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Quem escolhe viver a virgindade ou o celibato renuncia, por causa do “sobrenatural”, àquilo que o ser humano tem de mais “natural”. E o demônio não pode tolerar isso.

Muitas pessoas já devem ter visto esta citação de uma carta escrita por Irmã Lúcia, a vidente de Fátima: “O confronto final entre o Senhor e o reino de Satanás será sobre a família e sobre o matrimônio. Não tenha medo, porque qualquer um que trabalhar pela santidade do matrimônio e da família será sempre combatido e contrariado de todos os modos, porque este é o ponto decisivo.”

Poucos têm conhecimento, entretanto, sobre os escritos do Papa Sirício (334-399), que descreveu seu oponente Joviniano como um instrumento do “antigo inimigo, adversário da castidade, mestre da luxúria”, por este ter atacado o celibato do clero. Haveria alguma conexão entre a intuição da Irmã Lúcia e a antiga campanha do diabo contra a virgindade e o celibato pelo Reino dos Céus?

A fim de responder a esta pergunta, precisamos lançar um olhar ao diabo: quem ele é, e como trabalha.

Lúcifer odeia a virgindade consagrada e o celibato sacerdotal porque esse carisma e estado de vida é um dos mais intrinsecamente opostos ao orgulho que acarretou a sua queda, a perda de sua beatitude e danação eterna. O diabo desejava receber a bem-aventurança como uma recompensa de sua própria grandeza natural, não como um presente da graça, imerecido por qualquer criatura. Ele desejava ser o “filho primogênito” a receber homenagem das criaturas inferiores — talvez até mesmo ser o mediador entre a raça humana e seu Criador.

Quando Deus revelou, porém, que Ele mesmo entraria em amizade com os animais racionais, tão imensamente inferiores aos anjos, e lhes daria a beatitude; que sua própria Palavra iria se fazer carne; que essa Palavra encarnada elevaria a raça humana sofrendo e morrendo por ela, Lúcifer não o pôde tolerar. Ele se fechou em seu amor próprio e, cheio de orgulho, disse: Non serviam, eu não servirei a Deus, não servirei a um Deus assim, a um plano assim. Lúcifer rejeitou o sobrenatural em favor do natural.

Ora, o homem ou a mulher que escolhe a virgindade ou o celibato pelo Reino dos Céus faz justamente o oposto do que fez o diabo. De algum modo, ele ou ela está pondo de lado o natural em favor do sobrenatural. A virgem ou o celibatário renuncia àquilo que o ser humano tem de mais natural — viver ao lado do sexo oposto, encontrando nesta comunidade uma amizade e fecundidade projetadas para o homem desde o início, escritas em sua própria natureza corpórea, como vemos no relato de Eva sendo formada a partir do lado de Adão e trazida então a ele como sua esposa.

Como nada é mais natural ao homem do que o casamento, nada atesta mais supremamente o oferecimento de si mesmo a Deus do que esta renúncia feita por causa dEle. A vida da virgem ou do celibatário é um holocausto de imitação a Jesus Cristo, o Cordeiro de Deus. Assim como a Palavra se tornou carne para nossa salvação, as almas consagradas fazem de suas próprias carnes uma palavra viva de total consentimento e entrega a Deus. A virgem ou o celibatário é o sinal humano supremo do amor radicalmente abnegado e redentor de Deus — e a antítese completa da rebelião de Lúcifer.

Mas, assim como os santos oram sem cessar e geram a oração em outros, o diabo, que é um mentiroso e o pai da mentira (cf. Jo 8, 44), mente sem cessar e gera ainda mais mentiras em suas vítimas. Ele convence as pessoas a acreditarem que o celibato ou a virgindade é uma depreciação do casamento, que aqueles que promovem esse estado e vocação mais elevados de vida estão atacando a ordem da criação, a bondade da natureza e a beleza do amor conjugal. Ele se apresenta, às vezes, como um defensor destas coisas, mas apenas de um modo distorcido, como Lutero fez.

O diabo quer que o compromisso exclusivo dos padres e religiosos para com Deus e o seu povo seja diluído e abandonado, a fim de que ele possa ampliar e multiplicar sua própria rebelião infernal contra as “vestes” da graça em favor de uma natureza “despida” à qual ele possa chamar de sua — e de um exército de seguidores ao qual ele possa chamar de seu, seguindo-o rumo ao vazio e à frustração de uma natureza eternamente “desnuda”. Na maioria das vezes, porém, ele semeia a mentira de que o homem não pode se realizar sem sexo, sem uma experiência sexual — que os seres humanos são castrados e se tornam miseráveis se não apreciam a presença carnal de outro homem ou mulher.

Quão sutil é a estratégia de Satanás! A verdadeira miséria do homem é, na verdade, a vida sem Deus, a vida sem o conhecimento e o desejo da comunhão eterna com Deus no Céu. Uma vez que ambos, o sacerdócio e a vida religiosa, estão diretamente ordenados a proclamar a realidade e o primado do Reino dos Céus, é crucial para o bem-estar da humanidade que os padres e religiosos sejam sinais inequívocos de nosso destino último — pois no Céu, como Nosso Senhor ensina, não há matrimônio. O único matrimônio no Céu é o da perfeita união entre Cristo e sua Igreja.

Este matrimônio entre Cristo e a Igreja, por sua vez, tem dois sinais especiais na terra: o sacramento do matrimônio e o sacramento da Eucaristia. Por isso o diabo ataca a ambos.

Ele ataca o matrimônio destruindo pouco a pouco os bens do casamento: a prole (através da contracepção e do aborto), a fidelidade (através da fornicação e do adultério) e o sacramento (através do divórcio e de práticas pastorais que o favorecem).

Ele ataca a Santíssima Eucaristia — que é a presença corporal de Nosso Senhor Jesus Cristo, capaz de satisfazer nossa fome de amor nesta vida — atingindo a Sagrada Liturgia, tentando as pessoas a colocarem o homem no centro, numa celebração autorreferencial que deturpa o significado da Missa, ainda que o sacramento tenha sido validamente celebrado.

