O Papa acrescentou 3 invocações à Ladainha de Nossa Senhora





Alguns católicos “estranharam” a mudança e se perguntaram se o Papa pode “mexer” numa oração tradicional

 

 

 

Mediante carta enviada aos presidentes das conferências episcopais nacionais, a Congregação vaticana para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos comunicou na semana passada que o Papa Francisco acrescentou três novas invocações a Nossa Senhora nas Ladainhas Lauretanas, tradicionalmente rezadas ao final da oração do terço.

As novas invocações são:

  • “Mater Misericordiae” (Mãe de Misericórdia): inserida após “Mater Ecclesiae” (Mãe da Igreja);
  • “Mater Spei” (Mãe da Esperança): inserida após “Mater Divinae Gratiae” (Mãe da Divina Graça);
  • “Solacium migrantium” (Conforto dos migrantes): inserida após “Refugium peccatorum” (Refúgio dos pecadores).

O cardeal Robert Sarah e o arcebispo dom Arthur Roche, respectivamente prefeito e secretário do dicastério vaticano, comentaram na carta ao episcopado:

 

“Inúmeros são os títulos e as invocações que a religiosidade popular cristã, no decorrer dos séculos, reservou à Virgem Maria, via privilegiada e segura do encontro com Cristo”.

 

 

A ladainha a Nossa Senhora começou a estender-se mais amplamente entre os fiéis a partir do Santuário da Santa Casa de Loreto – é por isso, aliás, essa devoção é conhecida como ladainha lauretana. Ao longo dos séculos, vários Papas incluíram novas invocações que vão destacando algum aspecto da Santíssima Virgem. São João Paulo II, por exemplo, acrescentou “Rainha da família”.

E ele não foi o primeiro. Veja algumas invocações que foram sendo acrescentadas com o passar dos anos:

  • 1854: “Rainha concebida sem pecado original”;
  • 1903: “Mãe do bom conselho”;
  • 1917: “Rainha da paz”;
  • 1950: “Rainha assunta ao céu”;
  • 1964: “Mãe da Igreja”
  • 1995: a já mencionada “Rainha da família”.

 

Outras mudanças em orações católicas

As fórmulas das orações católicas foram sendo aprimoradas ao longo da história da Igreja.

  • Ave-Maria – A própria oração da Ave-Maria só teve a sua segunda parte (“Santa Maria, Mãe de Deus…”) adicionada séculos após a primeira.
  • Salve-Rainha – Além de haver duas versões sobre a origem desta oração e não se saber com plena certeza histórica qual delas é a verdadeira, é fato que a Salve-Rainha também recebeu um acréscimo de grande relevância, composto por São Bernardo: a tríplice invocação final (“Ó clemente! Ó piedosa! Ó doce Virgem Maria!”), acrescentada mais de um século depois da composição do texto inicial.
  • Pai-Nosso – Mesmo a tradução do Pai-Nosso foi revista recentemente nos idiomas francês e italiano para melhor traduzir a súplica “…e não nos deixeis cair em tentação”, tornando a atual tradução mais fiel ao sentido do texto original (a tradução em português já preserva essa fidelidade e não precisou ser revista).
  • Mistérios do Terço – Os mistérios do Santo Rosário contaram com o acréscimo, opcional, dos mistérios luminosos propostos por São João Paulo II para destacar aspectos da vida de Nosso Senhor que não eram contemplados nos mistérios gozosos, dolorosos e gloriosos.

 

Dogmas de fé

Por fim, até verdades dogmáticas vão sendo melhor definidas e formuladas ao longo dos séculos: basta recordar, por exemplo, os dogmas sobre Nossa Senhora, dos quais o último, que é o da Assunção, foi promulgado em 1950.

Fica esclarecido, portanto, que, desde os primórdios, o Magistério da Igreja tem a autoridade e a missão de promover a devoção e a espiritualidade católica, inclusive pontuando aspectos doutrinais e devocionais quando necessário ou relevante.

Fonte: Redação da Aleteia / pt.aleteia.org