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Papa

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O Papa Francisco celebrou a missa matutina, nesta segunda-feira (09/10), na capela da Casa Santa Marta, na qual exortou a cuidar das pessoas feridas, conforme o Bom Samaritano, ajudar quem precisa a se levantar, como fez o próprio Jesus.

A reflexão nasce do Evangelho do dia em que Jesus conta a Parábola do Bom Samaritano que agiu de modo diferente do sacerdote e do levita. Ele para e socorre o homem ferido, espancado pelos assaltantes que o deixaram quase morto.

A Parábola do Bom Samaritano é a resposta que Jesus dá ao doutor da Lei que queria colocá-lo à prova, perguntando-lhe o que devia fazer para receber em herança a vida eterna. Jesus faz ele dizer o mandamento do amor a Deus e ao próximo, mas o doutor da Lei, que não sabia como sair da “pequena armadilha que Jesus lhe tinha feito”, perguntou-lhe: ‘Quem é o meu próximo?’ Então, Jesus respondeu com esta parábola.

Os personagens dessa narrativa são: os assaltantes, o homem ferido deixado quase morto, o sacerdote, o levita, o dono da pensão e o samaritano, um pagão que não fazia parte do povo judeu. Cristo sempre responde de “uma forma mais elevada”, evidenciou o Papa. Nesse caso, com uma parábola que pretende  explicar o seu próprio mistério, “o mistério de Jesus”.

Os assaltantes foram-se embora felizes, pois tinham roubado dele “muitas coisas boas” e não se importaram com sua vida. O sacerdote, “que deveria ser o homem de Deus”, e o levita, que estava próximo à Lei, quando viram o homem ferido, quase morto, seguiram adiante pelo outro lado. O Papa descreveu essa atitude:

“Um comportamento habitual entre nós: olhar uma calamidade, olhar uma coisa feia e seguir adiante. Depois, ler sobre ela nos jornais, um pouco pintada de escândalo ou de sensacionalismo. Ao invés, esse pagão, pecador, que estava viajando, ‘viu e não seguiu adiante: sentiu compaixão’. O evangelista Lucas descreve bem: ‘Viu, sentiu compaixão, aproximou-se dele, não se distanciou, e fez curativos, derramando óleo e vinho nas feridas’. Não o deixou ali: fiz a minha parte e vou-me embora. Não!”

Depois colocou o homem em seu próprio animal, levou-o a uma pensão, onde cuidou dele. No dia seguinte, tendo os seus afazeres, pagou o dono da pensão para que cuidasse dele, dizendo-lhe que quando voltasse, pagaria o que tivesse gasto a mais.

Este é o “mistério de Cristo” que “se fez servo, abaixou-se, aniquilou-se e morreu por nós”. Com este mistério, Jesus responde ao doutor da Lei que queria colocá-lo à prova. Jesus é o Bom Samaritano e convida aquele homem a fazer o mesmo. “Não é uma fábula para crianças”, disse Francisco aos fiéis presentes na Casa Santa Marta, mas “o mistério de Jesus Cristo”:

“Olhando esta parábola, entenderemos profundamente, a amplitude do mistério de Jesus Cristo. O doutor da lei foi embora calado, cheio de vergonha, não entendeu. Não entendeu o mistério de Cristo. Talvez tenha compreendido aquele princípio humano que nos aproxima a entender o mistério de Cristo: que todo ser humano olhe outro ser humano de cima para baixo, somente quando deve ajudá-lo a se levantar. Se alguém faz isso está no bom caminho, está na estrada certa, rumo a Jesus.”

O Papa se referiu também ao dono da pensão que “não entendeu nada e ficou surpreso”, ficou admirado “pelo encontro com alguém que fazia coisas que nunca tinha ouvido falar”, disse o Pontífice, ou seja, a admiração do dono da pensão “é o encontro com Jesus”.

Francisco exortou a ler essa passagem do capítulo décimo do Evangelho de Lucas e a se perguntar:

“O que eu faço? Sou um assaltante, enganador, corrupto? Sou um assaltante, ali? Sou um sacerdote que olha, vê e olha para o outro lado e segue adiante? Ou um líder católico que faz a mesma coisa? Ou sou um pecador? Uma pessoa que deve ser condenada pelos próprios pecados? Aproximo-me, cuido daquele que precisa? Como me comporto diante de tantas feridas, de tantas pessoas feridas com as quais me encontro todos os dias? Faço como Jesus? Assumo a forma de um servo? Nos fará bem esta reflexão, lendo e relendo essa passagem. Aqui se manifesta o mistério de Jesus Cristo, que sendo nós pecadores veio por nós, para nos curar e dar a vida por nós.”  

Radio Vaticano

Fonte: http://www.comshalom.org/

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O Papa Francisco celebrou na manhã de terça-feira (03/10) a missa na capela da Casa Santa Marta.

A homilia do Pontífice foi inspirada no Evangelho de Lucas proposto pela liturgia do dia, em que Jesus toma duas decisões ao se aproximar o momento da sua Paixão: colocar-se em caminho e, portanto, aceitar a vontade do Pai e ir avante e, depois, anunciar esta decisão aos seus discípulos.

“Somente uma vez”, afirmou o Papa, Jesus “se permitiu pedir ao Pai que afastasse um pouco esta cruz: ‘Pai – no Jardim das Oliveiras –, se possível, afasta de mim este cálice. Mas não seja feita a minha, mas a tua vontade’. Obediente; aquilo que o Pai quer. Decidido e obediente e nada mais. E assim até o fim. O Senhor pacienta…Pacienta. É um exemplo de caminho, não somente morrer sofrendo sobre a cruz, mas caminhar em paciência”.

Mas diante desta decisão, diante do caminho rumo a Jerusalém e rumo à cruz, os discípulos não seguem o seu Mestre. É o que narram várias páginas dos Evangelhos que o Papa cita. Às vezes, os discípulos “não entendem o que quer dizer ou não querem entender, porque estavam com medo”; outras vezes, “escondiam a verdade” ou se distraiam fazendo “coisas alienantes”; ou até mesmo, como se lê no Evangelho de hoje, “procuravam um álibi para não pensar” naquilo que aguardava o Senhor.

“Não era acompanhado nesta decisão, porque ninguém entendia o mistério de Jesus, a solidão de Jesus no caminho para Jerusalém: sozinho. E isto, até o final. Pensemos depois no abandono dos discípulos, na traição de Pedro… Sozinho. O Evangelho nos diz que aparece a ele somente um anjo do céu para confortá-lo no Jardim das Oliveiras. Somente aquela companhia. Somente”.

