoalidade — como subjetividade plena em presença, ao se reconhecer objetivamente criatura, ajoelhada diante da Presença do Criador, a Santa Pessoa, que, ao revelar-se, revela também a nós mesmos em nossa irrepetível originalidade.

Portanto, na conversão, Deus nos dá a descobrir que a única forma possível e verdadeira de nos realizarmos como pessoas é a doação, primeiramente ao nosso Criador, e logo também aos nossos irmãos e irmãs em Deus.

Isto não é uma filosofia. Não é um ponto de vista, uma concepção de mundo, um sistema de pensamento entre outros. Se pudermos nomear isto uma filosofia, será porque se trata de um Saber, justamente. Mas não um saber acadêmico, formulado por homens com seus próprios parâmetros. É o Saber por excelência, que vem do Outro, a nós revelado de fora por Aquele que Sabe, o Único que Sabe. O cristianismo, como sabia São Justino Mártir, é a verdadeira Filosofia.

Jesus Cristo é o Logos de Deus. O cristianismo é então esse Saber que não nos é imposto de fora, por uma instituição qualquer — mas nos é Revelado de fora para ser imediatamente redescoberto de dentro. Quantas conversões se dão porque esse Saber começa a ser intuído e sentido de dentro, e então vem a se conectar poderosamente com a expressão Externa do mesmo Saber nas Leis que nos foram dadas tão claramente (e historicamente) por nosso próprio Deus!

Encontramos a nós mesmos, finalmente, nesse Saber que nos foi dado de fora como Lei por Deus, porque essas são as Leis divinas inscritas essencialmente em nosso mais profundo ser, em nosso núcleo vivo e espiritual, no sentido mesmo da nossa existência, tal como criada por Deus.

Aquele que dá a serem escritas as Leis, na revelação mosaica e na revelação cristã, havia inscrito estas mesmas Leis — as Leis do Amor — no âmago de toda a sua criação.

As surpresas que nos aguardam

A verdade contida no núcleo desse Saber que é o da própria Vida é esta: — Vida é doação.

Assim, uma vida que não se doa não encontra a si mesma e sobrevive, portanto, com uma sensação reverberante de mortificação e perda.

Daí que buscar apenas ter, tomar para si, levar a vantagem — ganhar, receber, acumular — jamais poderá resultar na realização de uma vida, de uma pessoa, mas apenas na perda crescente da vida e da pessoa.

Assim como não poderá preencher um ser humano de vida a consideração apenas dos próprios parâmetros para a satisfação incessante, unida à incapacidade de lidar com as falhas e tropeços, e de afirmar a riqueza dos vínculos mesmo nas frustrações. Se não soubermos acolher e aceitar a completa pessoalidade do outro em sua dignidade integral, que inclui os acertos e as falhas, as virtudes e os pecados,  a frustração só poderá aumentar. A verdadeira realização inclui a capacidade de acolher os outros nos vínculos mesmo na incompletude, e isso é o que completa os vínculos, e a satisfação provinda deles. Onde o outro falha, a ele eu darei — é a disposição que podemos assumir. Sem essa disposição, o indivíduo, não percebendo o erro que origina o vazio de suas experiências, pergunta a si mesmo: por que quanto mais eu busco, mais eu perco?

Na conversão à fé cristã, são dadas por Deus à pessoa — como a mim foram dadas, recentemente, inspirando a escrita destas palavras —  oportunidades concretas para descobrir que quando doamos nossa presença aos outros, realizamo-nos; e os outros também se realizam, no acolhimento. Quanto mais doamos de nós mesmos, mais recebemos, não no sentido material, como às vezes se entende a noção de “é dando que se recebe”, mas num sentido vital profundo e imediato. Ao darmos, estamos recebendo, pois ao doarmos presença viva conhecemos a perenidade da fonte. Então, nos sentimos  — podemos nos sentir, finalmente—  reais.

Tornamo-nos pessoas na doação de nossas pessoas. Não perdemos pedaços, mas justamente nos completamos, ganhamos na doação de nós mesmos ao outro os pedaços que nos faltavam e saímos mais íntegros, mais realizados.

A pessoa se realiza na doação de si: que doce surpresa, há tanto escondida de nós!

São doces e poderosos os mistérios de Cristo.

Talvez a sua fé seja uma grande luta nesse momento. Talvez você não consiga ver a relevância dela na sua vida.

