Mulheres da periferia argentina contra o aborto





Francisco questiona: para resolver um problema, é justo eliminar uma vida humana?

 

 

Mulheres da periferia argentina contra o aborto: o Papa escreve para agradecer. Em carta de 22 de novembro, Francisco destacou a importância de proteger a vida contra as tentativas de legalizar o aborto em seu país natal.

A mensagem do Papa é uma resposta à carta das “mujeres de las villas“, ou seja, mulheres das periferias argentinas que, em aliança, lutam desde 2018 pela proteção dos nascituros, em particular nos bairros pobres de Buenos Aires.

Em sua carta, as mulheres tinham pedido o apoio de Francisco para impedir a legalização do aborto na Argentina, uma insistente bandeira do atual governo de esquerda. Na resposta, o Papa “agradece de coração” pelo trabalho e testemunho dessas mulheres e as incentiva a “seguir em frente”. Ele afirma:

“O problema do aborto não é uma questão de religião, mas de ética humana. É bom fazer-se duas perguntas: para resolver um problema, é justo eliminar uma vida humana? É correto contratar um assassino?”

 

Mulheres da periferia argentina contra o aborto

As “mujeres de las villas” tinham escrito ao Papa que o projeto de lei do aborto na Argentina foi apresentado tendenciosamente como uma “solução fácil” para as adolescentes das periferias. Elas afirmam que se sentem “dominadas pelo terror”, porque “este projeto cultiva a ideia de que o aborto é mais uma possibilidade na gama de métodos contraceptivos e que os seus principais destinatários são as meninas pobres”. E acrescentam:

“A nossa voz, como a das crianças que não nasceram, nunca é ouvida. Os legisladores e a imprensa não querem nos ouvir. Se não tivéssemos sacerdotes nas ‘vilas’ que levantam a voz por nós, estaríamos ainda mais sozinhas. Nossas filhas adolescentes estão crescendo com a ideia de que não têm o direito de ter filhos porque são pobres”.

 

Marchas pela vida

Neste sábado, 28 de novembro, várias manifestações contra o projeto de lei do aborto estão programadas em várias cidades da Argentina. Na “Marcha dos Sapatinhos”, por exemplo, os participantes rezarão o terço e colocarão os nascituros sob a proteção de Nossa Senhora.

Os bispos argentinos têm reiterado a importância de proteger a vida desde a concepção. Em 20 de novembro, a Comissão Episcopal para a Vida, os Leigos e a Família emitiu nota denunciando que “pela primeira vez, na Argentina e na democracia, poderia ser aprovada uma lei que inclui a morte de uma pessoa para salvar outra”. Contra isto, os bispos respondem que “somente salvando as duas vidas poderemos todos ser salvos”.

Fonte: Reportagem local / pt.aleteia.org