Vale a pena – e esta é a sugestão final do Papa hoje – para “tomarmos um pouco de tempo para pensar” em Jesus que “tanto nos amou”, “que caminhou sozinho para a Cruz”, “na incompreensão também dos seus”. “Pensar”, “ver”, “agradecer” a Jesus obediente e corajoso e conversar com ele.

E é o próprio Papa a sugerir as palavras:

“Quantas vezes eu procuro fazer tantas coisas e não olho para Ti, que fizeste isto por mim? Que foi paciente – o homem paciente, Deus paciente  – que com tanta paciência tolera os meus pecados, os meus fracassos? E falar com Jesus assim. Ele decidiu sempre ir em frente, oferecer a face, e agradecê-lo. Tomemos hoje um pouco de tempo, poucos minutos – cinco, dez, quinze – diante do Crucifixo, talvez ou com imaginação, ver Jesus caminhar decididamente para Jerusalém e pedir a graça de ter a coragem de segui-Lo de perto”.

Radio Vaticano

Fonte: http://www.comshalom.org/

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FATIMA, 03 Out. 17 / 04:00 pm (ACI).- Uma relíquia de São João Paulo II estará nos dias 21 e 22 de outubro no Santuário de Fátima, em Portugal, por ocasião da memória litúrgica do santo e como expressão da profunda ligação entre o Papa polonês e a Virgem.

A relíquia será acolhida no dia 21 de outubro na Capelinha das Aparições, onde será rezado o terço. Em seguida, será exposta na Capela da Ressurreição de Jesus, no piso inferior da Basílica da Santíssima Trindade, para a veneração dos fiéis.

No dia seguinte, festa de São João Paulo II, a veneração ocorrerá no mesmo local ao longo do dia até que, às 18h30, acontecerá o acolhimento da relíquia na Basílica de Nossa Senhora do Rosário, para a celebração da Missa votiva do santo.

Conforme assinala o Santuário mariano de Portugal, “a aceitação da presença desta relíquia em Fátima deve-se essencialmente à ligação profunda existente entre São João Paulo II e Fátima, que o Santuário procura também sublinhar neste ano do Centenário”.

João Paulo II cultivou grande devoção à Nossa Senhora desde novo. Quando sua mãe faleceu e ele ainda era criança, passou a visitar frequentemente a Igreja paroquial e habituou-se a confiar todas as suas preocupações e anseios à Virgem.

Mais tarde, quando foi nomeado bispo, escolheu para as suas armas episcopais a letra M junto à cruz e o lema Totus Tuus (Todo Teu), como sinal de total entrega a Maria. Além disso, frequentemente era visto no Santuário da Virgem Negra de Czestochowa.

Já como Papa, em 13 de maio de 1981, sofreu o atentado na Praça de São Pedro e agradeceu à Virgem de Fátima por ter salvado sua vida.

No ano seguinte, visitou Fátima a fim de agradecer por esta proteção. “Vi em tudo o que foi sucedendo − não me canso de o repetir − uma especial proteção materna de Nossa Senhora. E por coincidência − e não há meras coincidências nos desígnios da Providência divina − vi também um apelo e, talvez uma chamada de atenção para a mensagem que daqui partiu”, disse na ocasião.

Mais tarde, em 25 de março de 1984, buscando cumprir as orientações deixadas pela Virgem aos pastorinhos, realizou em Roma o ato de consagração à Nossa Senhora de Fátima, em união com todos os bispos do mundo.  Para esta ocasião, fez-se acompanhar pela imagem original da Virgem de Fátima, que é venerada na Capelinha das Aparições.

No dia seguinte, entregou ao então bispo de Leiria, Dom Alberto Cosme do Amaral, uma pequena caixa com “um presente para Nossa Senhora”. Comovido, ao abrir a caixa o Prelado viu que era a bala que tinha atravessado o corpo do Pontífice, a qual foi colocada na coroa de Nossa Senhora de Fátima.

Em várias ocasiões, João Paulo II deixou evidente a sua profunda ligação com a Virgem de Fátima, sobretudo pelo “milagre de 13 de maio”.

“Há dez anos fui introduzido na experiência de Fátima vivida pela Igreja. Isto aconteceu na tarde do dia 13 de maio: o atentado à vida do Papa. […] Sei que a vida, a mim concedida de novo há dez anos, me foi dada pela misericordiosa Providência de Deus. Não esqueçamos as grandes obras de Deus”, disse na Audiência de 15 de maio de 1991.

O Pontífice retornou a Fátima em 1991, quando já havia caído o muro de Berlim e pôde “agradecer a Nossa Senhora a proteção dada à Igreja nestes anos, que registaram rápidas e profundas transformações sociais, permitindo abrirem-se novas esperanças para vários povos oprimidos por ideologias ateias que impediram a prática da sua fé”.

Em 13 de maio de 2000, ano em que foi revelada publicamente a terceira parte do segredo de Fátima, João Paulo II voltou ao santuário da Cova da Iria e beatificou os pastorinhos Francisco e Jacinta Marto. Tornando-se, assim, o Pontífice que mais visitou Fátima.

Nas palavras proferidas pelo Cardeal Angelo Sodano, a proteção dada ao Papa “parece ter a ver também com a chamada terceira parte do segredo de Fátima”, referindo claramente o atentado sofrido por João Paulo II a 13 de maio de 1981 e “a mão materna” que permitiu que o Santo Padre se detivesse no limiar da morte.

Segundo o Cardeal, foi uma visão profética a que os três pastorinhos tiveram em 13 de julho de 1917: um bispo de branco que reza por todos os crentes, caminhando, com dificuldade, para uma cruz rodeada de cadáveres. O bispo de branco cai depois por terra, sob os tiros de uma arma de fogo.

Fonte: http://www.acidigital.com/

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Informado da notícia sobre o tiroteio em Las Vegas, Santo Padre enviou um telegrama ao bispo local

Da Redação, com Boletim da Santa Sé

O Papa Francisco expressou o seu pesar diante da notícia do tiroteio em Las Vegas, Estados Unidos, que já deixou ao menos 50 mortos e mais de 200 feridos. O Santo Padre enviou uma mensagem ao bispo de Las Vegas, Dom Joseph Anthony Pepe, assegurando suas orações pelas vítimas.

