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Silêncio

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O segredo está em simplesmente estar!

Durante grande parte da história da humanidade o amor foi o centro das atenções. Poemas, canções, peças teatrais. Tudo gira em todo dele. No entanto, temos percebido que, nos últimos tempos, a tudo se ama. Falamos que amamos uma pessoa, da mesma forma como falamos que amamos sorvete, ou a música do cantor “fulano de tal”. E vamos mediocrizando o significado dessa palavra. Banalizamos, liquidificamos, trituramos. No fim das contas, a nada amamos, a nada conseguimos amar, pois já não sabemos como se faz isso.

“Segue o baile” da vida e passamos a nos relacionar com Deus da mesma maneira que nos relacionamos com todas as outras pessoas e coisas. Ou enganamo-nos com a ideia de que já o amamos bastante porque rezamos muito e utilizamos palavras bonitas, ou nos desesperamos porque não sabemos rezar, vamos à oração sem saber o que fazer e nossa consciência nos condena a cada instante por esses motivos “vergonhosos”.

Idealizamos a nossa relação com Deus de forma tão paradigmática, que nos entristecemos porque não rezamos como Santa Teresa de Ávila ou São Francisco de Assis. Deprimimo-nos porque não conseguimos falar tão bem, durante a oração, quanto aquele pregador ou o coordenador do nosso grupo de oração. Envergonhamo-nos diante de Deus porque não temos paciência de rezar a mesma quantidade de tempo que os consagrados desta ou daquela comunidade de vida, dormimos na oração, não percebemos os seus frutos. Mas há algo que nós não conseguimos observar: é que a única coisa que Deus espera de nós, é que sejamos nós mesmos.

Ainda não conseguimos o grau elevado de amor a Deus que os santos tiveram. Isso é fato! Mas podemos chegar a esse amor por uma via mais simples, mais clara, mais objetiva, mais “humana”: A amizade! Sim! A amizade é uma experiência incrivelmente interessante, pois nela há segurança sem pressão. Diferentemente do amor, como estamos acostumados a ver, a amizade não sufoca ao receber do outro apenas aquilo que ele pode dar. O padre José Tolentino Mendonça afirma que “talvez a grande diferença entre amor e amizade resida no fato de o amor tender sempre para o ilimitado, suspeitando de contornos e fronteiras. Quando se esconde alguma coisa na relação amorosa, cedo ou tarde isso ganha um peso insuportável; enquanto, na amizade, lidamos de maneira leve com os constrangimentos, aceitamos que exista uma vida sem nós e além de nós”.

A amizade, diante da nossa humanidade, é uma relação de liberdade entre duas pessoas que conhecem as fraquezas uma da outra, que conhece também as realidades pessoais, mas que não se sente traída caso haja algo em sua vida que não fora compartilhado com o outro amigo. Já a relação de amor exige de nós uma entrega mais abrangente, quase que – se não – total doação de si mesmo, e não se aceita menos.

Não quero dizer aqui, que devemos deixar o amor de lado. O que digo é que, para chegarmos ao amor, aquele dos santos, dos grandes homens e mulheres que nos deixaram um legado na Igreja, podemos trilhar o caminho da amizade. Rubem Alves, apesar de ter pensamentos um tanto contrários ao evangelho, foi feliz ao falar sobre a amizade:

Amiga é aquela pessoa em cuja companhia não é preciso falar. Você tem aqui um teste para saber quantos amigos você tem: se o silêncio entre vocês dois lhe causa ansiedade, se, quando o assunto foge, você se põe a procurar palavras para encher o vazio e manter a conversa animada, então a pessoa com quem você está não é amiga, porque um amigo é alguém cuja presença procuramos, não por causa daquilo que se vai fazer juntos… A diferença está em que, quando a pessoa não é amiga, terminado o alegre e animado programa, vem um silêncio e um vazio que são insuportáveis. Nesse momento, o outro se transforma num incômodo que atulha o espaço e cuja despedida se espera com ansiedade. Queremos livrar-nos daquela pessoa. Com o amigo é diferente: não é preciso falar”.