Portanto, a estratégia do diabo tem várias facetas:

  • Ele luta para destruir a aliança indissolúvel do matrimônio, que é o sinal sacramental da união fecunda e indestrutível entre Cristo e sua Igreja. A guerra contemporânea contra o matrimônio é também, e mais profundamente, uma guerra contra a união nupcial entre Cristo e a Igreja — um esforço frenético, ainda que infrutífero, por apagar das mentes dos homens qualquer memória dessa gloriosa união consumada na Cruz.
  • Ele trabalha para destruir a Santíssima Eucaristia, que é o sinal e a causa de nossa comunhão com Cristo e a nossa maior participação em sua auto-oblação na Cruz.
  • Ele trabalha para destruir o sacerdócio e a vida religiosa, que exemplificam e efetivamente produzem, neste mundo, o ordenamento de toda a criação, através de Cristo, ao Pai, que é o começo e o fim de todas as coisas.

O elemento comum a todos esses ataques é a fúria do diabo com a subordinação, ao sobrenatural, de qualquer coisa que seja natural. O inimigo de Deus não suporta que o sacrifício fiel e radical de si mesmo seja caminho de salvação e bem-aventurança.

(via Pe. Paulo Ricardo)

Fonte: https://pt.aleteia.org/

Nossa natureza ao serviço da melhor expressão da liberdade: o amor

Quando eu era criança, meu ideal de liberdade se inspirava nas grandes façanhas dos aventureiros que partiam rumo ao desconhecido, descobrindo, conquistando novos mundos. Seres extraordinários que haviam deixado para trás um mundo de ataduras convencionais para assumir o risco da fascinante exploração.

Já cheguei a aspirar ser a versão feminina de Marco Polo. Mas não demorei muito para perceber que já não havia mais continentes para descobrir. Começava, assim, um longo caminho rumo à realidade, com todos os relevos das limitações e possibilidades humanas, mas o único que leva à autêntica liberdade.

E assim foi, até que chegou a hora de empreender a mais importante aventura da minha vida: o casamento.

Então, comecei a fazer um inventário das minhas possibilidades humanas para dedicar-me a esta grande empresa, ou seja, para chegar a ser uma boa esposa.

O plano: seguir o curso da minha natureza do Ser pessoa, como mulher.

Este curso natural tem as instruções precisas de um projeto oferecido a mim e ao meu esposo, contando com as diferenças das estruturas psíquicas e físicas da nossa sexualidade, para complementar-nos e construir nossa própria história nas circunstâncias que vierem.

Um projeto cujo dinamismo depende da nossa vontade de adquirir as virtudes necessárias para fazer essa relação crescer.

Em outras palavras, o que nossa natureza nos dá nos ajuda a ser senhores da nossa liberdade, construindo nossa história de amor.

Nossa natureza ao serviço do amor pela nossa liberdade!

Esta manifestação da liberdade não revela nem conquista dimensões do espaço exterior, senão que ilumina e torna possível a conquista da nossa interioridade. Uma liberdade que pode se doar e se comprometer; capaz de dar um sentido maior à minha vida – mais do que ser a primeira mulher a pisar outro planeta. A resposta a um chamado, a vocação ao amor.

Uma liberdade mais comprometida que a de qualquer arriscado explorador, que em qualquer momento poderia desistir da sua aventura sem fragmentar-se interiormente como pessoa.

No casamento, o envolvimento pessoal conta com a vontade de comprometer a liberdade, assumindo o futuro possível em sua plenitude e totalidade, para entregá-lo a outro por amor, com dever de justiça, sem desistir jamais. Esta é a missão do casamento e não há desculpa.

Mas esta missão supõe duas coisas: que algo está chamado a ser e que esse algo pode não chegar a ser, mesmo quando a natureza proporciona a capacidade de chegar à correta formação da vontade de compromisso. Quando se pode, mas não se quer, na vocação ao casamento, estamos no campo da liberdade sem norma do homem, uma vida contra a natureza.

Contudo, o casamento é uma maravilhosa aventura, já não feita de sonhos, mas sim de magníficas realidades, como os filhos, o amor conjugal e a ajuda mútua entre os esposos.

“Na história, intervêm a natureza, as circunstâncias e a liberdade. Coisas dadas à pessoa, coisas que a pessoa coloca. Mas tudo está permeado de liberdade. É o ser humano quem assume a natureza, como assume também as circunstâncias, ou quem se rebela contra tudo isso em uma tão lacerante quanto inútil atitude de não aceitação”, disse Javier Hervada, em “Liberdade, natureza e compromisso no casamento”.

A intervenção da liberdade é muito forte – tanto que o ser humano também pode se abster do casamento mediante o celibato por amor ao reino dos céus.

Fonte: http://pt.aleteia.org

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Autora Mary Eberstadt destaca a correlação entre o enfraquecimento do casamento e da natalidade e o declínio da fé

Que o cristianismo parece estar em declínio em muitos países do Ocidente é coisa visível para praticamente todo o mundo, mas as respostas sobre o como e o porquê desse fenômeno ainda devem gerar muito debate.

Os exames desse processo de secularização apontam hipóteses baseadas em fatores comportamentais ligados, por exemplo, à urbanização e à tecnologia. De fato, não faltam estatísticas indicando que a prática religiosa cristã diminuiu em quase todos os países considerados mais desenvolvidos do ponto de vista econômico. Também é frequente apontar uma relação entre o declínio da família tradicional e o declínio da religião.

No entanto, a autora norte-americana Mary Eberstadt, em sua obra How the West Really Lost God (“Como o Ocidente perdeu Deus”, sem tradução ao português até o momento), apresenta uma abordagem diferente ao examinar essa relação dentro do processo geral de secularização: enquanto o mais comum é identificar o enfraquecimento familiar como consequência do enfraquecimento religioso, Mary Eberstadt propõe o contrário: que o declínio da família é uma causa do declínio da religião.