“Profundamente triste ao saber do tiroteio em Las Vegas, Papa Francisco assegura sua proximidade espiritual a todos os afetados por essa tragédia sem sentido. Ele elogia os esforços da polícia e da equipe do serviço de emergência e oferece suas orações pelos feridos e por todos que morreram, confiando-os ao amor misericordioso de Deus”, escreve o secretário de Estado do Vaticano, Cardeal Pietro Parolin, que é quem assina a mensagem.

O tiroteio aconteceu em Las Vegas na madrugada desta segunda-feira, 2. Um homem abriu fogo contra o público – cerca de 40 mil pessoas – que assistia a um show de música country.

Segundo informações do chefe da polícia local, Joe Lombardo, o autor do ataque é Stephen Paddock, 64 anos, um morador local de Las Vegas.

Ainda são desconhecidos os motivos da ação, considerada o maior ataque a tiros da história dos Estados Unidos.

Fonte: https://noticias.cancaonova.com/

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BOLONHA, 01 Out. 17 / 10:00 am (ACI).- Apenas duas horas depois de sua chegada a Cesena, o Papa Francisco seguiu novamente de helicóptero para Bolonha, onde se reuniu primeiramente com cerca de mil migrantes e pessoas que desenvolvem serviço de assistência em um dos centros que realizam este trabalho.

“A integração começa com a consciência” e “o contato com o outro leva a descobrir o ‘segredo’ que cada um leva consigo e também o dom que representa, ao abrir-se para ele para acolher os aspectos válidos, aprendendo assim a querer bem e vencendo o medo, ajudando-o a integrar-se na nova comunidade que o acolhe”, disse o Papa.

“Quero levar comigo vossos rostos que pedem ser recordados, ajudados, diria ‘adotados’”, afirmou diante da emoção dos que o escutavam.

O Santo Padre os chamou de “lutadores da esperança”: “alguém não chegou porque foi engolido pelo deserto ou pelo mar. Os homens não os recordam, mas Deus conhece seus nomes e os acolhe junto a Ele”. Em seguida, pediu que fizessem uns minutos de silêncio para recordar todos os que faleceram tentando sair de seu país de origem.

“Sem a misericórdia, o outro é um estranho, até mesmo inimigo, e não pode ser meu próximo. De longe, podemos dizer e pensar o que for, como facilmente acontece quando escrevem frases terríveis e insultos via internet”, assegurou o Papa.

Por isso, “se olhamos o próximo sem misericórdia, não nos damos conta de seu sofrimento e de seus problemas”.

O Papa saudou muitos deles pessoalmente, permitindo-lhes que fizessem fotos com ele. Mais de meia hora depois de sua chegada e após deter-se com cada um, pronunciou um discurso no qual falou em concreto sobre o fenômeno migratório e indicou que “requer visão e grande determinação na gestão, inteligência e estrutura, mecanismos claros que não permitem distorções ou exploração”.

Francisco reiterou sua postura sobre a necessidade de “programas de ajuda privados e comunitários de acolhida” e solicitou que “se abram corredores humanitários para os refugiados em situações mais difíceis, para evitar esperas insuportáveis e tempos perdidos”.

Na última parte do discurso, recordou que “a Igreja é uma mãe que não faz distinção e que ama cada homem como filho de Deus, sua imagem”.

Fonte: http://www.acidigital.com/

Esse é o segundo tremor registrado no México nesse mês de setembro; Papa reza pelas vítimas

Da Redação, com Rádio Vaticano

Após a catequese desta quarta-feira, 20, o Papa Francisco manifestou solidariedade aos mexicanos em virtude do terremoto que afetou o país nesta terça-feira, 19, deixando mais de 200 mortos. Ao saudar os peregrinos de língua espanhola, Francisco rezou por todas as vítimas da tragédia.

“Ontem, um terremoto terrível assolou o México – vi que há muitos mexicanos entre vocês -. Causou inúmeras vítimas e danos materiais. Neste momento de dor, quero manifestar a minha solidariedade e oração a toda querida população mexicana. Elevemos juntos a nossa oração a Deus por quem perdeu a vida, que o Senhor conforte os feridos, seus familiares e todos os afetados”, disse.

O Papa pediu orações também por todos que trabalham no resgate das vítimas e a proteção de Nossa Senhora de Guadalupe.

O terremoto

O tremor foi sentido em 18 municípios, incluindo a Cidade do México, onde edifícios caíram e pessoas estão soterradas. O epicentro foi nos arredores de Axochiapan, no Estado de Morelos, a cerca de 120 km da capital. Segundo o Serviço Nacional mexicano, o terremoto foi registrado a 57 km de profundidade. Exatamente 32 anos atrás, no mesmo dia, um sismo deixou milhares de mortos na capital mexicana.

Também no início deste mês, em 8 de setembro, um terremoto de magnitude 8,2 graus foi registrado no estado de Chiapas. Esse foi considerado o maior tremor desde 1985.

Fonte: https://noticias.cancaonova.com/

Jamais dialogar com o diabo, com o sedutor e o impostor, que afasta de Deus, fonte da felicidade. Foi o que disse o Papa na missa da manhã de sexta-feira, 25/11, na Casa S. Marta, convidando-nos a aproximar-se do último encontro com o Senhor, no dia do Juízo, com o coração humilde.

Nestes dois últimos dias do ano litúrgico, a Igreja completa a reflexão sobre o fim do mundo e o Papa fala disso, lembrando a primeira carta do Apocalipse de João. Como será o juízo universal, questiona, e o encontro final com Jesus?

Diabo, sedutor que arruina a vida. Jamais dialogar com ele

A primeira imagem do Apóstolo é o juízo do “dragão, a antiga serpente, que é o diabo” e que o anjo descido do céu joga do Abismo, acorrentado para que “não pudesse mais seduzir as nações: porque ele é um sedutor”, destaca Francisco.

 “Ele é um mentiroso, ou mais: é o pai da mentira, gera mentiras, é um impostor. Leva a crer que se comes a maçã, serás como Deus. Ele a vende assim e tu a compras; no fim, ele te engana, arruína tua vida. ‘Mas padre, o que podemos fazer para não nos deixarmos enganar pelo diabo? Com o diabo não se dialoga. O que Jesus fez com o diabo? Jesus o expulsava, lhe perguntava seu nome, mas não conversava”.