Aí está o grande segredo para a nossa oração. Muitas vezes nos faltam as palavras e nos chega a bater a angústia. Ansiamos que passe o tempo para que saiamos da oração, e assim retornemos aos nossos trabalhos ordinários. Mas, quando nos faltarem as palavras, ou, doutra banda, quando estivermos tão cheios de palavras e não soubermos por onde começar, silenciemos a nossa boca e a nossa mente. Basta a presença. Não é preciso falar. O segredo está em simplesmente estar! Lembre-se daqueles dias em que você esteve na presença de sua mãe, ao chegar tão triste da escola, do trabalho, depois de um dia cansativo e pôde sentar-se perto dela, ambos em silêncio. Lembre-se de quando esteve com aquele seu amigo, sua amiga, e nada fora dito, e durante longos minutos imperou grande silêncio, porém, um silêncio pacífico e cheio de consolo e ternura. Então, por que não experimentar desse silêncio muito mais doce, terno e pacífico na presença do senhor?

De tempos em tempos, ao caminhar pelas ruas movimentadas e estressantes do centro de Maceió, deparo-me com a capela de São Vicente de Paulo, na Santa Casa de Misericórdia. Ao vivenciar aquele contraste, em que saio do caos barulhento da cidade e adentro na casa de Deus, sinto-me como aquele viajante que encontra o oásis no deserto. Nada se consegue falar. O cansaço é visível, aparente. Restam ainda gotas de suor, provocadas pelo sol escaldante da capital litorânea. Mas há o silêncio que alivia as dores da alma, refresca a mente, aquece a alma e o coração. É mergulhado nele que se experimentam as maiores graças de misericórdia, mansidão, ternura e bondade. Ao fim daquela oração, onde nada se diz, às vezes, algo se houve, – e na maioria das vezes, apenas o silêncio também da parte do Senhor –, descubro o que tanto buscava: O amor. Aquele dos santos e dos homens e mulheres de boa vontade que deixaram grandes legados para nós. O amor gerado do silêncio, da pobre, porém rica oração. Lugar humano e divino. Onde posso ser quem sou, e assim sou acolhido, na silenciosa e maravilhosa fonte do amor de Deus.

Fonte: https://www.comshalom.org/

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Pope Francis leads the weekly audience at the Vatican on August 31, 2016. Photo courtesty of REUTERS/Stefano Rellandini

VATICANO, 10 Jan. 18 / 08:30 am (ACI).- Em sua catequese nesta quarta-feira, 10 de janeiro, durante a Audiência Geral celebrada na Sala Paulo VI do Vaticano, o Papa Francisco refletiu sobre a importância do silêncio na liturgia da celebração eucarística e convidou os sacerdotes a cuidar desses momentos.

“Recomendo vivamente aos sacerdotes que observem o momento de silêncio e não terem pressa. Oremos para que se faça silêncio; sem ele, corremos o risco de subestimar o recolhimento da alma”.

O Santo Padre meditou sobre o canto do Glória e a oração da coleta na celebração da Missa e centrou-se no significado dos momentos de silêncio.

“Na liturgia, a natureza do silêncio depende do momento específico”, afirmou. Explicou que, durante o ato penitencial, esse silencia ajuda ao recolhimento, enquanto após a leitura ou depois da homilia, o silêncio convida a meditar brevemente sobre aquilo que se escutou. Do mesmo modo, após a comunhão, o silêncio favorece a oração interior de agradecimento.

Por outra parte, “antes da oração inicial, o silêncio nos ajuda no recolhimento, a pensarmos no porquê estamos ali”.

O Santo Padre destacou a importância de escutar nossa alma e de abri-la depois ao Senhor: “Talvez tenhamos tido dias de cansaço, de alegria, de dor e queremos compartilhar com o Senhor e pedir sua ajuda, ou pedir-lhe que permaneça perto de nós”.

Pode ser que “queiramos pedir por familiares ou amigos doentes, ou que estejamos atravessando provações difíceis”, ou simplesmente “pedir-lhe pela Igreja e pelo mundo. Para isto serve o breve silêncio antes que o sacerdote, reunindo as preces de cada um, expresse em voz alta em nome de todos a comum oração que conclui os ritos de introdução com a ‘coleta’ das intenções dos fiéis”.

“O silêncio – continuou – não se reduz à ausência de palavras, mas na disposição a escutar outras vozes: a de nosso coração e, sobretudo, a voz do Espírito Santo”.

