Entrega do Pálio ao Arcebispo Dom João Justino





Na Solenidade dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo, celebrada no dia 29 de junho, o Papa Francisco presidiu à tradicional Missa durante a qual entregou o pálio a novos arcebispos metropolitanos de várias partes do mundo.

Dentre eles, estava do Dom João Justino de Medeiros Silva, da Arquidiocese de Montes Claros (MG). O Santo Padre, Papa Francisco, abençoou os pálios que foram entregues aos arcebispos metropolitanos na Capela da Pietá, logo no final da Celebração.

Os pálios ficaram guardados junto ao túmulo de São Pedro até o dia da entrega. Ele “é símbolo da unidade e convite à fortaleza, para que, no dia da vinda e da revelação do grande Deus e príncipe dos pastores, Jesus Cristo, possa receber, com as ovelhas [confiadas ao arcebispo], a estola da imortalidade e da glória eterna”.

Após a entrega do pálio a Dom João Justino pelo Papa Francisco, acontecerá a cerimônia de imposição do pálio, celebrada pelo Núncio Apostólico no Brasil, D. Giovanni D´Aniello. A Solene Celebração Eucarística será no dia 03 de agosto, na Catedral Metropolitana Nossa Senhora Aparecida, em Montes Claros.

O Pálio

O pálio é uma vestimenta litúrgica usada na Igreja Católica, consistindo numa faixa de pano de lã branca que é colocada sobre os ombros dos Arcebispos.

O pálio é confeccionado pelas monjas beneditinas do Mosteiro de Santa Cecília, em Roma, que utilizam a lã de dois cordeiros dos trapistas que são ofertados ao papa pelas jovens romanas no dia 21 de janeiro (festa de Santa Inês), numa missa pontifical na Basílica de Santa Inês fora dos Muros.

Bênção

Os pálios novos são abençoados pelo Papa, guardados numa arca de prata, junto às relíquias, no túmulo do Apóstolo São Pedro.

O Pálio é entregue pelo Papa no dia 29 de junho de cada ano, solenidade de São Pedro, aos Metropolitas, nomeados desde a celebração do ano anterior.

História

Antigamente, o pálio já foi conferido, em Roma, por um Cardeal-Diácono e, fora de Roma, por um bispo, Núncio apostólico ou legado, sendo que em ambos os casos, a cerimônia ocorria após a celebração da missa e do juramento.

Desde o Concílio Vaticano II, a cerimônia renovada prescreve a bênção e recepção na primeira parte da missa, após a homilia.

Os papas João Paulo II e Bento XVI fizeram questão que todos os novos arcebispos fossem pessoalmente a Roma para receber o pálio das mãos do pontífice e prestar o juramento a seus pés, na solenidade de São Pedro e São Paulo.

Em 2015, o Papa Francisco modificou o Rito de entrega do Pálio Arquiepiscopal aos novos Metropolitas:

A partir de agora a faixa de lã branca será entregue e não colocada pelo Santo Padre. Como manda a tradição a 29 de junho, na Solenidade dos Santos Pedro e Paulo, o Papa entrega o pálio a cada um dos novos arcebispos metropolitas, mas a imposição do Pálio aos novos arcebispos será realizada nas respetivas dioceses de origem pela mão dos Núncios Apostólicos locais.

Quem usa

O Pálio é usado pelo Papa simbolizando a plenitude do poder e do munus pontifício.

O papa pode usá-lo em qualquer lugar do mundo, em função da sua jurisdição universal.

Além do papa, o pálio é de uso exclusivo dos arcebispos metropolitanos.

O pálio também é conferido ao Patriarca Latino de Jerusalém.

As tradições precedentes que permitiam o privilégio de alguns bispos usarem o pálio foram extintas por um motu proprio do Papa Paulo VI em 1978.

Um arcebispo metropolitano pode usar seu pálio, como sinal de sua jurisdição, não somente na sua própria arquidiocese, mas em qualquer lugar em sua província eclesiástica sempre que celebrar a missa.

Embora o pálio seja reservado atualmente, apenas aos metropolitas, uma única exceção tem sido feita, ou seja, a concessão ao cardeal-decano do Sacro Colégio.

O pálio é usado sobre a casula, sendo que somente o papa pode usá-lo sobre o fano, que fica entre a casula e o pálio.

Palio Arquiepiscopal

O pálio arquiepiscopal é concedido apenas aos arcebispos que assumem uma Arquidiocese e são chamados Arcebispos.

Um arcebispo não pode usar o pálio até que o papa lhe confira esta insígnia, o que ocorre normalmente, no dia 29 de junho, na solenidade de São Pedro e São Paulo.

Toda vez que assumem uma nova Arquidiocese, os arcebispos devem fazer uma nova solicitação da pálio ao Vaticano.

Um arcebispo que, eventualmente, não receba o pálio pode, conseqüentemente, não exercer algumas de suas funções como metropolita e não gozar de algumas de suas prerrogativas.

Da mesma forma, depois de sua renúncia, o arcebispo já não pode mais usar o pálio. Se for transferido à outra arquidiocese deve fazer novo pedido de novo pálio.

Simbolismo

Na realidade, o simbolismo do pálio é ainda mais concreto: a lã de cordeiro pretende representar a ovelha perdida ou também a ovelha doente e a ovelha débil, as quais o pastor põe aos seus ombros e conduz às águas da vida.

A parábola da ovelha tresmalhada, que o pastor procura no deserto era, para os Padres da Igreja, uma imagem do mistério de Cristo e da Igreja.

Desde o século VI, o pálio foi considerado veste litúrgica, para ser usada somente na Igreja e, sem dúvida, somente durante a missa, a menos que um privilégio especial determinasse de outra maneira. (JSG)