A única pessoa na família que continuou católica





O pe. Zezinho fala de como vê as escolhas de quem deixou de ser católico e recorda que o julgamento cabe a Deus

 

 

O pe. Zezinho postou em sua rede social o seguinte depoimento sobre como encara as escolhas de pessoas que deixaram de ser católicas, lembrando que o julgamento sobre as suas decisões não cabe a nós, mas a Deus. O que nos cabe é rezar por todos e dar testemunhos melhores e mais coerentes.

"Pedem que eu comente sobre esta postagem a mim enviada recentemente por uma senhora católica.

Posso falar da minha própria família. Foram optando aos poucos, e, assim, tive irmã, e tenho tios, tias, primos e primas e sobrinhos que optaram por deixar de ser católicos. Nada disso me abalou! Nem abalará! Eu os amo com o mesmo amor!

Assim como não me abala saber de bispos, padres e irmãs que buscaram outra maneira de ser católicos, porque se casaram ou não atuam mais diante do púlpito e do altar. Um deles até foi presidente do Paraguai!

E conheço centenas de casais separados e divorciados que não conseguiram mais manter os laços do matrimônio. Cada um deles sabe o que doeu ao menos no coração de um deles.

Como o Papa Francisco, repito: “Quem sou eu para julgá-los?”. Consciência não se força. Não quiseram mais e optaram por outras pregações e foram respeitados! É com eles e Deus.

O mundo tem milhões, talvez bilhões de pessoas que através dos tempos trocaram de púlpito, de altar, de crença, de religião, de Igreja, de leito e de amores. Não sabendo o que aconteceu com eles, escolhi respeitar enquanto segui minhas convicções. Ele seguiram as deles ou delas. Acharam conforto nas palavras de algum pregador de outra Igreja ou de outra religião. E há os ateus que se consolam com suas conclusões de uma vida sem Deus ou sem deuses. Abraçaram outras conclusões!

Guio-me pela passagem de João 6,58-68. Jesus deixou muitos discípulos irem embora dele. Não se sabe se se salvaram ou não! Não está escrito sobre o aconteceu depois. Apenas sabemos que Deus é quem julga, perdoa ou pune.

A nós cabe orar por eles e ser fraternos. É o que nossa Igreja ensina! Um dia saberão se tomaram a decisão certa. Eu também e nós também! Escolhemos!

Seguir um mestre ou outros mestres é coisa de consciência. No caso de João 6, 58-68, eles se decepcionaram com a pregação de Jesus. Os de hoje se decepcionaram com sua igreja católica ou evangélica. A maioria mudou para igrejas pentecostais nos últimos vinte ou trinta anos. Gostaram daquele púlpito e dos testemunhos dados pelo rádio e pela televisão! Foi lá que começou a mudança. Vendo e ouvindo o seu pregador e os milagres e curas que os convenceram!

Pedro e outros irmãos de fé decidiram continuar com Jesus. Hoje milhões de novos crentes optaram por novos profetas, pastores, apóstolos e missionários que pregam sua nova maneira de serem cristãos!

Não aceitam mais o que eu prego como padre católico. Nem por isto deixo de amá-los. Estão convictos e eu também estou convicto do que prego e creio.

O mesmo se dá com convicções políticas. Respeito e não deixo de querer bem, mesmo que não pensemos de maneira igual.

Esta senhora escolheu permanecer católica. Seguiu sua consciência, assim como os outros membros da família que se tornaram pentecostais. Só Deus saberá o futuro de todos eles!

Mas escolheram e está escolhido! E isto também está na Bíblia que consultam e leem e que eu também consulto e leio!"

 

A doutrina católica afirma que não há salvação fora da Igreja, por ser o meio instituído por Cristo para que a Sua graça chegue às pessoas. Entretanto, a mesma doutrina afirma ainda que a salvação pode chegar, mediante a Igreja, também a quem está fora dela, desde que procure a verdade e viva de acordo com sua reta consciência. O tesouro da graça, confiado à Igreja, também pode permitir a salvação de quem não teve a oportunidade de conhecer a plenitude da fé. É por isso que, de fato, não existe salvação sem que seja mediante os canais estabelecidos por Deus e preservados pela Sua Igreja, mas, ao mesmo tempo, também é verdade que Ele leva em conta o quanto cada alma teve acesso a esse tesouro na hora de fazer a própria escolha. O julgamento cabe apenas a Ele. Muito consciente desta verdade, a doutrina católica afirma que “de internis neque Ecclesia“, ou seja, “sobre o que há no interior de cada um, nem a Igreja pode julgar”.

Fonte: Redação da Aleteia / pt.aleteia.org