“Precisamente, do encontro entre a miséria humana e a misericórdia divina ganha vida a gratidão expressa no ‘Glória’, ‘hino antiquíssimo e venerável, pelo qual a Igreja, congregada no Espírito Santo, glorifica e suplica a Deus Pai e ao Cordeiro’”, explicou o Pontífice citando o Missal Romano.

“Podemos dizer que o ‘Glória’, cantado ou recitado no domingo, exceto nos tempos do Advento e da Quaresma, e nas solenidades e festas, constitui uma abertura da terra ao céu, em resposta à inclinação do céu à terra”.

Recordou que “após o ‘Glória’, ou, quando não há este, logo após o Ato penitencial, a oração toma a forma particular na oração chamada ‘coleta’, por meio da qual se expressa o caráter próprio da celebração, variável em função do dia ou do tempo do ano”.

Além disso, destacou que “o Ato penitencial nos ajuda a nos despojarmos de nossas presunções e a nos apresentarmos diante de Deus como realmente somos, conscientes de ser pecadores, na esperança de ser perdoados”.

“Com o convite ‘Oremos’, o sacerdote nos exorta o povo a se recolher com ele em um momento de silêncio, a fim de tomar consciência de estar na presença de Deus e fazer emergir, no próprio coração, as intenções pessoais com as quais participa da Missa”.

Finalmente, convidou a que este silêncio reflexivo se estenda para além da Missa. “No rito romano, as oração são concisas, mas ricas de significado”. Por isso, incentivou a “voltar a meditar sobre os textos fora da Missa”, pois “pode nos ajudar a aprender como nos dirigirmos a Deus, o que pedir-lhe e quais palavras usar”.

Fonte: http://www.acidigital.com/

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Pope Francis closes the Holy Door in St. Peter's Basilica on Sunday in Vatican City, marking the end of the Jubilee Year of Mercy.

Nós, cristãos em caminho, no início do Ano, sentimos a necessidade de recomeçar do centro, deixar para trás os fardos do passado e partir do que é importante

O Papa Francisco presidiu a missa da Solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus, nesta segunda-feira (01/01), primeiro dia do ano,  na Basílica de São Pedro.

“ O Ano tem início sob o nome da Mãe. Mãe de Deus é o título mais importante de Nossa Senhora. ”

“Mas alguém poderia fazer a pergunta: por que dizemos «Mãe de Deus», e não Mãe de Jesus? Alguns, no passado, pediram para nos cingirmos a isto, mas a Igreja afirmou: Maria é Mãe de Deus.

Devemos estar-lhe agradecidos, porque, nestas palavras, se encerra uma verdade esplêndida sobre Deus e sobre nós mesmos, ou seja: desde que o Senhor encarnou-se em Maria – desde então e para sempre –, traz a nossa humanidade agarrada a Ele.

Já não há Deus sem homem: a carne que Jesus tomou de sua Mãe, continua ainda agora a ser d’Ele e sê-lo-á para sempre. Dizer «Mãe de Deus» lembra-nos isto: Deus está perto da humanidade como uma criança da mãe que a traz no ventre.”

Francisco disse ainda que “a palavra mãe (mater) remete também para a palavra matéria. Em sua Mãe, o Deus do céu, o Deus infinito fez-se pequenino, fez-se matéria, não só para estar conosco, mas também para ser como nós. Eis o milagre, a novidade: o homem já não está sozinho; nunca mais será órfão, é para sempre filho”.

“ O Ano tem início com esta novidade. E nós a proclamamos dizendo: Mãe de Deus! É a alegria de saber que a nossa solidão está vencida. ”

É a maravilha de nos sabermos filhos amados, de sabermos que esta nossa infância nunca mais nos poderá ser tirada. É espelharmo-nos em Deus frágil e menino nos braços da Mãe e vermos que a humanidade é querida e sagrada para o Senhor.

“ Por isso, servir a vida humana é servir a Deus, e toda a vida – desde a vida no ventre da mãe, até à vida envelhecida, atribulada e doente, à vida incômoda e até repugnante – deve ser acolhida, amada e ajudada. ”

O Papa nos convidou a deixarmo-nos “guiar pelo Evangelho de hoje. Da Mãe de Deus, se diz apenas uma frase: «guardava todas estas coisas, meditando-as no seu coração». Guardava. Simplesmente… guardava; Maria não fala: d’Ela, o Evangelho não refere uma palavra sequer, em toda a narração do Natal. Também nisto a Mãe associa-se ao Filho: Jesus é infante, ou seja, «sem dizer palavra».