Também no deserto, acrescenta o Papa, Jesus nunca usou a palavra própria porque sabia bem do perigo. “Nas três respostas que deu ao diabo, se defendeu com a Palavra de Deus, a Palavra da Bíblia”. Jamais dialogar com este ‘mentiroso’, ‘impostor’, aquele que quer a ‘nossa ruína’ e que por isso, ‘será jogado no Abismo’.

Na página do Apocalipse, comparecem então as almas dos mártires, os ‘humildes’, observa o Papa, aqueles que testemunharam Jesus Cristo e não adoraram o diabo e seus seguidores: o ‘dinheiro, a mundanidade e a vaidade’, dando a vida por isso.

Condenação é estar distante de Deus, não sala de tortura

O Senhor julgará grandes e pequenos pelas suas obras, lê-se ainda no Apocalipse, e os condenados serão lançados no “lago de fogo”. É sobre esta “segunda morte” que Francisco se detém:

“A condenação eterna não é uma sala de tortura, ela é uma descrição dessa segunda morte: é uma morte. E aqueles que não serão recebidos no reino de Deus é porque eles não se aproximaram do Senhor. São aqueles que sempre seguiram pelo seu caminho, afastando-se do Senhor e passando diante do Senhor e se distanciaram sozinhos. É a condenação eterna, é o distanciar-se constantemente de Deus. É a maior dor, um coração insatisfeito, um coração que foi feito para encontrar a Deus, mas por orgulho, por ter a certeza de si mesmo, se afasta de Deus”.

A distância para sempre de “Deus que dá a felicidade”, do “Deus que nos ama tanto”, este é o “fogo”, reafirma o Papa, é “o caminho da condenação eterna.” Mas a última imagem do Apocalipse abre à esperança e também Francisco o faz.

Abrir o coração para Jesus com humildade, dá a salvação

Se “abrimos os nossos corações”, como Jesus nos pede, teremos “a alegria e a salvação”, “céu e terra novos”, dos quais se fala na primeira leitura. “Basta somente uma palavra,” destaca ainda o Papa: “Senhor” e “Ele faz o resto.” Portanto, deixar-se “acariciar” e “perdoar” por Jesus, sem orgulho, é o convite final:

A esperança que abre os corações para o encontro com Jesus Isto nos espera: O encontro com Jesus. É bonito, é muito bonito! Ele só nos pede para sermos humildes e dizer, ‘Senhor’. Basta somente aquela palavra e Ele faz o resto. ”

Foto: Rádio Vaticano

Evitar a alienação do viver, isto é, como se jamais fôssemos morrer: foi a advertência feita pelo Papa Francisco na missa celebrada na manhã de terça-feira (22/11) na capela da Casa Santa Marta.

O Papa interpretou a reflexão com a qual a Igreja conduz a última semana do Ano  Litúrgico como “um chamado do Senhor para pensar seriamente no fim, no fim de cada um de nós, porque cada um de nós terá o seu fim”

Cada um de nós terá seu fim: pensemos no rastro que deixaremos

“Não gosta de pensar nessas coisas”, observou, “mas ali está a verdade”. “E quando um de nós terá ido embora, passarão anos e quase ninguém se lembrará”. Eu tenho “uma ‘agenda”, revela Francisco, “onde escrevo quando uma pessoa morre” e todos os dias vejo aquela “recorrência” e “como o tempo passou”. “E isso nos obriga”, “a pensar no que deixaremos, qual é o “rastro” da nossa vida.  E depois no final, como se lê no trecho de hoje do Apocalipse de João, haverá o juízo para cada um de nós:

“E nos fará bem pensar: “Mas como será o dia em que eu estarei diante de Jesus? Quando Ele me perguntará sobre os talentos que me deu, que uso fiz deles; quando ele me perguntará como estava o meu coração quando a semente caiu, como foi o caminho, os espinhos: essas Parábolas do Reino de Deus. Como recebi a Palavra? Com coração aberto? Eu a fiz germinar para o bem de todos ou a escondi?”

Todos seremos julgados: não se deixar enganar pelas coisas superficiais

Cada um de nós, portanto, estará diante de Jesus no dia do juízo, então – advertiu o Papa retomando as palavras do Evangelho de Lucas, “não os deixe enganar”. E a enganação de que fala é “alienação”, “o estranhamento”, a enganação das “coisas que são superficiais, que não têm transcendência”, de “viver como se jamais fôssemos morrer”. “Quando virá o Senhor”, como me encontrará? Esperando ou em meio a tantas alienações da vida?

“Eu me lembro quando era criança e fazia catecismo, nos ensinavam quatro coisas: morte, juízo, inferno ou glória. Depois do juízo havia esta possibilidade. ‘Mas padre, isto é para nos assustar…’ – ‘Não, é a verdade! Porque se não cuidares do coração para que o Senhor esteja contigo e vives afastado sempre do Senhor, talvez haja o perigo, o risco de continuar afastado da eternidade do Senhor’. É horrível isso!”.

“Não teremos medo da morte se formos fiéis ao Senhor no momento de prestar contas. E concluindo, Francisco se inspira na leitura do Apocalipse de João; no conselho do Apóstolo: ‘Seja fiel até a morte – diz o Senhor – e te darei a coroa da vida’”.

“A fidelidade ao Senhor não desilude. Se cada um de nós for fiel ao Senhor, quando a morte chegar, diremos como Francisco: ‘vinde, irmã morte’… Ela não nos assustará. E quando será o dia do juízo, diremos ao Senhor: ‘Senhor, tenho tantos pecados, mas tentei ser fiel’. E o Senhor é bom. Este é o conselho que lhes dou: ‘Sejam fieis até a morte e lhes darei a coroa da vida’. Com esta fidelidade não teremos medo no fim, não teremos medo no dia do juízo”.

Fonte: Rádio Vaticano

O Papa Francisco presidiu, neste domingo (20/11), Solenidade de Cristo Rei, a missa de encerramento do Jubileu da Misericórdia com o fechamento da Porta Santa da Basílica de São Pedro.

“A solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo Rei do Universo coroa o ano litúrgico e este Ano Santo da Misericórdia. O Evangelho apresenta a realeza de Jesus no auge de sua obra salvadora e o faz de maneira surpreendente. «O Messias de Deus, o Eleito, (…) o Rei» aparece sem poder nem glória: está na cruz, onde parece mais um vencido do que um vencedor. A sua realeza é paradoxal: o seu trono é a cruz; a sua coroa é de espinhos; não tem um cetro e não usa vestidos suntuosos, mas é privado da própria túnica; não tem anéis brilhantes nos dedos, mas as mãos transpassadas pelos pregos; não possui um tesouro, mas é vendido por trinta moedas.”