Observando que somos as pessoas mais livres da história da humanidade e, ao mesmo tempo, as mais indigentes em termos de vínculos familiares e de fé, ela ilustra a ligação fé-família citando estudos e pesquisas empíricas que, por exemplo, informam que a tendência a ir à igreja cai nas famílias com menos filhos e que, por outro lado, os homens casados e com filhos têm o dobro de probabilidade de frequentar a igreja se comparados com os homens solteiros e sem filhos. Além disso, ela cita pesquisas que demonstram que convivência pré-marital também interfere negativamente na vivência da fé.

O que você decide a respeito da sua família é um forte indicador de quanto tempo você vai dedicar ou não à igreja“, considera a autora, propondo que famílias mais sólidas e numerosas levam as pessoas a serem mais religiosas.

Mary Eberstadt reconhece que a correlação não é necessariamente de causalidade, mas destaca a mútua influência que existe entre os fatores “família” e “fé” – e entre o enfraquecimento de um e do outro. Para mencionar outro exemplo: à medida que caíram as taxas de fertilidade em muitos países ocidentais, cada vez mais pessoas passaram a “morar juntas” em vez de se casar sacramentalmente e, em paralelo, cada vez menos gente continuou frequentando a igreja. “Mais crianças e mais casamentos significam mais Deus”, conclui Eberstadt após descrever e comentar a série de transformações demográficas das últimas décadas.

A autora aborda ainda outros “clichês” da relação entre família e religiosidade, como o fato de as mulheres em geral serem mais religiosas do que os homens: enquanto outras teses aventam que a feminilidade seria mais “propensa” do que a masculinidade à prática religiosa, Eberstadt sugere algo mais constatável na prática: que a experiência da família e dos filhos, mais imediata na mulher do que no homem, leva mais facilmente à vivência da religiosidade.

Ela considera que a paternidade/maternidade pode levar os pais a uma prática religiosa mais frequente devido à necessidade, por exemplo, de proporcionar aos filhos um ambiente mais favorável à vida de comunidade.

É particularmente interessante a observação de que o cristianismo é “uma história contada através da perspectiva de uma família de 2000 anos atrás”; assim, numa sociedade cada vez mais individualista e familiarmente fragmentada, as dinâmicas familiares tornam mais fácil enxergar o sentido e sentir a atração da proposta cristã.

Mary Eberstadt registra também que as chamadas “novas tendências familiares” contrárias ao cristianismo deverão continuar a se expandir no Ocidente nos próximos tempos, mas destaca, em paralelo, que a “virada” também tende a acontecer mais cedo ou mais tarde: além do histórico de renascimentos do cristianismo em panoramas difíceis, é preciso recordar que, antropologicamente, o ser humano precisa dos vínculos familiares e voltará a recorrer a eles quando perceber que a sua ruptura não lhe trouxe nem verdadeira autonomia nem verdadeira felicidade. Aliás, a autora ressalta que, embora as pessoas não gostem de ouvir que estão erradas, o cristianismo não tem como deixar de lado a sua missão de propor um estilo de vida em que somos todos filhos do mesmo Pai; um estilo de vida que, necessariamente, implica sólidos laços de família, matrimônio indissolúvel e abertura irrevogável à vida em quaisquer circunstâncias, por mais desafiadoras que se apresentem.

A obra de Mary Eberstadt conclui, em suma, que o cristianismo e as famílias saudáveis significam uma grande vantagem para a sociedade em sua busca de sentido e felicidade.

Fonte: ALETEIA BRASIL

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Das brigas ao vício em pornografia, passando pelas incertezas sobre si mesmos

Há vários motivos que põem relacionamentos conjugais em crise. Em seu livro “Uomini che imparano ad amare” [“Homens que aprendem a amar“, em livre tradução do título], o autor italiano Antonello Vanni explica a crise matrimonial do ponto de vista masculino, apontando alguns erros que se cometem no cotidiano.

Para superar esses erros, aqui vão 7 sugestões:

1) Pergunte-se quais são os seus momentos felizes

Quais são os momentos em que você realmente se sente feliz com a sua esposa, satisfeito com a sua relação e, principalmente, graças ao seu relacionamento, motivado em tudo o que faz na vida? Um erro muito comum é o de não se fazer este exame de consciência, não se perguntar sobre isto. Só com essas reflexões é que se enxerga o que não está indo bem e onde é preciso melhorar.

2) Nas discussões, respire fundo e pergunte-se o que você realmente quer

Se acontecer de você discutir com ela, afaste-se um momento e pergunte a si mesmo, depois de respirar profundamente: “Afinal, o que é que eu realmente quero desta mulher que é a minha esposa? No fundo do meu coração, o que eu estou pedindo dela neste momento? Por que estou sentindo esta raiva, ressentimento e tensão?”.

3) Aja com mais responsabilidade

Em vez de esperar que a esposa mude (ou que qualquer outra pessoa mude), podemos sempre mudar nós mesmos para melhor: na nossa forma de agir, de enxergar o relacionamento, de viver e cultivar o matrimônio, de agir com responsabilidade para que o casamento seja feliz.

Raiva, ressentimento, humilhação, ofensa, mágoa, frustração, tristeza, sensação de abandono, solidão, medo… São apenas alguns dos sentimentos que se podem experimentar. Temos de reconhecer e controlar com mais clareza as emoções que sentimos e os comportamento destrutivos causados por essas emoções. Assim podemos dar ao nosso casamento a chance de florescer mais ainda (se já somos felizes) ou de se recuperar das “doenças” que o afligem (se nos sentimos em crise).

4) A prioridade não é o sucesso pessoal

É comum o risco de viver entre dinheiro e carreira, sempre longe de casa, em busca do “sucesso” material, esquecendo-se da vida amorosa e familiar e, por conseguinte, provocando esfriamento e afastamento matrimonial. Se não estamos de fato presentes para a mulher que nos ama e a quem amamos, é sério o perigo de perdê-la.

5) Não a ignore!