Caro jovem católico,

Só porque você tem que fazer algo, não quer dizer que seja fácil, nem que você tenha que fazê-lo sozinho ou sem apoio. Há ocasiões em que é difícil ser católico. Quando você sente que é a única pessoa em todo o mundo que acredita no que acredita. Ou quando as expectativas depositadas em você são enormes e impossíveis. Há ocasiões em que nadar contra a corrente da sociedade é simplesmente exaustivo, em que a fé é confusa ou em que a santidade parece não ter nenhuma recompensa.

Talvez a sua fé seja uma grande luta nesse momento. Talvez você não consiga ver a relevância dela na sua vida. Talvez tudo esteja indo bem para você, mas a fé pareça ser uma obrigação. Ou talvez, ultimamente, tudo esteja desabando ao seu redor e Deus pareça distante, frio e silencioso. Talvez a raiva e a dor estejam obscurecendo tudo e você não consiga enxergar o seu futuro. Ou talvez você saiba que a sua fé significa tudo para você, mas o preço que paga por ela é maior do que jamais imaginou e não há ninguém além de você para apoiá-lo ou encorajá-lo.

Pode ser que tudo o que você sinta seja autopiedade pelas vezes em que cometeu erros. Talvez você esteja cansado de se explicar, ou de desistir de relacionamentos quando se recusa a comprometer o seu valor próprio. Talvez você tenha experimentado tamanha rejeição pelo fato de ser católico que pense não ter mais nada a oferecer a mais ninguém. Talvez sinta falta de amigos que compartilhem a sua fé, que compreendam quem você é e por que acredita nessas coisas. Talvez você deseje ter alguém com quem possa ir à Missa, com quem possa rezar e para quem possa explicar as suas dúvidas e dificuldades. Talvez você esteja exausto de ter que defender aquilo que é fonte de tanta alegria.

É muito duro quando não há ninguém por perto para lembrá-lo de que todo esse esforço vale a pena. É desencorajador quando mais ninguém compreende o quanto pode ser solitário ir sozinho à Missa. Ou quanta força se requer, e quanta tristeza se produz, quando você se afasta de situações que sabe não serem corretas. Talvez você esteja cansado de repetir sempre os mesmos velhos erros. É duro, eu sei que é! E eu gostaria de encorajá-lo.

Eu quero que você se lembre de que, mesmo que agora se sinta sozinho na sua fé, mesmo que esteja lutando, nós dividimos as mesmas dificuldades. Nós queremos que você se lembre da alegria e da amizade que é conhecer a Cristo. Não importa o estágio da fé em que você se encontra, persevere sempre!

Às vezes, os pequenos passos são tudo de que precisamos. Continue a rezar, mesmo que sejam somente cinco minutos por dia.

Saiba que você pode se orgulhar de ser católico. É isso o que o torna quem você é. E, como você é uma pessoa única e interessante, ser católico faz parte do rico tecido de vida que compõe a sua linda personalidade. Não é sempre que você vai estar cercado de pessoas que verão a sua fé de forma negativa. Você também encontrará pessoas que se sentirão intrigadas pela sua fé, que desejarão genuinamente conhecê-la melhor e que estão esperando pela oportunidade de compartilhar algo pessoal, algo sobre elas próprias. E você também encontrará pessoas que dirão desejar algo que você já tem, como o seu senso de propósito, o seu senso de paz, ou a sua consciência de ser amado incondicionalmente por Deus.

Eu não digo isso para criar barreiras, mas para encorajá-lo a discernir que, ainda que a sua fé às vezes pareça um fardo, haverá momentos inesperados em que ela o surpreenderá com o seu poder de bem, de criar conexões com os outros, de mudar as suas vidas. Não se esqueça do enorme poder da sua fé. Por meio de você, Deus agirá de modos incríveis e nunca esperados!

Tudo bem, eu entendo. É duro ser jovem católico. Talvez você sinta que poderia estar se saindo melhor. Talvez você apenas se sinta perdido. Espero que, só por saber que eu reconheço as suas dificuldades nesta carta, você já se sinta menos sozinho. Sim, as coisas mudam. Um dia, as lutas que você enfrenta agora não serão tão difíceis. Mesmo assim, por favor, saiba que estamos rezando por você, que o estamos encorajando e que temos os mesmos sofrimentos que você. Juntos, com Cristo e com sua mãe Maria, você vai conseguir!

Com amor e orações,

De uma jovem católica para um jovem católico

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Escrito por Ruth Baker e publicado em Catholic Link

A partir de tradução do original por Rogério Schmitt, via blogModéstia e Pudor

Fonte: CATHOLIC LINK

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