Preparação para uma boa Confissão





Sugestões para viver melhor o sacramento da Reconciliação

 

Para fazer uma boa confissão é necessário antes fazer uma boa preparação. Não sabe por onde começar? Calma, nós vamos te ajudar.

Mas, antes, para te motivar a se preparar bem para o sacramento da reconciliação, conheça os frutos de uma boa e sincera confissão: reconciliação com Deus e com a Igreja, paz interior, serenidade em sua consciência, consolo espiritual, cura emocional e espiritual.

 

A gravidade do pecado

Todo pecado é uma atitude contrária ao amor de Deus por nós. A Igreja ensina, por meio do Catecismo, que existem duas classes de pecado: os mortais e os veniais.

O pecado mortal atenta gravemente contra o amor de Deus. O catecismo explica: “O pecado mortal requer pleno conhecimento e pleno consentimento. Pressupõe o conhecimento do caráter pecaminoso do ato, de sua oposição à lei de Deus” (CIC 1859). Explicando com palavras mais simples, isso quer dizer que se eu tenho conhecimento de que tal ato é um pecado, que é algo que fere a Deus, que insulta seu amor por mim, e ainda assim o cometo, estou praticando um pecado mortal.

Já o pecado venial é aquele que não nos afasta de Deus, mas que fere nossa comunhão com Ele. São os chamados pecados do cotidiano. Mas precisamos estar atentos também a estes. Uma sequência de pecados veniais podem nos impulsionar ao pecado mortal.

São João Paulo II, quando papa, nos lembrou também da dimensão devocional do sacramento da reconciliação: “o âmbito de utilização do sacramento da Reconciliação não pode reduzir-se apenas às situações de pecado grave: afora as considerações de ordem dogmática que poderiam ser feitas a este respeito, recordamos que a confissão periodicamente renovada, assim chamada «de devoção», acompanhou sempre na Igreja a ascensão à santidade.” (Carta Apostólica sobre o Sacramento da Penitência, 1997).

São muitas as graças, não é mesmo?! Saiba, então, como se preparar para a confissão.

 

Peça a unção do Espírito Santo

Busque um local silencioso, onde você possa permanecer a sós com Deus. Faça uma oração ao Espírito Santo e, em seguida, peça a Ele que te mostre a verdade sobre si mesmo. Busque olhar para dentro de si e examine sua consciência cuidadosamente com o texto de ajuda que segue abaixo. Caso seja necessário, faça uma lista com os seus pecados no momento que estiver examinando a sua consciência. Mas seja objetivo, anote algumas palavras, em tópicos. A lista é para facilitar sua confissão garantindo que você não se esqueça de nenhum pecado.

 

EXAME DE CONSCIÊNCIA

 

Examinar a consciência para pedir perdão a Deus pelos pecados cometidos é, em primeiro lugar, colocar-se diante dele para que a sua misericórdia nos toque e, tocados pelo amor do Deus que perdoa, abrir-se ao arrependimento e ao perdão.
As sugestões a seguir são uma ajuda para quem pretende se confessar de maneira profunda, mas sempre partindo da graça de Deus, que nos leva à contrição.
 
Antes de fazer este exame de consciência, precisamos nos colocar na presença de Deus para orar com confiança ao Senhor, pedindo-lhe que nos ilumine, que nos faça reconhecer sua misericórdia, conscientizar-nos de que Ele nos livrou da escravidão do pecado pela morte na cruz e, assim, que reconheçamos os nossos pecados.
 
Depois desta oração inicial, podemos nos perguntar sobre a nossa vida e nossos atos concretos do cotidiano. As perguntas a seguir podem ser uma guia neste exame pessoal:
 