Amor humilde

“O Reino de Jesus não é deste mundo, mas Nele – como nos diz o Apóstolo Paulo na segunda leitura, encontramos a redenção e o perdão, pois a grandeza do seu reino não está na força segundo o mundo, mas no amor de Deus, um amor capaz de alcançar e restaurar todas as coisas. Por este amor, Cristo abaixou-se até nós, viveu a nossa miséria humana, provou a nossa condição mais ínfima: a injustiça, a traição, o abandono; experimentou a morte, o sepulcro, a morada dos mortos. Assim, se aventurou o nosso Rei até os confins do universo, para abraçar e salvar todo o vivente. Não nos condenou, nem sequer nos conquistou, nunca violou a nossa liberdade, mas abriu caminho com o amor humilde, que tudo desculpa, tudo espera, tudo suporta. Somente este amor venceu e continua vencendo os nossos grandes adversários: o pecado, a morte e o medo.”

“Seria demasiado pouco crer que Jesus é Rei do universo e centro da história, sem fazê-lo tornar-se Senhor de nossa vida”. E o Papa citou três personagens presentes no Evangelho deste domingo.

Distância

O primeiro personagem, o povo, que “permanece longe, a ver o que sucedia. É o mesmo povo que, levado pelas próprias necessidades, se aglomerava em torno de Jesus e, agora, se mantém à distância. Diante das circunstâncias da vida ou de  nossas expectativas não realizadas, podemos também nós ser tentados a manter distância da realeza de Jesus, não aceitando completamente o escândalo do seu amor humilde, que interpela o nosso eu e o desassossega. Prefere-se ficar à janela, afastado, em vez de se aproximar e fazer-se próximo. Mas o povo santo, que tem Jesus como Rei, é chamado a seguir o seu caminho de amor concreto; a interrogar-se diariamente: «O que me pede o amor, para onde me impele? Que resposta dou a Jesus com a minha vida?»

Zombaria

O segundo grupo são vários personagens: os chefes do povo, os soldados e um dos malfeitores. Todos eles zombam de Jesus, dirigindo-Lhe a mesma provocação: «Que salve a si mesmo». É uma tentação pior que a do povo. Aqui tentam Jesus, como fez o diabo ao início do Evangelho para que renuncie a reinar à maneira de Deus e o faça segundo a lógica do mundo: desça da cruz e derrote os inimigos! Se é Deus, demonstre força e superioridade! Esta tentação é um ataque contra o amor: «Salve a si mesmo» (Lc 23, 37.39); não os outros, mas a si mesmo. Prevaleça o eu com a sua força, a sua glória, o seu sucesso. É a tentação mais terrível; a primeira e a última do Evangelho. Entretanto Jesus, diante desse ataque ao seu próprio modo de ser, não fala, não reage. Não se defende, não tenta convencer, não há uma apologética da sua realeza, mas continua a amar, perdoa, vive o momento da prova segundo a vontade do Pai, certo de que o amor dará fruto.”

“Para acolher a realeza de Jesus, somos chamados a lutar contra esta tentação, a fixar o olhar no Crucificado, para Lhe sermos fiéis cada vez mais. Mas, em vez disso, quantas vezes se procuraram – mesmo entre nós – as seguranças gratificantes oferecidas pelo mundo! Quantas vezes nos sentimos tentados a descer da cruz! A força de atração que tem o poder e o sucesso pareceu um caminho mais fácil e rápido para difundir o Evangelho, esquecendo depressa como atua o reino de Deus. Este Ano da Misericórdia convidou-nos a descobrir novamente o centro, a regressar ao essencial. Este tempo de misericórdia nos chama a contemplar o verdadeiro rosto do nosso Rei, aquele que brilha na Páscoa, e a descobrir novamente o rosto jovem e belo da Igreja, que brilha quando é acolhedora, livre, fiel, pobre de meios e rica no amor, missionária. A misericórdia, levando-nos ao coração do Evangelho, nos exorta também a renunciar a hábitos e costumes que podem obstaculizar o serviço ao reino de Deus, a encontrar a nossa orientação apenas na realeza perene e humilde de Jesus, e não na acomodação às realezas precárias e aos poderes mutáveis de cada época.”

Abertura

O outro personagem, mais perto de Jesus, é o malfeitor que o invoca dizendo: «Jesus, lembra-te de mim, quando estiveres no teu Reino». “Com a simples contemplação de Jesus, ele acreditou no seu Reino. E não se fechou em si mesmo, mas, com os seus erros, os seus pecados e os seus problemas, dirigiu-se a Jesus. Pediu para ser lembrado, e saboreou a misericórdia de Deus: «Hoje estarás comigo no Paraíso». Deus, quando lhe damos tal possibilidade, se lembra de nós. Está pronto a apagar completamente e para sempre o pecado, porque a sua memória não é como a nossa: não registra o mal feito, nem continua a ter em conta as ofensas sofridas. Deus não tem memória do pecado, mas de nós, de cada um de nós, seus filhos amados. E crê que é sempre possível recomeçar, levantar-se”, disse o Papa.

Cristo, porta da misericórdia

Francisco nos convidou a pedir “o dom desta memória aberta e viva”. “Peçamos a graça de não fechar nunca as portas da reconciliação e do perdão, mas saber ir além do mal e das divergências, abrindo todas as vias possíveis de esperança. Assim como Deus acredita em nós, infinitamente para além de nossos méritos, também nós somos chamados a infundir esperança e a dar uma oportunidade aos outros. Com efeito, embora se feche a Porta Santa, continua sempre escancarada para nós a verdadeira porta da misericórdia que é o Coração de Cristo. Do lado transpassado do Ressuscitado jorram até o fim dos tempos a misericórdia, a consolação e a esperança”, frisou o Pontífice.

