Governo comunista da China acusado de hackear diocese de Hong Kong





Vírus vinha embutido em documentos que pareciam artigos sobre a Igreja Católica

 

 

O site ZDNet, focado em tecnologia, noticiou que hackers ligados ao governo chinês realizaram ataques orquestrados contra autoridades da diocese de Hong Kong. A modalidade do ataque foi o “spear-phishing”, que, mediante links embutidos em mensagens eletrônicas, tenta instalar “malware”, isto é, programas informáticos que roubam dados ou danificam os computadores ou dispositivos móveis das vítimas. No caso, o vírus que seria implantado vinha embutido em arquivos que pareciam documentos oficiais ou artigos sobre a Igreja Católica, mas que, na verdade, eram instaladores de “malware”.

A ZDNet reportou declarações de Akbird, codinome usado por um analista de programas informáticos maliciosos, que afirmou já ter testemunhado o uso de “malware” pelo governo chinês. Segundo ele, este vírus veio de um grupo chamado “Mustang Panda”, que já tinha histórico de atacar organizações religiosas.

 

A situação diferenciada da Igreja em Hong Kong

Ao contrário do que acontece na China continental, a Igreja Católica em Hong Kong mantém um relacionamento normal com o Vaticano, o que só é possível graças à relativa autonomia que Hong Kong vem tentando manter em relação a Pequim. Essa maior liberdade de Hong Kong decorre do seu histórico: a região pertenceu ao Reino Unido até 1997, quando foi reincorporada pela China conforme termos que manteriam vigentes vários “privilégios democráticos” que o restante da China nunca veio a conhecer.

De fato, no resto do território chinês, o Partido Comunista persegue implacavelmente a Igreja e tenta forçar os católicos a aderirem à assim chamada Associação Católica Patriótica Chinesa (ACPC), que, apesar do nome, é um grupo de controle criado e mantido pelo próprio Partido Comunista. Em setembro de 2018, o Vaticano e a China assinaram um acordo sobre a nomeação de bispos pelo qual os bispos da ACPC foram aceitos na comunhão da Igreja. Os detalhes do acordo, no entanto, não foram divulgados.

Enquanto isso, em Hong Kong, massivos protestos pró-democracia vêm enfrentando a ditadura comunista de Pequim com especial veemência desde o ano passado, em rejeição a medidas do Partido Comunista que visam eliminar as liberdades excepcionalmente toleradas na antiga colônia britânica.

Neste contexto, as autoridades católicas de Hong Kong que apoiam os movimentos pró-democracia entram ainda mais na mira de Pequim.

Fonte: Redação da Aleteia / pt.aleteia.org