Vocês estão jantando, mas você come depressa e termina antes. Ela está contando sobre a jornada pesada, as crianças, a escola, o trabalho, as tarefas domésticas… Sim, você também teve um dia difícil e ela está sempre repetindo as mesmas chatices. Então você se levanta da mesa e vai para o sofá, trocando a esposa pela TV. Coloque-se na pele da sua mulher.

Situações triviais como esta parecem insignificantes, mas é nas pequenas coisas que nós, homens, temos que aprender a ser mais atenciosos; temos que aprender a amar mais.

6) Cuide das velhas feridas

Outro grande obstáculo para a felicidade do casamento é a dor causada pelas pequenas feridas que homens e mulheres se infligem no dia-a-dia.

O que fazer? É importante, primeiro, saber quais são as feridas que há dentro de nós e quando e por que elas voltam a se abrir. Reconhecer as velhas cicatrizes é um passo importante para curá-las. Se necessário, procure ajuda externa: um psicólogo, um diretor espiritual, um sacerdote atencioso.

7) Liberte-se do vício em pornografia

A dependência da pornografia online impede o amadurecimento da sexualidade ligada à afetividade e tende a se tornar um vício cada vez mais destrutivo, que pede imagens cada vez mais violentas e doentias.

Parece estranho, mas, justamente numa época em que achamos ter atingido o máximo da liberdade pessoal, somos, talvez, mais escravos do que fomos em qualquer época anterior. Nunca houve nenhum tempo em que, como hoje, fomos tão escravos de todo tipo de dependência voltada a gerar lucros exorbitantes para alguns às custas da nossa própria saúde e paz interior: drogas (ilícitas e “lícitas”), jogo compulsivo, pornografia, gula, bebida, internet, redes sociais, “vida” social de aparências… Tudo isso nos mantém acorrentados, intoxicando-nos e intoxicando o nosso relacionamento com quem amamos, privando-nos de uma vida plena e construtiva; de uma vida real.

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O maior desafio de um casal está mais perto do que você pode imaginar

Por Jonathan B. Coe | Recentemente, um amigo meu, católico praticante, pediu-me para ser testemunha em seu casamento, a acontecer no próximo mês de dezembro. Senti-me honrado, mas imediatamente o ex-pastor dentro de mim — converti-me do protestantismo em 2004 — começou a pensar: “Se eu tivesse meia hora para falar com um casal de noivos cristãos, que conselho eu daria a eles antes de selarem os votos matrimoniais?” Como resultado dessa meditação, escrevi as seguintes linhas, as quais agora publico em primeira mão.

Como alguém que já passou por um divórcio e depois recebeu, alguns anos atrás, uma declaração de nulidade da Igreja Católica, abordo o tema desse sacramento com tremor e consciência de quão frágil pode ser essa união. Figurativamente falando, eu ando, como Jacó, “mancando por causa da coxa” (Gn 32, 32), e o pouco de sabedoria que tenho sobre esse grande mistério, não foi sem sacrifício que o recebi. Capitães do mar que passaram por naufrágios têm histórias pra contar.

Há uma história ligada a G. K. Chesterton repetida tantas vezes que muitas pessoas acreditam que seja verdadeira, ainda que não haja disso nenhuma prova documental. Certa vez, um jornal diário de grande circulação na Inglaterra, London Times, fez uma pesquisa com alguns escritores famosos perguntando-lhes: “O que há de errado com o mundo hoje?”. A resposta de Chesterton foi simples:

Prezado Senhor,

Eu.

Atenciosamente,
G. K. Chesterton

Um casal pode enfrentar muitos desafios — dificuldades com os sogros, crises econômicas, questões de saúde —, mas, mais frequentemente do que imaginam, será de dentro de seus próprios corações que virão os seus maiores problemas. A Igreja Católica ensina que “pelo Batismo todos os pecados são perdoados: o pecado original e todos os pecados pessoais, bem como todas as penas devidas ao pecado”, mas “permanecem no batizado certas consequências temporais do pecado, assim como uma inclinação para o pecado a que a Tradição chama concupiscência” (Catecismo da Igreja Católica, § 1263-1264).

Concupiscência é a herança que recebemos de nossos primeiros pais e que se caracteriza por “transferência de culpa”: quando Deus confrontou Adão, este acusou Eva e a mulher, por sua vez, acusou a serpente. O casal que se coloca diante do altar sabendo que os seus maiores problemas emergem de um coração que “é o que há de mais enganador, e não há remédio, quem o pode entender?” (Jr 17, 9), já começa com uma grande vantagem. Essa é uma das razões pelas quais católicos praticantes — e cristãos devotos em geral — possuem taxas significativamente baixas de divórcios. A fé praticada todos os dias lembra o casal da concupiscência permanente e insidiosa contra a qual eles devem lutar, prevenindo-os do erro de ficar trocando acusações mútuas e intermináveis.

O escritor e psicólogo protestante Larry Crabb explica que o principal motor da concupiscência “é o egocentrismo justificado, o egoísmo arraigado que se considera perfeitamente razoável e até aceitável ter, face ao modo como fomos tratados”. Faz parte de nosso DNA adâmico. Para exemplificar, o autor conta a história de um amigo que lhe confessou ter cometido adultério, dizendo que “sua mulher não o apoiava nas tensões com que ele tinha de lidar diariamente, a ponto de seu desejo de ser estimado por uma mulher ficar fora de controle”. Depois de vários anos aconselhando casais, Larry descobriu que pessoas que traem seus cônjuges geralmente “vêem o seu pecado como se fosse uma ‘necessidade’ para o bem-estar de sua alma, como se ele fosse algo mais compreensível do que errado”.

Sempre que me deparo com algum jovem casal de namorados, luzes vermelhas de alerta se acendem diante de mim. Observando o comportamento que um mantém em relação ao outro, é como se eles dissessem: “Esta pessoa fará todos os meus sonhos virarem realidade”; “Esta pessoa fará de mim a pessoa mais feliz do mundo”. Isso faz-me pensar o quanto é importante que as pessoas realmente procurem aconselhar-se com algum bom sacerdote ou alguma pessoa virtuosa de sua confiança, antes de se aventurarem numa empreitada tão séria como é o Matrimônio.

