Por que Deus não perdoa o diabo?





“Não há arrependimento para eles depois da queda, tal como não há arrependimento para os homens depois da morte”

 

 

A grande seção do Catecismo da Igreja Católica sobre A Profissão da Fé Cristã dedica o parágrafo sétimo a explicar a realidade do pecado, incluindo, nesse contexto, a queda dos anjos. Os números 391 a 395 tratam dessa rebeldia e, por conseguinte, do caráter irrevogável da decisão dos anjos caídos de afastar-se de Deus para todo o sempre.

391. Por detrás da opção de desobediência dos nossos primeiros pais, há uma voz sedutora, oposta a Deus (266), a qual, por inveja, os faz cair na morte (267). A Escritura e a Tradição da Igreja vêem neste ser um anjo decaído, chamado Satanás ou Diabo (268). Segundo o ensinamento da Igreja, ele foi primeiro um anjo bom, criado por Deus. «Diabolus enim et alii daemones a Deo quidem natura creati sunt boni, sed ipsi per se facti sunt mali – De facto, o Diabo e os outros demónios foram por Deus criados naturalmente bons; mas eles, por si, é que se fizeram maus» (269).

392. A Escritura fala dum pecado destes anjos (270). A queda consiste na livre opção destes espíritos criados, que radical e irrevogavelmente recusaram Deus e o seu Reino. Encontramos um reflexo desta rebelião nas palavras do tentador aos nossos primeiros pais: «Sereis como Deus» (Gn 3, 5). O Diabo é «pecador desde o princípio» (1 Jo 3, 8), «pai da mentira» (Jo 8, 44).

393. É o caráter irrevogável da sua opção, e não uma falha da infinita misericórdia de Deus, que faz com que o pecado dos anjos não possa ser perdoado. «Não há arrependimento para eles depois da queda, tal como não há arrependimento para os homens depois da morte» (271).

 

A impossibilidade do perdão ao diabo, portanto, se deve ao fato de que, sendo plenamente consciente da decisão que estava tomando e de que se tratava de uma decisão definitiva, ele ainda assim a tomou. Deus respeita a liberdade de consciência e de escolha das suas criaturas conscientes. O mesmo acontece no tocante ao homem pecador que, livremente, opta por rejeitar a Deus com plena consciência e consentimento: Deus não tira essa liberdade, pois, sem liberdade, não haveria amor. Ele nos convida ao amor, mas não nos obriga. Se recusamos o amor, assumimos nós mesmos as consequências: não é Deus, portanto, quem nos condena – somos nós mesmos.

O Catecismo prossegue:

394. A Escritura atesta a influência nefasta daquele que Jesus chama «o assassino desde o princípio» (Jo 8, 44), e que chegou ao ponto de tentar desviar Jesus da missão recebida do Pai (272). «Foi para destruir as obras do Diabo que apareceu o Filho de Deus» (1 Jo 3, 8). Dessas obras, a mais grave em consequências foi a mentirosa sedução que induziu o homem a desobedecer a Deus.

395. No entanto, o poder de Satanás não é infinito. Satanás é uma simples criatura, poderosa pelo fato de ser puro espírito, mas, de qualquer modo, criatura: impotente para impedir a edificação do Reino de Deus. Embora Satanás exerça no mundo a sua ação, por ódio contra Deus e o seu reinado em Jesus Cristo, e embora a sua ação cause graves prejuízos – de natureza espiritual e indiretamente, também, de natureza física – a cada homem e à sociedade, essa ação é permitida pela divina Providência, que com força e suavidade dirige a história do homem e do mundo. A permissão divina da atividade diabólica é um grande mistério. Mas «nós sabemos que tudo concorre para o bem daqueles que amam a Deus» (Rm 8, 28).

Fonte: Redação da Aleteia / pt.aleteia.org