Restrições à liberdade religiosa são as mais severas dos últimos an





O levantamento do Pew Research Center mostra que o mundo está sofrendo o maior nível de restrições à liberdade religiosa desde 2007

 

 

Restrições à liberdade religiosa são as mais severas dos últimos 10 anos, afirma estudo divulgado nesta terça-feira, 10, pelo instituto norte-americano Pew Research Center. O levantamento mostra que o mundo está sofrendo o maior nível de restrições à liberdade religiosa desde 2007.

Na verdade, os números atuais são bem mais graves do que os dados já dramáticos indicados pelo estudo, porque as informações analisadas no levantamento são de 2018 – e agora, em 2020, a pandemia de covid-19 tem servido como justificativa para restrições de inaudita severidade e arbitrariedade para as práticas religiosas públicas.

 

Restrições à liberdade religiosa

O que o estudo considera, no entanto, são as políticas habituais de restrição religiosa no mundo. Entre os dados divulgados, observa-se, por exemplo, que 28% dos países restringem em grau elevado a prática religiosa. Esse número sobe para 90% no caso do norte da África e do Oriente Médio.

A distribuição destes países restritivos é desigual. 18 deles situam-se no norte da África e no Oriente Médio, enquanto 25 países ficam na região da Ásia-Pacífico. Ao se acrescentarem outras regiões da Ásia, o número de casos de opressão religiosa naquele continente sobe para 31 países.

 

Por religião

Em Myanmar, antiga Birmânia, a maior quantidade de pessoas perseguidas é de muçulmanos de etnia rohingya, mas há perseguição também contra a minoria cristã dos Estados de Kachin e de Shah.

 

No restante dos países, a esmagadora maioria de vítimas da perseguição religiosa é cristã, o que mantém o cristianismo como a religião mais perseguida do planeta.

 

Em 2018, houve relatos de cristãos perseguidos em 145 países, dois a mais que em 2017. Em 139 deles também houve perseguição a muçulmanos, mas é importante notar que os países que mais perseguem muçulmanos incluem os próprios países islâmicos: nesses casos, as correntes minoritárias do islã sofrem discriminação e restrições por parte da corrente dominante. As principais vertentes islâmicas são os xiitas e os sunitas, frequentemente em conflito, mas também há uma variedade de outras correntes minoritárias que sofrem pressão dentro da própria religião muçulmana.

Os relatos sobre a perseguição a judeus apontam incidentes em 88 países, incluindo o esfaqueamento, na França, de uma mulher de 85 anos que tinha sobrevivido ao Holocausto.

O grupo religioso que sofreu o maior aumento de perseguição estatal foi o dos budistas, com episódios em 24 países no ano de 2018: haviam sido 19 países no ano anterior.

 

China

Um dos países que mais violam a liberdade religiosa é a China, oficialmente ateia devido ao regime comunista ao qual está sujeita. De fato, o Pew Research Center aponta a China como o país com as maiores restrições religiosas no mundo – com a ressalva de que este estudo não incluiu a Coreia do Norte por falta de dados confiáveis. A ditadura comunista norte-coreana, presumivelmente, ocuparia o triste primeiro lugar na lista, com base no que se sabe a partir de relatos de fugitivos dos campos de concentração do país, nos quais grande parte dos prisioneiros são cristãos.

Fonte: Francisco Vêneto / pt.aleteia.org