1º mandamento: Amar a Deus sobre todas as coisas
Este mandamento nos pede que, antes de tudo e em todas as coisas, elevemos nosso olhar a Deus, ao Pai que nos conduz com amor providente, ao Filho que deus sua vida por nós, para que vivamos nele, e ao Espírito Santo, que nos orienta na vida cristã.
Pequei contra a fé, duvidando de alguma(s) de suas verdades? Neguei Deus, a Igreja, os santos ou alguma outra verdade do nosso Credo? Rejeitei Deus ou a Igreja na frente dos outros? Deixei de ter esperança na minha salvação ou abusei da confiança em Deus, pensando que posso me salvar mesmo levando uma vida de pecado, ou sem esforço para buscar a santidade?
Murmurei interiormente ou manifestei minha rebeldia contra Deus quando me aconteceu algo ruim ou não recebi o que esperava? Descuidei da vida de oração, rezei com preguiça e descuido, deixando as coisas de Deus de lado? Procurei crescer na minha formação cristã, para conhecer e amar mais a Deus?
Fui supersticioso, seguindo horóscopos, frequentando o espiritismo ou demais práticas que não são da Igreja? Guardei o devido respeito e uso com devoção e fé os objetos que manifestam Deus e os santos, como imagens impressas, o terço, o crucifixo, a água benta? Participei de seitas?
 
2º mandamento: Não tomar seu santo nome em vão
Este mandamento me pede sumo respeito pelo nome de Deus e por tudo aquilo que é dele.
Blasfemei? Fiz isso na frente dos outros? Fiz algum voto, juramento ou promessa a Deus e depois não cumpri? Jurei em falso? Jurei sem necessidade, sem prudência ou por coisas sem importância? Usei objetos sagrados ou temas religiosos para fazer brincadeiras e piadas?

 

3º mandamento: Guardar domingos e festas de preceito
Participei da Missa aos domingos e festas de preceito? Cheguei tarde ou fiquei distraído? Impedi que alguém fosse à Missa (por exemplo, os filhos, por não levá-los)? Trabalhei sem necessidade ou fiz outras pessoas trabalharem aos domingos, impedindo de participar da Missa, descansar, estar em família e dedicar-se à oração?
Dedico o domingo a Deus, à minha família, ao crescimento espiritual? Guardo abstinência ou faço alguma penitência às sextas-feiras? Sei me mortificar ou fazer penitência pelo bem dos outros e para o meu crescimento espiritual, de acordo com as indicações do meu confessor ou pai espiritual? Confesso-me com a devida frequência? Participo das celebrações da Semana Santa e da Páscoa?
 
4º mandamento: Honrar pai e mãe
Este mandamento nos convida a obedecer à autoridade legítima, expressar respeito e gratidão aos meus pais, docentes e governantes em geral.

Desobedeci aos meus pais? Tenho um critério desordenado de independência pessoal, que me leva a rejeitar as indicações dos meus pais só porque eles me dizem? Eu os entristeço com minhas rebeldias e caprichos? Cheguei a insultá-los ou lhes desejei algum mal? Fui responsável diante dos meus pais ou daqueles que me ajudam, pelo esforço que fazem pela minha educação, ou desperdicei o tempo e o dinheiro investidos na minha formação?
Deixei de ajudar meus pais, avós ou familiares em situações de necessidade? Fui egoísta em minha família, brigando com os meus irmãos e familiares? Estou atento aos outros para ajudá-los? Ajudo minha família a crescer na doação fraterna? Dei mal exemplo? Dei broncas arbitrárias e infundadas nos meus filhos? Ameacei meus filhos, bati neles ou os ameacei de alguma maneira? Preocupei-me com sua educação, também na fé, com minha palavra e exemplo? Fiquei atento às necessidades dos meus filhos, às suas amizades, saídas e diversões?
 
5º mandamento: Não matar
Procurei evitar a inimizade, o ódio e o rancor com relação às pessoas? Deixei de falar com alguém, de cumprimentar, rejeitei a reconciliação ou não fiz nada para consegui-la? Alegrei-me pelo mal do outro ou me entristeci pelo seu bem? Deixei-me levar pela ira ou pela raiva? Tirei sarro, critiquei, falei mal dos outros?
Fui imprudente ao dirigir ou não respeitei as normas de trânsito? Maltratei os outros com palavras ou atos? Fui mal-educado ou grosseiro no trato com as pessoas? Cheguei a ferir ou tirar a vida do próximo? Pratiquei ou colaborei em um ato de aborto? Recomendei o aborto, mesmo sabendo que é um pecado muito grave, que implica na excomunhão?
Cuidei da minha saúde e da de aqueles que estão sob meus cuidados? Comi ou bebi em excesso, colocando minha saúde em risco? Consumi drogas? Escandalizei outras pessoas com minhas atitudes, palavras ou brincadeiras, por falta de pudor ou por convidá-las a espetáculos ou leituras prejudiciais? Fui negligente no trabalho ou deixei de fazer o que deveria? Isso prejudicou alguém?
 
