VIVAM OS SANTOS REIS! – Padre Wagner Eduardo Dias

VIVAM OS SANTOS REIS! – Padre Wagner Eduardo Dias

No último domingo (07/01), a Igreja no Brasil celebrou uma das datas mais especiais para a tradição católica: a Solenidade da Epifania do Senhor, o momento em que o Menino Jesus recém-nascido foi revelado ao mundo, na pessoa dos três Reis Magos.

Até os mais desatentos são capazes de perceber que as folias de Reis e as celebrações a eles dedicadas são muito famosas no Brasil e, particularmente, no norte de Minas Gerais: não só a figura, mas também os gestos dos Reis Magos despertam muita admiração junto aos fiéis católicos. Mas por quê?

Talvez seja pelo fato de que se tratavam de três homens – cujos nomes em latim são Gaspar, Baltazar e Belquior – que saíram de tão longe para ver o Senhor. De fato, como informa Jacopo de Varazze[1], esses homens vinham dos confins da Pérsia e da Caldeia, onde corre o rio de Sabá, montados em dromedários, até Jerusalém, numa viagem que durou treze dias. Só mesmo alguém muito determinado para realizar uma expedição longa, cansativa e insegura em busca do Menino-Deus.

Talvez toda essa admiração provenha do fato de que se deixaram guiar por uma estrela, que apareceu no Oriente e os conduziu até Belém. Conforme Fulgêncio, discípulo de Santo Agostinho, esta estrela era diferente das outras em localização, porque estava suspensa num espaço próximo à terra; em brilho, porque possuía um fulgor maior que as demais; e em movimento,  porque, ao contrário das outras, que seguem uma rota circular, esta ia em movimento progressivo, à frente dos magos mostrando-lhes o caminho.

Talvez, ainda, essa identidade criada com a figura de Santos Reis se deva ao gesto de oferecer presentes ao Pequenino Rei: ouro, incenso e mirra (cf. Mt 2,11). Quem sabe, no fundo, este gesto tenha sido uma representação de todos nós, cristãos, que nos alegramos com o nascimento do Filho de Deus e com a sua presença em nosso meio.

Quando entregaram ouro, os Reis ofereceram-lhe o nosso amor; quando entregaram incenso, ofereceram-lhe as nossas preces elevadas com fé; quando entregaram mirra, ofereceram-lhe a nossa esperança de que um dia o sofrimento tenha um fim, a dor seja extinta e a morte seja vencida.

Por estes, e por outros também válidos motivos, que nos levam a celebrar com tanta alegria esta festa, digamos juntos: “Vivam os Santos Reis!”.

Deus abençoe a todos.

Padre Wagner Eduardo Dias

Vigário Paroquial da Catedral Metropolitana de Nossa Senhora Aparecida

Montes Claros – Minas Gerais.

 

[1] VARAZZE, Jacopo de, Arcebispo de Gênova. Legenda Áurea: Vidas de Santos. São Paulo: Companhia das Letras. p. 149-156.

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