Dúvidas no amor: será que Deus queria este cônjuge para mim?





Ao observar seu cônjuge, alguns podem um dia se perguntar: “Qual foi a vontade de Deus para mim? Ele realmente queria este casamento e este cônjuge para mim?”.

Se esta pergunta não pode ser respondida imediatamente, o que se pode dizer com certeza é que Deus não tem um plano fixo para o homem, contanto que sua escolha não o impeça de se santificar.

 

Não é Deus um bom pai de família? O bom pai não é aquele que elaborou um plano completo para cada um de seus filhos.

Seria errado para ele dizer a um deles: “Você será um médico como eu”, ou ao outro: “Você se casará com a pessoa que eu escolhi para você”.

É claro que os pais têm o direito de ter desejos para seus filhos. É até indispensável que existam, para que as crianças estejam convencidas de que são objetos de cuidado e guiadas em uma rede de possibilidades válidas.

Mas tais desejos não podem se tornar ordens, que deixariam de respeitar a personalidade original de cada criança.

Assim, pode-se pensar que Deus tem sonhos para cada pessoa, mas Ele certamente não impõe um caminho. Deus criou o homem livre, então Ele joga o jogo da liberdade. Totalmente.

 

Fazendo a escolha certa

Pois as pessoas que depois encontram dificuldades no caminho escolhido (e em todas as estradas do mundo existem “buracos”!), estarão convencidas de que estavam erradas. Que em outro lugar, as coisas seriam mais bonitas… E o maior erro de toda essa história seria, na verdade, duvidar.

Além disso, os sonhos de Deus sobre os homens também se mostram através das circunstâncias da vida. E se o sonho de Deus sobre uma pessoa que duvida de sua escolha do cônjuge não fosse precisamente aquele homem ou mulher que um dia cruzou seu caminho? E se foi precisamente ele ou ela que Deus o enviou?

 

É claro que esta pessoa pode não corresponder ao ideal de cônjuge que a pessoa estava esperando. Que homem ou mulher não sonhou com um casamento idílico onde a comunhão de corações se expressasse através de maravilhosas trocas, especialmente no plano espiritual? Onde faríamos tudo juntos, desde o café da manhã até a oração juntos?

Quem nunca sonhou com o cônjuge perfeito… que não existe! Mas não é essa a questão. O essencial é poder pensar que com este cônjuge como ele é, e apesar das suas próprias imperfeições, podemos fazer um caminho ascendente e belo, que prepara para o Casamento Eterno, o único que nunca decepciona.

O filósofo Alain costumava dizer: o importante não é ter feito a escolha certa, mas fazer com que aquela que você fez se torne a escolha certa. Assim, no momento de dúvida sobre o cônjuge escolhido, o que Deus pede não é para sonhar com outro caminho, mas para perceber que, desde que recebemos o sacramento do matrimônio, a pessoa com quem nos casamos é agora nossa “vocação”: o chamado de Deus em nossa vida através de suas necessidades razoáveis.

Denis Sonnet

Fonte: Edifa / pt.aleteia.org