“Muitos peregrinos atravessaram as Portas Santas e, longe do fragor dos noticiários, saborearam a grande bondade do Senhor. Agradeçamos ao Senhor por isso e recordemo-nos de que fomos investidos em misericórdia para nos revestir de sentimentos de misericórdia, para nos tornarmos instrumentos de misericórdia. Prossigamos, juntos, este nosso caminho. Acompanhe-nos Nossa Senhora! Ela também estava junto da cruz; lá nos deu à luz enquanto terna Mãe da Igreja, que a todos deseja abrigar sob o seu manto. Ao pé da cruz, Ela viu o bom ladrão receber o perdão e tomou o discípulo de Jesus como seu filho. É a Mãe de misericórdia, a quem nos confiamos: toda situação nossa, toda oração nossa, dirigida aos seus olhos misericordiosos, não ficará sem resposta.”

Segundo a Gendarmaria Vaticana, participaram da missa de encerramento do Jubileu da Misericórdia, presidida pelo Papa Francisco, cerca de 70 mil pessoas.

Fonte: RÁDIO VATICANO

O Papa Francisco explicou hoje o que machuca o coração de Cristo

O Papa Francisco iniciou a quinta-feira (17/11) celebrando a missa na capela da Casa Santa Marta. Em sua homilia, o Papa partiu da imagem de Jesus chorando em Jerusalém, e explicou o motivo: Jesus o faz porque se lembra da história do “seu povo”. De um lado, este amor sem medidas e, de outro, “a resposta egoísta, desconfiante, adúltera e idolátrica do povo”.

A infidelidade machuca o coração de Cristo

O “amor louco de Deus pelo seu povo parece uma blasfêmia, mas não é”, afirma o Papa. Jesus, de fato, faz memória dos passos dos profetas, como Oséias e Jeremias, quando expressam o amor de Deus por Israel. No Evangelho do dia, Jesus se lamenta: “Porque tu não reconheceste o tempo em que foste visitada”.

“É isso que machuca o coração de Jesus Cristo, esta história de infidelidade, esta história de não reconhecer os carinhos de Deus, o amor de Deus, de um amor apaixonado que nos busca, que se preocupa com a nossa felicidade. Jesus viu naquele momento o que o aguardava como Filho. E chorou… ‘Porque tu não reconheceste o tempo em que foste visitada’. Este drama não aconteceu somente na história e acabou com Jesus. É o drama de todos os dias. É também o meu drama. Cada um de nós pode dizer: ‘Eu sei reconhecer o tempo em que fui visitado? Deus me visita?’”.

Deus nos visita de três modos

O Papa destacou que, dias atrás, a Liturgia propunha a reflexão sobre três momentos da visita de Deus: para nos corrigir, para entrar em relação conosco e “para se convidar à nossa casa”. Quando Deus quer corrigir, convida a mudar de vida. Quando quer falar conosco, diz: “Eu bato à porta e chamo. Abra-me!”. E a Zaqueu, para receber o convite, diz para descer da árvore. O Pontífice convidou a nos perguntar como está o nosso coração, a fazer um exame de consciência, a questionar se “sei ouvir as palavras de Jesus” quando bate “a minha porta” e diz: “Corrija-se!”.  Cada um de nós corre um risco:

“Cada um de nós pode cair no mesmo pecado do povo de Israel, no mesmo pecado de Jerusalém: não reconhecer o tempo no qual fomos visitados. E todos os dias o Senhor nos visita, todos os dias bate à nossa porta. Mas devemos aprender a reconhecer isso, para não acabar naquela situação tão dolorosa: ‘Quanto mais os amava, mais os chamava, mais se afastavam de mim’. ‘Mas eu estou seguro das minhas coisas. Eu vou à missa, estou seguro…’.  Você faz todos os dias um exame de consciência sobre isso? Hoje o Senhor me visitou? Ouvi algum convite, alguma inspiração para segui-lo mais de perto, para fazer uma obra de caridade, para rezar um pouco mais? Não sei, tantas coisas às quais o Senhor nos convida todos os dias para se encontrar conosco”.

Abrir as portas a Jesus

Para o Papa, portanto, é fundamental reconhecer quando somo “visitados” por Jesus para nos abrir ao amor.

“Jesus chorou não somente por Jerusalém, mas por todos nós. E deu a sua vida, para que nós reconhecêssemos a sua visita. Santo Agostinho dizia uma palavra, uma frase muito forte: ‘Tenho medo de Deus, de Jesus, quando passa!’. Mas por que tem medo? ‘Tenho medo de não reconhecê-Lo!’. Se você não estiver atento ao coração, jamais saberá se Jesus o está visitando ou não. Que o Senhor nos dê a todos nós a graça de reconhecer o tempo em que fomos visitados, somos visitados e seremos visitados para abrir a porta a Jesus e fazer de modo que o nosso coração seja maior no amor e sirva no amor o Senhor Jesus”.

Fonte: Rádio Vaticano

O amor do cristão é concreto, não é o amor “soft” de uma novela. Foi o que afirmou o Papa Francisco na Missa celebrada na manhã de sexta-feira (11/11) na Casa Santa Marta.

O Pontífice se inspirou nas leituras do dia para falar sobre a natureza do amor cristão. Antes de tudo, o Papa recordou o mandamento que recebemos do Senhor, que é caminhar no amor. “Mas de que amor estamos falando?”, questionou. “Esta palavra é usada hoje para tantas coisas. Fala-se de amor num romance ou numa novela, de amor teórico.”

O critério do amor cristão é a Encarnação do Verbo

Mas qual seria “o critério do amor cristão?” O critério, destacou ele, “é a Encarnação do Verbo”. E quem nega isso, quem não o reconhece é o “anticristo!”:

“Um amor que não reconhece que Jesus veio em Carne, na Carne, não é o amor que Deus nos comanda. É um amor mundano, é um amor filosófico, é um amor abstrato, é um amor pequeno, é amor soft. Não! O critério do amor cristão é a Encarnação do Verbo. Quem diz que o amor cristão é outra coisa, este é o anticristo! Que não reconhece que o Verbo veio na Carne. E esta é a nossa verdade: Deus enviou o seu Filho, se encarnou e fez uma vida como nós. Amar como Jesus amou; amar como Jesus nos ensinou; amar com o exemplo de Jesus; amar, caminhando na estrada de Jesus. E a estrada de Jesus é dar a vida”.

“A única maneira de amar como Jesus amou – prosseguiu o Papa – é sair continuamente do próprio egoísmo e ir a serviço dos outros”. E isso porque o amor cristão “é um amor concreto, porque concreta é a presença de Deus em Jesus Cristo”.