Muitos talvez tenham crescido com significantes necessidades emocionais não correspondidas em suas famílias de origem, e estejam esperando ver esse vazio preenchido por seus futuros cônjuges. Acontece porém que, como escreve C. S. Lewis, nossa espécie foi criada na perfeição do Éden e para o Céu. Portanto, nesta existência decaída, sempre haverá o sentimento de que “algo está faltando”, não obstante as inúmeras bênçãos com que sejamos agraciados. Este mundo não é o bastante.

Por causa desses fatores, nosso futuro cônjuge pode acabar se tornando um ídolo. Podemos cair na ilusão de que o outro seja capaz de saciar todas as nossas necessidades não correspondidas. Real e infelizmente, as pessoas fabricam para si deuses muito ruins. Se eu tivesse meia hora com um casal de noivos, eu os encorajaria a trabalharem duro em duas coisas: (1.º) Seja tão feliz o quanto puder independentemente do seu futuro cônjuge. As quatro maiores fontes de felicidade para o homem são a sua fé, a sua família, os seus amigos e o seu trabalho. Maximize, portanto, a sua felicidade pessoal nessas áreas e, então, (2.º) volte-se para o seu companheiro com uma agenda para servi-lo. Seja proativo em identificar quais são as necessidades dele ou dela e viva a Paixão de Cristo no seu relacionamento — isto é, encarne a humildade e o amor sacrificial pelo outro, ainda que você não esteja “a fim”.

A Missa é um “tutorial” de como fazer isso: nela, todos os domingos, o sacrifício de Cristo na cruz é representado e renovado por nós. Se as duas partes em um relacionamento imitarem essa entrega, não só estarão começando muito bem o sacramento do Matrimônio, como deixarão uma profunda mensagem contracultural à nossa civilização, tão marcada pelo narcisismo. Como já dito, trata-se apenas de um bom começo, mas, como os pães e os peixes daquele menino do Evangelho, Cristo pode muito bem multiplicá-los, saciar a multidão e ainda fazer restarem doze cestos cheios de sobras — e essas, por sua vez, nós as podemos distribuir a todos os viandantes fatigados e famintos que encontrarmos ao longo do caminho.

(Fonte: Crisis Magazine | Tradução: Equipe Christo Nihil Praeponere)

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Após o funeral do marido, a cantora canadense defendeu a instituição do matrimônio e afirmou que sua união sempre foi para a vida toda

No início deste ano, a cantora Céline Dion perdeu o seu marido, René Angélil. Ele morreu depois de lutar por três anos contra um severo câncer de garganta. Alguns dias depois, faleceu o irmão da cantora, Daniel Dion, aos 59 anos. Uma semana depois, uma multidão encheu a basílica de Notre-Dame, em Montreal, no Canadá, para a despedida dos familiares de Céline, presidida pelo arcebispo Christian Lépine.

Foto: Youtube

Meses depois das tristes perdas, a cantora concedeu uma entrevista à QuebecTVA. A apresentadora, Marie Claude Barrete, lhe perguntou sobre como viveu aqueles momentos tão intensos do funeral, justamente na mesma igreja onde se casou. Céline aproveitou para manifestar quais são os seus valores. “Os funerais foram minha grande força, porque naquela basílica me comprometi para sempre com meu marido, para a vida e para a morte”, respondeu.

Segundo ela, o casamento “não é apenas os presentes, as viagens e as festas, mas também pensar em quem vai empurrar a cadeira de rodas ou saber o que fazer com um familiar que fica deficiente”. “Esse funeral foi a continuação do nosso matrimônio e serviu para demonstrar aos nossos filhos que seu pai continua a estar com eles”, afirmou a cantora, famosa por interpretar a música-tema do filme Titanic.

celine dion

Foto: Featureflash Photo Agency

Segundo o site espanhol Alfa y Omega, Céline passou sete horas em pé, sem descansar, recebendo os pêsames das centenas de admiradores que vieram à despedida de Angélil. A cantora não tinha previsto ficar muito tempo, mas, segundo explica, “vendo René senti que me dizia: ‘Por que você vai cumprimentar os duzentos primeiros e não os cem seguintes?’ Então, decidi aceitar em seu nome as orações, desejos e a força de todas essas pessoas”.

Céline Dion sempre foi muito discreta com a sua espiritualidade, sem confirmar nem desmentir, por exemplo, se vai à missa aos domingos, mas seus valores não deixam lugar para dúvidas – como prova a sua fé no matrimônio e na sua estabilidade. A inspiração da cantora para esse modelo de vida e de família sempre foi a sua mãe Thérèse, que afirmou no programa La Victoire de l’Amourque não se sentia contrariada com Deus pela perda do filho e do genro.

 Céline Dion quase foi abortada

A cantora contou diversas vezes que deve a sua vida a um padre católico que convenceu a sua mãe a não abortar. Thérèse se sentiu arrasada quando descobriu que esperava o décimo-quarto filho e decidiu recorrer a um centro de abortos para se desfazer do bebê.

Porém, o padre que acompanhava a família disse à mãe de Céline que ela não podia acabar com uma vida que não lhe pertencia. “O sacerdote disse à minha mãe que ela não tinha o direito de ir contra a natureza”, contou certa vez a cantora, “razão pela qual tenho que admitir que devo a vida àquele sacerdote, em certo sentido”.

Fonte: SEMPRE FAMÍLIA

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“Quando a gente se for, a gente vai junto”, haviam prometido – e cumpriram, num amor que nem a morte foi capaz de romper

Eles estavam casados já fazia 63 anos. Foram inseparáveis ao longo de toda a vida – e a morte não foi forte o suficiente para mantê-los distantes durante mais que 6 horas. Na despedida de Fernando Biz, 82, e Delinda Tomazi Biz, 86 anos, uma frase que o casal costumava repetir foi lembrada pelos amigos e parentes como consolação, como homenagem, como reconhecimento de mais uma promessa feita e cumprida:

“Quando a gente se for, a gente vai junto”.