Ele, o Verbo, a Palavra de Deus que «muitas vezes e de muitos modos falara nos tempos antigos» (Heb 1, 1), agora, na «plenitude dos tempos» (Gal 4, 4), está mudo. O Deus, na presença de Quem se guarda silêncio, é um menino que não fala”.

“ A sua majestade é sem palavras, o seu mistério de amor desvenda-se na pequenez. Esta pequenez silenciosa é a linguagem da sua realeza. A Mãe associa-se ao Filho e guarda no silêncio. ”

Segundo Francisco, “o silêncio nos diz que também nós, se quisermos guardar a nós mesmos, precisamos de silêncio. Precisamos permanecer em silêncio, olhando o presépio. Porque, diante do presépio, redescobrimo-nos amados; saboreamos o sentido genuíno da vida.

Olhando em silêncio, deixamos que Jesus fale ao nosso coração: deixamos que a sua pequenez desmantele o nosso orgulho, que a sua pobreza desinquiete as nossas suntuosidades, que a sua ternura revolva o nosso coração insensível”.

“ Reservar cada dia um tempo de silêncio com Deus é guardar a nossa alma; é guardar a nossa liberdade das banalidades corrosivas do consumo e dos aturdimentos da publicidade, da difusão de palavras vazias e das ondas avassaladoras das maledicências e da balbúrdia.

“Maria guardava – continua o Evangelho – todas estas coisas, meditando-as. Quais eram estas coisas? Eram alegrias e aflições: por um lado, o nascimento de Jesus, o amor de José, a visita dos pastores, aquela noite de luz; mas, por outro, um futuro incerto, a falta de uma casa, «porque não havia lugar para eles na hospedaria», o desconsolo de ver fechar-lhes a porta; a desilusão por fazer Jesus nascer num curral.

“ Esperanças e angústias, luz e trevas: todas estas coisas preenchiam o coração de Maria. E o que Ela fez? Meditou-as, isto é, repassou-as com Deus no seu coração. Nada conservou para si, nada encerrou na solidão nem submergiu na amargura; tudo levou a Deus. ”

Foi assim que guardou. Entregando, guarda-se: não deixando a vida à mercê do medo, do desânimo ou da superstição, não se fechando nem procurando esquecer, mas dialogando tudo com Deus. E Deus, que se preocupa conosco, vem habitar em nossas vidas.”

O Pontífice ressaltou “os segredos da Mãe de Deus: guardar no silêncio e levar a Deus. Isto realizava-se – conclui o Evangelho – no seu coração. O coração convida a pôr os olhos no centro da pessoa, dos afetos, da vida”.

“ Também nós, cristãos em caminho, no início do Ano, sentimos a necessidade de recomeçar do centro, deixar para trás os fardos do passado e partir do que é importante. ”

Temos hoje diante de nós o ponto de partida: a Mãe de Deus. Pois Maria é exatamente como Deus nos quer, como quer a sua Igreja: Mãe terna, humilde, pobre de coisas e rica de amor, livre do pecado, unida a Jesus, que guarda Deus no coração e o próximo na vida.

“ Para recomeçar, ponhamos os olhos na Mãe. No seu coração, bate o coração da Igreja. Para ir adiante, nos diz a festa de hoje, é preciso recuar: recomeçar do presépio, da Mãe que tem Deus nos braços. ”

Francisco concluiu a homilia, afirmando que “a devoção a Maria não é galanteria espiritual, mas uma exigência da vida cristã. Olhando para a Mãe, somos encorajados a deixar tantas bagatelas inúteis e reencontrar aquilo que conta. O dom da Mãe, o dom de cada mãe e cada mulher é muito precioso para a Igreja, que é mãe e mulher.

E, enquanto o homem muitas vezes abstrai, afirma e impõe ideias, a mulher, a mãe sabe guardar, fazer a ligação no coração, vivificar. Porque a fé não se pode reduzir apenas a ideia ou doutrina; precisamos, todos, de um coração de mãe que saiba guardar a ternura de Deus e ouvir as palpitações do homem.