As ideologias sobre o amor escarnecem a Igreja

Francisco advertiu que quem vai além desta “doutrina da carne”, da Encarnação, “não permanece na doutrina de Cristo, não possui Deus”:

“Este ir além é um mistério: é sair do Mistério da Encarnação do Verbo, do Mistério da Igreja. Porque a Igreja é a comunidade em torno da presença de Cristo, que vai além. Essa é uma palavra forte, certo? Quem vai “proagon”, que caminha além. E a partir daí nascem todas as ideologias: as ideologias sobre o amor, as ideologias sobre Igreja, as ideologias que tiram da Igreja a Carne de Cristo. Essas ideologias escarnecem a Igreja! “Sim, eu sou católico; sim, sou um cristão; eu amo todo o mundo com um amor universal ‘… Mas é tão etéreo. Um amor é sempre dentro, concreto e não para além desta doutrina da Encarnação do Verbo”.

Francisco, em seguida, afirmou que “quem quer amar não como Cristo ama sua noiva, a Igreja, com a própria carne e dando a vida, ama ideologicamente”. E esse modo de “fazer teorias e ideologias – acrescentou -, também propostas de religiosidade que retiram a Carne de Cristo, que retiram a Carne à Igreja, vão além e arruínam a comunidade, arruínam a Igreja”.

O amor cristão é concreto, evitar o intelectualismo

O Papa advertiu ainda que “se começarmos a teorizar sobre o amor”, chegaremos à “transformação” do que Deus “quis com a Encarnação do Verbo, chegaremos a um Deus sem Cristo, um Cristo sem Igreja e a uma Igreja sem povo. Tudo neste processo de escarnecer a Igreja “:

“Rezemos ao Senhor para que a nossa caminhada no amor nunca – nunca! – faça de nós um amor abstrato. Mas que esse amor seja concreto, com as obras de misericórdia, com as quais se toca a carne de Cristo ali, de Cristo Encarnado. É por isso que o diácono Lourenço disse: “Os pobres são o tesouro da Igreja!”. Por quê? Porque eles são a carne sofredora de Cristo! Vamols pedir esta graça de não ir além e não entrar neste processo, que talvez seduz muitas pessoas, de intelectualizar, de ideologizar esse amor, escarnecendo a Igreja, escarnecendo o amor cristão. E não chegar ao triste espectáculo de um Deus sem Cristo, de um Cristo sem Igreja e de uma Igreja sem povo”.

Fonte: Rádio Vaticano

“Sei que muitas vezes vocês encontraram pessoas que queriam explorar a pobreza de vocês”

Peço-lhes perdão pelas pessoas da Igreja que não olharam para vocês, que voltaram o olhar para o outro lado: foram palavras do Papa Francisco acolhendo ao meio-dia desta sexta-feira (11/11), na Sala Paulo VI, no Vaticano, cerca de quatro mil pessoas provenientes de muitos países europeus que viveram ou que vivem na rua, presentes estes dias em Roma para celebrar o seu Jubileu da Misericórdia.

Várias associações que assistem pessoas em grave situação de precariedade e sem-teto aderiram ao evento promovido pela Associação francesa “Irmão”.

As palavras pronunciadas pelo arcebispo de Lion, Cardeal Philippe Barbarin, abrindo o encontro, foram precedidas dos calorosos cumprimentos e abraços entre Francisco e seus convidados.

“Vimos encontrar a Igreja e o próprio Cristo”, disse Etienne Villemain da Associação Irmão dirigindo-se ao Papa, a quem agradeceu por habitualmente recordá-los desse modo. Também nós queremos experimentar a ternura de Deus, disse, expressando ao Pontífice um grande desejo: de que possam ser organizadas Jornadas mundiais dos pobres.

Em seguida, Christian e Robert deixaram o seu testemunho: dois sem-teto, repletos de gratidão para com aqueles que os ajudaram e para com o Papa, por levar consigo os pobres em seu coração.

O Pontífice iniciou dizendo ter anotado algumas palavras que tinha acabado de ouvir. As seguintes: “como seres humanos  não nos diferenciamos dos grandes do mundo. Temos nossas paixões e nossos sonhos, que buscamos levar adiante dando pequenos passos”.

A paixão e os sonhos: duas palavras que podem ajudar. “Não deixem de sonhar”, recomendou o Santo Padre, falando espontaneamente aos presentes, ou seja, sem texto previamente preparado.

“A pobreza está no coração do Evangelho. Aquele que tem tudo não pode sonhar! As pessoas, os simples foram até Jesus porque sonhavam que os haveria de curar, de libertar, de servir e seguiram-no e Ele os libertava.”

Uma segunda palavra: “A vida é tão bela”. O que significa que a vida seja bela mesmo nas situações piores? – perguntou-se o Papa. Isso significa dignidade! A mesma dignidade que teve Jesus que nasceu pobre, que viveu como pobre:

“Sei que muitas vezes vocês encontraram pessoas que queriam explorar a pobreza de vocês… porém, sei que este sentimento de ver que a vida é bela, este sentimento, esta dignidade, salvou-os de ser escravos. Pobre sim, escravo não! A pobreza está no coração do Evangelho, para ser vivida. A escravidão não está no Evangelho para ser vivida, mas par ser libertada.”

Sempre encontramos pessoas mais pobres do que nós, a capacidade de ser solidários é um dos frutos que a pobreza nos dá: “obrigado por este exemplo que vocês dão. Vocês ensinam ao mundo a solidariedade!” Francisco disse ter ficado impressionado ao ouvir falar de paz. A pobreza maior é a guerra, afirmou, a guerra que destrói:

“A paz que, para nós cristãos, teve início numa estrebaria, a partir de uma família marginalizada; a paz que Deus quer para cada um de seus filhos. E vocês, a partir da pobreza, da situação em que vivem, podem ser artífices de paz. A guerra se faz entre ricos, para ter mais, para ter mais território, mais poder, mais dinheiro. Precisamos de paz no mundo! Precisamos de paz na Igreja; todas as Igrejas precisam de paz; todas as religiões precisam crescer na paz.”

Agradeço a vocês por terem vindo aqui visitar-me, disse, por fim Francisco, pedindo perdão se alguma vez os ofendeu com suas palavras ou por não ter dito as coisas que deveria dizer:

“Peço-lhes perdão por todas as vezes que nós, cristãos, diante de uma pessoa pobre ou de uma situação pobre olhamos para o outro lado. O perdão de vocês, a homens e mulheres da Igreja, que não querem olhar ou não quiseram olhar para vocês, é água benta para nós, é limpeza para nós, é ajudar-nos a voltar a crer que no coração do Evangelho está a pobreza como grande mensagem e que nós – os católicos, os cristãos, todos – devemos formar uma Igreja pobre para os pobres.”