6º mandamento: não pecar contra a castidade
Utilizei minha sexualidade – dom de Deus para comunicar o amor – para a busca egoísta do próprio prazer? Cultivei pensamentos impuros? Meu namoro foi sério e responsável, como busca de amadurecimento no amor para formar uma família ou busquei um prazer egoísta? Fui fiel? Tive relações sexuais pré-matrimoniais ou extramaritais? Procurei conhecer e crescer nas virtudes que me ajudam a viver a castidade, a fidelidade e a respeitar as pessoas em sua dimensão sexual? Usei anticoncepcionais para evitar engravidar? Permiti uma esterilização para não ter mais filhos?
 
7º mandamento: não roubar
Roubei dinheiro ou algum objeto? Ajudei outros a roubarem? Foram objetos de valor ou uma quantidade considerável de dinheiro? Emprestei algo e não devolvi? Prejudiquei outros com enganos ou trapaças nos contratos? Cobrei mais que o devido? Gastei mais do que podia? Cumpri responsavelmente meu trabalho, ganhando com justiça meu salário? Retive ou atrasei o pagamento do salário de outros?
Cumpri as leis sociais? Paguei meus impostos? Tendo cargos de gestão e serviço público, aceitei dinheiro para favorecer um trâmite? Apoiei ou guardei silêncio frente a delitos, imoralidades e outros abusos na função pública ou na ação política? Gastei o dinheiro em coisas supérfluas, como jogos, bebidas, gostos pessoais, deixando de dar atenção à minha família e às minhas outras responsabilidades? Oferecei ajuda para sustentar as celebrações na Igreja, na medida das minhas possibilidades?
 
8º mandamento: Não levantar falso testemunho

Este mandamento nos convida a ser sinceros com os outros, conosco mesmos, e que as nossas palavras sempre expressem a verdade.

Eu menti? Menti habitualmente em coisas sem importância, para ficar bem ou para solucionar situações? Revelei indevidamente os defeitos de outras pessoas? Menti sobre os defeitos ou supostas ações ruins de outros para desqualificá-los? Deixei de defender o próximo quando deveria fazê-lo? Fiz juízos temerários, murmurei ou falei mal dos outros? Revelei segredos? Rompi o sigilo profissional? Desvirtuei a informação para proveito pessoal ou por outros interesses? Reparei o dano que minhas revelações causaram? Escutei conversas alheias? Coloquei em prática a correção fraterna ainda quando me custava?
 
9º mandamento: Não desejar a mulher do próximo
Cultivei o sentimento de desejo por outra pessoa? Não fui fiel interiormente à aliança celebrada com minha esposa ou esposo? Mantive amizades que são ocasião de pecado? Não procurei soluções para situações ou companhias que são causa de pecado para mim? Fiquei provocando os outros com minha falta de pudor? Tentei seduzir alguém comprometido?
 
10º mandamento: Não cobiçar as coisas alheias
Busquei me enriquecer indevidamente? Cultivei o sentimento de inveja? Tentei prejudicar os outros em seus empreendimentos? Quis ter o que outros têm, sem aceitar o que possuo para o meu bem e para o bem da minha família? Tive um espírito de lucro desordenado? Pretendi adquirir bens ou dinheiro imediatamente, recorrendo a meios ilícitos ou imorais?

 

 

Peça a Deus a graça do arrependimento

Não basta reconhecer seus pecados, é preciso arrepender-se de tê-los cometido. Sem o arrependimento a confissão não é válida. Por isso peça a Deus a graça do arrependimento.

Antes de entrar no confessionário, mais uma vez peça o auxílio do Espírito Santo para se manter sereno. Com o coração contrito conte, de maneira objetiva e sem justificativas, os seus pecados. Ouça atentamente o que o sacerdote lhe disser – lembre-se, nesse momento é Jesus quem fala por meio dele – e pratique a penitência que ele te indicar.

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