Que a Mãe, autógrafo de Deus sobre a humanidade, guarde este Ano e leve a paz de seu Filho aos corações e ao mundo inteiro”.

Fonte: https://www.comshalom.org/

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Tentar resolver as coisas através do silêncio não vai adiantar nada

Ao longo dos anos que venho me dedicando à terapia de casais, descobri que o modo como os casais brigam em seus relacionamentos, muitas vezes resulta em silêncio. Às vezes apenas uma das partes adia o que precisa ser conversado, mas na maioria das vezes parte de ambas as partes.

De qualquer maneira, tentar resolver as coisas através do silêncio não vai adiantar nada. Essa solução não é saudável, principalmente pela ausência de intimidade verbal e emocional que ocorre durante a pausa. A não ser que sejamos capazes de nos comunicarmos em um nível extra sensorial ou através da linguagem corporal, as palavras são as únicas ferramentas disponíveis para resolver um conflito.

Não faz muito sentido quando se está em um relacionamento recorrer ao silêncio. Além de sabotar a vida do casal, o silêncio também sufoca a necessidade de se expressar dos dois. Quando você pode expressar seus sentimentos livremente, as chances de se expressar de forma incorreta são bem menores. Sentimentos ruins quando reprimidos podem causar problemas, porque durante o tempo em que o casal não conversa, o sentimento ruim pode crescer e, no final, o motivo da briga não importará mais tanto quanto aquilo que estão sentido no momento.

Contar para alguém que você está com raiva e explicar o porquê disso, geralmente, cortará o efeito da raiva. Além disso, a falta de verbalização e a repressão de sentimentos, ao longo do tempo faz com que você crie um ressentimento substancial com o seu parceiro. Se você não compartilhar de maneira apropriada os seus sentimentos, eles vão se externalizar de uma forma ou de outra, e você vai entrar em uma espiral de negatividade e silêncio.

Silêncio é controle

Quando pensamos sobre como controlar as outras pessoas, logo vem à nossa mente imagens de indivíduos altos ou agressivos, pois achamos que eles conseguem exercer uma certa forma de controle sob os outros. No entanto, sabemos que essa não é a única forma de manter o controle sobre alguém. Há uma forma de controle bem mais insidiosa que pode ser feita através do silêncio. Quando não compartilhamos nossos pensamentos com os outros é porque estamos, mesmo que inconscientemente, tentando obter um certo controle sob a situação. Através do silêncio podemos controlar o comportamento e as reações do outro. As pessoas geralmente ficam um pouco mais receosas em se manifestarem quando o outro está em silêncio, devido ao fato de não saber como reagir frente à situação, a tendência é também escolher o silêncio.

Quando recorremos ao silêncio criamos um monólogo interno no qual inventamos suposições sobre como o outro iria reagir se compartilhássemos o que queremos dizer, em outras palavras, fazemos um script inteiro em nossa mente presumindo como o outro reagiria. Quando fazemos isso ficamos estagnados, mesmo que imaginemos estar fazendo algum progresso, não estamos, pois na verdade estamos apenas em silêncio. Nesses casos devemos partir para a ação, do contrário, o script nunca sairá de nossa mente e a conversa nunca irá se desenvolver.

Em certas ocasiões, o silêncio é usado como forma de punição. Quando o silêncio está impregnado na relação, é difícil achar uma oportunidade para resolver o problema, pois ele obstrui todas as oportunidades. Nesses casos, o silêncio está sendo usado para controlar o comportamento do outro, agindo como um bloqueador de pensamentos e sentimentos que nos priva da possibilidade de ter um diálogo autêntico.

Além de criar um obstáculo gigante entre o casal, essa situação é péssima para a saúde da relação. O silêncio, em alguns casos, pode até levar ao desespero e à depressão. Ele sufoca o relacionamento, é altamente destrutivo, pois a expressão da voz é uma afirmação da vida. As pessoas que geralmente preferem o silêncio podem tentar se defender, dizendo que “não adiantaria nada falar, pois o outro não escutaria”, ou que “tudo o que eu falar será usado contra mim”, embora essa atitude seja compreensível, ela é altamente prejudicial.

