Peregrinos voltam a se encontrar com o Papa no Vaticano





Na primeira Audiência Pública com a presença de fiéis desde o início da pandemia, o Papa falou sobre solidariedade e convocou um dia de oração pelo Líbano

 

 

A alegria do reencontro estava estampada no rosto do Papa Francisco e dos peregrinos que, pela primeira vez depois de seis meses, puderam participar de uma Audiência Pública com o Pontífice.

A audiência desta quarta-feira, 2 de setembro, aconteceu no Pátio São Dâmaso, dentro do Palácio Apostólico, e não na Praça São Pedro, como de costume. O motivo é simples: no local é possível controlar a entrada das pessoas e, assim, evitar aglomerações. É no Pátio São Dâmaso que são recebidos presidentes de governo, primeiros-ministros, embaixadores e bispos. É também o lugar onde acontece a cerimônia de posse dos novos recrutas da Guarda Suíça.

O Papa Francisco chegou ao local de carro fechado. Ao descer do veículo, logo abriu seu tradicional sorriso e se aproximou do público que o aguardava. O Santo Padre foi muito aplaudido pelas quinhentas pessoas que puderam participar do encontro. Todas tiveram que usar máscaras e seguir as normas de prevenção ao novo coronavírus (veja a galeria de fotos no fim deste texto).

No início do seu discurso, o Papa saudou os peregrinos: “Depois de tantos meses, retomamos nosso encontro face a face, e não ‘tela a tela’, mas face a face”.

Na catequese, Francisco foi enfático ao abordar a solidariedade como ponto crucial para a superação da crise provocada pela pandemia: 

 

“A atual pandemia pôs em evidência a nossa interdependência: estamos todos ligados uns aos outros, tanto no mal como no bem. Por conseguinte, para sairmos melhores desta crise, devemos fazê-lo juntos, juntos, não sozinhos. Sozinhos porque não se consegue. Ou se faz juntos ou não se faz. Devemos fazê-lo juntos, todos nós, em solidariedade. Gostaria de sublinhar esta palavra, solidariedade”.

 

O Santo Padre também explicou o que quer dizer com “solidariedade”:

 

“A palavra solidariedade significa muito mais do que alguns atos esporádicos de generosidade, é muito mais, supõe a criação de uma nova mentalidade que pense em termos de comunidade, de prioridade da vida de todos sobre a apropriação dos bens por parte de alguns. Isso significa solidariedade. Não é só questão de ajudar os outros, isso é muito bom fazer, mas é mais. Trata-se de justiça”.

 

O Pontífice também falou sobre a força do Espírito Santo, que inspira o combate ao individualismo:

 

“Uma diversidade solidária possui os “anticorpos” para que a singularidade de cada um – que é um dom, único e irrepetível – não adoeça com o individualismo, com o egoísmo. A diversidade solidária também possui os anticorpos para curar estruturas e processos sociais que se degeneraram em sistemas de injustiça, em sistemas de opressão. Portanto, a solidariedade hoje é o caminho a percorrer em direção a um mundo pós-pandemia, para a cura de nossas doenças interpessoais e sociais. Não há outro. Ou seguimos em frente pelo caminho da solidariedade ou as coisas irão piorar. Quero repetir: de uma crise não sai como antes. A pandemia é uma crise. De uma crise, sai-se melhor ou pior. Temos que escolher. E a solidariedade é precisamente o caminho para sair melhores da crise, não com mudanças superficiais, com uma pintura por cima e tudo está bem. Não. Melhores!”

 

 

Líbano

No final da audiência, Francisco destinou um longo tempo para falar sobre o Líbano. A crise sócio-econômica e política do país foi agravada recentemente por um explosão no porto da capital, Beirute, que deixou centenas de vítimas. Disse o Pontífice:

 

“Diante das repetidas tragédias que cada um dos habitantes desta terra conhece, tomemos consciência do extremo perigo que ameaça a própria existência do país. O Líbano não pode ser abandonado em sua solidão.”

 

O Papa também convocou para esta sexta-feira, 4 de setembro, um dia mundial de oração e jejum pelo Líbano:

 

“Tenho a intenção de enviar o meu representante ao Líbano naquele dia para acompanhar a população. Nesse dia, o secretário de Estado irá em meu nome. E ele irá, para expressar minha proximidade e solidariedade. Ofereçamos nossas orações por todo o Líbano e por Beirute. Estamos próximos também com o compromisso concreto da caridade, como em outras ocasiões semelhantes. Convido também os irmãos e irmãs de outras confissões e tradições religiosas a se unirem a esta iniciativa nas modalidades que considerarem mais adequada, mas todos juntos.”

 

Ao lado de um sacerdote libanês que segurava a bandeira do país, o Papa finalizou a audiência pedindo uma oração silenciosa pelo Líbano.

Fonte: Redação da Aleteia / pt.aleteia.org