Cristãos no Líbano: uma breve história da Igreja Maronita





Nenhum outro país do Oriente Médio ou do Norte da África tem uma proporção tão grande de cristãos

 

 

O Papa Francisco recentemente expressou profunda preocupação pelo Líbano e dedicou um dia internacional de oração e jejum pelo país (4 de setembro). Não foi a primeira vez que um papa demonstrou tanto interesse pelo país do Oriente Médio.

Perto do fim da guerra civil de 15 anos no Líbano, em 1989, o Papa João Paulo II emitiu uma Carta Apostólica sobre a situação no Líbano a todos os bispos da Igreja Católica. No texto, ele advertia que “sem dúvida, o desaparecimento do Líbano seria uma das maiores tristezas do mundo” e disse que salvar o Líbano é “uma das tarefas mais urgentes e nobres que o mundo contemporâneo deve assumir”.

Em 1995, cinco anos após o fim da guerra civil, João Paulo II convocou uma Assembleia Especial do Sínodo dos Bispos sobre o Líbano, a qual aconteceu na Cidade do Vaticano. Recomendou que as várias Igrejas católicas no Líbano trabalhassem juntas de maneira mais eficaz, desenvolvessem relações ecumênicas mais estreitas com outras Igrejas e cooperassem com libaneses de outras religiões.

De acordo com o World Factbook da CIA, a composição religiosa do Líbano, com base em uma estimativa de 2018, é a seguinte:

  • Muçulmanos: 61,1% (30,6% sunitas, 30,5% xiitas, porcentagens menores de alauitas e ismaelitas)
  • Cristãos: 33,7% (os católicos maronitas são o maior grupo cristão)
  • Druzos: 5,2%
  • Um número muito pequeno de judeus, bahá’ís, budistas e hindus

 

Nenhum outro país na região do Oriente Médio e do Norte da África tem uma proporção tão grande de cristãos.

Os maronitas são a maior denominação cristã do Líbano. Devido à emigração ao longo dos anos, há um número significativo de Maronitas na América do Norte e do Sul e na Austrália. No entanto, eles não são tão conhecidos pela maioria dos cristãos no Ocidente, mesmo pelos católicos romanos.

 

De acordo com o pe. Ronald G. Roberson, diretor associado do Secretariado de Assuntos Ecumênicos e Inter-religiosos da Conferência dos Bispos Católicos dos Estados Unidos, os maronitas remontam sua origem ao final do século 4, quando um mosteiro foi fundado em torno da figura carismática do monge São Maron. Por volta do século 8, os monges “mudaram-se com seu grupo de seguidores para as remotas montanhas do Líbano, onde viveram em relativo isolamento por séculos”.

Por causa das Cruzadas, os Maronitas entraram em contato com a Igreja Latina no século XII. Em 1182, toda a nação maronita confirmou formalmente sua união com Roma.

“Há uma forte tradição entre os maronitas de que nunca faltou comunhão com a Santa Sé”, afirma Roberson.

No século 16, os otomanos conquistaram a pátria maronita, mas no século 19 as potências ocidentais, especialmente a França, começaram a oferecer proteção aos maronitas dentro do Império Otomano. Um massacre de milhares de maronitas em 1860 levou os franceses a intervir com as forças militares. Após a Primeira Guerra Mundial, o Líbano e a Síria ficaram sob controle francês.

Quando a França concedeu a independência total ao Líbano, em 1943, ela tentou garantir a segurança da comunidade maronita traçando limites que garantissem uma maioria maronita permanente e deixando para trás uma constituição que garantisse, entre outras coisas, que o presidente sempre seria um maronita.

Esse arranjo foi ameaçado pela guerra civil de 15 anos que eclodiu no Líbano em 1975. Logo os cristãos não eram mais a maioria no país, já que muitos milhares de maronitas deixaram o país para construir uma nova vida no Ocidente, e a própria a existência do Líbano parecia incerta.

 

Em 2003, teve início uma Assembleia Patriarcal Maronita de três anos, buscando, entre outros objetivos, redescobrir a herança e as tradições maronitas e promover a renovação da vida eclesial.

Hoje, existem 10 dioceses no Líbano, onde o patriarca reside, com mais de 800 paróquias e sete outras jurisdições no Oriente Médio. As estatísticas oficiais do Vaticano indicam que havia 1.413.652 maronitas no Líbano no final de 2006.

Nos Estados Unidos, existem duas eparquias – ou dioceses maronitas – uma sediada no Brooklyn, Nova York, a outra em St. Louis. Elas integram cerca de 60 paróquias.

Os cristãos ocidentais que visitam uma igreja maronita podem se surpreender com o estilo do serviço religioso. A liturgia maronita é de origem da Síria Ocidental, mas foi influenciada pelas tradições da Síria Oriental e latina.

Pe. Roberson explica: “a Eucaristia é essencialmente uma variação da liturgia siríaca de São Tiago. Celebrada originalmente em siríaco, a liturgia tem sido em sua maior parte em árabe desde as invasões árabes.”

Fonte: John Burger / pt.aleteia.org