Ao término do encontro, o Papa, colocando-se de pé, recitou uma invocação ao Senhor: “Deus, Pai de todos nós, de cada um de vossos filhos, peço-vos que nos dê força, que nos dê alegria, que nos ensine a sonhar para olhar adiante; que nos ensine a ser solidários, porque somos irmãos; e que nos ajude a defender a nossa dignidade”.

Em seguida, Francisco deteve-se ainda por um momento intenso de oração silenciosa, circundado de homens e mulheres que lhe puseram as mãos em suas costas. Um gesto que expressou, mais do que as palavras, a amizade entre o Papa e os pobres.

Fonte: Rádio Vaticano

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O fundamento da nossa vida cristã é que Jesus reza por nós. Foi o que afirmou o Papa Francisco na missa celebrada na manhã de sexta-feira (28/10), na capela da Casa Santa Marta. O Pontífice destacou que cada escolha de Jesus, cada gesto e até mesmo o fim de sua vida terrena na Cruz foi marcada pela oração.

Como faz habitualmente, Francisco fez sua homilia partindo das leituras do dia e comentou o Evangelho, em que Jesus escolhe seus discípulos depois de uma longa e intensa oração.

A pedra angular

“A pedra angular é o próprio Jesus”, disse o Papa. “Sem Ele, não há Igreja.” Francisco, porém, destaca um detalhe do Evangelho de São Lucas que faz refletir:

“Jesus foi para a montanha rezar e passou toda a noite em oração a Deus’. E depois aconteceu tudo: as pessoas, a escolha dos discípulos, as curas, a expulsão dos demônios … A pedra angular é Jesus, sim: mas Jesus que reza. Jesus reza. Rezou e continua rezando pela Igreja. A pedra angular da Igreja é o Senhor diante do Pai, que intercede por nós. Nós rezamos para Ele, mas o fundamento é Ele que reza por nós”.

A nossa segurança é Jesus em oração

“Jesus sempre rezou pelos seus discípulos, inclusive na última Ceia, disse o Papa. Antes de realizar qualquer milagre, Jesus reza. Francisco cita como exemplo a ressurreição de Lázaro: Jesus reza ao Pai”:

“No Jardim das Oliveiras, Jesus reza; na Cruz, termina rezando: a sua vida terminou em oração. E esta é a nossa segurança, este é o nosso fundamento, esta é a nossa pedra angular: Jesus que reza por nós! Jesus que reza por mim! E cada um de nós pode dizer isto: estou certo, estou certa de que Jesus reza por mim; ele está diante do Pai e me cita. Esta é a pedra angular da Igreja: Jesus em oração”.

Refletir sobre o mistério da Igreja

O Papa propõe o episódio, antes da Paixão, quando Jesus se dirige a Pedro com a advertência”: “Pedro … Satanás vos pediu para vos cirandar como o trigo. Mas eu roguei por ti para que a tua fé não desfaleça”:

“E aquilo que diz a Pedro o diz a você, e a você, e a você, e a mim, e a todos: ‘Eu rezei por você, eu rezo por você, eu agora estou rezando por você’, e quando vem no altar, Ele vem para interceder, para rezar por nós. Como faz na Cruz. E isso nos dá uma grande segurança. Eu pertenço a esta comunidade, forte porque tem como pedra angular Jesus, mas Jesus que reza por mim, que reza por nós. Hoje nos fará bem na Igreja; refletir sobre este mistério da Igreja. Somos todos como uma construção, mas o fundamento é Jesus, é Jesus que reza por nós. É Jesus que reza por mim”.

Fonte: Rádio Vaticano

“O olhar de Jesus vai além dos pecados e dos preconceitos”: foi o que disse o Papa na manhã deste domingo, ao rezar com os fiéis na Praça S. Pedro a oração mariana do Angelus.

Em sua alocução, Francisco comentou o Evangelho do dia, que narra o encontro de Jesus com Zaqueu em Jericó. Zaqueu era um rico cobrador de impostos, colaborador dos ocupantes romanos e, portanto, um explorador de seu povo. Ao chegar a Jericó, também Zaqueu queria ver Jesus, mas a sua condição de pecador público não lhe permitia se aproximar do mestre; além do mais, era pequeno de estatura; por isso sobe numa figueira para esperar Jesus passar.

Necessidade de conversão

Quando chega perto da árvore, Jesus ordena que Zaqueu desça, porque deve ficar em sua casa. No desenho de salvação da misericórdia do Pai, explicou o Papa, há também a salvação de Zaqueu, um homem desonesto e desprezado por todos, e por isso necessitado de conversão. De fato, o Evangelho diz que, quando Jesus o chamou, todos começaram a murmurar, dizendo: ‘Ele foi hospedar-se na casa de um pecador!’.

“Se Jesus tivesse dito: ‘Desça você, explorador, traidor do povo, e venha falar comigo para fazer as contas’, certamente o povo teria aplaudido”, comentou Francisco. Mas Jesus, guiado pela misericórdia, buscava justamente Zaqueu.

Jesus não se detém nas aparências, mas olha para o coração

“O olhar de Jesus vai além dos pecados e dos preconceitos”, repetiu duas vezes o Papa. Jesus vê a pessoa com os olhos de Deus, que não se detém no mal passado, mas entrevê o bem futuro; não se resigna aos fechamentos, mas sempre abre novos espaços de vida; não se detém nas aparências, mas olha para o coração.” Jesus olhou o coração ferido de Zaqueu e foi ali.

Às vezes, prosseguiu, nós buscamos corrigir ou converter um pecador repreendendo-o, reforçando seus erros e o seu comportamento injusto. A atitude de Jesus com Zaqueu nos indica outro caminho: de mostrar a quem erra o seu valor, aquele valor que Deus continua vendo não obstante tudo. “Assim se comporta Deus conosco: não fica preso no nosso pecado, mas o supera com o amor e nos faz sentir a saudade do bem. Todos sentimos esta saudade do bem depois de um erro. Não existe uma pessoa que não tenha algo de bom”, disse o Pontífice, que concluiu:

“Que a Virgem Maria nos ajude a ver o bem que existe nas pessoas que encontramos todos os dias. O nosso Deus é o Deus das surpresas!”

Fonte: Rádio Vaticano

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