Mas felizmente não precisamos ficar atolados na areia movediça que é o silêncio, podemos aprender a habilidade que é ouvir e ser ouvido pelo outro, dessa forma não teremos mais problemas como o silêncio. Aprender a ouvir e ser ouvido pode parecer difícil, mas como todas as outras habilidades, essa também pode ser aprendida.

(Raquel Lopes, via Psiconlinews)

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“Para encontrar Deus é necessário voltar à situação do homem no momento da criação”

A vida do cristão pode ser resumida em três comportamentos: estar “de pé” para acolher Deus, estar em paciente “silêncio” para escutar a Sua voz e “em saída” para anunciá-Lo aos demais.

O Papa explicou este trinômio na homilia matutina da sexta-feira, (10/06), na Casa Santa Marta.

Um pecador arrependido que decidiu retornar a Deus ou alguém que consagrou a vida a Ele: ambos, em algum momento, podem ser tomados pelo “medo” de não conseguir manter a escolha. E a fé se embaça enquanto a depressão está à espreita.

De pé e em caminho

Para aprofundar este aspecto e indicar a saída do túnel, o Papa evocou por um momento a situação do filho pródigo, deprimido enquanto observa faminto os porcos. Todavia, Francisco se concentrou sobretudo no Profeta Elias, personagem da liturgia do dia.

Ele, recordou o Papa, é “um vencedor” que “tanto lutou pela fé” e derrotou centenas de idólatras no Monte Carmelo. Mas, ao ser alvo da enésima perseguição, deixa-se abater. Cai por terra sob uma árvore, desencorajado, esperando a morte. Mas Deus não o deixa naquele estado de prostração e envia um anjo com uma frase imperativa: levanta-te, coma, saia:

“Para encontrar Deus é necessário voltar à situação do homem no momento da criação: de pé e em caminho. Assim, Deus nos criou: à Sua altura, à Sua imagem e semelhança e em caminho. “Vai, segue adiante! Cultiva a terra, faça-a crescer; e multiplicai-vos…’. ‘Saia!’. Saia e vá ao Monte e pare no Monte à minha presença. Elias ficou de pé. De pé, ele sai”.

O fio de um silêncio sonoro

Sair, para então colocar-se à escuta de Deus. Mas, “como passa o Senhor? Como posso encontrar o Senhor para ter certeza de que é Ele?”, se perguntou Francisco. O trecho do Livro dos Reis é eloquente. Elias foi convidado pelo anjo para sair da caverna no Monte Horebe, onde encontrou abrigo para estar na “presença” de Deus. No entanto, a induzi-lo a sair não são nem o vento “impetuoso e forte” que quebra as rochas, nem o terremoto que se segue e nem mesmo o sucessivo fogo:

“Muito ruído, muita majestade, muito movimento e o Senhor não estava ali. ‘E depois do fogo, o sussurro de uma brisa suave’ ou, como está no original, ‘o fio de um silêncio sonoro’. E ali estava o Senhor. Para encontrar o Senhor, é preciso entrar em nós mesmos e sentir aquele ‘fio de um silêncio sonoro’ e Ele nos fala ali”.

A hora da missão

O terceiro pedido do anjo a Elias é: “Saia”. O profeta é convidado a refazer seus passos, em direção do deserto, porque lhe foi dada uma tarefa a cumprir. Nisso, ressalta Francisco, se capta o estímulo “a estarmos em caminho, não fechados, não dentro do nosso egoísmo, da nossa comodidade”, mas “corajosos” em “levar aos outros a mensagem do Senhor”, isto é, ir em “missão”:

“Devemos sempre buscar o Senhor. Todos nós sabemos como são os maus momentos: momentos que nos puxam para baixo, momentos sem fé, escuros, momentos em que não vemos o horizonte, somos incapazes de se levantar. Todos nós sabemos isso! Mas é o Senhor que vem, nos restaura com o pão e com a sua força e nos diz: ‘Levante-se e vá em frente! Caminhe!’. Para encontrar o Senhor devemos estar assim: de pé e caminhar. Depois esperar que ele fale conosco: o coração aberto. E Ele vai nos dizer: ‘Sou eu’ e ali a fé se torna forte. A fé é para mim, para preservá-la? Não! É para ir e dar aos outros, para ungir os outros, para a missão”.

Fonte: Rádio Vaticano

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