Fernando sofria de problemas cardíacos e morreu durante o sono, por volta das 7h da última terça-feira. A esposa Delinda, internada na noite anterior com dor no peito, partiu no mesmo dia, pouco antes das 13h, após falência de múltiplos órgãos. Ao dia seguinte, Delinda e Fernando foram sepultados juntos no Cemitério Jardim da Paz, em Araranguá, na região sul de Santa Catarina.

A família e os amigos se reuniram neste domingo para a missa de sétimo dia celebrada pelo eterno descanso do casal, que, na vida e na morte, comoveu toda a comunidade em cujo meio viveu durante 40 anos – e onde ainda vive boa parte dos 10 filhos, 23 netos, 17 bisnetos e a tataraneta. Seu testemunho de fé não deixou de dar frutos:

Como ela sempre nos criou assim, a gente acabou buscando conforto nessas palavras dela, no amor que eles tinham um pelo outro e que tinham que viver para sempre juntos (…) Só o conforto desse amor tão lindo, que nem a morte conseguiu separar, é que consola“, comenta uma das netas do casal, Greysian, de 37 anos.

O tempo não pôde nem com suas lembranças, nem com sua união

Fernando sofria do mal de Alzheimer e já tinha perdido parte das memórias – esquecera algumas pessoas, mas jamais a esposa. Ao dar pela sua falta na noite anterior, quando Delinda tinha sido levada ao hospital, ele logo perguntou onde ela estava.

No hospital, também Delinda sentia a falta do marido. Enquanto conversava com uma das filhas, repetiu várias vezes que se sentia muito triste. A poucos quilômetros dali, Fernando, que estava dormindo, não voltaria a despertar neste mundo.

Talvez eles soubessem… E, talvez, também soubessem que não ficariam distantes um do outro durante mais que seis horas…

Como ainda ocorre em quase todas as famílias sulistas descendentes de imigrantes italianos, a neta fala dos avós usando os termos “nonno” e “nonna“. Ela testemunha:

Eles eram sempre muito de Deus, iam à missa todo final de semana, educaram toda a família assim. Quando alguém dizia que ela estava forte, bem de saúde, e o nonno mais doentinho, ela dizia: ‘Hoje a gente tá bem; de vez em quando, tá ruinzinho… Mas, quando a gente se for, a gente vai junto’“.

E eles foram, como sempre estiveram, juntos. Delinda e Fernando continuam juntos para sempre.

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A partir de matéria do Diário Catarinense

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“A partir desse momento, José e Maria pertenciam definitivamente um ao outro. Estavam unidos diante de Deus e diante dos homens”

Jacó gerou José, esposo de Maria, da qual nasceu Jesus, chamado Cristo (Mt 1, 16)

O evangelho de São Mateus nos diz que José, depois da aparição do Anjo, fez o que lhe tinha sido prescrito: recebeu Maria em sua casa. O que provavelmente quer dizer que, enquanto estiveram unidos apenas pelos esponsais, o costume ainda não lhe concedia o direito de admiti-la em sua casa; e que, portanto, ambos se apressaram  a ratificar pela cerimônia do casamento a união que tinham contraído.

Conhecemos com bastante precisão como se desenrolavam as cerimônias nupciais nessa época entre os judeus. É evidente que Maria e José, respeitosos como eram dos menores detalhes da lei, tiveram o cuidado de observar exatamente o que os ritos e os costumes tradicionais prescreviam quanto à cerimônia. Maria certamente usou as vestes tradicionais: uma túnica de cores variadas, sobre a qual caía um amplo manto que a cobria da cabeça aos pés; debaixo do véu, sobre o cabelo cuidadosamente penteado, uma coroa de flores e folhas douradas.

Ao cair da noite, deixou-se conduzir à casa de José. Os convidados à boda, vestidos de branco e com um anel de ouro no dedo, escoltavam a liteira; um grupo de donzelas precedia a noiva, cada uma segurando uma lâmpada acesa, enquanto outras balançavam ramos de murta sobre a sua cabeça. Os habitantes de Nazaré, alertados pelo som das flautas e dos tambores, acotovelavam-se curiosamente nos terraços e nos dois lados da rua a fim de verem passar o cortejo e aplaudirem a desposada. Ainda não suspeitavam que era a eleita de Deus, que no seu seio se formava o Messias, objeto de todos os desejos e esperanças da nação.

José esperava Maria à porta de casa, também vestido de branco e coroado de brocado de ouro. Depois de terem sido conduzidos um à presença do outro e terem trocado o anel, ambos se sentaram debaixo de um dossel voltado para Jerusalém, espécie de nicho ricamente preparado com ornamentos dourados e estofos pintados. Maria tomou o lugar à direita de José. Voltaram a ouvir o contrato que se tinha estabelecido por ocasião dos esponsais. Depois, beberam do mesmo copo que, a seguir, foi despedaçado diante deles: o gesto significava que eles deviam estar dispostos a partilhar tanto as alegrias quanto as penas.

O banquete de núpcias deve ter tido lugar na hospedaria de Nazaré; as alegres e festivas comemorações se prolongaram, segundo o costume, durante vários dias.

A partir desse momento, José e Maria pertenciam definitivamente um ao outro. Estavam unidos diante de Deus e diante dos homens. É verdade que Maria tinha sido reservada por Deus para Si, mas fora Vontade desse mesmo Deus dar a um homem mortal, José, o direito de esposo sobre essa criatura privilegiada, bendita entre todas as mulheres. A partir desse momento, Deus lhe colocava entre as mãos aquela que Ele tinha criado com tanto amor, em quem tinha pensado desde toda a eternidade, a quem tinha feito Sua com tanto zelo.

Entre os dois esposos não se estabeleceu nenhum clima de “casamento por conveniência” ou desacordo; era uma união perfeita. É verdade que Maria estava em um grau de santidade mais alto que São José; ele, porém, tinha ouvido do Anjo palavras muito tranquilizadoras: “Não temas receber em tua casa Maria como tua esposa“.

Ao significado dessas palavras podemos acrescentar este outro: “Anima-te. Tu és o homem escolhido por Deus para esposo daquela que acaba de conceber por obra do Espírito Santo. Estarás à altura da tua missão. Ser esposo da Mãe de Deus seria uma função esmagadora para as forças humanas, mas o que é impossível para o homem é possível para Deus: e tu hás de receber as graças necessárias“.

José e Maria são, pois, marido e mulher, sem que esses títulos nada tenham de fictício. Pelo contrário, nunca a terra viu um par de almas, chamadas a viver em comum, unidas num amor tão autêntico. Amam-se em Deus em primeiro lugar e antes de mais nada; é sob a inspiração do Espírito Santo que os seus corações palpitam, com ternura recíproca. A única preocupação que têm é a de fazerem sempre e em tudo a Vontade do Deus três vezes Santo. Esta é a inspiração fundamental que os anima: as suas almas se unem na mútua adoração do seu Mestre divino, e o amor pelo Altíssimo é o alicerce da sua aliança.

E é precisamente nisto que reside a força e a beleza do seu matrimônio. Diz São Paulo, na Epístola aos Romanos (8,38): “Porque eu estou certo de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as virtudes, nem as coisas presentes, nem as futuras, nem a força, nem a altura, nem a profundidade, nem nenhuma outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus, que está em Jesus Cristo, nosso Senhor“. É um clamor semelhante a este o que a cada instante faz vibrar o coração de Maria e de José. Assim como o Amor divino é incorruptível, dizem eles um ao outro, assim também o nosso amor é invencível, pois sua força se alimenta de Deus. Eles se dedicam a fazer a vontade um do outro, tanto mais que a sua mútua complacência, longe de os distrair de Deus, não faz outra coisa senão ajudá-los a unir-se ainda mais a Ele.

Desde a primeira troca de promessas fora assim. A partir daquele momento, José não tinha imaginado que o seu amor por Maria pudesse crescer ainda mais. Depois da revelação do Anjo, porém, ela se tornou ainda mais querida para ele e a força do seu amor redobrou, a ponto de agora sentir-se um homem novo. As perfeições de Maria aumentaram pelo fato de a Criança que trazia no seio ser o Deus das promessas, para o qual tinha dirigido todas as suas aspirações. José a olhava e venerava como a uma nova Arca da Aliança, o tabernáculo do Santo dos Santos.

Maria, por sua vez, sentia-se diante de José como diante do representante da autoridade de Deus sobre ela e sobre seu Filho; diante daquele que fora escolhido para ser o coadjutor de Deus no mistério da Encarnação. Por isso, consagrava-lhe uma afeição feita de deferência e de terna e afetuosa submissão. É verdade que tanto um como o outro tinham feito uma promessa de virgindade, mas era justamente isso o que tornava mais estreita a sua união. Foi precisamente porque o amor entre os dois era virginal e a carne não tinha qualquer parte nele que estiveram ao abrigo dos caprichos, das inquietações, das amarguras e das decepções. Exatamente porque são virgens, seus corações ignoram aquilo que São Paulo designa por tribulações da carne (1 Cor 7, 28); e, santos de corpo e de espírito, amam-se com amor sempre capaz de crescer e enriquecer-se: “Ó santa virgindade“, escreve Bossuet, “as vossas chamas são tanto mais fortes quanto mais puras e desprendidas, e o fogo da concupiscência que arde no nosso corpo nunca pode igualar o ardor dos castos abraços entre os espíritos unidos pelo amor à pureza“.

Por outro lado, seria errado imaginar que a união entre Maria e José fosse de ordem estritamente espiritual, que não houvesse nada de sensível no seu afeto mútuo. Não temos nenhum motivo para pensar que não manifestassem um ao outro essa terna afeição que faz palpitar o coração, essa doçura de amor que ilumina o coração dos esposos.

Pressentiria José que Maria, em virtude da sua missão, seria um dia chamada pelo mundo “causa de nossa alegria”? Seja como for, a partir do momento em que a instala em sua casa, para viver junto dela uma vida comum que só a morte poderá interromper, Maria passa a ser para ele uma fonte permanente de transbordante alegria. Enquanto a rodeia desses cuidados e dessas delicadezas que constituirão para ela um verdadeiro tesouro de pensamentos e de recordações, cuidadosamente guardado no seu coração, Maria, por seu lado, comporta-se como uma esposa amorosa e terna, de dedicação pronta e alegre. Há entre eles maravilhosas disputas para ver qual dos dois deve servir mais ao outro: “Eu sou tua serva“, diz Maria; e José responde: “Não, eu é que fui designado por Deus para te servir“.

E, no dia-a-dia do jovem casal, Maria cose e borda as roupas e José aparelha e trabalha o berço onde, em breve, repousará o Filho do Altíssimo, o Rei do Universo, o Salvador do mundo.

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Michel Gasnier, em extrato do livro “José, o Silencioso”

Fonte: ALETEIA TEAM

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O amor que levou um homem e uma mulher a um compromisso “para sempre” rompe o que era um sistema de vida no qual dominava o “tu” e o “eu”, para iniciar a vida de “nós”, cujo “tu” e o “eu” vivem de um modo diferente, mais íntimo, mais cordial, mais profundo.

Conforme passa o tempo, todos esperam um novo passo na vida do matrimônio jovem: o nascimento do primeiro filho. É um momento em que a esposa, vibra de emoção, e contagia o esposo, que também participa, do que vai acontecer no seio de sua esposa. O “tu” e o “eu”, já convertido em um “nós”, se abre e se enriquece diante da chegada do primeiro filho, que introduz muitas novidades para o casal até o momento mais ou menos harmônico.

Desde cedo, logo nos primeiros nove meses, serão um mistério compartilhado especialmente entre a mãe e o bebê. O pai, porém, não é um satélite externo a todo o que está ocorrendo. Sabe que este bebê é “nosso” filho. Sofre e sente as angústias da esposa. Alegra-se com os resultados positivos de um diagnóstico pré-natal, e se preocupa quando os médicos não se mostram otimistas. Compartilha, à medida de seu amor, a aventurar de uma nova vida que já iniciou e que logo poderá não só tocar através da pele da esposa, mas ver e apalpar diretamente, em um abraço de gozo e de alegria que é difícil de descrever.

Toda caminhada matrimonial implica esta abertura às vidas que vem do amor. Cada nova concepção repete a alegria da vida, dessa vida que nossos pais nos deram, dessa vida que tantos nos acolheram, dessa vida que também nós podemos dar graças ao amor que não se impõe limites.

Agora, o casal terá que reservar ao novo membro um espaço físico, psicológico e emocional entre eles, além de conservar e fazer crescer sua relação de esposos.

A melhor maneira para enfrentar essa nova forma de vida, é estar preparados e esperar o inesperado. E ir aprendendo como cuidar do bebê, fazer cursos juntos e ler sobre tudo que virá, pode poupar muitos gritos e mal-entendidos provocados pelo estresse que acarreta a adaptação a essa mudança.

Para manter uma boa relação como casal, temos aqui algumas sugestões que podem ajudar:

NÃO DEIXEM DE DIALOGAR

É fácil deixar de fazê-lo depois de ter um dia cheio de atividades, trabalho e cuidados com o bebê, no entanto, dediquem, mesmo que seja alguns minutos, para  dialogar e conhecer suas expectativas, medos, etc.

NÃO SE DESESPEREM

Aceitem que sua vida mudou radicalmente e não podem levar a mesma rotina de antes, inclusive como dona de casa, não tenha como prioridade ter a casa e a cozinha impecáveis, pois ao ver que não tem tempo para ele, só te trará desgostos.

DEEM TEMPO AO TEMPO

Eventualmente vocês e seu bebê estabelecerão uma rotina, o que facilitar ter mais tempo para desfrutar como casal.

PLANEJEM SAIR JUNTOS

Talvez demore um pouco de tempo voltarem a sair sozinhos, mas podem começar a planejar e buscar quem possa cuidar um pouco do bebê.

O que podem fazer antes de voltar a sair, é ter seus próprios momentos em casa, algum jantar romântico ou simplesmente assistir a um filme ou desfrutar com seu aperitivo favorito.

NÃO DEIXEM DE DIZER O MUITO QUE SE AMAM

Seja com palavras, com carícias, cartinhas ou detalhes que façam o outro ver o muito que o ama.

Lembrem que a relação mais importante na família é a dos cônjuges, é a base para desenvolver as demais relações entre a família.

Não se esqueçam que dentro de alguns anos, voltaram a estar sozinhos outra vez, quando seus filhos se casarem ou tiverem outros interesses. Não esperem até lá para desfrutar sua relação como casal.

NUTRAM SEU MATRIMÔNIO DESDE HOJE, QUANDO TÊM FILHOS

Através dos anos verão os frutos, filhos estáveis e independentes e sobretudo um matrimônio amoroso e feliz.

NUNCA DEIXEM DE REZAR

Lembrem-se que Deus da a graça necessária para manter a união de vocês e fortalecer seu amor. Quando rezam juntos, Deus, os ajudará nos momentos difíceis e os acompanhará nas alegrias.

Todos queremos que o novo milênio seja um pouco melhor, um pouco mais feliz. O será à medida que soubermos amar, abrir o coração ao outra, a outra, aos outros que vierem. Assim nascemos, milhares de milhões de seres humanos. Assim esperam poder viver, com a dignidade do amor, aqueles homens e mulheres que serão nossos filhos e os filhos de nossos filhos, e que dependem plenamente do nossa disponibilidade no amor. Dá-lo não custa nada, e pode conceder-nos muito mais do que possamos esperar. Basta fazer a experiência.

Por Fernando Pascual, L.C. e Eugenia Tamez

Fonte: http://www.iglesia.org/articulos/familia/item/411-cuando-dos-se-convierten-en-tres

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Sentiam-se atraídos um pelo outro.

Veneravam-se esteticamente.

Ele era um belo exemplar de homem.

Ela, uma linda moça.

Além disso, sentiam enorme atração física, e, mais que isso, necessidade um do outro.

O que mais faltava para um bonito casamento?

O tempo revelou que faltava “amizade”…

Achavam que o que sentiam era sinal de amor, quando, na verdade, era sinal de paixão.

A paixão dificilmente consegue se transformar em amizade, porque é egoísta, imediatista e possessiva.

O amor não só consegue, como é amizade, porque é altruísta, quer o bem do outro e respeita o outro.

Por isso mesmo, um casamento pode estar cheio de paixão e carinho e talvez não satisfaça os dois;

porque paixão e carinho nem sempre significam amizade.

E, às vezes, um casamento nada tem de impetuoso, pode até faltar a ele a graça de um namoro juvenil, mas, se os dois se querem como amigos sinceros, chegarão aos vinte e cinco e aos cinquenta anos.

Marido e mulher que não conseguem ser amigos, acabam em cobrança cruéis e vinganças ainda mais cruéis.

Marido e mulher que conseguem ser amigos descobrem, com o tempo, que o elo do matrimônio, mais que o desejo, que também precisa existir, é o respeito pelo outro, por seu modo de ser e por suas ideias.

Se não existe amizade, dificilmente existe um verdadeiro casamento.

Matrimônio é amizade: a mais profunda possível, mas “amizade”…

Por isso, os dois erraram.

Pensavam que amizade fosse uma coisa e amor fosse outra.

Não entenderam que os grandes amores encerram grandes amizades. Não entenderam que é possível ser amigo sem sexo nem matrimônio, mas que é impossível ser marido e mulher de verdade, sem amizade…

O mundo está cheio de casais que perderam a amizade…

Texto retirado do livro: Amizade Talvez Seja Isso, Pe. Zezinho, scj

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